09/02/2010

A Origem do Mal

A Origem do Mal – Hannibal Rising

Direção: Peter Webber

Gênero: Suspense

EUA – França – Inglaterra – 2007

Apenas um curto comentário.

Com a popularidade das informações, é sabido pela maioria que a infância, para a Psicanálise, é primordial; isso não é novidade nem mesmo para as pedras. É na primeira infância que é estruturado todo o corpo psíquico do sujeito. Dali que surgem os autistas, psicóticos, perversos, neuróticos etc. Não é de se estranhar, portanto, que eu tenha depositado uma grande expectativa nesse filme, posto que é aqui que temos acesso à infância de Hannibal. Doce ilusão. O filme contradiz em absoluto tudo que foi dito nas entrelinhas e nas linhas de O Silêncio dos Inocentes e O Dragão Vermelho.

A Origem de Hannibal não é má, mas o acontecimento  que lhe traumatizou, sim, é mau. Explico-me: Hannibal é de uma família bem composta, amorosa, tem uma irmãzinha muito da bonitinha, enfim, família acima do normal. Lá pros seus 8/10 anos, Hannibal é raptado junto com sua irmã e tem o desprazer de presenciar o canibalismo que fizeram com ela. Sim, concordo, isso é um motivo forte pra uma série de coisas, mas, primeiro, tendo ele mais de 7 anos todo o arsenal psíquico já se encontra formado ou quase lá, é preciso ter isso em mente.

Hannibal, assim, se torna um justiceiro, tal como Batman, que presenciou a morte de seus pais e declarou guerra aos inimigos de Gotham City. Até aí, normal. Mas, diante do que é visto em O Silêncio e em O Dragão condiz com sua verdadeira origem? Certamente que não, pois Hannibal não é um herói.

De maneira que eu não considero essa Origem tão assim do mal e muito menos, Hannibalesca. Acho que estão falando de outro Hannibal, um mais humano e saudoso de sua irmãzinha. Um que pretende adocicar a alma dos espectadores.

Por: Vampira Olímpia.

08/02/2010

Lula – O Filho do Brasil

Lula – O Filho do Brasil

Direção: Fábio Barreto

Gênero: Drama

Brasil – 2009

Por mim seria assim: Lula, o filho da Lindú. Que mulher! Nascida e permanecida analfabeta, ela cria seus oito filhos com desvelo. O sétimo deles é Luiz Inácio. Menino travesso, brincalhão, que não quer nada com nada e por sorte vai subindo na vida.

Sua trajetória é quase heróica, vindo de Garanhuns, com pai alcoólatra e violento, bom aluno, tanto que a professora até quer criá-lo, o que Lindú recusa. Seu irmão é envolvido no movimento sindical e ele aterrissa ali por acaso, afinal ele não sabia.

Sua primeira namorada é linda, inclusive é a cara da sua mãe, Lindú. Freud explica. Aliás, as atitudes quase messiânicas do protagonista são interessantíssimas, atualmente. Bom voltando ao filme, ele apaixona, a trilha sonora é Tim Maia e resulta em casamento.

Paralelamente seu crescimento no meio dos trabalhadores é sintomático. Ele é sangue novo. Seu discurso é riquíssimo em metáforas futebolísticas e outras similares, é verdadeiramente, o filho do Brasil. O ator vai acrescentando paulatinamente o sotaque carregado e a fonação característica da anquiloglossia… fica legal, mas 99% das pessoas com a língua presa falam daquele jeito durante todo o sempre, porque o sujeito só começa a soltar o verbo depois dos discursos?

Uma tragédia o abala ferozmente. E ele conhece uma nova mulher. Galega, origem italiana, sofrida como ele. Desta união vem a força necessária para vencer. Com o total apoio de Lindú, que em minha opinião é magistralmente interpretada por Glória Pires. Atriz esta que é a única que conheço que começou na TV e arrebenta tanto no cinema quanto no teatro. Casada com meu amigo de infância o Orlandinho Navega, um sujeito boa praça e grande cantor, só pra constar…

Muito boas as cenas do populacho reunido no estádio de futebol. Emocionei-me de fato – e somente neste instante- com a movimentação local e a comunicação paralela entre eles, sem microfone. Engraçado que o enredo é feito para você se tocar com o coitadinho do Lula, mas não me tocou hora alguma.

Achei que faltou “pegada” para o diretor. Meia boca o namoro brega dele, com coraçãozinho de neon. Falseta a amputação de famoso dedo. E fraquíssima as discussões com o antigo líder.

O final dá um salto temporal descomunal. Ele vira presidente do país em que vivo e não consigo ver nada político e nem seus méritos e defeitos (todo mundo tem defeitos, até o Lula… imagino!). Pois não mostrou a fundação do PT, partido que o elegeu e o apoiou em 03 derrotas eleitorais consecutivas. No fundo é um diretor fraco que se utiliza de um personagem forte para fazer um filme mediano.

O que há de bom:
Glória Pires fantástica e o ator muito corajoso em interpretar alguém que o Brasil inteiro conhece, Rui Ricardo Diaz

O que há de ruim: diretor passável, fez um novelão clássico e sem criatividade alguma, desperdiçando um personagem tão rico e idiossincrático

O que prestar atenção: a morte de um retirante no meio do caminho é uma péssima cópia de uma cena do excepcional “Vinhas da Ira”
A cena do filme: o estádio e a incrível capacidade de dominar as massas de Lula

Cotação: filme regular(@@)

Por: C.O.B.R.A.

