11/10/2009

Borat

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Borat

Direção: Larry Charles

Gênero: Documentário, Comédia

EUA – 2006

A luta dele contra o ótimo ator Ken Davitian, o seu produtor, é antológica. Ficará nos anais anais (eu repeti a palavra, quem viu o filme entenderá…) do humor sem fronteiras. O ridículo é tão grande que só resta rir. E o encontro no jantar fino? Será que ninguém percebe que ele está gozando todo mundo com aquele saquinho de merda na mão? E a frase de que ele poderá se “americanizar”? Que prepotência…

O grande momento é sem dúvida alguma o culto. Gritando pelo salvador. Falando em línguas que ninguém conhece… O lixo dos lixos. Como é autêntico. E depois quando pede carona na estrada e um grupo de rapazes que tomam todas com ele? Perceberam o paupérrimo vocabulário dos universitários? Será que no Brasil também é assim? Essa pobreza ideológica e cultural?

Posso descrever inúmeras outras cenas hilárias e ao mesmo tempo profundamente sérias. A mensagem é séria. Muito séria. Vivemos num mundo podre. E sinto que somente um humor pra lá de fodido nos desperta a verdade. A sociedade está presa às aparências e ao consumismo. Precisou de um saudável louco como Borat para nos mostrar.

O que há de bom: humor visceral e corrosivo
O que há de ruim: quem não pensa, só vai rir e sentir alguma repulsa
O que prestar atenção: não é apelativo, é imprevisível, nunca sei até que ponto é verdade -tudo armado- e quando foi espontâneo…
A cena do filme: a luta em pelo, imperdível

Cotação: filme ótimo (@@@@) e inclassificável !!!

Por: C.O.B.R.A.

11/09/2009

O Incrível Hulk

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O Incrível Hulk – The Incredible Hulk

Direção: Louis Leterrier

Gênero: Ação

EUA – 2008

Tive resistência para assistir este filme, por ficar traumatizado com o estrago que foi feito em 2003. Porém, o elenco deste outro me chamou a atenção, pois gosto muito do trabalho de Edward Norton. Deixei o preconceito de lado, assisti e posso dizer agora que a Marvel finalmente conseguiu um filme à altura do Verdão!

“O Incrível Hulk” é muito mais próximo ao personagem e ao contexto dos quadrinhos. Vejo também que houve muito mais preocupação com a ação, e o roteiro, do que com efeitos de computação gráfica. Este Hulk é bem mais obscuro, mais monstruoso, exatamente como é o personagem dos quadrinhos. O de 2003 mais me pareceu uma versão mal feita do primo bravo do Shrek, com algumas coisas totalmente fora do universo do monstrengo verde.

O início do filme é sensacional, e mostra de maneira objetiva a origem do Hulk em seus créditos iniciais. Dando espaço para que o filme tenha mais ação e um roteiro mais sólido, afinal, a origem do Hulk não precisa de muitos minutos para ser explicada: – É um cientista que sofre uma mutação por raios gama num acidente, e com isso, se transforma num monstro gigante quando fica em estado de raiva, excitação, ou qualquer outra sensação que faça seu coração bater mais do que 200 vezes por minuto.

Após ferir sua amada Betty (Liv Tyler), Bruce Banner foge para o Rio de Janeiro, e reside na favela da Rocinha, a procura de um antídoto com a ajuda de um misterioso cientista denominado Mr. Blue, que se comunica via internet. Mas o General Ross, que vê Bruce Banner como uma arma infalível e promissora, tenta capturá-lo a qualquer custo. Durante a operação de busca pelo Brasil, o agente Emil Blonsky presencia a transformação, gerando uma obssessão para enfrentar e capturar Hulk. Essa motivação em caçar Hulk, faz com que o agente Blonsky se sujeite às experiências secretas do exército americano, que se inicia com a aplicação de um soro que transforma uma pessoa comum em “super-soldados” (curiosidade 1: este é o mesmo soro utilizado na origem do Capitão América).

Bruce Banner retorna aos Estados Unidos e reencontra sua amada, porém é perseguido pelo General Ross logo em seguida. Furioso, ele se transforma, e após lutar com Blonsky e vencer, ele foge com Betty em seus braços. (curiosidade 2: no momento após a fuga, Hulk se enfurece com um trovão, no meio da tempestade. Seria uma ligação a sua rivalidade com Thor).

