Smurfs era um de meus desenhos preferidos por achar o máximo uma sociedade de formigas azuis. Vai me dizer que nunca ninguém lembrou dos Smurfs nas aulas de Biologia quando falavam da abelha rainha, as operárias etc? A diferença é que a abelha-rainha, aqui, é Papai Smurf. Ele manda, mas não necessariamente o Desastrado obedece. E aí, tal como nas sociedades das formigas, abelhas, cupins, quando um não obedece dá merda! O conselho que eu dou é que se você quiser que o Desastrado vire para direita, diga a ele que vire para esquerda! Ele vai errar e, no erro, vai acertar. Porém, Papai Smurf (por ser pai) não escuta conselho de ninguém. (Pai, não vista a carapuça, hein? rs).Daí que uma vila pacata e feliz se vê em apuros quando Desastrado convive nela e um tal sujeito estranho, que atende pelo nome Gargamel, que quer por tudo comer as formigas azuis. Mas, poxa, quem é desastrado só faz desastre? Aí que mora a moral da história. Às vezes um desastre une pessoas que só com um tsunami faz a coisa acontecer. Sabe assim quando ocorre um meteoro no espaço e os planetas se alinham? Ou ainda, quando surge no céu a Lua Azul e faz com que várias mensagens altruístas que dignificam o ser humano sejam emitidas??????????
O filme relata a história de uma amizade entre duas pessoas bem diferentes: de um lado Mary Dinkle, uma garotinha de 8 anos, tem um galo de estimação, mora em Melbourne, a mãe é uma ladra (ou seria cleptomaníaca?) e alcoólatra e o pai passa mais tempo com seus animais empalhados do que na companhia da filha. Do outro lado Max Horovitz, judeu, chocólatra, mora em Nova York, também se sente sozinho e é muito ansioso!
Tudo começa quando Mary resolve olhar a lista telefônica e resolve se comunicar com alguém que mora em outro lugar. No caso o escolhido foi Max. Ambos começam a trocar impressões sobre suas vidas, falar de coisas que os aborrecem, contar novidades, trocam presentes fofos, dão uma pausa nas cartas por causa de uma problema de saúde, mas voltam a se falar depois que tudo é explicado. A amizade se mantém mesmo diante de altos e baixos e só se fortalece cada vez mais.
Sem sombra de dúvida o filme aborda temas muito importantes e densos como alcoolismo, bullying, diferenças religiosas, a falta, o amor, a solidão, a vida, casamento, sofrimento entre outras coisas, mas aborda tudo isso de uma forma sofrida demais. Tudo bem, na vida nem tudo são flores, mas também sei que nem tudo é treva.
A vida da Mary é tristonha demais, ela sofre, a personagem consegue transparecer isso, é notório e é muito triste perceber isso. Ela é uma criança…
A do Max também, uma pessoa sozinha, que formulou um amigo imaginário que um dia teve que partir.
A animação em si é muito bacana, o jeito que o filme foi montado, aliado às cores nele inseridas (o mundo dele é preto e branco e o mundo dela é marrom), um tom meio sombrio, a técnica arrasou. Mas acho que não gostei do tom depressivo demais que a ele foi dado e talvez a única coisa que eu tenha gostado foi ver a amizade entre os dois que persistiu por 20 anos e por eles terem se encontrado de um modo tão improvável, pois ao mesmo tempo pude sentir o quão importante um é para o outro!
Scooby-Doo e a Mistério S.A. é, sem dúvidas, o meu desenho infantil favorito. Quando tinha mais tempo para ele, passava horas em frente à televisão assistindo aos desenhos repetidos que eu gravava do Cartoon Network. Felizmente, agora investem em cinema. Nós fãs agradecemos!
