Nocturne

Nocturne

Direção: Lars von Trier

Gênero: Drama, Curta

Dinamarca – 1980

A escuridão está irada e os olhos já não aguentam a claridade da luz, que ilumina os medos da personagem. Alguém a encoraja por telefone, talvez ela mesma, uma vez que fabricou o ambiente, a janela estraçalhada e os pássaros voando.

Afinal, os pássaros são seres muito inteligentes. Quando o tempo muda, eles voam para o Sul…

Enfim, Lars von Trier.

p.s. vi que tem no youtube, só não sei se está legendado.

p.s.2. Essa postagem é mais uma da série: Moiras estamos sem tempo.

Por: Guerra de Pipoca.

Eletrodoméstica

Eletrodoméstica

Direção: Kleber Mendonça Filho

Gênero: Curta, Conteúdo Adulto

Brasil – 2005

Somos acostumadas/os, por vezes e pela maioria – sem nem mesmo perguntarmos o por que – a ouvir que o espaço da mulher é o doméstico e o espaço do homem é o público. Para as mães é dado de presente artigos de casa e cozinha, para os pais, gravatas e afins. Ou alguém já viu propaganda do dia dos pais anunciando um jogo de panelas novíssimo em folha? Também não são todos que se questionam sobre a subalternidade feminina e dominação masculina. O que mais me espanta é que muitas mulheres também não o fazem. Não é raro ouvirmos que “lugar de mulher é em casa”. Bom, nem precisamos dizer onde é o lugar do homem, né? Até porque se falássemos seríamos sumariamente ignoradas.

De cara o curta me chamou atenção; exclusivamente pelo nome. Gostei da provocação no feminino: eletrodoméstica. Dizem que os eletrônicos de uma casa são chamados de eletrodomésticOS, mas usados por mulheres, no feminino. Talvez seja um eficaz modo do masculino manter o feminino no doméstico.

O início do curta, de 20 minutos, começa instigante: uma rua em que cada portão da garagem tem estacionado um fiat uno. Vale fazer uma ressalva a esse cenário, ele não pode passar batido, ainda que a cena tenha se desenvolvido em segundos, talvez um minuto.

7 Unos do modelo dos anos 90 estacionados. Provocador, não? Onde estão os carros que dizem “ser de homens”? Não estão estacionados, né? “Uno é carro de mulher”, portanto, é ruim que arde. Alguém por acaso pensa em comprar um Uno quando pensa em adquirir um carro? Aliás, os carros pequenos, de passeio doméstico, são “de mulher”. Pra vender é mais fácil, porque dizer que é “de mulher” denota zelo, mas pra circular na cidade sempre chama a atenção pro volante: “mulher no volante, perigo constante”.

Depois desse início bárbaro, a mãe aparece com cara de tédio, fumando um cigarro na janela gradeada de sua casa. Aliás, a casa é toda cheia de grades. Já não basta por as mulheres dentro do lar (d0ce lar), precisa ainda gradeá-la? Ah, precisa! Dizem que é por medo de ladrões…

Um rasante da filmagem passa por todos os eletrodomésticos da casa, inclusive os dois filhos, um menino e uma menina. A menina, claro, está fazendo coisa de mulher. O menino está no computador fazendo um dever de casa. De casa? Na verdade, é da e para a escola, mas é feito em casa. Vai entender?

Relógio no pulso, cronômetro ligado, sexo acontecendo na garagem de outra casa, e a mãe super entendiada controlando os eletrodomésticos. Olha a comida no forno, a roupa na máquina, a sujeira nos cômodos… Chega o aspirador de pó. Ela começa a pensar no quanto o aspirador de pó pode ser mais útil que aspirar sujeira. Pensaram besteira? Ainda bem. Porque não está com nada essa dominação eletrônica.

Tédio aqui, tédio acolá e a roupa na máquina de lavar vai entrar em ação. Não deu outra: a mãe descobriu o quanto é útil a máquina vibrar enquanto lava a roupa de seu macho que está no trabalho…

Recomendadíssimo, até porque é preciso dizer que esse curta é uma mensagem sobre a melhor maneira que nós mulheres devemos usar os utensílios domésticos.

Por: Guerra de Pipoca.

Ilha das Flores

Ilha das Flores

Direção: Jorge Furtado

Gênero: Curta, Documentário, Experimental

Brasil – 1989

Ocasionalmente sou cobrado e criticado por não escrever sobre curtas-metragens. Realmente eu não o faço, mas isso não significa que não os veja e muito menos ainda que não os admire. Este, no caso, é imperdível. Na minha humilde opinião o melhor de todos os tempos do Brasil. Didático, criativo, belo, veloz, midiático e profundo. Querem mais?

