Alexandre, o Grande

Alexandre, O Grande – Alexander the Great

Direção: Robert Rossen

Gênero: Épico

EUA – Espanha – 1956

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Postagem automática.

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Richard Burton é um ator hoje esquecido pela multidão. Talvez alguns lembrem-se dele como o sujeito que casou duas vezes com a mesma mulher, Elizabeth Taylor. Mas ele é mais do que isso, homem bonito, forte, de boa voz, na década de sessenta protagonizou os clássicos Cleópatra, A Noite do Iguana, Quem tem medo de Virginia Wolf? Em 56 aparece para o grande público pela primeira vez, fazendo o papel do maior general e conquistador de todos os tempos, Alexandre.

O filme mostra Felipe II, seu pai como um impiedoso guerreiro, muito prático, soldado de campanha. Ele fala, ele faz. Sua mãe a bela Olímpia, mítica e inteligente. Grega e adoradora de Dionísio. Entre mil intrigas palacianas ele cresce. E é orientado culturalmente por nada mais nada menos do que Aristóteles.

Diferente desde o início, mostra-se impulsivo e determinado. Recebe o governo da Macedônia – hoje é a região entre a Grécia continental e a Anatólia (Turquia) aos dezessete anos. Uma pena que não mostrem o seu cavalo, Bucéfalo, sendo conquistado por ele, nessa mesma época. Animal que temia a própria sombra, inequivocamente o melhor amigo de Alexandre durante toda sua vida.

O desempenho de Burton é hipnótico, apesar da sainha curta que usa e dos parcos recursos da época em termos de lutas. Contudo o sem número de coadjuvantes enobrece o filme. Além do que a conquista do império de Dario III é algo monumental. Alexandre cuida da família real e estimula o casamento de seus generais com mulheres persas.

Após o assassinato de seu pai, Alexandre torna-se mais frio, mais agressivo. Aqui vejo um erro tremendo no roteiro do filme. Em vez de mostrar as conquistas lendárias de Alexandre, suas campanhas homéricas, suas táticas inovadoras de guerra, o palco mais utilizado são fofoquinhas de bastidores. A luta pelo poder, o questionamento da capacidade dele em manter o seu reinado.

Aos trinta anos invade a Índia. Lugar mítico, e na volta, cansado, vem a falecer. Isso todo mundo sabe. Mas o que ouço se divulga é que ele não arrasa as culturas que conquista, mantém o ideal helênico de união dos povos e cria cidades homônimas com o nome de “Alexandria”, sendo que a egípcia torna-se a capital cultural do mundo por trezentos anos.

O filme não destaca a guerra e sim os conchaves, uma pena. Porém Richard Burton mantém-se acima de críticas com um desempenho impressionante, aos 31 anos, cabelo tingido de loiro e uma semelhança física ao homem com a biografia mais impressionante de todos os tempos.

O que há de bom: interpretação de Burton e alguns cenários da Grécia Antiga
O que há de ruim: Alexandre pode render dezenas de filmes, mas não pode ser resumido por um só ponto de vista
O que prestar atenção: ao acreditar que é um Deus, Alexandre morre, essa é a falha humana
A cena do filme: gosto do diálogo entre mensageiros persas e macedônicos onde os persas subestimam o “garoto” Alexandre

Cotação: filme bom(@@@)

Por: C.O.B.R.A.

O Vencedor

O Vencedor – The Fighter

Direção: David Russell

Gênero: Drama, História Real

EUA – 2010

Não foi no início do filme, já devia estar em 40 minutos de longa, quando o ex-lutador Dicky (Christian Bale) cantou para sua mãe Alice uma famosa e antiga música do Bee Gees, “I started a joke”, que diz o seguinte:  “I started a joke/ which started the whole world crying/ ôh had I only seen/  That the joke was on me/ And I started to cry (…)”. Dicky era a piada. O ex-lutador que se enfiou no mundo das drogas e se tornou piada de si mesmo. Mas, começar esse texto  aos 40 minutos do primeiro tempo é eliminar boa parte do jogo. Então, melhor retornar para o começo.