Após muitas tentativas, Bruce chega perto de uma cura, mas ao mesmo tempo o agente Blonsky consegue se transformar no “Abominável”, que é rival de Hulk nos quadrinhos também. Bruce terá que fazer uma escolha difícil, já que Hulk é o único capaz de enfrentar o Abominável no instante em  que a cidade está sendo destruída. Uma coisa que ficou diferente das HQ´s, foi o Abominável, que nos quadrinhos tem uma aparência mais “réptil”, porém achei bem mais apropriado que no filme ele sofresse a mesma mutação que Bruce sofreu, e não acho que comprometeu em nada o roteiro.

O filme mostra de maneira muito mais fiel a luta de Bruce Banner para controlar sua ira, e suas transformações. (curiosidade 3: após a cena em que mostra Bruce se transformando voluntariamente, Tony Stark “ Homem de Ferro” encontra com o General Ross e conversa com ele  sobre “reforços” para capturar Hulk. Nos quadrinhos ele liderou uma operação para mandar Hulk pra fora do planeta.)

Se trata de um personagem importantíssimo do Universo Marvel, e realmente merecia um filme a sua altura. Hulk não deixa de ser uma versão repaginada de “o Médico e o Monstro”, e não duvido que Stan Lee pensou nisso quando o criou. Existem várias curiosidades, além do filme, que rodeiam o personagem. Uma delas é que ele quando foi criado, era pra ele ser cinza, porém a gráfica não acertava, e a tonalidade do Hulk acabava saindo esverdeada. Para acabar com esse problema, a Marvel decidiu deixá-lo verde de uma vez. Foi uma ótima escolha, mas ainda não entendi até hoje o motivo dele usar tanto tempo aquela calça roxa. (curiosidade 4: Bruce ganha uma calça roxa de Betty, no quarto de hotel. Bruce olha pra calça e diz: -Eu não vou usar isso!)

O filme foi uma produção de custo altíssimo, levando em consideração investimentos grandes tanto em elenco, como também em efeitos especiais, que ao meu ver ficaram bem realistas. Um alto preço pra apagar a mancha deixada pelo outro filme. Porém, com certeza valeu cada centavo.

Por: Lucas.

11/08/2009

Tropa de Elite

Tropa de Elite

Direção: José Padilha

Gênero: Violência

Brasil – 2007

“Pede pra sair, pede pra sair, pede pra sair!”

Engraçado é estar em jogo o verbo pedir, sair é até redundância pra muitos. Isso me lembra o tempo em que no Brasil tinha uma exposição chamada ‘A casa do espanto’ que rodou o país inteiro com a propaganda: “pague para entrar, reze para sair“. Em que medida pagamos para entrar no espantoso Brasil da violência? Me parece que essa condição não é escolhida, nos é empurrada goela abaixo.

No Brasil há diversos “Brasis”, isso não é novidade, José Padilha criou uma ficção ou retratou uma realidade? Inteligentemente, Padilha coloca seu ator principal, Capitão Nascimento (Wagner Moura), para narrar os fatos e para atuar a ação narrada. A dinâmica não é linear e a participação dos demais atores -favorecendo alguns outros núcleos de história importantes tanto quanto- deixa a narrativa atraente o suficiente para prender a atenção do espectador durante todo o filme. Essa conta não vai pro Papa, certamente.

Alguns Brasis são retratados no filme: O Brasil do Morro, o Brasil da Elite.

Qual elite?

O título Tropa de Elite remete diretamente ao BOPE, que é uma Polícia mais elaborada do Estado do Rio de Janeiro. Elite supõe uma diferenciação dos demais. E de fato, o BOPE é uma tropa elitizada, só está lá quem dá conta do recado – e que recado!!! Mas, Padilha se limitou a isso? Não.

Na entrelinha direta da relação Morro x Polícia, Padilha inseriu um outro Brasil, o Brasil da Elite que financia o tráfico, as armas, as matanças, a violência. Elite de burgueses, como o conceito sugere, que em nome de uma vida louca e breve dá dinheiro para a Bandidagem se fartar como canta a dupla de funkeiros na música Morro do Dendê acima.

Dendê… um molho especial pra quem gosta de camarão. Afinal, um bobó de camarão com azeite de dendê faz toda a diferença. Brasil é o país das diferenças e desigualdades gritantes e Dendê não deixa barato, é o tempero que falta ou que sobra nesse país?