Os filmes anteriores pecam por tentar dar um formato cinematográfico a um desenho consolidado há anos no mercado. O primeiro feito, inclusive, inseriu no enredo a triste e idiota ideia de que a Mistério S.A. estava chegando ao seu fim. Um golpe duro para quem é realmente fã. O segundo filme (Monstros à solta) conseguiu resgatar o aspecto cartunesco, garantindo ao espectador um gostinho mais próximo das aventuras que marcaram a infância. Mas, ainda assim, o filme tem cara de filme e não de desenho animado. Este filme tem um formato mais próximo ao desenho. Aliás, é um desenho em forma de filme.Como fã, não me senti lesada com essa produção. Gostei bastante!
A trama é muito simples, sem ideias atravessadas e difíceis de engolir: a turma do mistério entra de férias escolares e arruma um trabalho em um resort do tio da Daphne. Conta a lenda a existência de uma bruxa que, ao ser judiada como tal, amaldiçoa o lugar liberando o monstro do lago.
Nas horas vagas, Daphne e Fred discutem seu relacionamento e Salsicha investe na Velma. É preciso atualizar o diálogo do desenho, realmente. Eu não achei ruim a ideia inserida de namoro & afins nesta história. Pra qualquer indivíduo (sobretudo os mais infantis e adolescentes), é de grande valia as mensagens discutidas na narrativa. Importa que no fim a turma do mistério continua como é de origem. Ufa! Amigos para sempre: cada um com seu modo particular de levar a vida. E, mesmo com divergências de personalidades, respeitam-se mutuamente.
O que ficou devendo é que Salsicha não disse NENHUMA vez: “Scooby-Doo, onde está você, meu filho?” rsrsrs. Erro crasso da direção! Eu amo esse jeitinho desesperado do Salsicha em buscar apoio no seu melhor amigo. Porém, o bordão de final de episódio compareceu: “eu teria conseguido se não fossem por aqueles garotos e esse cachorro idiota”. Claro!
E alguma vez, por acaso, a Mistério S.A. não deu conta do recado?
Antes de mais nada, gosto da direção de Sam Liu, mas o considero pouco criativo nas narrativas. Hulk, pra mim, é sinônimo de força desmedida e incontrolável. Bruce pensa! Hulk não! Este filme peca em diversos pontos, e o pior deles é colocar Hulk sempre transformado em Hulk e racional. Que isso!!! Esteve com raiva o tempo todo? Surreal!
Bom, perigoso demais para continuar vivendo no Planeta Terra, Hulk foi despachado pro espaço e antes que chegasse no destino programado, arrebentou toda a nave e foi parar no Planeta Sakaar. No momento em que chegou em Sakaar, estava sendo realizada uma reza para o “salvador” do Planeta não tardar em voltar para lá… eu não gostei dessa relação Hulk x Salvador x Misticismo. Achei tola a construção e desvirtuou a história pro lado religioso que não condiz com os quadrinhos do Verdão.
Além disso, a história – mediada pela religiosidade – foi narrada na perspectiva imperial: imperador – escravos. Não há criatividade no filme, uma vez que a narrativa de gladiadores se assemelha em absoluto ao filme Gladiador. A ideia de um sofrido e solitário gladiador que salvará Roma de seu malicioso Czar é exatamente a mesma em Sakaar, e o salvador solitário é Hulk. Não nego: torci o nariz para isso.
Gente! Hulk é um ser regido por instinto que só pensa quando está no formato Bruce!!! De repente, este Hulk do filme arquiteta o plano para destronar o Imperador?
WTF!!!!
Seus amigos de arena
A construção de Sakaar é baseada em Roma, até mesmo a arena dos gladiadores chama-se Coliseu. Hulk por se negar a lutar, exatamente como Maximus, torna-se o “misericordioso” para o povo. As analogias não param… é preciso conferir para ter noção da falta de criatividade de Sam Liu.
Ao mesmo tempo, a história prende o espectador. Ao menos me prendeu. A minha ideia era de ver novamente Ondas do Destino (de Lars von Trier), mas acabei optando por ver Hulk para me distrair mais e o filme cumpriu com essa demanda. Sobretudo, pelo personagem Miek, esse inseto pirralhinho entre os Gladiadores. rsrsrs Muito fofinho!
