Velha Nova Infância

 

(Feita por Guerra de Pipoca)

Lacan se dizia com 5 anos de idade, mas ter 5 anos de idade e saber ter esses anos de vida são duas coisas diferentes.

Saber ter 5 anos nas costas é fantasiar, brincar com a vida, brincar com que estiver disponível como instrumental e ferramenta e fazer disso um lindo momento de prazer e satisfação. É  saber rir e sorrir com as situações, adversidades, momentos, circunstâncias etc. Demora-se muito tempo para ser jovem…

Saber ter 5 anos é conseguir enxergar diversas possibilidades de respostas para as experiências da vida…

(Feita por Guerra de Pipoca)

assim como fazem as crianças que tiram do lenço depositado no chapéu -com toda mágica do mundo- um belo pombo. Assim como Lacan, que com muitos anos de experiência se dizia com 5 anos de idade.

Mais uma  vez: comemoremos o tempo dos Aquarianos, tempo este que é atemporal…

Felicidades, Aquarianos Guerreiros! (Guerra de Pipoca, Morgana, Vamp e BullDog)

Vida Longa e Próspera!

Por: Moiras.

2 anos de Guerra de Pipoca!!!

Enfim, se fechamos o ciclo de mais um ano, então, que venha mais! Somos gulosos!

:D

Parabéns para nós!

Beijos,

Guerra de Pipoca.

Os Sonhadores

Os Sonhadores – The Dreamers

Direção: Bernardo Bertolucci

Gênero: Drama

França – Itália – Inglaterra – 2003

Bertolucci ficou conhecido com a direção de “O Último Tango em Paris”, filme de 1973 que deu a ele prêmios e popularidade.  A lista de filmes que dirigiu não é vasta apenas em número, mas em qualidade; e a última obra que produziu, até então, é Os Sonhadores. Filme belíssimo e, para mim, o melhor de sua filmografia.

Baseado no romance de Gilbert Adair, “Os Sonhadores” é uma linda homenagem ao cinema, na medida em que o filme recorre a outras grandes obras o tempo todo ao celebrar a juventude da década de 60 do século passado. É um filme muito polêmico e impactante, que dá imenso pano para manga.

A época é 68, tempo em que a França (Maio de 68) foi palco de uma greve geral – que também é mostrada no filme – denunciando o tempo das revoluções e movimentos políticos-sociais dos anos 60 e 70. Bertolucci não poupa em homenagem: a trilha sonora é espetacular e toda desse tempo de “Woodstock”: Hendrix, Joplin, Doors… enfim, muito boa.

O fim da década de 60 (com o início de 70) foi marcado por grandes acontecimentos: guerra do Vietnã, retorno do movimento feminista, politização dos jovens etc. Sutilmente, estes acontecimentos são resgatados no filme pelos 3 jovens Matthew e os gêmeos Theo e Isabelle, cinéfilos de classe econômica alta que se fecham em um apartamento enquanto seus pais viajam e a França está em chamas em plena revolução. Essa é a ideia do sonho no filme: o distanciamento e isolamento do que acontece ao redor. O mundo dos sonhos é interno e particular. Matthew, recém amigo dos gêmeos, embarca nos jogos psicológicos deles por ter se apaixonado por Isabelle, mas logo percebe que Theo e ela – ainda que irmãos – se relacionam quebrando a ideia do tabu do incesto. É um mundo à parte do que o social determina, tal como nos sonhos, onde tudo é (quase) possível. A ausência do pai é notória, tanto enquanto normalizador da ordem social (função paterna) e das regras e leis; quanto da imposição de um limite necessário aos filhos. França em caos, os filhos também. Onde está o pai?

Bertolucci não deixa barato: se a época é de um retorno ao feminismo, então que seja feita uma homenagem a elas também, com isso, é um dos poucos filmes que mostra o nu frontal masculino. Geralmente, o nu frontal é reservado às mulheres, os homens se preservam e são preservados, como o machismo determina. Aqui não. Aqui vemos Theo e Matthew compondo o triângulo com Isabelle… Mas, vale dizer que a ideia não é a de levantar preconceitos de gente escandalizada com que vê. A ideia é de um mundo sem leis, um mundo artístico onde a imaginação e o poder se cruzam e mostram o quanto o cinema – enquanto arte – tem a capacidade de mexer com nossas visões. Ou seja, é também um ato político!

“A rua entrou no quarto”.