Enquanto que em Cidade de Deus a lógica é da narrativa de dentro do Morro, aqui, a lógica vem da Polícia. Sem os bandidos, não há Polícia; então, há um ponto forte que liga ambos, tanto no combate e nas diferenças, quanto nas semelhanças. O diretor mostra nesse filme que por vezes a linha do zelo à lei é bastante tênue. O BOPE atropela a lei social diversas vezes no filme. Na guerra vale tudo?

Muitos pensam que no Brasil não há pena de morte, mas há! Há inclusive em Lei. É dito na Lei, a partir do Princípio da Individualização da Pena,  que em casos de guerra declarada a pena de morte, que é proibida passa a ser  autorizada… Estamos declaradamente em guerra civil?

Enfim… “Faca na caveira”!!

Recomendo mesmo esse filme. Muito bom!

Por: Guerra de Pipoca.

11/07/2009

A Mulher Invisível

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A Mulher Invisível

Direção: Cláudio Torres

Gênero: Comédia

Brasil – 2009

Nota mil pro Selton Mello; zero pra Luana Piovani.

Selton carregou esse filme nas costas com uma ajudinha de Vladimir Brichta, o restante do elenco só seguiu as migalhas do pão. É impressionante como Fernanda Torres não se livra mais de Vani de Os Normais, todas as expressões dessa personagem estiveram nesse filme. Não tem jeito, nunca acreditei no ditado “filho de peixe, peixinho é”, essa moça jamais estará perto dos pés de sua mãe Fernanda Montenegro. Enfim…

Humor caricato, previsível, mais previsível ainda é o motivo da Piovani estar  no elenco: sua bunda. Aliás, o cérebro parece que trocou de lugar nessa moça… O título do filme torna tudo mais esperado ainda; porém, cá entre nós:

Quem é a invisível: a vizinha que escuta tudo através da parede ou a Amanda?

Escolho a vizinha, que nunca foi vista e nem notada, mas que se apaixona pelo pobre coitado abandonado Pedro… a típica mãezona tão conhecida por muitos.

Amanda… Amada? Por quem?

O que o sofrimento não faz, hein?

Por: Guerra de Pipoca.

11/05/2009

A Verdade Nua e Crua

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A Verdade Nua e Crua – The Ugly Truth

Direção: Robert Luketic

Gênero: Comédia Romântica

EUA – 2009

Gerard Butler como Mike Chadway estava atuando como ele mesmo? Fez um papel de conquistador barato tão à altura que pensei nisso.

Bom, esse não é meu gênero favorito, pensei nas Fadas Loira e Morena para escreverem sobre esse filme (embora eu pense que elas também não vão gostar dele), mas estou aqui com a mão na massa, acabei de vê-lo; que me custa, né?

Não vou filosofar no meu texto e nem incrementar com questões elevadas, embora eu pudesse facilmente escrever com esse viés, pois o filme fala da relação guerra dos sexos e da amizade como sublimação do instinto sexual, mas quer saber? Ô preguiça do cão! rsrsrs Sim, a verdade é nua e crua!

E por falar em verdade, tantas formas de falar sobre isso e dar em um filme riquíssimo, aí Luketic escolhe o modo mais mediano para abordar assuntos tão caros… Complicado!

Trata-se do de sempre: impressões à primeira vista, brigas, desavenças,  disputas, sabotagens e no fim? Ah… o príncipe sempre beija a princesa, né? rsrsrs. Não me importo de contar o final, porque ele já estava escrito e dito no momento em que foi escolhido esse gênero pro roteiro. Enfim…

Ave czar!

Por: Guerra de Pipoca.

11/05/2009

Planeta Terror

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Planeta Terror – Planet Terror

Direção: Robert Rodriguez

Gênero: Terror

EUA – 2007

O médico é um figuraço e seus auxiliares não ficam atrás. Uma das melhores falas é do xerife subindo o morro para enfrentar a horda de mutantes transfigurados. E ele ainda é irmão do churrasqueiro e seu molho perdido! E o que dizer da cena do menino com o revólver dentro do carro. E o seu avô, Texas Ranger da melhor estirpe?

O final é totalmente insólito. Conheço Tulum. Lindo. Parasidíaco. E não consigo deixar de ter a infinita curiosidade de assistir o seu filme-gêmeo, “Death Proof”.

O que há de bom: o descompromisso com enredo e o compromisso com as tomadas

O que há de ruim: trilha sonora não acompanha o seu parceiro Tarantino

O que prestar atenção: o trailler do filme “Machete” é falso, esse filme, não existe, mas mesmo assim você consegue imaginá-lo todo

A cena do filme: a sequência da utilização da arma-perna, incluindo a “ponte”

Cotação: filme bom (@@@)

Por: C.O.B.R.A.

