12/15/2009

O Senhor dos Anéis – A Sociedade do Anel

O Senhor dos Anéis – A Sociedade do Anel – The Fellowship of the Ring

Direção: Peter Jackson

Gênero: Épico, Fantasia, Aventura, Drama

EUA – 2001

-> Parto do pressuposto que os meus leitores de agora já viram esse filme.

Para meu último texto de 2009, escolhi resenhar sobre a primeira parte da trilogia do Senhor dos Anéis, as duas outras obras deixarei para 2010. Tão logo comecei a ler o livro em meados de  junho desse ano, entendi que pra falar dessa obra não bastava somente  vontade e ter visto – detalhadamente – o filme, posto que Tolkien é de uma riqueza linguística e literária sem igual.

Logo no Prefácio do livro Sociedade do Anel, Tolkien nos diz:

“O conto foi iniciado logo depois que O Hobbit foi escrito e antes de sua publicação, em 1937; mas não continuou nessa sequência, pois eu queria primeiro completar e colocar em ordem a mitologia e as lendas dos Dias Antigos, que já vinham tomando forma alguns anos. Quis fazer isso para minha própria satisfação e tinha alguma esperança de que outras pessoas ficassem interessadas nesse trabalho, especialmente por ele ser fruto de uma inspiração primordialmente linguística, e por ter sido iniciado a fim de fornecer o pano de fundo histórico necessário para as línguas élficas“.

Percebam que a intenção de Tolkien não se limitava à Literatura enquanto agente estético deliberado, mas sim, sua satisfação, como ele mesmo diz, se sustenta na Literatura enquanto agente construtor de conceitos linguísticos e criação de uma nova língua, a saber, a élfica. Não preciso dizer que infelizmente a língua não vingou, porém criar uma língua não é algo pra qualquer um.

[Meu querido Tolkien, tenha certeza que seu trabalho causou interesse em muitas pessoas e depois que foi parar no Cinema, aí é que alcançou diversas massas.]

Como toda boa história, esta cresceu, também, conforme foi sendo contada. Todas às vezes em que é contada verbalmente, toma alguma forma diferente, mas a base continua, claro. Peter Jackson decidiu contar  no Cinema  aquilo que Tolkien contou – e muito bem – em livro. Temos duas obras muito em comum, mas que se diferem, obviamente, em alguns pontos.

Dada a longevidade do livro A Sociedade do Anel, que é dividido em Livro I e Livro II, contendo 435 páginas, fora prefácio, prólogo, mapas e resumo do livro O Hobbit, não dava pra Peter Jackson ser inteiramente fiel à Literatura, também pelo formato que o Cinema tem. Por exemplo, é em Sociedade do Anel que fora contada a história do Smeagol, que matou Deagol e foi narrado no cinema no filme III. No primeiro capítulo do livro I que Gandalf conta pra Frodo o por que do anel ser tão maléfico; como exemplo, usa Gollum. Enquanto no filme logo após o aniversário de Bilbo, Frodo e Sam marcham rumo ao Pônei Saltitante, no livro, isso acontece por volta de uns 30 anos depois (somando todos os anos que Gandalf some e reaparece etc). Claro! Não dava pra Jackson se estender cronologicamente como no livro.

Então, fui percebendo que realmente, por mais fiel, O Senhor dos Anéis é uma obra tão rica que não deve ficar limitada ao conhecimento dela apenas nas 3 horas de filme. É sim preciso ler os livros! Afinal, uma coisa é ouvir a história por quem conta, outra bem diferente é ouvi-la por quem a criou…

Antes que especulemos sobre do que se trata a obra e suas “inspirações”, Tolkien é enfático:

“Quanto a qualquer significado oculto ou “mensagem”, na intenção do autor estes não existem. O livro não é nem alegórico nem se refere a fatos contemporâneos. (…) é claro que um autor não consegue evitar ser afetado por sua própria experiência, mas os modos pelos quais os germes da história usam o solo da experiência são extremamente complexos, e as tentativas de definição do processo são, na melhor das hipóteses, suposições feitas a partir de evidências inadequadas e ambíguas“.

Concordo com ele. É realmente atraente chafurdarmos nas intenções que o fizeram escrever tal texto, é sedutor especularmos e interpretarmos sob algum viés tudo que ele disse, porém, ele deixa bem claro que o que ele disse é isso e pronto. Sabemos que ele estava em guerra quando começou a escrever Senhor dos Anéis etc etc etc. Então, ao menos eu não irei passar por cima desse ensinamento sábio, escrito logo nas primeiras linhas…

Anel que detém o poder sob a égide de qualquer governo. Uma coisa é certa: a verdadeira guerra não se assemelha à guerra épica contada nos livros e no cinema. A epopéia requer heróis (e aqui temos Aragorn), reis, grandeza de espírito, nas guerras do dia-a-dia isso passa bem longe de acontecer. Os conflitos lendários entre Sauron e toda a Terra Média foram mágicos o suficiente para apreciarmos de maneira eficaz as histórias, sendo elas verdadeiras ou inventadas. Ainda que com muita invenção, inclusive de criação de uma língua, é possível tatear o poderio de uma guerra verdadeira através dessa guerra inventada (até que ponto?).

“Três Anéis para os Reis-Elfos sob seu ceu,

Sete para os Senhores-Anões em seus rochosos corredores,

Nove para Homens Mortais, fadados ao eterno sono,

Um para o Senhor do Escuro em seu escuro trono

Na Terra de Mordor onde as Sombras se deitam.

Um Anel para a todos governar, Um Anel para encontrá-los,

Um Anel para a todos trazer e na escuridão aprisioná-los

Na Terra de Mordor onde as Sombras se deitam”.

Homens Mortais fadados ao eterno sono… Por vezes, é necessário sair da caverna e encontrar sabedoria. Em A Sociedade do Anel, Gandalf é bem mais  sério do que vemos no cinema, mas é inegavelmente mais sábio… pra quem não sabe o que fará nas férias, dou uma sugestão: Vá ler esse livro. É uma Guerra e tanto.

