Melhor Filme Europeu
Melancholia, de Lars von Trier
Melhor Realizador Europeu
Susanne Bier por In a Better World
Melhor Atriz Europeia
Tilda Swinton em We Need to Talk About Kevin
Melhor Ator Europeu
Colin Firth em The King’s Speech
Melhor Argumentista Europeu
Jean-Pierre Dardenne e Luc Dardenne por Le gamin au vèlo
Melhor Cinematógrafo Europeu
Manuel Alberto Claro por Melancholia
Melhor Editor Europeu
Tariq Anwar por The King’s Speech
Melhor Design de Produção Europeu
Jette Lehmann por Melancholia
Melhor Compositor Europeu
Ludovic Bource por The Artist
Prêmio FIPRESCI
Oxygen, de Hans Van Nuffel
Melhor Documentário Europeu
Pina, de Wim Wenders
Melhor Filme de Animação Europeu
Chico & Rita, de Fernando Trueba, Javier Mariscal e Tono Errando
Melhor Curta-metragem Europeia
The Wholly Family, de Terry Gilliam
Melhor Desempenho em Cinema Mundial
Mads Mikkelsen
Prêmio do Público
The King’s Speech
Prêmio Co-Produção Europeia – EURIMAGES
Mariela Besuievsky
Prêmio Honorário
Michel Piccoli
Prêmio Carreira
Stephen Frears

Eu assisti Melancholia, de Lars von Trier, e acho merecido ter vencido. Já assistiu, Du?
Não assisti a nenhum desses, nem mesmo Pina de Wim Wenders. Quero ver o do Lars von Trier, mas cadê o tempo? Talvez arrume algum… talvez…
Eu gostei de Melancholia, mas vou esperar o texto no blog para comentar a respeito. Quem vai escrevê-lo? Guerreira?
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Eu tinha prometido para Pipoca há milênios escrever sobre Melancholia, mas não consegui
Afinal, temática surrealista de fim do mundo é comigo mesmo! E eu AMEI esse filme!
A ideia do filme – se o mundo fosse realmente acabar daqui cinco, o que as pessoas do cotidiano de fato fariam? – é genial.
Os filmes hollywoodianos focam em atitudes excepcionais, de sair correndo, pular a cerca, pegar um avião, um foguete da Nasa, se esconder no fundo do Oceano ou sei lá o que ao quadrado. E isto só pode funcionar com o pressuposto de que o mundo não acabe realmente. A postura excepcional do sucesso – a ideia de que, com esforço, pode-se superar até mesmo o fim do mundo – só funciona em um sistema de brechas (a dizer, o mundo não vai realmente acabar). É a necessidade extrema do homem, de dotar o mundo de ordenamento e julgar que suas ações possuem eficácia em tal ordem. Em uma situação última, como o fim do mundo, o sentimento de segurança ontológica (expressão de Anthony Giddens) é detonado. Este é o sentimento que nos permite comprar pão na padaria sem neuroses de achar que um raio pode cair na sua cabeça e te mandar. Até pode, mas não é como a ordem do mundo costuma funcionar. Enfim, não vou me estender, mas sempre interpretei os filmes hollywoodianos da temática como temerosos de romper essa última fronteira da segurança ontológica. Rompê-la é dotar de insignificância a razão e o sentido da vida.
Quando estiver pronto o texto, é só me enviá-lo que será publicado!!!
E pela ideia acima, a produção ficará ótima.
Pô, achei sensacional aquela cena que uma das irmãs pega o carrinho de golf e sai dirigindo, achando que fosse funcionar alguma coisa. Dotar de significado o aleatório da natureza e mesmo os movimentos da sociedade é um atributo básico do homem. Não apenas a ideia de Deus como as teorias conspiratórias podem ser analisadas sob este viés.
Afinal, noções religiosas implicam uma importância na agência do sujeito: como se fosse relevante para o ordenamento do universo se ele é bonzinho ou malvadinho. E teorias conspiração dotam de racionalidade – logo, controle humano – o caótico desenrolar histórico. Este tipo de procedimento mental garante as condições de sobrevivência (se a confiança não existisse absolutamente, tente imaginar como seria viver…), mas supõe uma harmonia externa. Oras, o fim do mundo é o exemplo mais dramático e caótico possível.
Eu ouvi críticas contra Melancholia dizendo que o filme é sem sentido. Uai, não poderia ser o contrário. Diante o fim do mundo, se realmente acabar (diferente destes filmes hollywoodianos que quem realiza o impossível, sobrevive), toda agência humana é sem sentido. O tempo passa simplesmente por passar.
Enfim, eu AMEI esse filme!
Não gosto muito dessa tendência binarista e dualista a jogar tudo nas costas da(s) religião(ões)/Deus(es).
Pq dá uma falsa ideia de que ela – a religião – é responsável por seu oposto, ou seja, a construção do mundo.
E aí é impossível não perguntar: desde quando?
Desde o Cristianismo? Então são apenas dois mil anos.
Só que o mundo, ao menos este que não se pauta nas tradições ocidentais, data de mais tempo e de outros costumes e valores.
Então caíriamos no discurso falacioso e arrumadinho de evolucionismo x criacionismo, onde é óbvio que entre seres racionais o criacionismo perderá considerável força-réplica.
Donde é fácil perceber que tanto o mundo e sua construção, quanto o fim dele, são sem sentido.
Posto que se é para pensar filosoficamente no proposto, então há outra pergunta que não pode deixar de ser feita: se a proposta do fim do mundo resulta em vidas sem contextualizações e portanto sem sentidos, a origem do mundo teve algum sentido?