11/04/2009

De Olhos bem Fechados

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De Olhos bem Fechados – Eyes Wide Shut

Direção: Stanley Kubrick

Gênero: Drama

EUA – 1999

Antes de mais nada, é preciso dizer que essa obra é uma adaptação de “Breve Romance de Sonho” de Schnitzler, médico vienense, amigo de Freud, que abandonou a medicina para se dedicar à Literatura. Acredito que fez uma ótima escolha com isso, pois seus escritos são profundos e maravilhosos.  Além dessa obra, indico “Contos de Amor e Morte”. Magnífico. Como diz Freud numa carta dirigida a Schnitzler: “O senhor é um explorador das profundezas”. Vindo de quem veio, é um elogio sem par!

Será que Kubrick deu conta dessa obra? Ao menos ele conseguiu por em imagens algo de muito valor: Não é o sexo que resolve tudo. Tanto é que Cruise não encontra alguém… Bom, vamos com calma.

Cruise debocha dos sentimentos e desejos de sua esposa até que ela lhe comunica que sentiu atração física por outro. Opa! Aí mexe com a maioria dos homens. Por que? Porque o homem teme que a mulher que dá pra ele dê pra outro. Esse é o “ciúme” masculino, nota-se: ciúme físico. O ciúme feminino, pra completar, é da mulher temer que seu homem dê pra outra mulher a proteção que ele dá pra ela. Simples assim. Sem rodeios.

“Breve Romance de Sonho” foi escrito no séc XIX, é de se entender, portanto, que Schnitzler camufla em sua obra muito do que hoje é “normal”; no entanto, escrever nessa data que uma mulher  casada sentia desejo sexual por outro homem que não seu marido, é um avanço incrível. E aqui temos mais um mérito de Kubrick: um século depois deu conta de fazer um longa sem banalizar o que já é banalizado pela sociedade. Hoje em dia, dizer que uma esposa sente desejo por outro é comum; tanto é que cada dia aumenta o número de relações abertas. O filme tem um tom de mistério que mesmo nesses tempos atuais de cultura de bunda a história não é tida como “batida”, cheio de clichês.

Paro por aqui, é preciso assistir ao filme e degustar os mistérios das épocas. Também é preciso paciência, pois o longa conta com 2:30h… Por vezes, não gosto dos tempos Kubrickinianos, são longos demais.

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Resta a pergunta: em qual momento os olhos se abrem?

Por: Guerra de Pipoca.

11/03/2009

Kill Bill – Volume II

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Kill Bill II

Direção: Quentin Tarantino

Gênero: Ação, Violência

EUA – 2004

Inicia em preto & branco. Repete e explica a cena do ensaio do casamento. Som de faroeste. Cenário árido de El Paso. Apesar de todos nós sabermos que ela vai levar um tiro na cara e que o resto vai ser trucidado, a tensão permanece. Ah, o negrão que toca é o Samuel Lee Jackson. Plano aberto na saída da igrejinha, isto é Quentin Tarantino. Abre quando parece que vai fechar e fecha quando a maioria imagina que vai abrir.

Uma grande paixão se analisa pelos detalhes, assim como uma bela mulher. Nem acho a Uma Thurman tão gata. Mas o brilho de seus olhos denuncia sua maneira de ser. Deslumbrante. Determinada, está em busca do irmão de Bill, na minha opinião, o mais perigoso de todas a víboras assassinas. Deserto da Califórnia. Areias coloridas, primeira imagem impactante a cores.

Leva um balaço de sal no peito. Ele percebeu algo errado, nem acendeu o isqueiro. Poderia explodir algo. Beatrix caída no chão nem assim parece frágil. É amarrada, e enterrada viva. Recebe uma lanterna de brinde. Segue uma das sequências mais inteligentes dos últimos tempos. Só uma fresta de luz invade o cinema que se cala inteiro para ouvir a terra caindo e a camionete partindo. Consegui escutar até o meu próprio batimento cardíaco, de tão intenso que é o momento.

Corta para o treinamento com Pei Mei. Personagem de inúmeros filmes da década de 70 e 80, filmado pelos irmãos Shaw, é o “monge da sobrancelha branca”. Após pronunciar uma única palavra em japonês ele detecta que seu sotaque é horrível. Então fala em cantonês. Demonstrando total superioridade intelectual e física sobre ela, Chia Hui Liu nos brinda com uma aula de luta e filosofia plenas! E a jogada lateral da barbinha imaculadamente alva?