Há um momento em que Isabelle grita isso aos outros dois jovens e eles saem do sonho e vão às ruas lutar na revolução. Trago esse momento para cá, pois é importante perceber a sutileza do que ela está dizendo: “os outros entraram em nossas vidas”. Ou seja, é a saída de um autismo alienante para a entrada de uma socialização. Eles “entram” no mundo social, saem do sonho individual, do mundinho próprio. Em outras palavras, o pai (a lei social normalizadora) retorna à casa.  É uma cena linda e extremamente sutil.

E quando a polícia resolve atacar a população? A filmagem é digna de aplausos! Bertolucci filma de frente, como se a Polícia viesse correndo para cima de nós: espectadores sentados, de braços cruzados, vendo tudo acontecer no camarote…

Belíssimo!

Recomendo, é uma obra-prima!

Por: Guerra de Pipoca.

Provocações – Wagner Moura

Provocações, pra quem não sabe, é um programa de entrevistas com o maravilhoso Antônio Abujamra. Pra mim, é o melhor da linha dual no cara-a-cara. Entrevistar alguém não é tão simples. Pra ser bem feito é preciso um estudo prévio do que vai ser perguntado, até para haver interlocução. E o mais importante: é preciso ouvir o que o entrevistado diz para fazer as perguntas que siga uma linha condutora ao que é dito no momento. Perguntas decoradas costumam não dar certo. Abujamra sabe disso.

Impressão minha ou Wagner Moura diz que entendeu Hamlet, além de dizer que nem leu o suficiente? rsrsrs

É possível que nem mesmo Shakespeare tenha entendido Hamlet, minha gente! :D Como entender a pergunta: “Ser ou não ser”? Eis a questão!!! Dilema de difícil solução porque não ser é ser de alguma forma. Hamlet sabia disso, nós sabemos disso, porém, como dissolver essa pergunta no ácido da existência?

Como que se comunica o ser sendo não ser que por vezes é? Por favor, Wagner Moura! Não diga besteiraaaaaaa! E quer besteira maior do que dizer que os ingleses sentem dificuldade de entender a própria língua, que por acaso, na cabeça dele, é melhor compreendida pela língua portuguesa? :o

De onde ele tirou essa? Da cartola do “Carandiru” ou da metralhadora do “BOPE”?

Por: Guerra de Pipoca.

O Rito

O Rito – Ritten

Direção: Ingmar Bergman

Gênero: Drama

Suécia – 1969

Decidi dividir o assunto deste filme em duas resenhas. A primeira, falarei sobre o filme sob a perspectiva da arte, resgatando pertinentes características do cinema de Bergman. A segunda, que não sei exatamente quando estará escrita para apreciação de vocês, pretendo isolar a última cena, o ato final, e pensar sobre os ritos totêmicos e religiosos a partir desse exemplo dado no filme. Será, portanto, uma escrita de livre interpretação com o suporte investigativo-psicanalítico.

Sabemos que Bergman foi quem inaugurou, por assim dizer, o que chamamos de “cinema Cult”; um cinema que se pretende profundo. Não é inédito em arte cinematográfica, não se utiliza de técnicas surpreendentes, mas é inédito em colocar a Filosofia Existencialista e a Psicanálise em pauta. Sim, ele era um grande estudioso do assunto. Não se interessou em ser filósofo e muito menos, psicanalista, no entanto. Mas quis diferenciar sua arte, que é o que ele verdadeiramente sabia fazer, com conteúdos filosóficos. Não era pretensioso, se sabia no lugar de artista, porém, suas obras vão além da proposta de entretenimento. E isso é proposital! Nada em seu cinema sobra. Eu o admiro muito, exatamente por ter dado conta de tornar a arte cinematográfica um canal possível de se pensar a existência, e até mesmo se emocionar com a Metafísica.

Aqui poderemos pensar na importância do entretenimento e do Cinema Cult. Claro que a arte dá espaço pra ambos, embora cinema seja entretenimento. É preciso tomar muito cuidado em proporcionar um momento artístico que traga na pele e no osso algo profundo e filosófico sem que caia nas armadilhas do discurso vazio. Vemos isso na maioria dos filmes. Cinema pretensioso, arrogante, boçal e que não diz nada com nada além de ser muito chato! Porém, o “Cult” de Bergman é realmente diferenciado, tem substancialmente suporte para tal.