Micky (Mark Wahlberg), também lutador, vem de uma família matriarcal, embora haja um pai (omisso), e tem 8 irmãos (um homem e 7 mulheres). Dicky – o mais velho – é o passado promissor, Micky, o futuro. São duas pessoas que caminham paralelamente, uma que vive de suas glórias do passado (e sempre chegando atrasado) e outra, que tenta angariar as glórias que consagre seu futuro. No meio disso há duas mulheres. A mãe Alice, que é o tempo todo chamada pelo nome invés de ser chamada de “mãe” – a primeira pergunta que me veio foi: ‘até que ponto essa mãe é mãe ou  só empresária?’ (a resposta não tardou a chegar) – e Charlene, a namorada consciente de Micky.

A ficha da família cai quando o até então muito esperado documentário da HBO sobre a vida de  Dicky vai ao ar, justo quando ele vai preso por roubo e agressão a um policial. A luta não se concentra somente no ringue. É luta diária, vontade de vencer, de ser mais do que aquele ninho pode oferecer. A música do Bee Gees vem muito à calhar, pois o bom é rir da própria desgraça. Não que eles caiam na gargalhada, isso fica a encargo do espectador que vê a graça inicial do filme gradativamente se tornar um drama de vida difícil que precisa ser superada. O drama da superação é a grande fonte que os diretores enchem a cara quando se trata de filmes de luta. Ora, mas se não houver drama, melhor ligar num canal conhecido aos sábados de madrugada para ver a pancadaria do vale tudo “comendo solto”.

Felizmente, David Russell não dirigiu o filme somente nos ringues comuns. Tornou-o interessante, embora saibamos que uma história real no cinema é bastante maquiada. Todavia, por mais que a direção tenha conseguido tornar a narrativa atraente, pecou demasiadamente nas lições de moral. Ele poderia ter amarrado o filme proporcionando uma mensagem altruísta pro espectador sem precisar de dar liçõezinhas à la “pedro bial”. Enfim e por fim, o vencedor é sempre aquele que não perde, mas não perder depende do referencial. Um tanto óbvio, é verdade, mas que passa desapercebido pela maioria. Se aquele que não perde é aquele que sabe lutar, aí são outros 500…

É um filme que concorreu a muitos prêmios desde o início do ano, inclusive, concorre hoje ao Oscar. Hollywood adora filme de superação, de lutas, mas não acredito que neste ringue O Vencedor saia com a vitória de ouro em mãos. Não estou na torcida pelo filme, mas considero que Christian Bale mereça a estatueta de melhor ator coadjuvante por sua excelente atuação. Emagreceu bastante, deu conta de se livrar do esteriótipo de Batman (coisa que ele não conseguiu fazer em Exterminador do Futuro 4), trabalhou bem o personagem.

Por: Guerra de Pipoca.


A Rede Social

A Rede Social – The Social Network

Direção: David Fincher

Gênero: Biográfico

EUA – 2010

Hoje li uma notícia sobre o facebook e achei oportuno para falar desse filme(co). O horóscopo do cinema tem previsões óbvias: não tardará para fazerem filmes sobre a vida do criador do orkut, da wikipédia, do youtube, do google… O que aparenta é que o privado TEM que ficar cada vez mais público, senão não tem graça. Até mesmo as vidinhas pacatas e sem emoções precisam ser retratadas na telona. Além da criação do facebook, o que mais Mark Zuckerberg fez de interessante em sua existência morna? Ah sim… trapaceou os sócios. Além disso, o que mais? Pois bem, apesar de não ter mais nada de “diferente” na sua vida, Fincher decidiu fazer um filme sobre ele. Nem Bill Gates teve tamanho privilégio e espero que não tenha, assim permanecerá com um pouco de “mistério” em sua vida.