Miek é o “Covarde, o cão coragem” do filme. O medo dele chega a ser engraçado, é o ponto cômico da obra. E deu certo! O seu jeitinho medroso acessou o lado “humano” de Hulk. Foi bonito conferir esse lado do filme.
Bom, de escravo para gladiador, de gladiador para salvador, de salvador para imperador, só foi uma questão de Sam Liu acordar de bem com a vida para produzir esta animação… ou não, né? Talvez tenha sido um ímpeto masoquista que tenha feito a cabeça dele, porque o que deve ter ouvido de xingamento dos fãs… está escrito nos gibis??????????
Como fã do Hulk, de histórias em quadrinhos, indico o filme, mas enquanto cinéfila… hummmm! Melhor assistirem Ondas do Destino, é mais interessante.
Direção: Robert Rodriguez, Frank Miller. (Tarantino – Diretor Convidado)
Gênero: Film Noir, Violência
EUA – 2005
… E pode ter certeza que encontra qualquer coisa, mesmo…
Golbie, Nancy, Gail, Shellie… Quatro nomes de mulheres que, tratando-se de pecado, metaforicamente poderiam ser chamadas de Eva… Vamos por partes, tal como Jack, ou como o próprio filme fez.
Sin City, graphic novel escrito por Frank Miller, conta três histórias independentes que se conectam e chega em uma só: A Cidade do Pecado, a Grande Matança e o Assassino Amarelo. O que tem em comum? Violência, excelente elenco e homens que amam suas mulheres, e que por elas fazem absolutamente qualquer coisa.
A adaptação foi fiel, claro. Frank Miller é um dos diretores do filme. Porém… a primeira vez que assisti ao longa eu achei maravilhoso o aspecto noir, os desenhos, a narrativa do que é pensado pelos personagens, a cor vermelho e amarelo, o preto & branco e o preto no branco, se me entendem. Hoje, quando assisti pela segunda vez, todo esse conjunto ainda permaneceu interessante aos meus olhos, mas considerei a violência excessiva demais, não somente esta que fere e faz sangrar, mas também o que tem por trás no decorrer da mensagem. O filme perde um pouco sua linguagem com o excesso dela. No entanto, se é pra falar e fazer violência, que venham os melhores rsrsrs! Bruce Willis, Mickey Rourke, Jessica Alba, Rosario Dawson, Clive Owen, Elijah Wood, Maria Bello, Benicio Del Toro, Michael Clarke Duncan, Carla Gugino, o próprio Frank Miller… Aqui Bruce Willis também é duríssimo de matar
Observar como trataram as mulheres nesse filme é um ponto alto da trama, pois os príncipes são do século XXI, mas continuam “salvando as frágeis donzelas” com seus cavalos brancos. O efeito romântico ficou bonito por quebrar as sequências violentas do enredo. A técnica de narrar os pensamentos ajudou na construção de toda cena, pois o espectador é avisado previamente sobre aquilo que motiva a ação do personagem. A motivação … Eva e todos os pecados que surgem dela. Responsabilidade imensa para as mulheres serem SEMPRE “condenadas” a motivar os pecados e atos selvagens de todos os homens, já pensou nisso!??? Observe isso nesse filme… não irá se arrepender de vê-lo sob essa perspectiva clássica.
Se ainda não viu, eu recomendo, por seu formato. Se já viu…
Não serei nostálgica na escrita comemorativa de hoje. Obviamente que muita coisa aconteceu no decorrer desse um aninho de blog, o histórico está vivo na memória de todos que aqui frequentam e compõem esse espaço delicioso.
Também não acho justo a nostalgia de narrar como que me veio a ideia de abrir esse blog, pois com o passar do tempo, na leitura passiva de muitos e na escrita ativa de alguns, eu deixei de falar sozinha nele e com ele.