Volta para o caixão. Dentre as dezenas de referências sonoras e visuais do filme, destaco esta: ela saindo coberta de terra e pedindo água no boteco ao lado. É o puro “A volta do mortos vivos”. Sem um pingo de hesitação ela vai a pé e descalça pelo deserto até o trailer de Budd. Outro detalhe; como Quentin adora pés, este é um dos três momentos da fita em que ele foca extremidade tão venerada de Uma.

Seu encontro com Elle é uma luta sem precedentes na história recente do cinema. O desfecho inusitado, vingando seu mestre chinês –apesar de cruel- é sublime. A Mamba Negra não pode atacar seu par…

Diálogos ásperos e sutis com o velho cafetão. E o encontro final com Bill. Apesar de assassina e tal e coisa, ela é mulher. Carradine desmonta-a ao estar com sua amada filha de 4 anos – e já com o sangue de ambos, preste atenção no diálogo sobre o peixinho dourado- e não esboçar reação.

Outra cena que refere a feminilidade ainda presente? Quando as duas assassinas detectam a gestação incipiente da Mamba. Depois de uma fala sobre o Super-Homem, coisa louca… O pau quebra. Cena rápida, pois acredito que dois contendores desta estirpe não duelam durante toda a noite… a Hattori Hanzo embainhada, o corte na madeira e os cinco toques que explodem o coração… lindo!

O que há de bom: fotografia magistral, diálogos longos e surpreendentes, com o charme das pausas…

O que há de ruim: resgata atores que estavam no limbo, como a excelente Daryl Hanna ou mesmo o meu eterno Kung Fu, nem sei se isso é bom ou ruim…

O que prestar atenção: trilha sonora espetacular, apesar de não reconhecermos nenhuma das músicas; todas estão no nosso inconsciente coletivo, como as dos filmes de Sérgio Leone…

A cena do filme: a do caixão e o reencontro com a filha, desculpem o trocadilho, mas foi tocante…

Cotação: filme excelente (@@@@@)

Por: C.O.B.R.A

11/01/2009

Domésticas, o Filme

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Domésticas, o Filme

Direção: Fernando Meirelles e Nando Olival

Gênero: Comédia

Brasil – 2001

Uma pena que filmes sanguinários, cheios de efeitos, invadem as mídias bem antes de serem lançados com propagandas diversas que atraem públicos em geral, e filmes como Domésticas, bem feito, com um embasamento político didático o suficiente para classe D até classe A mais fútil entenderem, serem tão mal divulgados. Sinto muito por isso. Infeliz e atualmente, a preocupação primordial de quem faz e produz  filmes é a de ganhar dinheiro; montantes deles. Eles lucram muito, é claro, mas, e nós?

O filme Domésticas escancara a realidade dos profissionais do lar com uma leveza sedutora. É muito engraçado e comovente, sobretudo, no que tange ao drama de sonhar acordado com o inverso da moeda: deixar de ser empregada doméstica e se tornar a patroa.

Como elas mesmas dizem, ninguém sonha em ser doméstica; torna-se doméstica por falta de opção, de estudos, de oportunidades. São profissionais que estão sob nossos tetos e mal reparamos neles…

Em minha casa, minha mãe fala algo que concordo plenamente: domesticas03 “Limpar o lixo alheio exige coragem, devemos tratar muito bem quem trabalha com isso”. Sim, por mais higiênico que o cidadão espartano seja, ele produz sujeira. Além dessa problemática, ainda tem que conviver com os enjoos e manias de seus patrões.  Mérito de Meirelles: retratou essa realidade de um jeito que o espectador é levado a pensar sorrindo. Coisa rara pra muitos soberbos por aí.

Eu recomendo!

Por: Guerra de Pipoca.

10/31/2009

A Bruxa de Blair II

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A Bruxa de Blair II – The Book of Shadows

Direção: Joe Berlinger

Gênero: Terror

EUA – 2000

O ideal seria que Morgana publicasse sobre algum filme hoje, já estávamos combinadas quanto a isso, mas ela pede desculpas, pois está no meio de uma comemoração. (Nós compreendemos, amiga! rsrsrs). Bom, como havia prometido falar desse filme quando escrevi a respeito de Bruxa de Blair I, cá estou eu para cumprir minha palavra.