Não sejamos inocentes! Não é disso que se trata… nunca foi e nem será . E daí que Mark Zuckerberg é um nerd? E daí que é uma pessoa que criou uma ferramenta que “liga” (há controvérsias) pessoas, mas ele é um solitário? Importa que é criador de uma MARCA famosa e que rende BILHÕES. Pronto. Eis o prato necessário para aumentar as cifras, nem que isto tenha o preço de de-cifrações rasas… Fazer um filme sobre ele só aumentam seus lucros… e de quem decide dirigi-lo, obviamente.

Quando Zuckerberg decidiu ganhar dinheiro às custas do facebook, qual a primeira coisa que pensou? Claro! Propagandas, marketing, publicidade. Resumindo: facebook é um entretenimento social de vigilância da vida alheiafamosa fofoca entre vizinhanças sem ter o que fazer – que lucra com o imperativo categórico do capitalismo, isto é, consumo. Neste sentido, o garoto Mark foi um gênio, pois uniu o “vício” do ser humano de cuidar da vida dos outros com o ganhar dinheiro.

Por que Fincher ficaria de fora?

Isto casa com a notícia que li e que na íntegra posto aqui no blog. Notícia vinda da Revista Galileu:

Facebook causa estresse e ansiedade, diz pesquisa.

por Redação Galileu

Você já se pegou checando o Facebook de quinze em quinze minutos, só para ver se há alguma coisa nova? Assim como muitos usuários das redes sociais, você gasta um bom tempo pensando no que colocar no site para que seus contatos leiam? Participantes assíduos de redes sociais costumam colecionar centenas de amigos e postar fotos em situações felizes, mas esses relacionamentos virtuais podem trazer muito estresse e ansiedade.

Pesquisadores Universidade Edinburgh Napier, na Grã-Bretanha,  entrevistaram 200 estudantes que costumam usar o Facebook e outras redes sociais e constataram as situações que mais geram estresse.

Dos alunos questionados, 12% disseram não gostar de receber pedidos de amigos novos; 63% demoram para responder a esses pedidos; um em cada dez disse que o site deixa ansioso e três em cada dez disseram sentir culpa por não aceitar um pedido de amizade.

Os pesquisados afirmaram que se sentem pressionados para fazer atualizações criativas e não gostam de aplicar regras de etiquetas virtuais para amigos diferentes.

Os pesquisadores então questionaram: ”se o Facebook gera tanto estresse, por que você continua nele?”.

A maioria respondeu que usa o site para ficar em contato com amigos e não deleta a conta porque não quer perder nada de interessante ou ofender outras pessoas. Essa pressão mantém os usuários em um tipo de “limbo neurótico”, segundo a pesquisa. Eles ficam sem saber o que fazer, se entram e checam se há algo importante a ser visto ou se deixam o site de lado, dizem os pesquisadores.

Outro resultado encontrado foi que as pessoas com mais contatos são as que passam mais tempo no site e também as mais estressadas. Os pesquisadores supõe que os usuários ficam estressados por causa da estrutura do site, centrada na pessoa. É como se você estivessee em um site de notícias sobre você mesmo. Quanto mais contatos, maior a audiência e maior é a pressão para produzir algo interessante sobre si.

 

O que é o facebook se não O Cortiço de Aluísio de Azevedo do século XXI?

E não é que tem 500 MILHÕES de usuários num lugar estressante como este?

O filme é só isso. Não tem uma técnica diferente, nada que se diga “ó! quanta novidade”!!! Enfim, choveu no molhado. O pior é que um filme tão óbvio e tão bobo pode ser o vencedor do Oscar. Sabe por que? Porque rende bilhões…

Sou a favor declarada de Cisne Negro!

Por: Guerra de Pipoca.

2 anos de Guerra de Pipoca!!!

Enfim, se fechamos o ciclo de mais um ano, então, que venha mais! Somos gulosos!

:D

Parabéns para nós!

Beijos,

Guerra de Pipoca.

De Frente com Gabi – Rodrigo Santoro

Entrevista completa é encontrada no Youtube. Esta é a segunda parte, são quatro.

Não foi um diálogo rico em questões amplas sobre a televisão etc, mas o voo pelo cinema deu um panorama sobre os trabalhos de Rodrigo Santoro dentro e fora do Brasil.