Por: Guerra de Pipoca.

p.s. Avisei acima que esse é meu último texto desse ano, mas ainda farei um breve comunicado sobre as festas de fim de ano e minhas merecidas férias. Deixarei pra fazer isso nesse fim de semana.

12/13/2009

A Máquina do Tempo

A Máquina do Tempo – The Time Machine

Direção: George Pal

Gênero: Ficção Científica

EUA – 1960

Sem dúvidas Wells, junto de Verne, fora um dos maiores escritores de ficção científica de todos os tempos. A imagem que temos hoje dos alienígenas cabeçudos, os greys, vem de sua obra do Homem no Ano Um Milhão (algo assim). Então, é interessante como ele faz uma representação totalmente diferente em A Máquina do Tempo. Afinal, entre 800 mil e um milhão, é um pulo de “somente” 200 mil anos, não? Há uma resenha, no blog, sobre a versão recente, de 2002. Gosto de ambas as versões. A adaptação recente fora dirigida pelo bisneto de Wells, então encaro como quase uma homenagem, rescrita, da obra por seu descendente. Afinal—não li o livro—mas os dois filmes, de análogo, compartilham somente o título. Os enredos diferem bastante e sei que a versão da década de 60 é mais fidedigna (contudo, como não li o livro, não sei o quanto. Há algumas observações que não pude deixar de exclamar: será que Wells, um gênio, não percebeu isso? No que concerne a evolução humana, deve ter percebido, vide seu outro livro. Entretanto, a Máquina do Tempo fora seu primeiro livro. Estaria ele desinformado então?). Se ele percebeu, mas os produtores deliberadamente omitiram, deve ter sido pelo contexto da Guerra Fria, propagação ideológica do capitalismo e outros vieses que prefiro não adentrar.

É preciso lembrar que o livro tem lá sua intenção política. Wells quis demonstrar como a classe dominante explora os proletários. Tal exploração, aliada ao progresso tecnológico, tornaria as diferenças de classe ainda mais díspares, culminando na dissolução do homem em duas espécies. Os Eloi são os descendentes da burguesia. Ociosos e alienados da indiferença da Natureza. Os Morlocks derivam dos proletariados. Tornaram-se mais fortes, porém, ao invés de aniquilar com seus exploradores, os mantêm vivos, como fonte de alimento.

Se eu for falar de possíveis ideologias capitalistas embutidas no filme, direi que o resumo da ópera é o seguinte: no final, pobre sempre se ferra. Os Morlocks são derrotados. Se você é pobre, seu futuro é ficar azul e virar Smurf. Por isso, prefiro não adentrar.

Os Morlocks são azuis. Queria zoar e dizer que são Smurfs, ou então a cor azul provém da dieta canibal. Pombas! Quer ser canibal? Que seja! Mas usar carne humana como única fonte de alimentação é não saber balancear os alimentos. Contudo, é preciso lembrar que eles permaneceram subterrâneos durante muito tempo. Biologicamente, se acaso a luz solar se tornasse mais fraca, as plantas, a fim de potencializar ao máximo a fotossíntese, tenderiam a escurecer, com aspecto meio azulado. Se Wells pensou nisso: brilhante! Se não pensou, chutou e colheu maduro!

Resolvi falar desse filme, pois há algo interessante sobre a noção de ciúmes, que vem gera debate desde nos entendemos como seres humanos, uma vez que as noções de justiça e propriedade são postas em xeque.

George (nome dado como homenagem, pois no livro é tão somente “O Viajante no Tempo”) cria uma máquina do tempo. Diferente da versão de 2002, na qual o intuito da viagem é descobrir como alterar o passado para salvar a noiva da morte, o objetivo deste é deleite pelo avanço científico.

(Atenção: piadas de loira abaixo)

Enquanto Alexander precisa viajar até o ano 800 mil e tantos para descobrir porque ele não consegue reverter o passado (porque sua esposa Emma é loira! Não importa quantas vezes ele a salvar, ela acabará morrendo novamente), George decide avançar (além de ficar preso nas crostas sólidas de magma vulcânico—em Londres?—durante milênios) para constatar quando, finalmente, o homem conseguirá viver em paz. Um futuro que os Jetsons não conseguiram prever.  É nisto que quero fuçar.

Ao chegar no futuro distante, ele suspira. Enfim a humanidade conseguiu a paz! Então ele passeia pelos vales até encontrar os Elói, uma comunidade hippie com vestidos dos anos 60 e cabelos loiros. Os Morlocks foram inteligentíssimos ao permitir a sobrevivência somente dos loiros!

Entre risos blasés, uma loira se afoga. Ninguém faz nada. Apenas a contemplam morrer sem demonstrar qualquer traço de emoção. Não tramaram nada contra a menina, claro. Apenas, seguem impassíveis diante a indiferença da Natureza. Aceitam que é a ordem natural das coisas a ocorrência de acidentes. George, no entanto, fica indignado, revoltado, com o desleixo dos demais loiros.

Eis a sua resposta, George! Perguntou quando os homens poderiam viver, enfim, sem guerras? Bem, a solução não é das mais agradáveis!

A sua indignação é o motivo das guerras entre os homens! A morte é a única certeza absoluta da existência: não há nada a fazer para alterar isto. A pulsão da ação, de atividade, condena aos homens à guerra irremediavelmente. A omissão passiva dos Elói leva a “guerra” até eles. De qualquer modo, o final é a morte. Poder-se-ia alegar a desnecessidade de extremos. Afinal, uma das quatro verdades nobres do budismo é: “a virtude está no meio”.

Será a virtude ou o vício que está no meio? Sidharta Gautama, o Oráculo de Delfos, o Tao te Ching e outros mencionam um “meio” individual e intransferível. O meio, mesclado ao social, é a fonte dos vícios. Não confundir perspectivas de Hobbes, Baudelaire ou seu oposto em Rousseau.