06/02/2010

A Origem do Expressionismo Alemão

Saímos da Primeira Guerra Mundial, que devastou a Alemanha; o espírito germânico se reestrutura com muita dificuldade, a atmosfera é destrutiva, os valores estão abalados, o número de alemães mortos em combate alimenta ferozmente a alma dos sobreviventes. Esse conjunto provoca a atração nata do alemão pelo que é obscuro e indeterminado.

A linguagem dos expressionistas alemães é entrecortada subvertendo a ordem sintática tornando-se quase inacessível. Pois os alemães transmutam as manifestações artísticas. Convém não se prender ao domínio plástico e gráfico ao pensar no fenômeno do expressionismo, posto que sua aparência simplificada é apenas mais uma artimanha artística; os significados são vagos, as cadeias de palavras parecem se dar ao acaso, tudo aparentemente exagerado e sem lógica. Mas, as insinuações estão ali. Justo ali.Onde? Ali. A linguagem carregada de metáforas permanece obscura e nebulosa de propósito. Quem capta o sentido? É preciso conhecer as senhas…

Segundo Edschmid, o Expressionismo reage contra o estilhaçamento atômico do Impressionismo. Ou seja, o mundo aí está, não sendo possível reproduzi-lo – nem mesmo em fotografia – como tal. Para os expressionistas, é preciso ir além da forma acidental das coisas. A mão do artista atravessa a parede e encontra o que há por trás do muro. Isto é, o expressionista resgata “a expressão mais expressiva” dos objetos.

Assim, é possível falar de O Gabinete do Doutor Caligari (Das Kabinett des Dr. Caligari, 1919) tendo em mente o universo que o originou.

De acordo com Lotte Eisner, que comenta as explicações anotadas por Kracauer em seu livro “De Caligari a Hitler”, toma-se conhecimento que o prólogo e o epílogo do drama foram acrescentados posteriormente. Desta forma, nota-se que o final tudo foi reduzido às alucinações de um louco. Problemático, uma vez que os autores do filme tinham outra intenção, a de desmascarar a figura de uma “autoridade social” alienante.

No contexto histórico é fácil entender que o filme foi construído sob uma considerável economia, a Alemanha ainda sofria de uma instabilidade financeira que chegava às margens da miséria. Se viviam nos cumes de uma inquietação e terror, o que importa, portanto, é criar uma inquietação e terror como forma sublimatória do momento em si.

O cenário de Caligari é plano demais, a sua profundidade se dá por um pano de fundo que reflete como um espelho holográfico as ruelas com linhas onduladas. É uma plástica audaciosa que propõe uma extensão vaga e obscura. O espectador se perde nos sentidos propostos, é oprimido pelo eco que as expressões suscitam, afinal, o cenário e todo o filme, não trai o cenário da época.

Por: Suzana Fehu.

05/02/2010

Avatar

Avatar

Direção: James Cameron

Gênero: Religioso, Épico

EUA – 2009

Honestamente, se o filme não contasse com nenhuma fala, som, música, e só expusesse as imagens, com certeza as pessoas entenderiam a mensagem emitida. Avatar não tem criatividade alguma! Sabem o que é nenhuma? Contudo, não falarei mal do filme (ele já faz esse papel por si só) e nem farei com que vocês percam seus tempos lendo sobre as cores e efeitos especiais em 3D (dããã). Já que o blog é composto por pessoas que pensam, opto por partir pro que interessa: conteúdo abordado no filme.

Aqui, nós somos os “ETs”. Somos nós quem invadimos o Planeta vizinho com nossa tecnologia, ciência e ambição, e criamos duplicatas para ludibriarmos a boa fé da civilização vizinha e colonizarmos suas terras. Ou seja, somos os bandidos. A civilização do Planeta Pandora é composta por seres bons, que louvam o divino e… já viram esse filme? Também. Diariamente!

(qual a novidade disso?)

Mais um filme que mete o pau na Ciência em detrimento às crenças religiosas, mais um filme que se pretende diferente, inovador e não sai do de sempre: parâmetros humanos.

A Ficção Científica que não sai do âmbito humanóide é ficção? Não. Não há ficção em algo tão cotidiano e primitivo. Todas as ações e todas as imaginações humanas tem em vista satisfazer as necessidades do homem e trazer conforto a suas dores. Recusar essa evidência é não compreender a vida humana.

“No primitivismo, por exemplo, o temor suscita representações religiosas para atenuar a angústia da fome, o medo das feras, das doenças, da morte. Neste momento da história da vida, a compreensão das relações causais mostra-se limitada e o espírito humano tem de inventar seres mais ou menos à sua imagem” (Albert Einstein – Como Vejo o Mundo).

Esta invenção faz com que o homem transfira para o poder desses seres inventados as experiências dolorosas e trágicas de seu destino. ‘Seja o que Deus quiser’ é mais fácil de ser dito, por incrível que pareça, do que ’seja o que eu quiser e fizer por onde’.

Desta forma, a Religião (qualquer uma) é estruturada sob o crivo da angústia perante à vida, à morte e à impotência mediante ambas. Posto que ela, a Religião, cumpre o papel de intermediária entre os seres temíveis e o seres que temem.