Nesta entrevista, Rodrigo anuncia seu novo filme, sobre Heleno de Freitas. Mais um filme biográfico. Bato na tecla de que o Brasil achou essa fórmula de narrar sobre as vidas como uma fonte financeira promissora e tem investido seu cinema nisso. Nada contra, apenas considero que exaurir tal fonte pode torná-la sumariamente cansativa pro espectador.

Pra ser extremamente sincera, Heleno de Freitas é uma personalidade que nunca tinha ouvido falar. E nem se trata de ter ou não interesse por futebol, porque de uma maneira geral, entendo do esporte. Mas é que sua vida não foi popularmente expressiva. Nasceu em 1920, morreu em 1959 e fez o que neste intervalo? Usou drogas e jogou no Botafogo. Sim, é?

Longe de diminuir a existência dele, mas sabe… tantas outras personalidades mais interessantes na história do Brasil ou que ao menos não se limita às fórmulas vencidas como uso de drogas, porralouquices etc… enfim…

Por: Guerra de Pipoca.

O Rito

O Rito – Ritten

Direção: Ingmar Bergman

Gênero: Drama

Suécia – 1969

Decidi dividir o assunto deste filme em duas resenhas. A primeira, falarei sobre o filme sob a perspectiva da arte, resgatando pertinentes características do cinema de Bergman. A segunda, que não sei exatamente quando estará escrita para apreciação de vocês, pretendo isolar a última cena, o ato final, e pensar sobre os ritos totêmicos e religiosos a partir desse exemplo dado no filme. Será, portanto, uma escrita de livre interpretação com o suporte investigativo-psicanalítico.

Sabemos que Bergman foi quem inaugurou, por assim dizer, o que chamamos de “cinema Cult”; um cinema que se pretende profundo. Não é inédito em arte cinematográfica, não se utiliza de técnicas surpreendentes, mas é inédito em colocar a Filosofia Existencialista e a Psicanálise em pauta. Sim, ele era um grande estudioso do assunto. Não se interessou em ser filósofo e muito menos, psicanalista, no entanto. Mas quis diferenciar sua arte, que é o que ele verdadeiramente sabia fazer, com conteúdos filosóficos. Não era pretensioso, se sabia no lugar de artista, porém, suas obras vão além da proposta de entretenimento. E isso é proposital! Nada em seu cinema sobra. Eu o admiro muito, exatamente por ter dado conta de tornar a arte cinematográfica um canal possível de se pensar a existência, e até mesmo se emocionar com a Metafísica.

Aqui poderemos pensar na importância do entretenimento e do Cinema Cult. Claro que a arte dá espaço pra ambos, embora cinema seja entretenimento. É preciso tomar muito cuidado em proporcionar um momento artístico que traga na pele e no osso algo profundo e filosófico sem que caia nas armadilhas do discurso vazio. Vemos isso na maioria dos filmes. Cinema pretensioso, arrogante, boçal e que não diz nada com nada além de ser muito chato! Porém, o “Cult” de Bergman é realmente diferenciado, tem substancialmente suporte para tal.

Suporte que se dá de maneira bem anterior à obra, pois Bergman é um diretor que trabalhou com uma trupe de atores fixos que funcionava como uma companhia de teatro. Ou seja, os atores de seus filmes são sempre os mesmos, é uma equipe. E que equipe… Grandes nomes como Ingrid Bergman, Liv Ullmann, Gunnar Bjornstrand, Ingrid Thulin, Erik Hell etc.

Este filme O Rito, produzido em 1969, faz parte da fase experimental do diretor. Não é um de seus filmes mais conhecidos e divulgados, mas faz parte de uma época em que Bergman se encontrava bastante inspirado. Época em que foi lançado a Trilogia do Silêncio. São eles: Através de um Espelho, Luz de Inverno e O Silêncio. Em algum momento pretendo falar sobre estas obras, também. (Já deixo a dica para quem quiser saber mais desse diretor).