O meio virtuoso pregado por tantos desde o início da História é único, inaliável, intrínseco, enraizado em cada indivíduo. É o equilíbrio individual. Ele é, necessariamente, antagônico ao equilíbrio do social, uma vez que duas pessoas não podem ser idênticas e, mesmo dentro do próprio indivíduo, sua transitoriedade no que concerne mudanças ideológicas é inegável, o que pode deturpar a noção de estabilidade. Sem contar que: se as emoções primárias de moralidade são derivadas do “meio” social, como produzir um “meio/ equilíbrio” único? Eis a fonte de todo o conflito interno, que se manifesta no externo mediante a guerra.

Quando George, da versão de 1960, reclama da preguiça do homem da raça Éloi, da negligência e reivindica, ele responde sua própria pergunta porque há tantas guerras no mundo de seu tempo. Sua irritabilidade contra esse povo, sua afirmação de que é humano, desconsidera a “paz” enfim encontrada na humanidade. Reparem: os Éloi não ajudaram a menina que estava se afogando. Eles apenas não interferem na Natureza (aquilo que nós tentamos fazer, rsrs).

Ele prefere a guerra, desde que haja ação humana, no lugar da paz, se a condição para tal for a conformidade do homem em relação à Natureza.

Eu queria tanto ser um cara azul para falar isto pra ele no final do filme…

Ele chama as loiras de vegetais (e não por estarem de dieta). Claro, ele é animal, por isso age com seus impulsos. Ambos filmes fazem referência de que não possuem conhecimento do passado nem planos para o futuro. É a destruição do conceito de Tempo. Nós tememos o medo por isso lutamos contra ele. De certa forma, os Éloi entraram em harmonia, mas sabem que nada é de graça.

O medo do futuro vem do conhecimento das relações causais experimentadas no passado. Se o passado for esquecido, não há o que temer no futuro. A relação entre ciúmes e filantropia é bem semelhante àquela entre o Amor e Ódio, ou então, a piedade e a compaixão na visão de Nietzsche.

Seria extremamente interessante realizar um estudo quantitativo das relações de morte e procriação entre aqueles loiros, para saber: será que vale a pena? Reclamamos tanto da dominação do homem pelo homem. O único modo disto acabar é através da aceitação da indiferença da Natureza. Então, é válido? Impossível saber, pois 800 mil anos podem ser o suficiente para aniquilar o aparelho psíquico que condiciona nossa humanidade, mas, ad hoc, não há texto capaz de fazê-lo atualmente. Devo salientar que a alimentação dos hippies é providenciada “gratuitamente” pelos Morlocks. Aliás, em última análise, não se trata de canibalismo, uma vez que são duas espécies distintas. Os Éloi são tratados simplesmente de jeito semelhante como fazemos com o gado.

O sinal toca. Os loiros seguem como zumbis à morada de seus devoradores. George, em total reformulação de seu modus operanti, esquece que é cientista nerd e vira ninja, derrotando todos. Aquilo que os loiros todos foram incapazes de fazer durante dezenas de milênios, George faz em alguns minutos. O mais interessante é como ninguém esqueceu de falar inglês durante 800 mil anos sem livros. Aliás, como alguns livros apodrecidos sobreviveram tanto tempo?

Na versão de 2002, o inglês é considerado Old language, conhecida somente por poucos (uma mulher, no caso) que ao menos se interessou em estudar, demonstrando não ser total parasita. Na versão de 1960, os parasitas lembram perfeitamente de como se fala inglês!

E outra! Quando mamãe diz que “não se fazem mais docinhos como antigamente”, ela está certa! Reparem que na sala de Antiguidades, podemos encontrar estátuas gregas, esculturas egípcias etc; mas nada de nossa época. Realmente, é tudo muito descartável. Depois da queda de Roma, nada presta!

George volta para 1900. Com exceção de seu melhor amigo, os demais se revelam descrentes. Outro tópico interessante: não interessa o quanto algo seja óbvio! O homem enxerga somente o que deseja ver e, quanto mais “óbvio”, na verdade mais obscuro é. Se é óbvio, há um motivo longínquo que estabeleceu tal regra de obviedade. Desvendar tal regra é mais complexo que perceber o óbvio naquilo que parece, em primeiro relance, complicado.

Desapontado, George resolve voltar ao ano 800 mil e poucos e se proclamar o Rei da Floresta, digo, viver entre os hippies loiros. O filme termina com um enigma. A empregada repara a ausência de três livros na estante e seu amigo pergunta: quais três livros você levaria para o futuro?

Bem, isso pode gerar debate, mas para mim, não há dúvidas.

Primeiro, um livro de receitas culinárias da Ana Maria Braga. Jamais poderia viver num ambiente onde só se come saladas e frutas. Quem faria minha pizza?

Segundo, o Kama Sutra (a versão sem gravuras, claro. Quem disse que quero compartilhar o conhecimento?).  Se é para viver entre loiras o resto da vida, que seja para  aproveitar e instalar o “antigo” modelo de seleção natural.

Terceiro, um gibi dos Cavaleiros do Zodíaco. Se restaurar a condição humana for inevitável, isto pressupõe o retorno da religião, em qualquer que seja a manifestação de uma fé. Prefiro que idolatrem Shaka de Virgem.

Percebam que neste meu egoísmo estarei restaurando a condição humana da melhor maneira possível, não? Se não a melhor, a mais fiel – não através dos livros em si, mas das razões de minha escolha.

E vocês? Quais levariam?

Por: Eduardo Cidade  (Conde Pato jamais se daria o trabalho de escrever resenhas, claro!)

12/11/2009

Os Infiltrados

Os Infiltrados – The Departed

Direção: Martin Scorsese

Gênero: Policial, Violência

EUA – 2006

The Departed já mostra a que veio logo no início, a primeira fala é de Jack Nicholson e ele diz:

“Não quero ser produto de meu ambiente,

Quero que meu ambiente seja produto de mim.”