“(…) Deus-Providência, ele preside ao destino, socorre, recompensa, castiga. Segundo a imaginação humana, esse Deus-Providência ama e favorece a tribo, a humanidade, a vida, consola na adversidade e malogro, protege a alma dos mortos. É este o sentido da religião vivida de acordo com o conceito social e moral de Deus”.

(Albert Einstein – Como Vejo o Mundo).

Como seria a vida humana se a condição existencial fosse apenas baseada no medo do castigo e na esperança de uma recompensa depois da morte, como bem quer a Religião?

Por isso, pra mim, a Ciência e a Arte cumprem um papel de suma importância, pois mantêm acesa a liberdade de produção sem temores.

O que quis esse filme é o que todo “Papa Pop” quer! Santificar o divino, ajoelhar as pessoas, fazer do povo ovelhas surdas e cegas, além de temerosas a Deus.

Suponho que Avatar vá ganhar o Oscar!

Se fosse um filme que elevasse a Ciência à dignidade da Coisa (sem precisar detonar qualquer outra coisa que seja) certamente não ganharia nem mesmo prêmio de pior filme; seria massacrado pela mídia dos “impostos”, pelas Igrejas e teria o Diretor excomungado.

Aliás, interessante o nome do Planeta… Pandora!

Amém!

Não recomendo.

Por: Morgana.

04/02/2010

Senhor dos Anéis – As Duas Torres

O Senhor dos Anéis – As Duas Torres – The Lord of the Rings – The Two Towers

Direção: Peter Jackson

Gênero: Épico, Fantasia, Aventura, Drama

EUA – 2002

Para refrescar a memória, sinopse de  A Sociedade do Anel redigida por Tolkien:

“A Sociedade do Anel narra como Gandalf, o Cinzento, descobriu que o anel possuído por Frodo, o hobbit, era na realidade o Um Anel, que governava todos os Anéis de Poder. Relata também como Frodo e seus companheiros fugiram do pacífico Condado, sua terra natal, e foram perseguidos pelo terror dos Cavaleiros Negros de Mordor até que finalmente, com a ajuda de Aragorn, o Guardião de Eriador, chegaram à Casa de Elrond em Valfenda. Ali aconteceu o Grande Conselho de Elrond, no qual foi decidido que se deveria tentar destruir o Anel (…)”

A primeira parte termina mostrando a dispersão dos membros da Sociedade do Anel e morte de Boromir. Esta segunda parte, As Duas Torres, é narrado como cada personagem trilha isoladamente em busca de ajudar Frodo em sua missão, que no fundo, é missão de todos que ainda desejam ver homens livres na Terra Média.

Peter Jackson soube traduzir para o formato cinematográfico aquilo que Tolkien dissertou outrora. Há diferenças, claro, mas o conjunto foi fiel à origem. No entanto, pegando o gancho de uma discussão ocorrida nos comentários do post sobre A Sociedade do Anel, no livro As Duas Torres a frequência em que Sam se diz do Frodo (“Seu Sam”) é equivalente à problemática apresentada, ou seja, repetidas ocorrências. Tolkien deixa claro que se trata de um tratamento entre “Mestre e Discípulo“, nada além disso. Já Peterson, problematizou a leitura de forma mais maliciosa. Após ler o livro,  esse aspecto diferenciado é claramente verificável. Os demais membros também estão a serviço de Frodo, mesmo que indiretamente no convívio.

As Duas Torres é um livro menor, são 364 páginas, e também, mais dinâmico, uma vez que o leitor se encontra ambientado com o enredo e suas nuances. Porém, o longa-metragem deixa a desejar; já que, isoladamente, o filme não se sustenta sozinho, é preciso a ajuda dos outros dois para dar substância em todo seu formato, o que não ocorre com A Sociedade do Anel e O Retorno do Rei, podem com tranquilidade funcionar como obras independentes. Jackson poderia ter explorado mais os conteúdos do livro.

Por: Guerra de Pipoca.

04/02/2010

Oscar 2010!!

Oscar 2010

(Lembrando que para o de Melhor Filme, agora são 10 indicado.)

Lista completa dos indicados:

- Melhor Filme

“Avatar”
“Um sonho possível”
“Distrito 9″
“Educação”
“Guerra ao terror”
“Bastardos inglórios”
“Preciosa”
“Um homem sério”
“Up – Altas aventuras”
“Amor sem escalas”

- Melhor Direção

James Cameron, “Avatar”
Kathryn Bigelow, “Guerra ao terror”
Quentin Tarantino, “Bastardos inglórios”
Lee Daniels, “Preciosa”
Jason Reitman, “Amor sem escalas”

- Melhor Ator

Jeff Bridges, “Coração louco”
George Clooney, “Amor sem escalas”
Colin Firth, “A single man”
Morgan Freeman, “Invictus”
Jeremy Renner, “Guerra ao terror”

- Melhor Ator Coadjuvante

Matt Damon, “Invictus”
Woody Harrelson, “The messenger”
Christopher Plummer, “The last station”
Stanley Tucci, “Um olhar do paraíso”
Christoph Waltz, “Bastardos inglórios”

- Melhor Atriz

Sandra Bullock, “Um sonho possível”
Helen Mirren, “The last station”
Carey Mulligan, “Educação”
Gabourey Sidibe, “Preciosa”
Meryl Streep, “Julie & Julia”