Well, well, well, infelizmente, não revi esse longa por esses tempos, terei de confiar em minha memória e em minhas impressões sobre ele no ano 2000, quando vi a obra. Fico com o gosto no paladar de “como será que o veria hoje, nove anos depois?”. Acredito, no entanto, que pouquíssimas percepções minhas mudariam.

Vamos a ele.

Joe Berlinger, diretor, usou os mesmos nomes dos atores em seus personagens, para dar realismo ao enredo tal qual no primeiro filme. No entanto, colocou nesse longa atores não tão conhecidos assim na época. Ora, vejam… nem preciso explicar meu raciocínio, né? Obviamente que isso não teria o mesmo efeito, e mais claro ainda que com toda a composição do filme, ninguém acreditaria que não é ficção.

Seis personagens com um objetivo em comum: saber mais sobre a Bruxa.

Bruxas exercem um poderio de mistério em qualquer cidadão ateniense e troiano, alcançam essa unanimidade, com certeza. Mas, até que ponto esse poderio não se fixa apenas no psicológico?

Fixar-se no psicológico já é algo extremamente forte, e aqui temos um ponto forte do filme: o terror que ele propõe é psicológico. (Questiono-me: será que obtemos outro tipo de terror que se separe do psicológico, também? Tendo a pensar que não, pois até mesmo o terror “físico” passa pelo psicológico. Logo, Terror Psicológico é redundância). Enfim…

Histeria coletiva? Domínio de forças sobrenaturais? Autorização comportamental em nome de uma crença? Sem respostas. A saber… Pode ser tudo isso junto, apenas uma dessas coisas, ou nada disso.

Esse longa não é um clássico e nem poderia sê-lo, ainda hoje a fogueira da Inquisição está a postos, imagine se filmes de bruxas terá… deixa pra lá. Contudo, pra hoje, indico-o!

O que é ser bruxa? Será que é exercer o mal como pintam algumas religiões por aí?

FELIZ DIA DAS BRUXAS PARA TODOS NÓS, EM ESPECIAL, PARA MORGANA, NOSSA BRUXONA QUERIDA!

Por: Guerra de Pipoca.

10/30/2009

A quem possa interessar:

Blog das Moiras foi deletado (Ahhhhhh que peninha rsrsrs). Isso já estava sendo conversado há algum tempo: sobre nossa falta de tempo. E até nisso demoramos a decidir em nome do relógio caminhar no sentido contrário diversas vezes.

Já não estávamos mais atualizando com o ritmo normal, nossas energias estão em outros lugares, em outras produções: trabalho, cursos etc. A minha energia pra blog é pra cá pro Guerra. Me dedico virtualmente ao Guerra, e estava relapsa com as Moiras, e as meninas  também rsrsrs. (Vamp já imortalizou o nick dela… já cansou de blogar rsrsrs).

Viciada em escrever, sabem como é, né? Qualquer coisa, se eu decidir abrir um blog pra contar a-blog-brinhas não-temáticas da minha vida, comunico a todos por e-mail. Mas, estou curtindo muito ficar na escrita de filmes, que me divertem demais! :)

No entanto, vocês verão as Moiras reunidas sempre por aqui. Nem vai dar pra  sentir saudade… rsrsrs.

Bom, como diz a Mestra Vamp: SIGAMOS com os filmes rsrsrs. Adoro! :)

Por: Guerra de Pipoca.

 

10/28/2009

Um Estranho no Ninho

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Um Estranho no Ninho – One Flew over the Cuckoo’s Nest

Direção: Milos Forman

Gênero: Drama

EUA – 1975

Quem nunca se sentiu um estranho no ninho? Considero coerente dizer que todos já se sentiram uma vez ou outra (ou muitas vezes) como tal. Há uma banda brasileira que canta algo ecoado por muitos; nem sei se esses tantos escutam, na verdade, o que cantam:

“Entre um rosto e um retrato, o real e o abstrato / Entre a loucura e a lucidez

Entre o uniforme e a nudez / Entre o fim do mundo e o fim do mês

Entre a verdade e o rock inglês / Entre os outros e vocês

Eu me sinto um estrangeiro/ Passageiro de algum trem (ôôôô)/

Que não passa por aqui/ Que não passa de ilusão” (…)

-A Revolta dos Dândis – Engenheiros do Hawaii- (vale a pena ler a letra toda).