Suporte que se dá de maneira bem anterior à obra, pois Bergman é um diretor que trabalhou com uma trupe de atores fixos que funcionava como uma companhia de teatro. Ou seja, os atores de seus filmes são sempre os mesmos, é uma equipe. E que equipe… Grandes nomes como Ingrid Bergman, Liv Ullmann, Gunnar Bjornstrand, Ingrid Thulin, Erik Hell etc.

Este filme O Rito, produzido em 1969, faz parte da fase experimental do diretor. Não é um de seus filmes mais conhecidos e divulgados, mas faz parte de uma época em que Bergman se encontrava bastante inspirado. Época em que foi lançado a Trilogia do Silêncio. São eles: Através de um Espelho, Luz de Inverno e O Silêncio. Em algum momento pretendo falar sobre estas obras, também. (Já deixo a dica para quem quiser saber mais desse diretor).

O Rito é um filme em formato de peça teatral de difícil compreensão, onde as falas são sumariamente importantes e que denunciam a perturbação dos personagens e do ambiente. Inclusive, o ambiente é claustrofóbico, pois o foco narrativo enquadra os personagens e não o cenário. Personagens de perfil, de frente, deitado, em pé, sentado etc, essas são as variáveis. O grande lance é que o espectador não se sente sufocado, mas se torna atento ao que está por vir.  O objetivo dessa dinâmica se torna claro quando se sabe o momento de Bergman ao fazer esse filme: ele estava sofrendo perseguições políticas por causa de sua arte. Para ficar claro é preciso dispor de uma pequena sinopse da obra:

A história se passa em algum país que não é dito. Três atores, Hans Wikelman (Gunnar Bjornstrand), sua problemática esposa Thea Von Ritt (Ingrid Thulin) e Sebastian Fisher ( o maravilhoso e impecável Anders Ek), foram acusados de fazer um espetáculo que conteria cenas de indecência (questionar o que é indecente para essa época é irrelevante). Encaminhados para um Juiz (Erik Hell) para serem investigados.

Torna-se claro durante o decorrer do filme que Bergman critica a censura! Critica o conflito estabelecido entre a arte e a ordem social. Critica os pequenos burgueses que se prendem no ato de julgar a liberdade criativa da arte. Quem é o juiz? Quem são os atores?

Os atores não dão conta de explicar pro juiz o que eles fazem e por que são indecentes. Claro! Arte não se explica embora seja explicável. Paradoxo necessário para sua composição. Bergman se encontra neste lugar de acusado e fez desse filme uma excelente oportunidade de se pensar sobre o papel social da arte. O que esperar da arte? Quais respostas conclusivas a arte pode oferecer? E nisso, os atores rondam de cá, de lá e não sabem responder à demanda da inquisição. Não são quaisquer atores, obviamente. Perturbados ou artistas? Aqui valeria a pena diagnosticá-los por perversos, histéricos, neuróticos etc?

O filme se desenrola com os interrogatórios, a busca incessante por responder o irrespondível. Fisher é brutal! O juiz tem um problema de sudorese e Sebastian vai em sua jugular, não exatamente com essas palavras, mas o sentido é: Quem é você para falar de limpeza e decência se escorre e derrete em suor? Você, visivelmente imundo, aponta o dedo pra mim, por que? Maravilhosa metáfora! Qual o papel dos juízes? Onde eles se encontram? Em todas as partes… Tem sempre alguém para apontar dedos…

Chegamos ao ato final: o ritual. Embora todo o filme o seja. Estabelece-se como um rito. Aqui deixarei para me aprofundar na segunda resenha que farei sobre a obra.

Por agora, concluo que a sociedade se apresenta como um inferno de salvadores. Não faltam pessoas que sabem mais do outro de que de si mesmos. A maioria se esforça por remediar a vida alheia. A calçada do mundo sobra de boa-fé. E dizem que isto se configura em um vício nobre…

O filme termina – e isso não é spoiler – com legendas que afirmam que nunca mais aqueles atores apresentaram um espetáculo naquele tal país indefinido… Como terminar de outra maneira?

Por: Guerra de Pipoca.

Brincando!

Essa postagem é automática. Ou seja, programada para ser postada exatamente nesse instante. Então caso haja algum erro, no sentido do WordPress “traduzir” involuntariamente os códigos, poderei verificar somente depois.

Pra aqueles que já usam o negrito e itálico não tem mistério algum os demais códigos. Então vou explicar desde o início para quem ainda não usa, aprender.

Todo e qualquer código, independente da complexidade, começa pelo sinal < (menor, na linguagem matemática) e termina com / (barra) e > (maior pra matemática).