A cena inicial dos tomates, do japonês e a conceituação do ser humano como uma animal diferenciado é perfeita.

Depois disso, conceitos e imagens são arremessados numa velocidade vigorosa e necessária. E a cada um deles minha atenção aumenta e meu critério de julgamento e crítica, idem.

Flores, perfumes, compras. A cadeia de produção está quase toda ali mostrada. Desde a matéria–prima, passando pela transformação, acúmulo, venda e utilização. Até o descarte, que é o lixo.

Em seis minutos de projeção fico impressionado com a quantidade de conceitos, todos adequados e de grande capacidade de discussão e reflexão. Os porcos aparecem e obviamente cercados de crianças e o lixão. Todos sabem o que vai acontecer e é duro.

A paulada da exclusão social é enorme. E do ponto-de-vista apresentado pelos autores e diretor, o Jorge Furtado; é brilhante. Qual a razão de tamanha discrepância e injustiça?

Os motes – palavras repetidas várias vezes com sentido evidente – são marcados mais uma vez. As imagens do tomate, da dona-de-casa, da Ilha das Flores, do lixo, dos porcos é muito bem colocada e os ângulos belos.

O final nos convida a reflexão e também á discussão. Será que um dia o ser humano perceberá que essa destruição ininterrupta do nosso planeta levará á nossa extinção. E; como dizem os índios lakota, da etnia sioux: “O homem branco precisa saber que não se come dinheiro, nem carros, nem eletrônicos.”

O que há de bom: criatividade e agilidade máxima em exíguos treze minutos
O que há de ruim: pouco divulgado nos lares em geral e nas escolas em particular
O que prestar atenção: quando se lê “Deus não existe”, não significa que quem filmou concorda ou não; cabe ao espectador tirar suas próprias conclusões
A cena do filme: a conexão das imagens e textos finais, já nos créditos, sobre o que é real (documentário) e ficção

Cotação: filme ótimo (@@@@)

Por: C.O.B.R.A.

Bala Perdida

Bala Perdida

Direção: Victor Lopes

Gênero: Ficção, Violência, Curta, Urbano

Brasil – 2003

Assisti a uma palestra sobre violência e passaram para o público alguns curtas, dentre eles, Bala Perdida. Por um acaso, achei o vídeo no youtube.

A qualidade do vídeo não está boa, mas é possível assistir por esse meio.

A ideia da “bala perdida” é mais recorrente no eixo Rio – São Paulo. Felizmente, as demais capitais não sofrem com esse tipo de situação no cotidiano, embora ocorra um caso ou outro (ao menos que seja divulgado pela mídia) em vários outros lugares.

O curta romantizou a cena e todo o cenário; achei esse aspecto interessante, pois dá um crédito artístico ao que se vê. Sem isso é como se tivéssemos vendo um noticiário em horários de jornais nacionais que falam sobre a violência que agride os olhos, mas se tornou comum…

Bala Perdida diz com algumas metáforas que o que se perdeu foi uma bala, que não atingiu o alvo certo. Se o valor fosse a vida, e não a bala, o termo usado talvez fosse outro, quem sabe “vida perdida”?

Por: Guerra de Pipoca.

Pra quem quiser conferir:

2 anos de Guerra de Pipoca!!!

Enfim, se fechamos o ciclo de mais um ano, então, que venha mais! Somos gulosos!

:D

Parabéns para nós!

Beijos,

Guerra de Pipoca.

Absurda

Absurda

Direção: David Lynch

Gênero: Curta, Surrealismo, Drama

França – 2007

Infelizmente, não achei um youtube com legenda em português, que alcançasse a todos. Mas vale a pena conferi-lo ou buscá-lo numa linguagem mais acessível.

Por falar em linguagem, a condição do inconsciente é esta, pois se estrutura como tal. O inconsciente, nos alerta Freud e Lacan, fala. Ao contrário do que pensava Aristóteles, que o homem pensa com a alma, o sujeito do inconsciente só toca na alma por meio do corpo. O corpo é um texto que se estrutura como uma linguagem sem pontuações.

Baudrillard nos lembra em Senhas que as palavras são temporais. Estabelecem-se por um jogo poético de morte e renascimento, por serem geradoras de ideias, operadoras de encanto. Em Freud, ao contrário, as palavras são atemporais, pois seus efeitos atingidos pelo inconsciente mostram que a linguagem pensa, nos pensa e pensa por nós.