Portanto, vamos direto ao bolo, sem esquecermos da vodka! rsrsrs
Parabéns e felicidades para nós!
Um ano de Guerra de Pipoca, estamos engatinhando ainda, balbuciando pequenas frases, logo, logo estaremos sem fraldas nesse universo rico chamado Cinema.
Superman e Batman: Inimigos Públicos – Superman / Batman: Public Enemies.
Direção: Sam Liu
Gênero: Desenho
EUA – 2009
Assisti esse longa esperando muito e descobri que nem sempre nutrir expectativas é interessante. O filme é bom, a minha ideia prévia dele que era demais!
Mocinhos: Batman e Superman
Bandido: Lex Luthor
Até aí, sem qualquer novidade.
Luthor torna-se Presidente dos EUA e seus planos, a partir disso, podem estar mais perto do que nunca para se concretizar… ainda mais com um meteoro vindo em direção da Terra revestido de Kryptonita! Superman, vc precisa de defesa!
Algumas partes do filme, pra mim, ficaram confusas. Ocorre que Lex ofereceu um bilhão de dólares para quem conseguisse capturar Superman, e o que apareceu de “super-heróis” em busca dessa grana não está escrito no gibi! Ou está? Não sei, não li! Considerei que ficou poluído demais um filme com tanto herói.
Gostei da atuação de Batman, ele é sempre mais reservado e sombrio, né? Gosto desse estilão mais na dele.
O longa segue assim, sem muitas novidades… mas é um desenho extremamente bem feito; em termos estéticos, não vi defeito.
“Eu não sei o que lhe dizer Marge. É que eu não penso nas coisas, até respeito as pessoas que pensam, mas só tento não vacilar tanto para poder me deitar ao seu lado de novo, Nhonhonha.”
Esse Homer é um cara de pau mesmo, mas eu gosto dessa peça rara rs!
Ao assistir Os Simpsons me questionei se poderia ser um episódio esticado. Bem, o filme é um episódio esticado, mas nem por isso deixa de divertir o público.
Tomadas legais, como ver um Homer preguiçoso comentar sobre as novelas, reclamando das carolas da igreja, fazendo charminho para Marge ou então, ver Bart andando peladão de Skate (ai ai ai ui ui ui rs), deitado no chão bêbado e resmungando, tornam o filme dinâmico e divertido.
Gargalhei do começo ao fim!
Esse filme traz em seu enredo algo muito atual e de extrema importância: A poluição do meio ambiente e o faz com simplicidade e muito bom humor, o que impediu a monotonia do filme.
O lago de Springfield (adoro falar esse nome rs) está com um nível de poluição muito elevada, fazendo até com o palco dos meninos do Green Day corroa, provocando, é claro, a morte dos integrantes da banda.
Até então, ninguém se preocupa com a questão do meio ambiente na cidade. Eis que numa palestra, quando Lisa fala sobre “Uma verdade irritante” junto com o prefeito da cidade, a sociedade de Springfield decide fazer a limpeza no lago e aí todos se unem com o mesmo objetivo: limpar o lago.
Mas o lago não fica limpo por muito tempo, pois Homer aliado à sua esperteza e às fezes de seu mais novo animal de estimação, um porco, polui o lago mais uma vez causando um enorme desastre ecológico, fazendo com que a Springfield seja envolta numa cúpula de vidro se tornando, com isso, isolada.
E é aí que a história começa a desenrolar e no decorrer dela, Homie comprova toda sua preguiça e sua estupidez, bem como seu senso de humor na tentativa de consertar o desastre que ele mesmo causou.
O filme também mostra lições de companheirismo, de amizade, de reconciliação familiar e de preocupação, bem como críticas hilárias ao governo americano, a algumas ONG’s ambientais extremamente radicais e cita alguns filmes com grande sucesso nas bilheterias.