O Rito é um filme em formato de peça teatral de difícil compreensão, onde as falas são sumariamente importantes e que denunciam a perturbação dos personagens e do ambiente. Inclusive, o ambiente é claustrofóbico, pois o foco narrativo enquadra os personagens e não o cenário. Personagens de perfil, de frente, deitado, em pé, sentado etc, essas são as variáveis. O grande lance é que o espectador não se sente sufocado, mas se torna atento ao que está por vir.  O objetivo dessa dinâmica se torna claro quando se sabe o momento de Bergman ao fazer esse filme: ele estava sofrendo perseguições políticas por causa de sua arte. Para ficar claro é preciso dispor de uma pequena sinopse da obra:

A história se passa em algum país que não é dito. Três atores, Hans Wikelman (Gunnar Bjornstrand), sua problemática esposa Thea Von Ritt (Ingrid Thulin) e Sebastian Fisher ( o maravilhoso e impecável Anders Ek), foram acusados de fazer um espetáculo que conteria cenas de indecência (questionar o que é indecente para essa época é irrelevante). Encaminhados para um Juiz (Erik Hell) para serem investigados.

Torna-se claro durante o decorrer do filme que Bergman critica a censura! Critica o conflito estabelecido entre a arte e a ordem social. Critica os pequenos burgueses que se prendem no ato de julgar a liberdade criativa da arte. Quem é o juiz? Quem são os atores?

Os atores não dão conta de explicar pro juiz o que eles fazem e por que são indecentes. Claro! Arte não se explica embora seja explicável. Paradoxo necessário para sua composição. Bergman se encontra neste lugar de acusado e fez desse filme uma excelente oportunidade de se pensar sobre o papel social da arte. O que esperar da arte? Quais respostas conclusivas a arte pode oferecer? E nisso, os atores rondam de cá, de lá e não sabem responder à demanda da inquisição. Não são quaisquer atores, obviamente. Perturbados ou artistas? Aqui valeria a pena diagnosticá-los por perversos, histéricos, neuróticos etc?

O filme se desenrola com os interrogatórios, a busca incessante por responder o irrespondível. Fisher é brutal! O juiz tem um problema de sudorese e Sebastian vai em sua jugular, não exatamente com essas palavras, mas o sentido é: Quem é você para falar de limpeza e decência se escorre e derrete em suor? Você, visivelmente imundo, aponta o dedo pra mim, por que? Maravilhosa metáfora! Qual o papel dos juízes? Onde eles se encontram? Em todas as partes… Tem sempre alguém para apontar dedos…

Chegamos ao ato final: o ritual. Embora todo o filme o seja. Estabelece-se como um rito. Aqui deixarei para me aprofundar na segunda resenha que farei sobre a obra.

Por agora, concluo que a sociedade se apresenta como um inferno de salvadores. Não faltam pessoas que sabem mais do outro de que de si mesmos. A maioria se esforça por remediar a vida alheia. A calçada do mundo sobra de boa-fé. E dizem que isto se configura em um vício nobre…

O filme termina – e isso não é spoiler – com legendas que afirmam que nunca mais aqueles atores apresentaram um espetáculo naquele tal país indefinido… Como terminar de outra maneira?

Por: Guerra de Pipoca.

Chico Xavier

Chico Xavier

Direção: Daniel Filho

Gênero: Drama

Brasil – 2010

Não sou espírita. Nem católico. Nem muçulmano. Nem hindu. Nem budista. Desta maneira, me dirigi ao cinema para assistir essa cinebiografia de um brasileiro respeitadíssimo mundialmente e que – segundo ele mesmo – teve a honra de psicografar mais de quatrocentos livros e nunca recebeu um tostão por isso. Também não li nenhum deles.

Senti-me isento e tranquilo. As cenas iniciais do interior de Minas parecem muito com o sertão de Goiás. Adorei a sua família em retalhos, o menino descalço e os grandes paralelepípedos da cidade. Um leve humor nos diálogos com o padre. As informações médicas de uma gestação ectópica, os termos bem adequados, principalmente para que não teve estudo formal.