David Lynch, mais uma vez, nadou em águas profundas, conseguiu tornar estranho o que é familiar. Pos em questionamento a estranheza do absurdo. O coração humano tem a odiosa tendência a chamar de destino aquilo que o esmaga e o atravessa; como fazem as Moiras: tece, fia e corta… Todo esforço do drama consiste em mostrar seu sistema lógico, e aqui o drama é surreal. O absurdo é muito claro: lucidez que abdica de si mesma.

Por: Guerra de Pipoca.

O Império das Raves

Documentário feito e produzido por Raves ponto com ponto br.

Já fui muito em raves e trances, sobretudo, no tempo em que estas estavam saindo (ou entrando) da marginalização citada no documentário. Estas festas são fenômenos com caráter de atitude, não devem ser vistas com juízo de valor do “melhor ou pior” tão característico das classificações que estamos acostumados. No entanto, essa característica é refletida no fenômeno enquanto atitude. Paradoxal, certamente.

Com a fetichização da diferença, que assenta na ideia de que, para reparar uma desigualdade, convém valorizar uma diferença em relação a outra diferença, todo mundo quer ter seu espaço no solo do individualismo. Isto é, se todos querem, logo, deixou de ter um caráter plenamente individual. Outro paradoxo, sem dúvida.

Acontece que, se é errôneo valorizar o universalismo em nome da recusa da diferença, então, é errôneo tanto quanto rejeitar o universalismo em nome da arbitrariedade da diferença.

Roudinesco, historiadora e psicanalista francesa, há muito já evocava aos quatro ventos o quanto o sujeito tem vivido num tempo em que as manifestações repousam em máscaras diversas. Assim, as expressões se tornam isoladas, exageradas indo de encontro aos limites. De acordo com ela, “a violência da calmaria, às vezes, é mais temível do que a travessia das tempestades”. (Seria o que chamamos de “Tempo Emo”?). Nas festas raves, percebe-se excesso de euforia, de “amizade”, de sociabilidade que destrói as diferenças, as classes, os problemas, todo mundo “é” igual momentaneamente. Todos querem exorcizar suas “infelicidades” festejando a céu aberto.

A questão duvidosa é quando o exorcismo se dá pela via da droga ilícita. Será que ocasiona mesmo um “exorcismo” das “infelicidades” e infortúnios? Não quero generalizar, em absoluto, pois sei que muitos vão nestas festas para outros “etc e afins”. Mas, fico tentada a continuar pensando o que tantos corpos dançantes nos dizem neste ambiente festivo e isolado do urbanismo, porém repleto de urbanização. Eles não dizem apenas que festejam ao dilúvio  da existência, mas dizem também que desaba-fam…

Por: Guerra de Pipoca.

Um ano de Guerra de Pipocaaaa!!!

Mês comemorativo de um ano de blog!

Não serei nostálgica na escrita comemorativa de hoje. Obviamente que muita coisa aconteceu no decorrer desse um aninho de blog, o histórico está vivo na memória de todos que aqui frequentam e compõem esse espaço delicioso.

Também não acho justo a nostalgia de narrar como que me veio a ideia de abrir esse blog, pois com o passar do tempo, na leitura passiva de muitos e na escrita ativa de alguns, eu deixei de falar sozinha nele e com ele.

Portanto, vamos direto ao bolo, sem esquecermos da vodka! rsrsrs

Parabéns e felicidades para nós!

Um ano de Guerra de Pipoca, estamos engatinhando ainda, balbuciando pequenas frases, logo, logo estaremos sem fraldas nesse universo rico chamado Cinema.

Beijos e obrigada!

Por: Guerra de Pipoca.

Tarantino’s Mind

Tempo do vídeo: 15:07

Tarantino’s Mind

Direção: (300 ML)  Selton Mello

Gênero: Comédia, Drama, Policial.

Brasil – 2007

Pros fãs de Selton Mello e Seu Jorge esse curta é um prato cheio, somado aos fãs de Tarantino = Imperdível!

Trata-se de uma das inúmeras visões sobre as teses de Quentin Tarantino. Mello desvenda alguns mistérios e une peças do quebra-cabeça! Vale a pena conferir o Youtube acima. Muito bom!!!

(Fico pensando se isso chegou nas mãos de Tarantino rsrsrs…)

Por: Guerra de Pipoca.