Então, por exemplo, o negrito nos comentários: Menor + letra b +Maior (TUDO JUNTO) ESCREVA O TEXTO QUE PRETENDE DEIXAR EM NEGRITO Menor + barra + b + Maior.

Certo? Ficaria assim: <b> bla bla </b> Ok?

Agora as variações… NO LUGAR DA LETRA B

Para o itálico: i

Para grifar: ins

Para por o risquinho: del

Para por a linha no meio do comentário: li

Para recuar à esquerda: ul

Para citar: blockquote

Para por em azul e grifado: a

Simples, não?

Agora, os dois mais complexos para comentários:

LINKAR:

<a href=”URL DO SITE OU SEJA O ENDEREÇO DO SITE“>CLIQUE AQUI</a>

COLOCAR IMAGEM:

<img src=“URL DA IMAGEM“ alt=“NOME PARA A IMAGEM “/>

URL = abra toda a imagem e cole o endereço neste local entre aspas. Lembrando que a imagem tem que estar totalmente aberta, senão ela não entra.

Deu pra entender? Onde há espaço no código é proposital, TEM que ter o espaço, por exemplo entre o A e HREF no código de link.

Use os comentários pra testar, errar, aprender e se divertir. :)

LEMBRE-SE QUE:

Não é pra colocar imagem GIGANTESCA que avance a lateral do blog.

À medida em que eu for aprendendo mais códigos, ensinarei.

Se você não quer que todo seu texto, por exemplo, fique riscado, então selecione a frase que deseja o risco e coloque o código de início e de fim em suas extremidades.

Pra quem nunca usou código parece estranho, mas é bem simples. Não tem segredo.

Inté!

Por: Guerra de Pipoca.

Pensando com Fellini

“Para o cinema tudo se torna uma imensa natureza-morta, até os sentimentos dos outros são qualquer coisa de que se pode dispor.”
( Federico Fellini )

O consumo dos sentimentos ou sentimentos consumíveis? É possível mesmo, Fellini?

O que vocês acham?

Por: Guerra de Pipoca.

Globo de Ouro – 2010

Melhor filme dramático: Avatar

Melhor comédia ou musical: Se Beber, Não Case

Melhor diretor: James Cameron, por Avatar

Melhor ator em drama: Jeff Bridges, por A Crazy Heart

Melhor atriz em drama: Sandra Bullock, por The Blind Side

Melhor ator em comédia ou musical: Robert Downey Jr., por Sherlock Holmes

Melhor atriz em comédia ou musical: Meryl Streep, por Julie e Julia

Melhor atriz coadjuvante: Mo-Nique, por Preciosa

Melhor ator coadjuvante: Christopher Waltz, por Bastardos Inglórios

Melhor filme animado: Up – Altas Aventuras

Melhor filme estrangeiro: A Fita Branca

Melhor Roteiro: Jason Reitman, Sheldon Turner – Amor Sem Escalas

Melhor canção original: “The Weary Kind” (The Crazy Heart)

Melhor trilha sonora: Michael Giacchino, por Up – Altas Aventuras.

Os Vencedores do BAFTA – 2010

Melhor Filme:
Guerra ao Terror

Melhor Diretor:
Kathryn Bigelow – Guerra ao Terror

Melhor Roteiro Original:
Guerra ao Terror

Melhor Roteiro Adaptado:
Amor Sem Escalas

Melhor Ator:
Colin Firth -  Direito de Amar

Melhor Atriz:
Carey Mulligan – Educação

Melhor Ator Coadjuvante:
Christoph Waltz -  Bastardos Inglórios :) :) :) :) :)

Melhor Atriz Coadjuvante:
Mo’nique – Preciosa

Melhor Filme Britânico:
Aquário

Prêmio Carl Foreman (para diretores, roteiristas ou produtores britânicos estreantes):
Duncan Jones – diretor de Lunar

Melhor Filme de Língua Não-Inglesa:
O Profeta

Melhor Animação:
Up – Altas Aventuras

Melhor Trilha Sonora:
Up – Altas Aventuras

Melhor Fotografia:
Guerra ao Terror

Melhor Edição:
Guerra ao Terror

Melhor Direção de Arte:
Avatar

Melhor Figurino:
The Young Victoria

Melhor Som:
Guerra ao Terror

Melhor Efeitos Visuais:
Avatar

Melhor Maquiagem e Cabelo:
The Young Victoria

Melhor Curta de Animação:
Mother of Many

Melhor Curta-Metragem:
I do Air

Prêmio Orange Rising Star (votado pelo público):
Kristen Stewart

Fonte: Site Pipoca Combo.