A mediunidade habitualmente se manifesta bem cedo. Ele foi avisado das incongruências do fato, das reprimendas que teria, e até do medo infundido por quem teme aquilo que não conhece. Prosseguiu.

O ator Ângelo Antônio consegue passar os maneirismos de Chico e também molda com primor as discretas nuances de comportamento. Sensacional a cena no puteiro. Lindo o encontro com as mulheres tomadas por uma agitação psicomotora febril. E os risos subsequentes de cenas sérias como essas, só mostram a habilidade do diretor em dar um tom leve a fenômenos tão polêmicos.

A trajetória de Chico é conhecida do grande público, mas a história paralela que acontece no meio da gravação do famoso programa de entrevistas, não. E é ela que sustenta o filme. O ator Nelson Xavier aproveita bem da sua semelhança com Chico. Ótima sacada do diretor ao mostrar a cena da peruca. Chico; quer queiram ou não, era vaidoso e também tinha medo de morrer, vide o momento do avião.

A maneira uniforme e bem dirigida de retratar um homem praticamente mítico dilui as dúvidas sobre ele ter sido ou não uma farsa. Pois é inegável que as dezenas de milhares de cartas entregues aos parentes foram na maioria das vezes, um alento.

Nos créditos finais as cenas reais da gravação mostram o belo português de Chico, sua facilidade e tirocínio nas respostas. Mostrando que antes de tudo era um grande comunicador.

O que há de bom: o bem pontuado bom-humor do roteiro e a lisura em não fazer uma apologia do espiritismo e muito menos o desrespeito e em consequência seu maior representante aqui no Brasil.

O que há de ruim: umas falhas bobas como o sujeito saltando um “fala sério” no avião e os carros sempre limpinhos e as roupas idem

O que prestar atenção: os colegas que já leram algumas de suas obras, recomendam ‘Volta Bocage” de 47 e as duas bem parecidas “Sexo e Destino” e “Vida e Sexo” que são de autores diferentes

A cena do filme: ele com o oftalmologista, apesar da visão cada vez mais curta, Chico sempre enxergou longe, bem além daqueles que não o compreenderam

Cotação: filme bom (@@@)

Por: C.O.B.R.A.

A Origem do Mal

A Origem do Mal – Hannibal Rising

Direção: Peter Webber

Gênero: Suspense

EUA – França – Inglaterra – 2007

Apenas um curto comentário.

Com a popularidade das informações, é sabido pela maioria que a infância, para a Psicanálise, é primordial; isso não é novidade nem mesmo para as pedras. É na primeira infância que é estruturado todo o corpo psíquico do sujeito. Dali que surgem os autistas, psicóticos, perversos, neuróticos etc. Não é de se estranhar, portanto, que eu tenha depositado uma grande expectativa nesse filme, posto que é aqui que temos acesso à infância de Hannibal. Doce ilusão. O filme contradiz em absoluto tudo que foi dito nas entrelinhas e nas linhas de O Silêncio dos Inocentes e O Dragão Vermelho.

A Origem de Hannibal não é má, mas o acontecimento  que lhe traumatizou, sim, é mau. Explico-me: Hannibal é de uma família bem composta, amorosa, tem uma irmãzinha muito da bonitinha, enfim, família acima do normal. Lá pros seus 8/10 anos, Hannibal é raptado junto com sua irmã e tem o desprazer de presenciar o canibalismo que fizeram com ela. Sim, concordo, isso é um motivo forte pra uma série de coisas, mas, primeiro, tendo ele mais de 7 anos todo o arsenal psíquico já se encontra formado ou quase lá, é preciso ter isso em mente.

Hannibal, assim, se torna um justiceiro, tal como Batman, que presenciou a morte de seus pais e declarou guerra aos inimigos de Gotham City. Até aí, normal. Mas, diante do que é visto em O Silêncio e em O Dragão condiz com sua verdadeira origem? Certamente que não, pois Hannibal não é um herói.