O Maníaco da Casa 4

O Maníaco da casa 4

Direção: José Manzo, Eduardo Cidade, Lucas Souza, Carol Zaed

Gênero: Suspense, Terror

Brasil – ?????

(Eduardo, qual o ano do curta?)

Seguem abaixo dois vídeos: Parte I e parte II do curta O Maníaco da Casa 4. Se notarem bem quem compõe a Direção verão que nosso amigo Eduardo Cidade faz parte da Trupe.

Temos um raro momento aqui: fazer uma interlocução com um dos Diretores e Produtor do filme. Vamos aproveitar!!!

Duração: 6:31

Duração: 6:04

Guerra de Pipoca.

Flying Padre

flying PadreFlying Padre

Direção: Stanley Kubrick

Gênero: Biografia

1951

Sinceramente, não entendi!

Calma… o curta eu entendi, trata-se do relato de dois dias da vida do Padre Fred Stadtmueller. Um reverendo que ajuda a comunidade em Novo México e que tem um avião que serve tanto como lazer quanto ambulância para os despreparados. Curta que não chega a 9 minutos.

O que não dá pra entender é o que Kubrick quis com isso…

Enfim… fica aqui a notinha a respeito desse curta-metragem.

Por: Guerra de Pipoca.

Rabbits

rabbits

Rabbits

Direção: David Lynch

Gênero: ???????

EUA – 2002

Curta de David Lynch, 42 minutos de arte. Aqui, questionei: Cinema precisa de compreensão?

Todos os sentidos ativados, mesmo se não quisesse, Lynch ativaria por mim. Percebo, no início, da narrativa que o diálogo não segue uma linha cronológica.POr exemplo: A coelha diz: Que horas são? O coelho diz: Tenho um segredo. A coelha diz: Não sei se você recebeu ligações hoje. e depois de muito tempo de conversa, o coelho diz: Deve ser 11 hrs.

Entendem? rsrsrs O diálogo atrapalhado cronologicamente numa espécie de quebra-cabeça com um único cenário estilo Teatro com a diferença que as risadas da platéia são coreografadas em momentos determinantes. Me senti sentada na última fileira do teatro, sem emitir uma risada e pensando: Como Lynch sabe satirizar bem! É um artista de mão cheia! No lugar das risadas, meu rosto tomava forma cada vez mais de uma expressão perplexa.

O cenário contribui muito pra isso: Duas coelhas, um coelho, um sofá, uma mesa de passar roupas, uma porta, dois abajúres ligados (basicamente, a iluminação do filme)… e uma música tensa permeada com o som de chuva, raio e trovões, vez ou outra.

Poderia ser um diálogo comum não fosse a genialidade de Lynch em  embaralhar as palavras e frases deixando o espectador tirar suas próprias conclusões.

Longos silêncios, os 5 + 1 sentidos ativados e o mistério parece estar ali sem ser desvendado; e o desapego à lógica promove um pouco de compreensão…

Muito bom!

Por: Guerra de Pipoca.

A Conselheira Antropófaga

A Conselheira Antropófaga – La Concejala Antropófaga

Direção: Pedro Almodóvar

Gênero: Comédia

Vale a pena perder ou ganhar, depende da referência, 8 minutos de seu tempo para ver esse curta Almodovariano; num primeiro instante, é hilário esse monólogo, depois, é algo pra se pensar.

Pra mim, Almodóvar explorou bem a atual concepção de comer e de comer, se me entendem, como forma de engordar o niilismo atual: tudo em nome do desejo?

Até o Desejo segue leis próprias que o Homem não consegue quebrá-las, e num suspiro de alívio, penso: Ufa! Ao menos tem coisas que nem que seja na base da força da natureza, é respeitado.

Vale a pena assistir esse curta, longe dos pudins rsrsrs.

Por: Deusa Circe.

Darkened Room

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Darkened Room

Direção: David Lynch

Gênero: Existencialismo, Drama, Pânico

EUA -2002

O real se presentifica, sempre. Nós burlamos seus efeitos sempre quando a realidade se apresenta insuportável. Mas e quando somos encurralados pelo real?

Encaixotados, encurralados, presos no real: Dor, desamparo, se fazem presentes imediatamente.

Importa o fato? Importa o acontecido?

O que fazemos com isso passa a ser mais importante, não?

Em minha visão, esse curta de Lynch diz exatamente isso: Não importa o que fizeram com você, importa o que você vai fazer com que fizeram contigo…

Tenso, mas REAL.

Muito bom, 8 minutos de duração. Curto, mas longo pra se pensar…

Por: Deusa Circe.