É… Jack Nicholson não é produto do meio nem no filme e nem fora do Cinema; ele exerce influência e não ao contrário.

O ambiente do filme é Boston, as gangues, os irlandeses, a máfia, incluíndo a Polícia. Todo esse ambiente, no filme, é produto de Castello, The Boss (Jack Nicholson), que desde o início mostra a formação de “seu garoto” (Matt Damon), seu ingresso na Polícia. Matt Damon era coroinha, largou a Igreja pra ser corrupto, porém, alugou seu apartamento em frente a uma Catedral e as cenas focadas nela são muito significativas. A significância está para além-longa, como eu disse em CASSINO, Martin Scorsese queria ser padre e é inegável essas referências utilizadas nesta obra.

Para todo Vilão, há um Mocinho. O mocinho aqui cumpre o papel do vilão o tempo todo e o vilão, do mocinho. Os infiltrados: na Polícia e na Máfia. Esse foi o joguete de Scorsese que fez o filme entrar na linha inovadora, pois convenhamos, se não invertesse essa matemática, a fórmula ficaria muito pouco criativa. Deu certo. Nós sabemos quem é quem, eles não. Aí é o momento em que o ambiente sendo produto de Castello foge de seu controle. Pois, ele não sabe que “seu garoto” foi muito bem criado por ele…

Imerso à toda essa situação, há uma profissional Psi, que se deixa envolver em absoluto, onde deveria ser a mais distante. Aqui, deixo pra quem viu pensar nos motivos que essa Psi foi colocada no filme e entre vilão e mocinho. Mastigar tudo perde a graça.

E, também, mediando toda a história, vilão e mocinho sentem-se angustiados pela vida dupla que são “obrigados” a levar. Aqui, Scorsese foi genial em inserir o elemento dívida e culpa no jogo. Dívida não vive sem a Culpa, é por isso que os sujeitos se sentem endividados, aí é onde a Máfia ganha pontos na arte de sobreviver…

Para aquelas que sofrem de TPM, no filme há uma dica  para amenizá-la . Tem que assistir para obtê-la rsrsrs.

Recomendo! Muito bom!

Por: Guerra de Pipoca.

p.s. Ganhou o Oscar de Melhor Filme e Melhor Diretor. Como tudo no filme funciona, merecia também ser premiado pela trilha sonora.

12/10/2009

Vida Bandida

Vida Bandida – Bandits

Direção: Barry Levinson

Gênero: Comédia, Ação, Policial, Aventura…

EUA – 2001

Pra quem assistiu Assassinos por Natureza deve ver esse filme. Pra quem ama o Bruce Willis, como a maioria aqui, deve assistir esse filme. Pra quem gosta de tramas policiais e aventuras de polícia x ladrão, deve ver esse filme. E pra quem simplesmente gosta de uma boa diversão, com algum requinte na comédia romântica, deve ver esse filme.

Um é instinto puro e manifesto. Outro, é cauteloso e hipocondríaco. Um não pensa, age. Outro, planeja e organiza. Um é inconsequente e amante das coisas boas da vida. Outro, planeja o futuro e pensa em todas as consequências. Casamento perfeito. Pra melhorar, entra na jogada uma mulher desiludida da vida, desesperada por mudanças e paixão. Um quer essa aventura entre eles. Outro, entende que é furada. Um é sexual como ela precisa. Outro, é romântico e atencioso como nunca ninguém foi. Entre esse triângulo há o roubo a Bancos.

Cazuza me vem à memória: “Vida louca, vida, vida breve, já que eu não posso te levar, quero que vc me leve”. Eles planejam levar a vida loucamente, ordená-la como querem. A vida não os leva. Ponto pra eles.

O formato segue a linha de Assassinos por Natureza, tanto no que se refere ao noticiário e mídia narrando os fatos dos criminosos, quanto no que se refere aos aplausos da população (leiam a resenha de Assassinos por Natureza para entenderem essa minha colocação).

O filme diverte com um elenco de primeira linha. Quem vê, se apaixona pelos dois, não tem como condenar a Kate…

Por: Vampira Olímpia.

12/08/2009

Um dia Um gato

Um dia um gato – Az Prijde Kocour

Direção: Vojtech Jasny

Gênero: Fantasia

Tchecoslováquia, 1963

Uma trupe de artistas mambembes percorre as cidades do interior da Tchecoslováquia e sua principal atração é o gato do mágico, que entra em cena de óculos. Ao tirá-los, as pessoas que ele fita aparecem aos olhos de todos com cores que revelam seus caráteres, defeitos e qualidades. Vermelhas são as pessoas que amam, roxas as mentirosas, amarelas as hipócritas e por aí vai. Dá pra imaginar a confusão que isso estabelece? Pois é. E a revelação é tão chocante que os moradores da cidade querem transformar o bichano em tamborim e só as crianças, essas eternas puras que o imaginário gosta de mostrar, o defendem da maldade dos adultos corrompidos.

O filme é de 1963, antes portanto da primavera de Praga, quando o país vivia a ilusão de conseguir liberalizar o regime comunista, pela mão de Alexander Dubcek. É uma pequena obra prima do diretor Vojtech Jasny, mas no Brasil só vi passar em cine clubes, aos quais era levada por um amigo de meus pais que era cinéfilo viciado (além de comunista de carteirinha). É uma obra da época em que os efeitos especiais eram tinta aplicada diretamente sobre o filme, com resultado que beira as raias do naif. Mas o conjunto é de um lirismo e uma sutileza capazes de emocionar o mais empedernido dos cossacos.

Por: Maria Pos.

12/08/2009

Cassino

Cassino – Casino

Direção: Martin Scorsese

Gênero: Policial, Violência

EUA – 1995

Alguém me pediu para escrever sobre o filme Os Infiltrados (The Departed), também desse diretor, mas antes de chegar nele decidi escrever sobre Cassino, um filme de 1995 que retrata a máfia de Las Vegas nos anos 70. Este foi meu primeiro Scorsese e desde então, sou curiosa quanto a ele.