De maneira que eu não considero essa Origem tão assim do mal e muito menos, Hannibalesca. Acho que estão falando de outro Hannibal, um mais humano e saudoso de sua irmãzinha. Um que pretende adocicar a alma dos espectadores.

Por: Vampira Olímpia.

Lula – O Filho do Brasil

Lula – O Filho do Brasil

Direção: Fábio Barreto

Gênero: Drama

Brasil – 2009

Por mim seria assim: Lula, o filho da Lindú. Que mulher! Nascida e permanecida analfabeta, ela cria seus oito filhos com desvelo. O sétimo deles é Luiz Inácio. Menino travesso, brincalhão, que não quer nada com nada e por sorte vai subindo na vida.

Sua trajetória é quase heróica, vindo de Garanhuns, com pai alcoólatra e violento, bom aluno, tanto que a professora até quer criá-lo, o que Lindú recusa. Seu irmão é envolvido no movimento sindical e ele aterrissa ali por acaso, afinal ele não sabia.

Sua primeira namorada é linda, inclusive é a cara da sua mãe, Lindú. Freud explica. Aliás, as atitudes quase messiânicas do protagonista são interessantíssimas, atualmente. Bom voltando ao filme, ele apaixona, a trilha sonora é Tim Maia e resulta em casamento.

Paralelamente seu crescimento no meio dos trabalhadores é sintomático. Ele é sangue novo. Seu discurso é riquíssimo em metáforas futebolísticas e outras similares, é verdadeiramente, o filho do Brasil. O ator vai acrescentando paulatinamente o sotaque carregado e a fonação característica da anquiloglossia… fica legal, mas 99% das pessoas com a língua presa falam daquele jeito durante todo o sempre, porque o sujeito só começa a soltar o verbo depois dos discursos?

Uma tragédia o abala ferozmente. E ele conhece uma nova mulher. Galega, origem italiana, sofrida como ele. Desta união vem a força necessária para vencer. Com o total apoio de Lindú, que em minha opinião é magistralmente interpretada por Glória Pires. Atriz esta que é a única que conheço que começou na TV e arrebenta tanto no cinema quanto no teatro. Casada com meu amigo de infância o Orlandinho Navega, um sujeito boa praça e grande cantor, só pra constar…

Muito boas as cenas do populacho reunido no estádio de futebol. Emocionei-me de fato – e somente neste instante- com a movimentação local e a comunicação paralela entre eles, sem microfone. Engraçado que o enredo é feito para você se tocar com o coitadinho do Lula, mas não me tocou hora alguma.

Achei que faltou “pegada” para o diretor. Meia boca o namoro brega dele, com coraçãozinho de neon. Falseta a amputação de famoso dedo. E fraquíssima as discussões com o antigo líder.

O final dá um salto temporal descomunal. Ele vira presidente do país em que vivo e não consigo ver nada político e nem seus méritos e defeitos (todo mundo tem defeitos, até o Lula… imagino!). Pois não mostrou a fundação do PT, partido que o elegeu e o apoiou em 03 derrotas eleitorais consecutivas. No fundo é um diretor fraco que se utiliza de um personagem forte para fazer um filme mediano.

O que há de bom:
Glória Pires fantástica e o ator muito corajoso em interpretar alguém que o Brasil inteiro conhece, Rui Ricardo Diaz

O que há de ruim: diretor passável, fez um novelão clássico e sem criatividade alguma, desperdiçando um personagem tão rico e idiossincrático

O que prestar atenção: a morte de um retirante no meio do caminho é uma péssima cópia de uma cena do excepcional “Vinhas da Ira”
A cena do filme: o estádio e a incrível capacidade de dominar as massas de Lula

Cotação: filme regular(@@)

Por: C.O.B.R.A.

Um ano de Guerra de Pipocaaaa!!!

Mês comemorativo de um ano de blog!

Não serei nostálgica na escrita comemorativa de hoje. Obviamente que muita coisa aconteceu no decorrer desse um aninho de blog, o histórico está vivo na memória de todos que aqui frequentam e compõem esse espaço delicioso.