- Melhor Atriz Coadjuvante

Penélope Cruz, “Nine”
Vera Farmiga, “Amor sem escalas”
Maggie Gyllenhaal, “Coração louco”
Anna Kendrick, “Amor sem escalas”
Mo’Nique, “Preciosa”

- Melhor Animação

“Coraline”
“O fantástico Sr. Raposo”
“A princesa e o sapo”
“O segredo de Kells”
“Up – Altas aventuras”

- Melhor Filme Estrangeiro

“Ajami”
“El secreto de sus ojos”
“The milk of sorrow”
“Un prophète”
“A fita branca”

- Melhor Direção de Arte

“Avatar”
“O mundo imaginário do Dr. Parnassus”
“Nine”
“Sherlock Holmes”
“The young Victoria”

- Melhor Cinematografia

“Avatar”
“Harry Potter e o enigma do príncipe”
“Guerra ao terror”
“Bastardos inglórios”
“A fita branca”

- Melhor Figurino

“Bright star”
“Coco antes de Chanel”
“O mundo imaginário do Dr. Parnassus”
“Nine”
“The young Victoria”

- Melhor Edição

“Avatar”
“Distrito 9”
“Guerra ao terror”
“Bastardos inglórios”
“Preciosa”

- Melhor Maquiagem

“Il Divo”
“Star trek”
“The young Victoria”

- Melhor Trilha Sonora

“Avatar”
“O fantástico Sr. Raposo”
“Guerra ao terror”
“Sherlock Holmes”
“Up – Altas aventuras”

- Melhor Canção

“Almost there”, “A princesa e o sapo”
“Down in New Orleans”, “A princesa e o sapo”
“Loin de Paname”, “Paris 36”
“Take it all”, “Nine”
“The weary kind”, “Crazy heart”

- Melhor Roteiro Original

“Guerra ao terror”
“Bastardos inglórios”
“The messenger”
“Um homem sério”
“Up – Altas aventuras”

- Melhor Roteiro Adaptado

“Distrito 9”
“Educação”
“In the loop”
“Preciosa”
“Amor sem escalas”

- Melhores Efeitos Visuais

“Avatar”
“Distrito 9”
“Star trek”

- Melhor Som

“Avatar”
“Guerra ao terror”
“Bastardos inglórios”
“Star trek”
“Transformers: A vingança dos derrotados”

- Melhor Edição de Som

“Avatar”
“Guerra ao terror”
“Bastardos inglórios”
“Star trek”
“Up – Altas aventuras”

- Melhor Documentário

“Burma VJ”
“The cove”
“Food, Inc.”
“The most dangerous man in America: Daniel Ellsberg and the Pentagon papers”
“Which way home”

- Melhor Documentário em Curta-metragem

“China’s unnatural disaster: The tears of Sichuan province”
“The last campaign of governor Booth Gardner”
“The last truck: Closing of a GM Plant”
“Music by Prudence”
“Rabbit à la Berlin”

- Melhor Curta-metragem

“The door”
“Instead of Abracadabra”
“Kavi”
“Miracle fish”
“The new tenants”

- Melhor Curta-metragem de Animação

“French roast”
“Granny O’Grimm’s Sleeping Beauty”
“The lady and reaper”
“Logorama”
“A matter of loaf and death”

Fonte: Internet.

Por: Guerra de Pipoca.

03/02/2010

Aconteceu em Woodstock

Aconteceu em Woodstock (Taking Woodstock)

Direção: Ang Lee

Gênero: Comédia

EUA, 2009

Quem imagina que nada mais resta a ser dito ou mostrado sobre o Festival de Woodstock, que completou 40 anos em 2009, mas tem curiosidade de saber como foi viabilizado (?) aquele evento que marcaria toda uma geração, não pode perder “Aconteceu em Woodstock”. Roteirizado a partir do livro homônimo e autobiográfico de Elliot Tiber, personagem principal de ambos, o filme traz direção do taiwanês Ang Lee, o mesmo de Brokeback Mountain e foi inicialmente apresentado como curiosidade na 33ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. O ator principal, Demetri Martin, vem das comédias da TV americana, mas não faz feio no papel de um gay enrustido e atordoado pelo tamanho do que lhe caiu nas mãos.

Sem se revelar nenhuma obra prima, Aconteceu em Woodstock tem o mérito de mostrar os bastidores do festival que mudou a vida da pequena cidade de Bethel, no Estado de Nova York, quase que por acaso: a vizinha cidade onde seria realizado expulsou seus organizadores com medo do que hordas de hippies poderiam provocar na pacata vidinha de seus moradores. Tiber, com a autoridade de ser presidente da Câmara de Comércio local e tentando desesperadamente manter a tona o deficitário e mambembe hotel de seus pais, viu ali a oportunidade de obter algum lucro. Obteve muito mais do que podia imaginar, na verdade – além do ódio de seus vizinhos, furiosos com o festival de nudez, drogas e orgias apresentado pelos visitantes, que engarrafaram a estrada ao longo de uma semana. Propinas soltas a torto e direito pelos advogados da empresa produtora do evento, entretanto, eliminaram todas as tentativas de evitar o show. Como se vê, nem só de paz, amor e baratos afins se movimentava o show business. Corrupção, então como agora, fazia parte do show.