Minha curiosidade quanto a ele circula em alguns pólos. Ele queria ser padre, mas se tornou um cineasta que retrata a violência com uma pitada de poesia como ninguém. Será que daria conta de ser Padre? Parece que não… Entrou pra Escola de Cinema da Universidade de NY e conheceu algumas personalidades de peso, uma delas foi Brian de Palma, que lhe apresentou Robert de Niro e a partir de então, se tornaram amigos e fizeram muitos projetos juntos. Um deles é Cassino.

Robert de Niro é excepcional, em minha opinião. Em Cassino, deixou sua marca como figurão de primeira linha, mafioso de coração bom. Paradoxal. Apaixonado pela prostituta de luxo, representada por Sharon Stone (que também está muito bem nesse papel) e gerente de um dos maiores cassinos de Vegas, era protegido pela máfia e por seu “segurança de luxo” ou melhor dizendo, um gângster de mão cheia representado por Joe Pesci. O filme é   peso pesado, só podia contar com um elenco à altura.

O narrador da história é De Niro, o olhar é dele, e o interessante é que o filme vai e vem sem enrolar e confundir, mesmo com quase 3 h de longa. Espécie de raio x da máfia onde o palco é nada mais, nada menos que Las Vegas, a soberba, a ambição, a traição, as paixões rápidas e a trapaça marcam todo o enredo. Aliás, onde tem muito dinheiro em circulação não é novidade encontrar com uma rede de intrigas bem armada, e Scorsese é mestre em retratar essas teias de aranhas como são.

Eu recomendo esse filme pra ontem. É muito bom!

Por: Guerra de Pipoca.

12/08/2009

Monsters vs Aliens

Monsters vs. Aliens

Direção: Rob Letterman & Conrad Vernon

Gênero: Animação

EUA – 2009

Vocês imaginam o que seja esse bichinho do desenho? Só descobri na metade do filme: borboleta. rsrsrs É mole ou quer mais? Fiquei com meus botões ticotequeano pra lá e pra cá: será que uma borboleta vista num microscópio parece com esse insetosauro? Ah pessoal, poxa, é uma animação infantil, né? Deixa eu brincar rsrsrs! Eu me tornei fã desse boneco, se tiver à venda uma pelúcia dele, eu compro! :) O que ele tem demais? Absolutamente nada e esse é o grande barato! É como na Turma do Scooby Doo: a Velma pensa, raciocina, age, liga os fatos, corre atrás das pistas, entende o que seja pista de verdade, mas o mérito é do Scooby e Salsicha ao final de todos os  desenhos rsrsrs.

Aqui, o mérito é de Susan. Tornou-se Monstra na data de seu casamento, iria casar-se com um cara babaca e egoísta, que só pensa na fama e carreira dele. Fez bem virar monstra. Em contrapartida, os inimigos: ETs.

Aqui, os ets não são bonzinhos e não são bons de prosa. Percebi uma enorme semelhança com Independence Day (esse filme se tornou um clássico rsrsrs), em basicamente todo o processo de “salvação da Terra”, mas foi legal.

O filme, no frigir dos ovos, é legal! :) Sem ignorar o fato de que é feito pra crianças e que pra eles muita coisa é novidade (pros adultos nem tanto), o filme cria um espaço interessante para algumas mensagens: sobre o casamento, os amigos, a família, e sobretudo, sobre a força interior que existe em cada um de nós, que nos capacita a grandes feitos e conquistas diversas. Assim, o mérito deixa de ser apenas de Susan, torna-se de todos que conseguem brilhar na vida.

Por: Guerra de Pipoca.

12/06/2009

Um ano de Guerra de Pipocaaaa!!!

Mês comemorativo de um ano de blog!

Não serei nostálgica na escrita comemorativa de hoje. Obviamente que muita coisa aconteceu no decorrer desse um aninho de blog, o histórico está vivo na memória de todos que aqui frequentam e compõem esse espaço delicioso.

Também não acho justo a nostalgia de narrar como que me veio a ideia de abrir esse blog, pois com o passar do tempo, na leitura passiva de muitos e na escrita ativa de alguns, eu deixei de falar sozinha nele e com ele.

Portanto, vamos direto ao bolo, sem esquecermos da vodka! rsrsrs

Parabéns e felicidades para nós!

Um ano de Guerra de Pipoca, estamos engatinhando ainda, balbuciando pequenas frases, logo, logo estaremos sem fraldas nesse universo rico chamado Cinema.

Beijos e obrigada!

Por: Guerra de Pipoca.

12/04/2009

Tinha que ser Você

Tinha que ser Você – Last Chance Harvey

Direção: Joel Hopkins

Gênero: Romance

EUA – Inglaterra – 2008

Dustin Hoffman e Emma Thompson. Uma dupla de peso, nomes conhecidos e premiados. Um americano com pressa, cheio de frustrações, mas engraçadinho. Uma inglesa com aquele sotaque que todo mundo gostaria de ter e não consegue, cheia de frustrações e com a vida lenta e linear. Chegamos pelo Heathrow.

Até que o diretor tenta fazer com que eles se encontrem desde o começo. Mas as duas primeiras abordagens falham. Até bom para que conheçamos o casal em separado. Suas vidas entediantes, seus problemas e até a maneira de ambos as enfrentarem. Uma olhadinha no London Borough of Hillingdon.

O problema é que eles separados são interessantes, mas juntos são ótimos! O primeiro diálogo, sentados na lanchonete do aeroporto, é um show de respostas curtas e inteligentes. A vida não precisa dar uma chance a eles, na realidade eles é que precisam dar uma chance a si mesmos. No Maida Vale ficam o Marriot Hotel e o Regent’s Plaza, mas minha locação predileta é a famosa Abbey Road. Porém fico fã quando o diretor escolhe locais menos conhecidos de uma cidade para mostrá-la mais crua.
Despedido, filha casando e escolhendo o padrasto para acompanhá-la. Tudo ruim. Contudo encontrar uma mulher de bom humor que o faça rir já é um grande lucro. A pergunta que não quer se calar é: isso vai dar certo? Mas um passeiozinho no Green Park não faz mal a ninguém, né?

