O Senhor dos Anéis – A Sociedade do Anel – The Fellowship of the Ring
Direção: Peter Jackson
Gênero: Épico, Fantasia, Aventura, Drama
EUA – 2001
-> Parto do pressuposto que os meus leitores de agora já viram esse filme.
Para meu último texto de 2009, escolhi resenhar sobre a primeira parte da trilogia do Senhor dos Anéis, as duas outras obras deixarei para 2010. Tão logo comecei a ler o livro em meados de junho desse ano, entendi que pra falar dessa obra não bastava somente vontade e ter visto – detalhadamente – o filme, posto que Tolkien é de uma riqueza linguística e literária sem igual.
Logo no Prefácio do livro Sociedade do Anel, Tolkien nos diz:
“O conto foi iniciado logo depois que O Hobbit foi escrito e antes de sua publicação, em 1937; mas não continuou nessa sequência, pois eu queria primeiro completar e colocar em ordem a mitologia e as lendas dos Dias Antigos, que já vinham tomando forma alguns anos. Quis fazer isso para minha própria satisfação e tinha alguma esperança de que outras pessoas ficassem interessadas nesse trabalho, especialmente por ele ser fruto de uma inspiração primordialmente linguística, e por ter sido iniciado a fim de fornecer o pano de fundo histórico necessário para as línguas élficas“.
Percebam que a intenção de Tolkien não se limitava à Literatura enquanto agente estético deliberado, mas sim, sua satisfação, como ele mesmo diz, se sustenta na Literatura enquanto agente construtor de conceitos linguísticos e criação de uma nova língua, a saber, a élfica. Não preciso dizer que infelizmente a língua não vingou, porém criar uma língua não é algo pra qualquer um.
[Meu querido Tolkien, tenha certeza que seu trabalho causou interesse em muitas pessoas e depois que foi parar no Cinema, aí é que alcançou diversas massas.]
Como toda boa história, esta cresceu, também, conforme foi sendo contada. Todas às vezes em que é contada verbalmente, toma alguma forma diferente, mas a base continua, claro. Peter Jackson decidiu contar no Cinema aquilo que Tolkien contou – e muito bem – em livro. Temos duas obras muito em comum, mas que se diferem, obviamente, em alguns pontos.
Dada a longevidade do livro A Sociedade do Anel, que é dividido em Livro I e Livro II, contendo 435 páginas, fora prefácio, prólogo, mapas e resumo do livro O Hobbit, não dava pra Peter Jackson ser inteiramente fiel à Literatura, também pelo formato que o Cinema tem. Por exemplo, é em Sociedade do Anel que fora contada a história do Smeagol, que matou Deagol e foi narrado no cinema no filme III. No primeiro capítulo do livro I que Gandalf conta pra Frodo o por que do anel ser tão maléfico; como exemplo, usa Gollum. Enquanto no filme logo após o aniversário de Bilbo, Frodo e Sam marcham rumo ao Pônei Saltitante, no livro, isso acontece por volta de uns 30 anos depois (somando todos os anos que Gandalf some e reaparece etc). Claro! Não dava pra Jackson se estender cronologicamente como no livro.
Então, fui percebendo que realmente, por mais fiel, O Senhor dos Anéis é uma obra tão rica que não deve ficar limitada ao conhecimento dela apenas nas 3 horas de filme. É sim preciso ler os livros! Afinal, uma coisa é ouvir a história por quem conta, outra bem diferente é ouvi-la por quem a criou…
Antes que especulemos sobre do que se trata a obra e suas “inspirações”, Tolkien é enfático:
“Quanto a qualquer significado oculto ou “mensagem”, na intenção do autor estes não existem. O livro não é nem alegórico nem se refere a fatos contemporâneos. (…) é claro que um autor não consegue evitar ser afetado por sua própria experiência, mas os modos pelos quais os germes da história usam o solo da experiência são extremamente complexos, e as tentativas de definição do processo são, na melhor das hipóteses, suposições feitas a partir de evidências inadequadas e ambíguas“.
Concordo com ele. É realmente atraente chafurdarmos nas intenções que o fizeram escrever tal texto, é sedutor especularmos e interpretarmos sob algum viés tudo que ele disse, porém, ele deixa bem claro que o que ele disse é isso e pronto. Sabemos que ele estava em guerra quando começou a escrever Senhor dos Anéis etc etc etc. Então, ao menos eu não irei passar por cima desse ensinamento sábio, escrito logo nas primeiras linhas…
Anel que detém o poder sob a égide de qualquer governo. Uma coisa é certa: a verdadeira guerra não se assemelha à guerra épica contada nos livros e no cinema. A epopéia requer heróis (e aqui temos Aragorn), reis, grandeza de espírito, nas guerras do dia-a-dia isso passa bem longe de acontecer. Os conflitos lendários entre Sauron e toda a Terra Média foram mágicos o suficiente para apreciarmos de maneira eficaz as histórias, sendo elas verdadeiras ou inventadas. Ainda que com muita invenção, inclusive de criação de uma língua, é possível tatear o poderio de uma guerra verdadeira através dessa guerra inventada (até que ponto?).
“Três Anéis para os Reis-Elfos sob seu ceu,
Sete para os Senhores-Anões em seus rochosos corredores,
Nove para Homens Mortais, fadados ao eterno sono,
Um para o Senhor do Escuro em seu escuro trono
Na Terra de Mordor onde as Sombras se deitam.
Um Anel para a todos governar, Um Anel para encontrá-los,
Um Anel para a todos trazer e na escuridão aprisioná-los
Na Terra de Mordor onde as Sombras se deitam”.
Homens Mortais fadados ao eterno sono… Por vezes, é necessário sair da caverna e encontrar sabedoria. Em A Sociedade do Anel, Gandalf é bem mais sério do que vemos no cinema, mas é inegavelmente mais sábio… pra quem não sabe o que fará nas férias, dou uma sugestão: Vá ler esse livro. É uma Guerra e tanto.
Por: Guerra de Pipoca.
p.s. Avisei acima que esse é meu último texto desse ano, mas ainda farei um breve comunicado sobre as festas de fim de ano e minhas merecidas férias. Deixarei pra fazer isso nesse fim de semana.



