A mistura de todos esses ingredientes resultou em um filme leve, alegre, irreverente e com um humor muito bacana. Vale à pena estourar as pipocas e se deliciar com essa louca família amarela!
P.S.: A Fox fez uma introdução muito legal e que eu andei observando que é tendência: colocou um personagem do filme cantando junto com aquela introdução. A Warner fez isso com o Benjamin Button, só que lançou botões no ar e fez também com Batman, só que com Morcegos. Eu viajei ou tem isso há algum tempo já?
Meu universo feminino infantil não foi rosa, afinal, sou filha de cientistas rockeiros, mas no mundo dos Quadrinhos eu era visitada pela Luluzinha e Mônica, apenas. Quando me aventurava saber que diabos a Liga da Justiça e derivados estavam aprontando era via irmãos que faziam coleções desses quadrinhos. Lanterna Verde? Tinha conhecimento apenas de ouvir falar. Nem sabia que fazia parte da DC Universe e não da Marvel, por exemplo, aliás, nem sei qual a diferença das duas rsrsrs. Confesso minha plena ignorância nisso tudo, porém, admito que minha curiosidade sobre eles é manifesta.
Assisti essa animação e fiquei encantada! Adorei esse tal de Lanterna Verde! O longa também é emocionante… Épico! Desenho puro, bem feitíssimo, linguagem limpa, contexto sólido e o melhor: origem de tudo!
É legal você entrar em contato com algum universo desde seu início… Só que tem um detalhe: não sei se tal animação condiz com a realidade exposta no primeiro quadrinho como origem do Lanterna. Não tenho meios de comparações, por não ter lido os HQs.
“Green Lantern: First Flight” mostra Hal Jordan – humano – ainda como piloto e que numa missão se depara com um Lanterna morrendo. Adquire seu anel e é recrutado para se unir à tropa dos Lanternas Verdes. Recebe a supervisão de um dos Lanternas mais poderosos, Sinestro. E a partir daí, tudo se desenrola… Não cabe a mim dizer como.
Os anéis desses verdinhos são poderosos, viu? Podem fazer um tanto de coisas interessantes: voar, combater, isolar ataques… Aliás, nesse mundo do cinema os Anéis são sempre muito fortes…
Bom, estou feliz em ter sido apresentada por mim mesma ao Lanterna Verde, se algum conhecedor de causa quiser me contar mais a respeito dele, ficarei grata.
Scooby-Doo 3 – O Mistério Começa – The Mystery Begins
Gênero: Aventura
EUA – 2009
Bom, isso aqui é só uma notinha, porque suponho que ninguém aqui deve ter visto esse filme e nem tem muito o que dizer dele.
Já disse que adoro o Scooby-Doo? rs É, adoro! Nem preciso contar que eles resolveram um mistério, né? O interessante foi mostrar o início, como eles – pessoas tão diferentes e com estilos diferentes – se uniram em tempos escolares. O mais importante do filme: a Daphne não estava chata rs.
Uma das vantagens de ter 46 anos é que eu li Watchmen em 1988. O impacto foi grande. O atual contexto em que vivemos é diferente. A guerra fria acabou e até a União Soviética. Os personagens são abissais e surpreendeu-me o simples fato de ser colocado na tela, pois existe uma dicotomia impressionante: será que o povão vai entender as filosóficas postulações do Dr. Manhattan ou os letrados vão deitar o pau nas cenas de ação?
O mundo mostrado é alternativo. Um ex-super-herói está investigando a morte do colega. Cada um deles tem um profundo perfil psicológico, comportamento e visual diversos. O mais interessante é o paralelismo do roteiro. Enquanto eles discutem o destino do mundo, também redirecionam as próprias vidas. Perfeito. Vejamos…
Rorschach carrega na máscara sua identidade. Os testes consagrados são dez pranchas. A vida cercada de violência, estupidez e martírio deram a ele suas respostas. As regras de Rorschach são tão cristalizadas quanto ele. Personagem reto e interpretação marcante, a melhor de todas, disparado. Ainda bem que ele é o narrador.