Mas que ninguém espere ver em cena os artistas que fizeram de Woodstock o grande evento de toda uma geração. Comprar os direitos de imagem do filme original e de nomes como Janis Joplin, Jimi Hendrix e tantos outros sairia caro demais e o filme opta por mostrar exclusivamente os bastidores – nem as músicas originais, na verdade, foram usadas, o que frustra um bocado. É uma produção barata, mas muito simpática. Vale um bom pacote de pipoca numa tarde chuvosa.

Por: Maria Pos.

02/02/2010

A Menina no País das Maravilhas

A Menina no País das Maravilhas – Phoebe in Wonderland

Direção: Daniel Barnz

Gênero: Drama

EUA – 2009

Antes de mais nada, me pus a pensar no por que um filme como esse é lançado direto em DVD sem passar pelo crivo das bilheterias nos cinemas. Confesso que até agora não cheguei em nenhuma resposta, pois esse filme é tão gracioso…

Quem leu Alice no País das Maravilhas de Lewis Carroll? Todos já leram, né? E quem já leu Alice no País dos Espelhos? Todo mundo, não? Então, o ambiente do filme é bem conhecido. Só não conhecia o talento de Elle Fanning, a Menina no País das Maravilhas… Essa garotinha tem um futuro brilhante, muito boa atriz. Os diálogos entre ela e  sua mãe, a atriz Felicity Huffman, são simplesmente tocantes.

Mãe permissiva, pai ausente, o que obtemos dessa matemática? Essa somatória geralmente é problemática, todo filho demanda limites. Só que eu não vou entrar na questão da problemática psicológica da menina, pois se eu fizer isso, detonarei a arte que está por trás de toda a mensagem que o filme intenciona transmitir. E que mensagem…

Phoebe cria um País das Maravilhas em sua mente por perceber que esse mundo aqui é cheio de regras rígidas e pouco explicativas. Ninguém poderá dizer que ela se engana.

O filme é lindo, riquíssimo nos diálogos, nas ações. Pra quem é fã do original de Lewis Carroll, recomendo. Não é uma cópia fiel do livro, mas uma linda interpretação dele (nem poderia dizer que se trata de uma adaptação, porque não é). Alice ficaria feliz se o visse…

Por: Guerra de Pipoca.

01/02/2010

Fitzcarraldo

Fitzcarraldo

Diretor: Werner Herzog

Gênero:
Drama

Alemanha, Peru, 1982

A geração que cresceu acompanhando filmes finalizados no ar condicionado dos gabinetes de criação como Dream Works pode não entender de primeira a verdadeira relevância de um filme como Fitzcarraldo. Mas se o espectador mantiver em mente a informação de que nada do que ali é mostrado é efeito especial, mas a mais pura e alucinada realidade, o impacto é tremendo. Fitzcarraldo é a obra de um louco sobre a visão de outro louco, levada às últimas consequências.

Inspirado remotamente num personagem real, Carlos Fitzgerald, que viveu no Peru no início do século passado, Fitzcarraldo, corruptela nativa para o nome original, é a história de um amante da ópera que sonha em montar um teatro semelhante ao da então efervescente Manaus na longínqua Iquitos, onde o rio Amazonas começa a ser navegável. Sem recursos para a empreitada, Brian Sweeney Fitzgerald adquire (com as economias de sua amante, Molly, dona de um bordel interpretada por Claudia Cardinale) um lote de terra no qual pretende explorar borracha. Esse lote, que ninguém havia reivindicado até aquele momento, é isolado dos centros de escoamento da produção da época por corredeiras que inviabilizam o tráfego de navios. Analisando o mapa, o empresário percebe que a distância entre dois rios é pequena o suficiente para uma empreitada arriscada: carregar o navio de 340 toneladas no seco, morro acima e abaixo, de um rio para outro.

Na história real, um navio foi transportado sobre o morro, sim, mas desmontado. Herzog optou pela alternativa mais ensandecida (mas também visualmente mais impactante), de içá-lo inteiro usando trilhos, troncos, cordas e alavancas, com a ajuda de dezenas de índios da região, selvagens caçadores de cabeças encantados pela música de Caruso que sai do inseparável gramofone de Fitzcarraldo. Tudo o que se vê em cena foi real, exceto as mortes de dois extras. As dificuldades foram tantas e tão absurdas – incluindo aí os frequentes e violentos desentendimentos entre Herzog e seu alter ego e protagonista Klaus Kinski, a quem inicialmente não havia convidado, optando por Jason Robards, o qual adoeceu depois de um terço do filme rodado, tendo que ser substituído – que todo o mercado cinematográfico apostava que o filme nunca sairia. Saiu, mas levou três anos para ser filmado.

Entre as dificuldades encontradas por Herzog, cuja direção levou a Palma em Cannes naquele ano, está a recusa do ator que interpreta o capitão do navio, Paul Hittsches, a encarar as corredeiras naquela gaiola em ruínas. Irritado com a atitude, Herzog assumiu ele mesmo o lugar em cena, partilhando da aventura que acabou ferindo metade da equipe que dela participou. Reza também a lenda em torno do filme que o chefe da tribo que participou da filmagem se ofereceu para matar Kinski, que a todo momento ameaçava retirar-se do incômodo set.