Sim, todos sabem que é uma comédia romântica. Entretanto a química dos grandes atores se sobrepõe a tudo. O discurso emocionado, quase um mea culpa do personagem de Dustin é lindo e emociona. E passar a noite dançando? E conversando sem barreiras? Até o dia amanhecer em Somerset House, Strand.

Ela tenta ser firme, racionaliza, não se permite uma aventura, nem sonhar. Aliás, estar apaixonado é sempre um grande risco; mas vai ao encontro dele. Se estivesse de vestido vermelho seria clichê demais. O filme tenta evitar os lugares comuns, mas é difícil. Um pequeno desencontro. Saint John’s Wood é muito romântico. Aulas de leitura, idem. Busque-a.

O final é bem compreensível, tirar os sapatos, se despir das barreiras. Até trocar de aeroporto, indo para o convencional Stansted em Essex. Uma vida nova, uma redescoberta? Talvez. Mas sem dúvida um bom filme

O que há de bom: atuações sólidas, concisas quando necessárias, emotivas quando esperadas

O que há de ruim: sem os atores Emma e Dustin o filme é um vazio só

O que prestar atenção: só um beijo, aliás, um beijinho e quantos sonhos isso desperta!

A cena do filme: ele vendo-a de longe –na aula- observar furtivamente o ser amado em suas funções cotidianas é delícia…

Cotação: filme bom (@@@)

Por: C.O.B.R.A.

12/03/2009

Zombieland

Zombieland

Direção: Ruben Fleischer

Gênero: Comédia, Terror

EUA – 2009

Decidi esse ano, por livre e espontânea vontade, assistir todos os filmes lançados em 2009, ou então o máximo de filmes que eu pudesse assistir. Nesse sentido, não há como escolher só os cults. Aliás, é assistindo e lendo de tudo que é possível “separar o jóio do trigo“. Com isso, me vi comendo amendoin japonês enquanto assistia esse longa…

O filme não é ruim, mas conta com algo que realmente acho tenebroso: pastelaria. A comédia-pastelão não me acresenta nem mesmo em besteirol, é terrível esse tipo de gênero, ainda mais quando se vê um ator do nível de Woody Harrelson bancando o palhaço como aqui. A carreira desse ator se encontra em declínio e as contas para pagar devem estar “dobrando a esquina”, só pode ser isso.

À exceção disso, há um romance do tipo “virgem” entre Columbus (Jesse Eisenberg) e Wichita (Emma Stone) que não desliza, não engata a primeira. No entanto, uma das regras básicas para se salvar de um ataque de zumbis é “não bancar o herói”, assim, é notório o movimento “do contra”. Parece que o diretor quis pegar tudo que se pode chamar de “Lei no Cinema” e se propos a transgredi-lo sem sair do clichê. Loucura total! O resultado disso é um filme até certo ponto criativo, mas que não “engana” ninguém.

E aquele momento masturbatório, cujo sentido só posso pensar que seja do Diretor ser um grande fã de Bill Murray? Quanta punheta desnecessária. Eu não gozei! Vocês gozaram com aquilo? Não há como chamar aquela sequência de “gozação”; se alguém fizer isso estará gozando da cara de muitos… :D Que porra!

Bom, a maquiagem dos zumbis foi uma das coisas que eu gostei. Outra coisa imperdível é ver Abigail Breslin, conhecida como  Little Miss Sunshine, contracenando com Harrelson. Hilário.

P.S. Alguém percebeu semelhança entre os hambúrgueres e bolinhos?

P.S.II. Filme estimado em mais de 23 milhões… ô grana mal empregada!

Por: Guerra de Pipoca.

12/02/2009

Os Falsários

Os Falsários – Die Fälscher

Direção: Stefan Ruzowitzky

Gênero: Drama

Áustria e Alemanha – 2007

Em 1936, o judeu Salomon “Sally” Sorowitsch, interpretado por Karl Markovics, é o falsário mais famoso da Alemanha nazista. Enviado para o campo de concentração Mauthausen, tem seu talento de artista reconhecido, o que lhe salva a vida em troca de pinturas das famílias dos oficiais. Mais tarde, já em 1944, é transferido, com outros especialistas em artes gráficas, para o campo de Sachsenhausen, onde deverá trabalhar na Operação Bernhard, a mais ambiciosa e secreta ofensiva da Alemanha desesperada com os altos custos da guerra, para tentar minar a economia dos aliados, por meio da falsificação em massa de células de libra esterlina e dólar, e financiar suas tropas.

Dirigido por Stefan Ruzowitzky, o filme “Os falsários”, vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro em 2008, revela o conflito do homem que luta para salvar sua vida e a dos colegas isolados num pavilhão separado por tapumes do resto do campo. Eles são privilegiados pelo talento individual e recebem alimentação suficiente e camas macias, em doloroso contraste com os demais prisioneiros, que morrem à míngua em condições desumanas, enchendo-os de culpa. Os privilégios ofendem os princípios de um ativista comunista, que seguidamente boicota o trabalho, pondo em risco a vida de todos. Os conflitos entre os que defendem a vida (a própria e as do grupo) ante tudo e o que invoca a causa da Resistência como um bom motivo para se morrer são o fio condutor da  história, baseada na vida real.

O talento de Markovics faz com que ao longo do filme odiemos e amemos o personagem em igual proporção e intensidade. Ora ele é o aproveitador odioso de um talento inato, ora o herói que preserva até mesmo seus inimigos. Sua postura corporal varia da humildade traiçoeira ao acabrunhamento da impotência, o que reforça a angústia que Sally nos provoca. Na verdade, ele é tão somente um homem que tenta sobreviver em meio ao caos e aos horrores da guerra, como tantos outros fizeram nos campos do Terceiro Reich, pondo seus talentos individuais a serviço do nazismo. E por ser tão humano, tão insuportavelmente humano, joga na cara do espectador uma realidade que custamos a digerir a sangue frio: a de que somos capazes de tudo para sobreviver – até fechar os olhos ao nosso entorno.