Em O Estrangeiro, tão bem dito por Albert Camus, Mersault é um personagem que experimenta e experiencia o Absurdo de simplesmente viver sem sentir o mal-estar da civilização; por ser frio existencialmente, causa mal-estar em todos os leitores. Impossível passar impunemente a um ser tão Absurdo* (Leia! Recomendo a leitura!).

Acontece que o mal-estar só pode estar na civilização. Em qual outro lugar estaria? Mal-estar na Selva, existe isso? Certamente que não. Chega a ser uma redundância o título do belo texto freudiano: “Mal-estar na Civilização”. Lá ele ensina que um dos motivos dos homens sofrerem é a sua relação com outros homens. E aqui nesse ponto, é possível fazer um gancho com o filme O Estranho no Ninho.

Jack Nicholson, maravilhoso, no personagem R.P. McMurphy vai parar numa clínica psiquiátrica por fingir-se louco para evitar ser preso numa penitenciária. Só em fazer isso, já não é algo normal rsrsrs. A ignorância faz a vítima, dizia meu avô, e é verdade. O “patinho feio” cai de paraquedas num ambiente dominado pela enfermeira Ratched; dona de um semblante entristecido e sádico, talvez adquirido pelo ambiente – a saber-, e que mostra que nessa “selva” a lei é a do mais forte. Mas, qual outra lei existe, na verdade? Todas as outras leis surgem dessa máxima. Aliás, um parênteses, as leis jurídicas existem porque temos o Forte e o Fraco, onde o Fraco precisa ser, ao menos perante os Homens, posto em igualdade através da sociedade.

Nessa queda de braço, que vença o melhor!

Sabemos, no entanto, das artimanhas utilizadas numa clínica: as punições, a restrição da liberdade, a hierarquia do normal como superior ao anormal etc, fazem com que as chances de sobrevivência mental nesse mato sem coelho sejam ínfimas. A beleza do filme é ver que vence, realmente, o melhor. O mais forte, o mais estratégico… nem sempre as estratégias ficam às claras, elas podem ser mudas e surdas, quem pode prever?

*Absurdo: Aqui o termo Absurdo é referido ao Absurdo Filosófico (em letra maiúscula por se tratar de um conceito para além do senso comum), que consiste, basicamente, em um estranhamento na relação entre o Homem e o mundo. Pode ser traduzido pela pergunta: Olho o mundo e não o compreendo. Por quê?

Para Camus, do qual concordo, se eu me revolto (bem longe da revolta  dos adolescentes) perante aquilo que é cuspido pra mim pela sociedade, eu existo. Revolto-me, logo existo.

Até que ponto McMurphy se “revoltou”?

Por: Guerra de Pipoca.

10/27/2009

O Plano Perfeito

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O Plano Perfeito – Inside Man

Direção: Spike Lee

Gênero: Ação, Aventura

EUA – 2006

Tenho pouco a dizer, pois é um filme sobre roubos de Bancos. Não posso matar a charada, né?

O filme começa com a música Chaiyya Chaiyya, indiana, divertida, e não demora muito a mostrar a que veio. Essa música dá um toque especial ao filme, juro! É a cereja no bolo.

Tem Denzel Washington, que é um baita pé no saco politicamente correto. Tem a Jodie Foster, que não está em sua melhor atuação. Isso quase faz do filme uma merda. Mas, somos salvos por Clive Owen!!! Ele está tudo de bom em termos de atuação… (chutando o balde aqui), ele é tudo de bom em todos os sentidos. Pronto, falei!!!

A trama também nos salva! Inédita, original e muito divertida! Será que um plano perfeito existe? Plano perfeito, sim. Crime perfeito, não.

Filme despretencioso, engraçado, dinâmico e que aconselho assisti-lo com muita pipoca e refrigerante. Já aviso que não é nada cult, mas ensina alguma coisa: existe diversão aos domingos, é só ir à locadora mais próxima de sua residência! pleum!

P.S. Nunca vi nada mais cafona do que aquele chapeu do Denzel… Ah não, colega, você é bregão de nascimento!

Por: Laís.

10/26/2009

Arraste-me para o Inferno

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Arraste-me para o Inferno – Drag me to Hell

Direção: Sam Raimi

Gênero: Terror

EUA – 2009

Lâmia é um ser mitológico, metade mulher metade serpente. Ela come criancinhas. Pode ser aplacada a sua dor se lhe arrancarem os olhos. Aqui ela é invocada por uma velha e não tão distinta senhora que precisa de um empréstimo para manter sua casa.