Finalmente,quando a última cena foi gravada, o diretor conseguiu perder o negativo, que só foi localizar um mês depois. Para sorte do público, o filme conseguiu ser lançado e a dupla Herzog e Kinski, mais uma vez, mostrou quão produtiva pode ser a loucura quando bem canalizada. A cena final, de Fitzcarraldo cumprindo a promessa feita a um porco, olhar enlouquecido e sorriso largo no rosto, é uma lavagem de alma melhor que qualquer Prozac. Ave, Herzog!

Por: Maria Pos.

31/01/2010

Forrest Gump – o Contador de Histórias

Forrest Gump – O Contador de Histórias

Direção: Robert Zemeckis

Gênero: Drama

EUA – 1994

A primeira vez que vi Forrest Gump eu não vi nada demais. Na verdade, eu não entendi. Pra mim era uma simples história de um menino com problema nas pernas e que levou uma vida marginalizada e/ou vitoriosa por ter ultrapassado esse impasse; o que acontece com a maioria das pessoas que tem alguma deficiência física, qualquer coisa que faça para além de seu problema é considerada uma vencedora. Não sei em que medida eu apoio essa atitude social, pois no fundo ultrapassar os próprios limites é obrigação de qualquer um, seja deficiente ou não. “Ah mas pra eles tudo é mais difícil”, quem pode garantir isso? Concordo que sejam realidades diferentes, mas as dificuldades existem pra todos! No fundo, esse é um assunto delicado, uma vez que o ser humano discrimina aquilo que não é perfeito. Bom, acontece que enquanto todos comentavam que o filme é isso, aquilo, eu boiava na maionese.

Pois bem, resolvi falar com meu pai sobre ele. Aí meu pai disse: “Lalá, assista de novo. Forrest Gump conta os maiores marcos da história dos EUA, até então”. Uau! pensei. Eu nem tinha me tocado disso! Realmente, o filme é muito bem bolado!!! Pois, Forrest, o 007 Forrest Gump rs, (my name is Forrest, Forrest Gump), não apenas narra a história como também participa dela! E convenhamos, a cena dele ensinando Elvis a dançar é demais! rs

Como todo bom filme, há de se ter um romance!!! :) Eu fiquei pra lá de chateada com a forma  em que Jenny (Robin Penn, esposa de Sean Penn) tratava Forrest, mas depois entendi que era uma forma do diretor falar sobre a AIDS, a grande doença do século XX. Era preciso acentuar uma certa promiscuidade no contexto, pois era assim que as pessoas encaravam a AIDS antigamente, como uma doença de drogados e homossexuais. A AIDS aumentou ainda mais os preconceitos contra ambos grupos sociais. A contextualização dessa doença nesse momento atual é diferenciada, mas ainda existem aqueles que não cumprimentam com aperto de mão uma mão aidética.

O filme, sem dúvidas, é muito rico e interessante. Aborda temas polêmicos, e embora seja datado de 94, ainda é bastante atual. E, também, uma baita aula de História… Tom Hanks jamais desencarnou a ideia do personagem. Ao menos eu sempre o vejo, em outros papeis,  como Gump. Acontece isso com vocês também?

Bom filme para todos!

Por: Laís, (com um pequeno auxílio do tio Vini) :)

29/01/2010

Hannibal

Hannibal

Direção: Ridley Scott

Gênero: Suspense, Thriller Psicológico

EUA – 2001

Agora é a vez de Hannibal, porém, lembrem-se que cronologicamente este é o último filme do “quarteto Lecter”, mas ainda não falei do primeiro, que é A Origem do Mal, será resenhado pela Vamp.

Serei breve, farei um recorte de UM aspecto, apenas. Mas ressalto que existem vários. Já estou cansada desse serial killer, confesso.

A vantagem de falar de Hannibal é a certeza prévia de que será apenas uma opinião dentre centenas que existem. O meu foco, nesse filme, é o psicológico, farei apenas um voo rasante no ponto em que acho crucial para mudança de todo o contexto. Obviamente que o leque de “psis” que pensam sobre o canibal é vasto, contudo, por mais incrível que isso possa parecer são poucos os que verbalizam o quanto equivocados estão os diretores. Talvez por um interesse puramente comercial, não sei, fato é que aquele perverso intrigante e autêntico já se foi há um bom tempo; em Hannibal encontramos outra coisa, não ele.

Aqui, neste filme, Clarice Starling está na pele de Juliane Moore, o que certamente não agradou aos fãs. Jodie Foster, em O Silêncio dos Inocentes, adquiriu cadeira cativa por mérito absoluto; a troca teria de ser por alguém à altura. Juliane é boa atriz, mas o rostinho angelical dela não combina com a firmeza e decisão de Detetive Starling no corpo de Foster.

Continuamos com Anthony Hopkins, excelente. Porém, usufruimos apenas de sua fineza, elegância e sabedoria, posto que seu lado animalesco foi abafado indevidamente o filme inteirinho. Lecter, com sua inusitada maneira de ser,  parece estar apaixonado por Starling. O Diretor provoca esse pensamento em tempo integral. Tudo bem, os brutus também amam… só que perversos, sobretudo, psicopatas, não se apaixonam. Impossível não notar que no decorrer dos 4 filmes a direção quase transformou tudo em uma comédia romântica. SIM! É exatamente isso que estou falando de Hannibal! Embora requintado, com um suspense apurado, o que fizeram dele foi um romance “sideral” entre  o mesmo e Claricinha.