Por: Maria Pos.

11/30/2009

Bastardos Inglórios

Bastardos Inglórios – Inglourious Basterds

Direção: Quentin Tarantino

Gênero: Guerra

EUA – 2009

Inglórios? Depende de quais Bastardos nos referimos.

Quando penso que o assunto Hitler e Nazi já estão completamente saturados me vem Tarantino com uma obra dessas… O filme já parte da ideia concebida sobre Hitler e seu nazismo, como se todos  já estivéssemos bem familiarizados com esse assunto. Isso favorece uma dinâmica que não cansa o espectador com esse marco histórico.  A obra mescla o clássico com o super pop, chega a ser engraçado. Cenas clássicas, com a introdução dos capítulos escritos “de época”, figurino dos anos 40, aí o inusitado Quentin insere David Bowie na trilha sonora rsrsrs. Mas, se não houvesse contradição desse porte, não teria sua assinatura. É um filme dentro do filme e do cinema! Muito bom!

Os diálogos que adoro tanto estão presentes e mais elaborados. Violento? Claro, mas nem tanto. Não considerei esse filme como excessivamente violento, como é de costume de Tarantino; tirar o couro cabeludo de suas presas, no entanto, me soou como “aperfeiçoamento” da experiência. Ao menos, não eram arrancados enquanto vivos.

Brad Pitt com um sotaque extremamente carregado e forçado, mas diante do enredo e intenção, rigorosamente necessário.  Christoph Waltz (até então era um desconhecido ator austríaco) está sublime! Atuação de primeira qualidade, onde rouba completamente a cena com seu brilhantismo. Suponho que depois dessa atuação gloriosa não vamos mais sentir falta dele nas telonas, assim espero. Felizmente, Shosanna não é a chatíssima Uma Thurman, mas sim Mélanie Laurent; ela também cumpriu seu papel fora do mediano (que eu confesso que esperava). Enfim, os atores estão muito bons.

No que Tarantino escorrega? No excesso de patriotismo, ao meu ver. Na arte, na épica e epopéia, os heróis são por si só independentes de suas pátrias, assim como os vilões também são acima de seus berços. Quentin envolve demais as pátrias nesse filme e já que é assim, cadê a Rússia? Pra quem não lembra, Hitler se suicidou sob a ameaça da invasão soviética. Mas, é claro, os russo nunca tem mérito de nada… rsrsrs

Eu gostei demais desse filme e recomendo-o pra ontem!

Por: Guerra de Pipoca.

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Já que estamos falando de heróis e vilões, aproveito para deixar expresso um super feliz aniversário pro CORINGAAAAAA!!!

Coringa, adoramos você!

Bjs!!!

11/30/2009

Um Homem Chamado Cavalo

Um Homem Chamado Cavalo – A Man Called Horse

Direção: Elliot Silverstein

Gênero: Western

EUA – 1970

Richard Harris é um irlandês, foi jogador de rúgbi e nasceu em 1930. Os mais novos irão lembrar-se dele como Alvus Dumbledore. Outros como o English Bob do filme “Os Indomáveis”. E os mais antigos, de “Orca”. Mas quem tem mais de 45 anos certamente ficou marcado pela estupenda atuação neste filme em que ele é Shunkawakan, cavalo.

Capturado nas planícies do sioux, pela tribo de Mão-Amarela, torna-se o escravo da mãe do chefe local. Belíssimo desfiar de costumes dos índios. O dedo cortado pela perda de um filho, o casamento contratado, as danças, as cerimônias de guerra. Os cabelos compridos, as pinturas corporais, as armas, as cabanas.

Um espetáculo de identidade. Primeiro o sujeito é um ser humano, depois ele é um homem. Grande lição de gênero. Mas para isso, tem que provar seu valor e respeito perante a tribo. Enquanto ele deseja aprender com os indígenas, Batise -outro que foi capturado – só pensa em fugir, mas suas atitudes do dia-a-dia mostram que ele já se entregou.

Um belo dia, índios Chochones rivais espreitam a tribo. Ele os mata e deseja desposar a irmã do chefe. É aceito por ela, antes houve flores, olhares, risos, carinho. Tudo muito igual ao nosso mundo “civilizado”. Contudo ele é obrigado a passar pelo teste O-Kee-Pa. A sequência do seu inflamado discurso, somada ao sacrifício corporal, com direito a um jogo de luzes filmado de maneira incomum para o ano de 1970, é divino, um sonho.

A vida prossegue. Idílico cenário da vida “selvagem”. Particularmente só conheço o idioma Navajo, mas o deles (Lakota) é muito sonoro e interessante. Com várias palavras de origem onomatopaica. Mas isso não é tão valioso como amar e ser amado, e manter sua família. Ela está grávida.

Os inimigos atacam. A surpresa é grande e John Morgan luta bravamente. Muitas mortes inesperadas. Escalpos, tomahawks voando, flechas de ponta, lanças fincadas e o símbolo da tribo cai. Alguém tem que erguê-lo e tornar-se chefe. Um homem chamado cavalo, o faz.

Contudo as perdas são tão imensas e insuperáveis, que o inverno simboliza a tristeza dos fatos. Morgan ali deixa novamente de ser um inglês entediado, um animal de carga, para ser um homem.

O que há de bom: relato fiel e cuidadoso de uma tribo indígena, sem floreios e sem ser politicamente correto

O que há de ruim: alguns coadjuvantes não são índios, como Manu Topou ou Eddie Little Sky e sim mexicanos; e isso desvirtua um pouco

O que prestar atenção: o figurino é riquíssimo e só comparável aos estudos de Sergio Bonneli, o quadrinista que desenha Tex, Mágico Vento, Zagor e Ken Parker

A cena do filme: Io te tila , io te tila, io te tila , umas sete vezes e com paixão!