Cenas tranqüilas de um banco. Chefe manipulador (qual não o é?) e funcionários ambiciosos. Mas as unhas enormes e sujas estão lá. O anel redondo de prata com pequenas bolas, os brincos diferentes, os dentes arrombados e o bafo de onça também. Não me perguntem como senti, mas que ela é bafuda eu tenho certeza.

O pau quebra no estacionamento, muitas surpresas nojentas. E a pancadaria é primeira de uma sucessão de surtos bem costurados pelo diretor. Primeiro ele diminui o ritmo, depois põe uma musiquinha, aí vem com uma pausa –para nosso falso alívio- e finalmente… UAH! Dá um sustão na platéia de arrepiar os pelos mais ocultos do cidadão.

Aparece um namorado psicólogo, compreensível, amoroso. Também surge um vidente culto e bem articulado. E até o rival no banco nos parece simpático, diante da malvadeza e asco trazidos pela velhota e o monstro Lâmia.

Sombras bem feitas, gatinho inocente. Janelas e portas que abrem e fecham. Vários clichês do gênero. Até cemitério com chuva a camiseta molhada, tem. Mas nada impede de você gritar com os cortes secos, os closes devastadores. E a sensação de que a moça não irá escapar.

A cena inicial agora é explicada com mais exatidão. Médiuns sempre gostaram de cabras e sangue. A estratégia de captura do animal vingativo é correta e a “dancinha no ar” do ajudante dá até para você rir um pouco, relaxar. Pois o pior virá, com certeza.

No final falta entregar um botão para alguém. Mas quem é merecedor de tamanha desgraceira? Como passar para frente uma maldição tão terrível? Eu não sei, mas desconfio de uma moedinha que foi citada duas vezes no filme. Vejam e depois em contem.

O que há de bom: o velho arquétipo de bruxa muito bem representado pela ótima atriz Lorna Raver.

O que há de ruim: algumas cenas são repetidas de outros filmes do gênero, sinto que o terror precisa ser renovado, e isso tem sido feito pelos orientais…

O que prestar atenção: no poema de Keats ela – a Lâmia – também tinha a capacidade de transformar-se numa sedutora jovem e arrastar o coração dos incautos

A cena do filme: a bigorna, claro!

Cotação: filme bom (@@@)

Por: C.O.B.R.A.

10/25/2009

Sex Pistols

Sex Pistols – The Filth and The Fury

Direção: Julien Temple

Gênero: Biografia, Música, Documentário

Inglaterra – 2000

“Por que se chega a ser assim?

Se chega a ser assim porque não pode enfrentar a realidade.”

(Sex Pistols ao referir-se às roupas fetichistas de couro em analogia às suas músicas e banda).

Real-mente! Enfrentar a realidade sem uma dosagem de realismo e de irrealismo é um rumo ao suicídio mental, pois, é preciso a sub-versão para não se tornar uma ovelha no pasto.

Paul Cook, Steve Jones, Glen Matlock, Johnny Rotten e Sid Vicius não são ovelhas e nem vacas de presépio.

Estamos em Londres no ano de 1976.

“O Partido Trabalhista, que havia prometido tanto depois da guerra, havia feito tão pouco pela classe trabalhadora,

que a classe trabalhadora estava confusa, e já nem sequer compreendia o que significava classe trabalhadora.

Eram tempos frios e deprimentes. Ninguém arranjava trabalho. Todo mundo estava desempregado.

O germe, a semente dos Sex Pistols, surgiu disso“.

Quanto mais a sociedade domina o indivíduo, mais precária é a situação da arte. Conseguem compreender o todo dessa frase? A ditadura, seja ela Política ou apenas Mental, aliena o sujeito. A arte funciona como tentativa de desalienação. Podemos, hoje, dizer que até então nenhuma Ditadura venceu, posto que o Lirismo sobreviveu a todas elas. Ocorre  que se a ditadura vence, tem sucesso, não há lírica. Ou seja, aliena todo mundo.

Theodor Adorno – Filósofo, Sociólogo e Musicólogo alemão – nos ensina o óbvio:

Se não tivesse nada de social, como a arte – seja ela a poesia, a música, ou qualquer outra expressão artística – poderia ser curtida pelas pessoas?

A Linguagem é sempre social.

Diante da insatisfação social inglesa, a banda Sex Pistols surgiu. Ou seja, diante dos problemas sociais, a arte compareceu em forma de música e de protesto. Daí nasceu o Punk.

Por: Guerra de Pipoca.