Ficou bom pelo conjunto e porque a direção não é obrigada a ter conhecimentos da Psicologia enquanto ciência para construir uma obra de arte, mas ficou ruim porque na melhor das hipóteses a massa pensa: “Hannibal está ficando velho” ou “não se fazem mais psicopatas como antigamente” ou “de serial killer para apaixonadinho da estrela foi só uma questão de tempo”…

Talvez pelo requinte do personagem essa mudança não fique visível para muitos, mas como um outro exemplo, imaginem aquele psicopata do filme Onde os Fracos não tem Vez se apaixonando por alguém a ponto de cortar sua própria mão? Vocês conseguem imaginar algo assim? Eu também não. O narcisismo e a frieza impedem de isso verdadeiramente acontecer.

No entanto, em Hannibal, depois de fazer uma patética lobotomia num policial -o que qualquer um da área da saúde para e fala: “hã? ” pra essa cena, mas nem tanto se comparado à lobotomia de Jogos Mortais-, Lecter corta sua mão para salvar a amada Starling e sua própria vida. Parênteses: podendo cortar a mão DELA. A gente quase acha fofo, né? rsrsrs Quero ver a Laís e a Bel falarem que Hannibal “fez coisas fofas por Claricinha”, porque fez mesmo!!! rsrsrs. É… Van Gogh corta sua orelha pela amada, ficou surdo. Aliás, era surdo antes mesmo do ato em si. Doctor Lecter corta sua mão… ao menos algemado ele não será mais, né? Dizem que vão os aneis e ficam os dedos. Enfim…

O filme não tem grandes coisas em termos de cinematografia, não inova em absolutamente nada, é apenas a história que deve ser levado em conta.

Eu recomendo. A fotografia é muito bonita, afinal, aqui estamos em Florença.

Por: Guerra de Pipoca.

28/01/2010

Sherlock Holmes

Sherlock Holmes

Direção: Guy Ritchie

Gênero: Mistério, Policial, Suspense.

EUA – Inglaterra – Austrália – 2009

Pra quem já leu os livros de Sir Arthur Conan Doyle e recebe a notícia que vai estreiar nos cinemas um filme sobre algum caso de Holmes pensa que vai encontrar aquilo que tem nos livros. Porém, o pensamento e a realidade são duas coisas diferentes, nesse caso. Sim, é claro que alguns pontos são comuns, como a ênfase no apartamento da 221B Baker Street, a divisão de moradia entre Holmes e seu fiel escudeiro Watson, algumas de suas manias extravagantes e excêntricas. Mas, em definitivo, o que não se espera é uma espécie de “Matrix Londrina” ou “Snatch: Porcos e Diamantes” , onde Holmes é um excelente lutador de “Kung Fu”. Tudo bem… ele aprecia boxe, mas alto lá! … é preciso ver pra crer, porque só contar ninguém que já o leu acreditaria…

Um aspecto negativo notório é o comportamento bobo que puseram em Holmes nesse filme! Um detetive que se baseia na ciência e na dedução lógica, que debocha do aspecto romântico de seu parceiro Watson, que está sempre um passo à frente, de repente é colocado no cinema como um alienado passível de ser passado pra trás constantemente por uma bela mulher…

Outro aspecto negativo (é, parece que os pontos negativos estão em maior número do que os positivos) é que qualquer um sabe que o vilão à altura de Sherlock é quem? quem? quem? Professor Moriarty. Nada contra o professor, ele é brilhante tanto quanto, mas não soa bastante clichê repeti-lo no filme descaradamente?

É preciso lembrar que Holmes é sinônimo de mistério…

Além de tudo, Londres pra ser retratada com um aspecto sombrio não precisava escurecer o ambiente. A música, as cores, o silêncio são ingredientes fortes nesse quesito, de maneira que apelar para iluminação mas colocar Robert Downey Jr. – repleto de falas bobas – pra interpretar nosso amado detetive é, no mínimo, atualizar demais Sherlock para esse tempo atual/banal. Momento Refresh! Downey Jr., esse ator que fez filmes de comédias, que tem cara de comédia, não colou bem para esse papel.

Inspetor Lestrade e Scotland Yard aparecem pouco, mas com participações interessantes.

Apesar dos pesares, é um filme que os fãs não podem deixar de marcar presença, nem que seja para confirmar que adaptar aquilo que Arthur Conan escreveu e desenvolveu tão bem não é mesmo pra qualquer um. Faltou diretor nesse filme.

p.s. algo que realmente soa como um mistério inexplicável é colocarem censura 16 anos pro filme…

Por: Guerra de Pipoca e Morgana.

26/01/2010

Sete Homens e um Destino

Sete Homens e um Destino – The Magnificent Seven

Direção: John Sturges

Gênero: Faroeste, Western

EUA – 1960

No topo da cadeia alimentar estão os predadores. Eles caçam, não tem residência fixa, são temidos por todos os animais. Entretanto são invariavelmente solitários, taciturnos e agressivos. Um pequeno vilarejo mexicano é visitado por um predador, que os explora continuamente. Sua comunidade é pacífica, plantadora e coletora, e muito digna.

Feridos em sua honra, vão a fronteira procurar outros animais que possam rivalizar com o grupo que persegue. E acham. Yul Brynner é líder incontestável, de roupa preta, voz grave e poderosa, sábio em seu silêncio. Ele é responsável por selecionar os demais voluntários para o combate. Seu teste de palmas com Chico (Horst Buchholtz) é insólito, Trinity o repetiu anos depois, de maneira fanfarrona, mas não menos espetacular.