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Momento de Reflexão Carnavalesca II

Fotografia feita por: Guerra de Pipoca

Arquivo pessoal. Olinda/PE

Janeiro / 2010.

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Falar sobre a alma das coisas, dentro de qualquer concepção, não é algo fácil, posto que se trata de um processo de “desmascaramento simbólico”. As máscaras, sem dúvida, estão em todos os lugares e em tempos carnavalescos, nada melhor do que falar delas no que se refere à arte.

Segundo Hamburger (2007), os artistas recorrem às máscaras a fim de fazer do homem só uma multidão, da identidade negativa a multiplicidade positiva ou a universalidade do ser. Código teatral, deliberadamente dramático, o uso das máscaras suscita, acima de tudo, o mistério. (nesse aspecto, indico Kubrick – De Olhos bem Fechados).

A primeira dificuldade para quem tenta ir além daquilo que se vê  mascarado é ler o rosto de quem a usa. Difícil distinguir os traços do rosto humano e a pintura ali trabalhada. Como distinguir a espontaneidade da encenação? Torna-se desnecessário dizer que nem sempre a emoção pode ser traduzida na maquiagem daquele rosto que a porta. O mais importante é a função simbólica que a máscara preenche em dado momento da espetacularização do corpo, que tem por objetivo aumentar a ilusão; a arte facial nunca deixa nada para o acaso.

A máscara é a adoção de uma persona, um meio de se colocar em distanciamento apropriado com o personagem e, ao mesmo tempo, trazer o espectador para perto a partir da contemplação de toda a cena. São duas vozes, quem fala?

Lindo, não?

Dessa forma, o Carnaval é até mais aprazível, visto que pode ir bem além do que ele propõe, rsrsrs.

Bom Aval da Carne para todos!

Por: Guerra de Pipoca.

Momento de Reflexão Carnavalesca

“É tendência do cinema romper a fronteira tênue entre ficção e documentário.” (Lúcia Murat)

A propósito do debate nos comentários do filme Teorema, me pus a pensar sobre a questão da arte, belo e suas condições. A catarse, como pensada por Aristóteles, remetia à tragédia grega e se inscrevia fortemente na própria formação do homem grego (uma paideia…). A exposição ao desenvolvimento das situações na tragédia tinha uma função catártica na medida em que permitia uma reflexão afetiva em relação ao que era exposto.

Não consigo reconhecer a função catártica dos filmes ultraviolentos de hoje. A exposição às cenas violentas não leva a uma compreensão da dimensão da violência (catarse intelectual), ao contrário, pois, ao espetacularizá-la (coisa que não ocorria na tragédia grega: a violência não era mostrada, era narrada (ex. Édipo Rei); só no teatro elisabetano é que a violência passa a fazer parte da cena) o que se produz é muito mais um anestesiamento perante ela.

Por essa razão, discordo de Murat, pois a tendência do cinema não é a de rompimento, mas sim, a de manutenção da tênue fronteira entre o que é realidade e o que a arte pode fazer dela.

Por: Guerra de Pipoca.

Teorema

Teorema

Direção: Píer Paolo Pasolini

Gênero: Drama

Itália – 1968

Teorema. Afirmação que pode ser provada. Indiscutivelmente, uma obra de arte que deflagra o óbvio: não há valor suficiente que dê conta do desejo. Estrutura do Capitalismo, reprodução em massa, humanidade metamorfoseada em clientela pelos seus fornecedores. A cultura dos consumidores em consonância as etiquetas políticas calculadas para a manipulação de seus geradores. Quem gera? A Família. Crise familiar anunciada por um anjinho em forma de carteiro, que pula, brinca, quase voa, ao entregar correspondências. Ele avisa que o Anjo chegará “amanhã”. E chega. Como um hóspede misterioso que traz em sua bagagem a ideia de que a queda dos valores é um preço muito alto . Casa de burgueses, dono de uma indústria, o Anjo transa com todos da família, desde o pai até a empregada. Se ninguém se deixou iscar, a culpa certamente não é dele, talvez faltaram peixes…

“E você me seduziu, Deus,

E eu me deixei seduzir por você”

Não há realidade, não há idealismo, que se segure apenas no conceito. Pasolini sabe disso e resolve provar seu teorema com arte, colorindo seu filme com muita simbologia, usando todas as artes que precisa, até mesmo a poesia de um dos maiores simbolistas que tivemos: Rimbaud. Não é à toa que aquele livro está ali dando sopa para a esposa do empresário burguês.