Também não acho justo a nostalgia de narrar como que me veio a ideia de abrir esse blog, pois com o passar do tempo, na leitura passiva de muitos e na escrita ativa de alguns, eu deixei de falar sozinha nele e com ele.

Portanto, vamos direto ao bolo, sem esquecermos da vodka! rsrsrs

Parabéns e felicidades para nós!

Um ano de Guerra de Pipoca, estamos engatinhando ainda, balbuciando pequenas frases, logo, logo estaremos sem fraldas nesse universo rico chamado Cinema.

Beijos e obrigada!

Por: Guerra de Pipoca.

A quem possa interessar:

Blog das Moiras foi deletado (Ahhhhhh que peninha rsrsrs). Isso já estava sendo conversado há algum tempo: sobre nossa falta de tempo. E até nisso demoramos a decidir em nome do relógio caminhar no sentido contrário diversas vezes.

Já não estávamos mais atualizando com o ritmo normal, nossas energias estão em outros lugares, em outras produções: trabalho, cursos etc. A minha energia pra blog é pra cá pro Guerra. Me dedico virtualmente ao Guerra, e estava relapsa com as Moiras, e as meninas  também rsrsrs. (Vamp já imortalizou o nick dela… já cansou de blogar rsrsrs).

Viciada em escrever, sabem como é, né? Qualquer coisa, se eu decidir abrir um blog pra contar a-blog-brinhas não-temáticas da minha vida, comunico a todos por e-mail. Mas, estou curtindo muito ficar na escrita de filmes, que me divertem demais! :)

No entanto, vocês verão as Moiras reunidas sempre por aqui. Nem vai dar pra  sentir saudade… rsrsrs.

Bom, como diz a Mestra Vamp: SIGAMOS com os filmes rsrsrs. Adoro! :)

Por: Guerra de Pipoca.

 

Sex Pistols

Sex Pistols – The Filth and The Fury

Direção: Julien Temple

Gênero: Biografia, Música, Documentário

Inglaterra – 2000

“Por que se chega a ser assim?

Se chega a ser assim porque não pode enfrentar a realidade.”

(Sex Pistols ao referir-se às roupas fetichistas de couro em analogia às suas músicas e banda).

Real-mente! Enfrentar a realidade sem uma dosagem de realismo e de irrealismo é um rumo ao suicídio mental, pois, é preciso a sub-versão para não se tornar uma ovelha no pasto.

Paul Cook, Steve Jones, Glen Matlock, Johnny Rotten e Sid Vicius não são ovelhas e nem vacas de presépio.

Estamos em Londres no ano de 1976.

“O Partido Trabalhista, que havia prometido tanto depois da guerra, havia feito tão pouco pela classe trabalhadora,

que a classe trabalhadora estava confusa, e já nem sequer compreendia o que significava classe trabalhadora.

Eram tempos frios e deprimentes. Ninguém arranjava trabalho. Todo mundo estava desempregado.

O germe, a semente dos Sex Pistols, surgiu disso“.

Quanto mais a sociedade domina o indivíduo, mais precária é a situação da arte. Conseguem compreender o todo dessa frase? A ditadura, seja ela Política ou apenas Mental, aliena o sujeito. A arte funciona como tentativa de desalienação. Podemos, hoje, dizer que até então nenhuma Ditadura venceu, posto que o Lirismo sobreviveu a todas elas. Ocorre  que se a ditadura vence, tem sucesso, não há lírica. Ou seja, aliena todo mundo.

Theodor Adorno – Filósofo, Sociólogo e Musicólogo alemão – nos ensina o óbvio:

Se não tivesse nada de social, como a arte – seja ela a poesia, a música, ou qualquer outra expressão artística – poderia ser curtida pelas pessoas?

A Linguagem é sempre social.

Diante da insatisfação social inglesa, a banda Sex Pistols surgiu. Ou seja, diante dos problemas sociais, a arte compareceu em forma de música e de protesto. Daí nasceu o Punk.

Por: Guerra de Pipoca.