O próximo é Steve McQueen, sempre agressivo, decidido, um exemplar e tanto. Contrasta com Charles Bronson, calado, olhos pequenos e sofridos, meio sem rumo, talvez um menino que nunca cresceu feliz. Outro personagem interessantíssimo é o almofadinha matador vivido por Robert Vaughn, este perdeu a coragem, a têmpera, a machosterona. Definitivamente a escrotinina não corre mais em suas veias, diverso de James Coburn que é letal com sua faca ou com seu revólver. Mortal, porém sem vibração.

Cada homem com uma característica peculiar, que os torna humanos aos olhos do espectador que no início os vê como exceções à regra, bichos selvagens que resolverão tudo ao modo antigo. Ou seja, na força. Não me esqueci de Brad Dexter, que como velho amigo de Brynner, pensa apenas no dinheiro que poderá ganhar, no sonho do Eldorado, da vida tranqüila, de aposentar-se.

A preparação da aldeia é tranqüila, boas cenas de tiros, revolveres, espingardas e secura no tempo. As festas, a vida linear dos aldeões transforma todos os salvadores. A luta está por vir. E no primeiro embate a vitória é comemorada com vívida alegria. Um pequeno romance (tem que ter, né?) e as crianças encantadas com o carisma de Bronson.

Contudo o segundo round, pode não ser o que queremos. A trilha sonora é esplêndida, machuca o coração junto com o pôr-do-sol do oeste. Qual o limite de lutar? Até onde podemos nos atirar sem que machuquemos os nossos entes queridos? Vivo e covarde ou herói morto? Os sete homens têm um destino. Eles retornam para salvar os fazendeiros e principalmente seus sonhos inconfessáveis de mudar de vida.

O final é eloqüente como todo bom western deve ser. Mortes a granel. Falas curtas e sonoras. Destaco que somente os herbívoros vencem, eles perderam, eles sempre perdem.

O que há de bom: o supra-sumo dos heróis de faroeste, pelo menos quatro são predadores de primeira; Yul Brynner, MCQueen, Bronson e James Coburn.

O que há de ruim: tempos depois descobri que é inspirado nos Sete Samurais, mas aceitei

O que prestar atenção: Calvera – o bandidão – nunca entendeu o porquê, pois nunca teve a oportunidade de pensar numa vida diversa da que levava

A cena do filme: todos os cinturões no chão, o dia em suspense, as decisões inadiáveis

Cotação: filme ótimo (@@@@)

obs: machosterona e escrotinina são humildes neologismos de própria autoria…

Por: C.O.B.R.A.

25/01/2010

O Segredo de Vera Drake

O Segredo de Vera Drake – Vera Drake

Direção: Mike Leigh

Gênero: Drama

Inglaterra: 2004

Há algum tempo assisti a esse filme, mas não sabia como desenvolver uma resenha sobre ele, afinal, não é legal sair por aí contando o segredo das pessoas rs.

O Segredo de Vera Drake, ambientado em 1950, conta a história de uma mulher que poderia facilmente ser encontrada em qualquer esquina: ama sua família, cuida bem de seus filhos, dá uma força enorme para sua mãe idosa e doente, é atenciosa e prestativa com amigos.

Mas Vera tem um segredo: ela faz aborto, sem cobrar nada, nas mulheres que desejam dar um basta na gravidez indesejada. Ela mesma não tem consciência de que o que ela faz pode trazer riscos à vida das mulheres, para ela não há maldade nesse ato, pois ao ser questionada sobre o que faz, ela diz que ajuda as jovens.

É descoberta quando uma de suas pacientes é internada, após ficar seriamente doente. Nesse ponto aqui, o filme se desenrola. A polícia entra em cena e dá início a uma investigação. Vera vê sua vida pessoal ser devastada e publicada, além de ter que lidar com a rejeição e com os olhares tortos dentro e fora de sua casa.

É um filme com um roteiro muito interessante e atual, bem estruturado, riquíssimo em detalhes, que levanta questionamentos sobre o aborto mostrando todos os lados e evita assim, tomar um partido, impor o certo ou o errado a respeito do assunto ou qualquer coisa parecida com isso.

Recomendo!!!!!

Beijãoooooo

Por: Bel.

24/01/2010

Persona

Persona.

Direção: Ingmar Bergman

Gênero: Drama

Suécia – 1966

Dissertar sobre esse filme seria um desrespeito ao Diretor e uma falta de compreensão com a obra. Essa opinião não é unânime entre os que viram o filme, mas deve ser entre aqueles que  não só viram, como também assistiram e sentiram ao longa. Portanto, escolhi algumas palavras, em livre associação…

Choque. Intimidade. Identificação. Simbiose.  Sintoma. Sim, Toma. Parasitismo. Alma. Melancolia. Resignação. Distância. Solidão. Ilha. Ausência. Abundância. Dor. Neurose. Solução. Igualdade. Culpa. Sentimento. Inconsciente. Amizade. Amor. Desamor. Desacordo. Sonho. Acordo. Preto&Branco. Cor. Luz. Sombra. Tempo. Atemporal. Humano. Sexo. Sexualidade. Visceral.

Silêncio.


Por: Guerra de Pipoca.