Essa família passa “uma temporada no inferno” após a partida do misterioso visitante angelical; tudo muda, tudo se transforma, mas a presença do deserto continua lá denunciando a solidão que compõe o ser humano mesmo quando se está em família, denuncia também a nadificação consumista. O que é consumido enriquece o ser?

Pasolini foi um dos maiores artistas que utilizou o cinema para denunciar a cultura perversa-consumista que diariamente criamos e reinventamos. O visitante também prova isso ao transar com todos da família, nas entrelinhas ele afirma: Vocês são mercadorias de si mesmos.

Por: Suzana Fehu.

A Origem do Expressionismo Alemão

Saímos da Primeira Guerra Mundial, que devastou a Alemanha; o espírito germânico se reestrutura com muita dificuldade, a atmosfera é destrutiva, os valores estão abalados, o número de alemães mortos em combate alimenta ferozmente a alma dos sobreviventes. Esse conjunto provoca a atração nata do alemão pelo que é obscuro e indeterminado.

A linguagem dos expressionistas alemães é entrecortada subvertendo a ordem sintática tornando-se quase inacessível. Pois os alemães transmutam as manifestações artísticas. Convém não se prender ao domínio plástico e gráfico ao pensar no fenômeno do expressionismo, posto que sua aparência simplificada é apenas mais uma artimanha artística; os significados são vagos, as cadeias de palavras parecem se dar ao acaso, tudo aparentemente exagerado e sem lógica. Mas, as insinuações estão ali. Justo ali.Onde? Ali. A linguagem carregada de metáforas permanece obscura e nebulosa de propósito. Quem capta o sentido? É preciso conhecer as senhas…

Segundo Edschmid, o Expressionismo reage contra o estilhaçamento atômico do Impressionismo. Ou seja, o mundo aí está, não sendo possível reproduzi-lo – nem mesmo em fotografia – como tal. Para os expressionistas, é preciso ir além da forma acidental das coisas. A mão do artista atravessa a parede e encontra o que há por trás do muro. Isto é, o expressionista resgata “a expressão mais expressiva” dos objetos.

Assim, é possível falar de O Gabinete do Doutor Caligari (Das Kabinett des Dr. Caligari, 1919) tendo em mente o universo que o originou.

De acordo com Lotte Eisner, que comenta as explicações anotadas por Kracauer em seu livro “De Caligari a Hitler”, toma-se conhecimento que o prólogo e o epílogo do drama foram acrescentados posteriormente. Desta forma, nota-se que o final tudo foi reduzido às alucinações de um louco. Problemático, uma vez que os autores do filme tinham outra intenção, a de desmascarar a figura de uma “autoridade social” alienante.

No contexto histórico é fácil entender que o filme foi construído sob uma considerável economia, a Alemanha ainda sofria de uma instabilidade financeira que chegava às margens da miséria. Se viviam nos cumes de uma inquietação e terror, o que importa, portanto, é criar uma inquietação e terror como forma sublimatória do momento em si.

O cenário de Caligari é plano demais, a sua profundidade se dá por um pano de fundo que reflete como um espelho holográfico as ruelas com linhas onduladas. É uma plástica audaciosa que propõe uma extensão vaga e obscura. O espectador se perde nos sentidos propostos, é oprimido pelo eco que as expressões suscitam, afinal, o cenário e todo o filme, não trai o cenário da época.

Por: Suzana Fehu.

Persona

Persona.

Direção: Ingmar Bergman

Gênero: Drama

Suécia – 1966

Dissertar sobre esse filme seria um desrespeito ao Diretor e uma falta de compreensão com a obra. Essa opinião não é unânime entre os que viram o filme, mas deve ser entre aqueles que  não só viram, como também assistiram e sentiram ao longa. Portanto, escolhi algumas palavras, em livre associação…

Choque. Intimidade. Identificação. Simbiose.  Sintoma. Sim, Toma. Parasitismo. Alma. Melancolia. Resignação. Distância. Solidão. Ilha. Ausência. Abundância. Dor. Neurose. Solução. Igualdade. Culpa. Sentimento. Inconsciente. Amizade. Amor. Desamor. Desacordo. Sonho. Acordo. Preto&Branco. Cor. Luz. Sombra. Tempo. Atemporal. Humano. Sexo. Sexualidade. Visceral.

Silêncio.


Por: Guerra de Pipoca.