Comediante é força bruta, um jumento a serviço do governo. Mas os brutos também amam, e no final ele quer bem à sua filha que nasceu de alguém que sempre desejou. Apesar de ter fuzilado uma amante – crime hediondo, para mim. Ele é o primeiro a morrer, a saber dos planos de seu matador, o primeiro a perceber as manipulações.
Coruja é um homem comum, com sonhos comuns e atitudes comuns. Previsível, insosso e inseguro. Sabe aqueles sujeitos grandalhões, moles e bundões por Natureza? É o Coruja. Único mérito é faturar a esplêndida Laurie, apesar dela usá-lo como estrepe o tempo todo… Ah, a sincera amizade dele por Rorschach me comove, mas não o redime. Mas atenção, as mulheres no geral querem um corujinha mansinho e gente boa do que um… Homem!
Espectral filha é linda, impressionante e impressionável, tem a energia das mulheres curiosas, pena que a atriz faz “cara de paisagem” o tempo todo, desaproveitada. Espectral mãe é mais interessante. Vivida, sofrida, lunar, instável, vaidosa, verdadeira, uma mulher e tanto. Poder entendê-la seria para o seu parceiro o lugar ao lado dos deuses.
Por falar em deus o Ozymandias acha que é o próprio. E com seu intelecto tenta recriar um novo mundo. Mas é infantil, rasteiro nas suas conquistas. Apenas um menino brincando. “The difference between men and boys are the price of their toys…” A eliminação dos melhores amigos e parceiros justifica-se pela unicidade deles e também pelo plano em si. Mas é ridículo.
Já o Dr. Manhattan é um deus e se recusa a sê-lo. Ao se dividir entre a observação do universo e o coito físico-químico com a mulher amada, ele definitivamente perde aí a sua humanidade. E ela poderia até justificar a ruptura, por ele ter um pinto pequeno! Mas o buraco é mais embaixo. Personagem visualmente riquíssimo, vejam suas inflexões faciais discretíssimas, suas mudanças de coloração, o tom da voz. O intérprete só perde para o Rorschach porque este é muito humano. Desgraçadamente humano.
O fim chega com o mundo se acabando e por tabela a amizade e vínculos dos personagens principais. Onde estamos? De onde viemos? Para onde vamos? Só olhar para dentro de si que encontraremos tais respostas. Infelizmente, atualmente o povão olha para tudo quanto é lado, menos para si mesmo.
O que há de bom: filosófico, violento, belo, uma boa mistura fiel aos quadrinhos O que há de ruim: as atrizes ficaram muito aquém do atores, uma pena O que prestar atenção: o costume de microfibra do Ozymandias é um idêntico ao que comprei em Firenze em 94, muito elegante A cena do filme: a prova de que nem tudo é azul como a Terra ou como o Manhattan é quando um sujeito quase onipresente e onisciente não percebe a armação feita pra ele
Astros do filme Watchmen se juntam no surpreendente documentário Sob o Capuz, baseado nas memórias do primeiro Coruja e como suas aventuras vieram a existir.
Se a sociedade não tivesse vilão, existiria super-herói?
Como nasce um super-herói? Uma sociedade que conta com a existência de um super-herói é uma super-heroína ou super-vilã? O judiciário pode cobrar a identificação, em juízo, de mascarados quando esses surgem afim de “limparem” a cidade?
Os Deuses em pauta, dessa vez está em cena – como pano de fundo a ser zelado – Odin.
Asgard está prestes a ser tomado por Loki, meio-irmão de Thor. Para tanto, Loki dá mais poderes para Hulk, o que ele supõe ser o único a derrotar o irmão.
Percebo nesse filme a briga mais velha do Planeta: poder entre os irmãos. Coisa mais velha que Caim e Abel. Aqui, no entanto, a briga é feia…