Cotação: filme ótimo(@@@@)

Por: C.O.B.R.A.

11/29/2009

Nell

Nell – Nell

Direção: Michael Apted

Gênero: Drama

EUA – 1994

Assisti Nell quando lançado no Brasil, faz muito tempo. Lembro-me que a minha primeira reação não foi a de questionar a importância da sociedade, mas a de estranhar Jodie Foster nesse papel. De saída com Hannibal Lecter em Silêncio dos Inocentes(1991) cair de paraquedas num ambiente onde ela deixou de ser ativa e ocupou uma posição passiva, quase que “rain man”, me fez franzir a testa e engolir atravessado. Já num segundo instante, considerei ambicioso a proposta do filme, mas feito por uma mão que deslizava entre a sensibilidade e o amadorismo.

Acontece que Nell (Jodie Foster) é privada de um contato social e enquanto não sabe verbalizar e falar, que é um dos ganhos que se tem em ser inserida num contexto social, transborda sentimento pra todo lado. É meiga, doce, delicada e gentil com estranhos. Sentimentos são adquiridos. Por quem ela os adquiriu já que foi privada de um contato humano? Não foi à escola, não se solidarizou com a Educação e nem com as diferenças com seus amiguinhos de sala de aula e de vizinhança, não se identificou com o conceito de família; de onde veio esse aprendizado?

Sou levada a fazer uma questão interna talvez respondida através dela própria: de acordo com essa fantasia do diretor, como seria o mundo? Tratando-se de fantasia, não há como respondê-la, pois foge do que se apresenta na realidade. Não há ser humano que seja humano sem o processo de humanização, que é longo e nem sempre alcançável. Portanto, podemos dialogar sobre seus propósitos demonstráveis no filme, porém com a consciência de que essa realidade proposta vem de uma obra de arte; sua verdade é de outra ordem.

Talvez o mundo fosse mais bonito acaso fosse possível se humanizar em plena solidão. Talvez as manipulações tão socialmente crueis fossem abatidas por sua falta de espaço nessa nova realidade. Mas, muito provável, esse mar não seria tão de rosas e a densidade do sal seria aplacada pelo azedume de ser quem se é em essência. Aproximar o humano ao animalesco, sem a mediação da Educação, não traz como resultado bichos quietos e gentis, mas sim, bárbaros e violentos.

No entanto, foi bonito pensar nessa possibilidade nesse curto espaço de quase duas horas de filme. De volta à realidade…

Por: Morgana.

11/27/2009

Legalmente Loira

Legalmente Loira – Legally Blonde

Direção: Robert Luketic

Gênero: Comédia

EUA – 2001

A intenção do filme, ao meu ver, é o de dizer que as loiras não tem nada de burras. A contar por mim e pela Maria, que somos loiras legítimas, é certo que somos inteligentes e poderosas. Ao longo dos anos, aprendi a dar respostas mais brincalhonas quando alguns tentavam me ofender por meus belos olhos verdes e naturais cabelos loiros, afinal, entendi que a beleza provoca inveja em muitos, pra que me estressar? Se as expressões de inveja e ódio fossem feitas de maneira dura e seca, como no fundo são, poucos embarcariam na onda, o jeito é fazer desse sentimento uma piada, logo, já viram quantos no mundo sabem contar piadas de loiras? O lado engraçado disso é que se fizermos piadas de negros se torna racismo, o jeito é ficar no meio termo! Assim, as morenas são ‘melhores’ rs!!!

Isso é algo que me chama muita atenção. Se chamamos alguém de gorda, baleia assassina, orca, hipopótomo, gordura de churrasco, é preconceito, é uma atitude feia; porém, podemos facilmente chamar alguém de magrela, Olívia Palito, palitinho de dente, fiapo, que não terá o mesmo efeito. Serve, tal exemplo, para negros e “branquelos” etc.

O filme mostra uma atriz loira que é uma das líderes do grupo Delta Nu, espécie de gueto das Patrecas muito endinheiradas. De imediato, o espectador tem uma ligeira noção que o filme tratará a loira como uma sem cérebro: ligadíssima em “suas unhas” e desligadíssima no restante de qualquer outro mundo/universo. Tudo rosa, tudo absolutamente Pink, até seu cachorro… é preciso passar a mão nos olhos pra ver que ele tem uma cor normal. De repente, não mais do que de repente, a Loira entra no curso de Direito em Harvard! CARALHOOOO! Como deu contaaaa? Com seu currículo rosa e perfumado, passou no teste, está entre os melhores! Estranho dada a cor de seus cabelos… Se ela entrasse num curso de Moda, Decoração, seria justificável, mas essa aí quis fazer Direito!!!

Na Universidade, universo distante de seu cotidiano, foi motivo de chacota diversas vezes. Afinal, convenhamos, lugar de loira é divertindo o povo nas arenas enquanto líderes de torcida e não num Tribunal! Que pachorra!!!

Conquistou o estágio mais esperado de Harvard! Ah não… aí é demais… Ela deu!!! Só pode! O que contou aí é o teste do sofá, porque loira autêntica e competente non exciste!!! Pra completar, a moça que ela defendeu em seu primeiro caso é Loira também. Mas, por fim, uma morena foi condenada em seu lugar.

O filme se passa por besta, como acontece com as loiras, mas por trás disso, percebam o quanto nos disse? Todo mundo riu de diversas cenas, e com razão. Eu também ri na cena em que ela estava vestida de coelha da Playboy comprando um notebook laranja (ué, será que ela mudou de cor?). Aliás, ela se vestir de coelha da Playboy pra ir numa festa de aceitação universitária foi extremamente de bom gosto pra exemplificar ainda mais a concepção de muitos: Onde se localiza o cérebro de uma loira? Acontece é que o preconceito não tem nada de bonito, mesmo quando a saída é salvar a Loira e condenar uma Morena por ter matado o próprio pai no filme, aquele que lhe deu uma genética.

Por: Laís TAZ.