Ocasionalmente sou cobrado e criticado por não escrever sobre curtas-metragens. Realmente eu não o faço, mas isso não significa que não os veja e muito menos ainda que não os admire. Este, no caso, é imperdível. Na minha humilde opinião o melhor de todos os tempos do Brasil. Didático, criativo, belo, veloz, midiático e profundo. Querem mais?
A cena inicial dos tomates, do japonês e a conceituação do ser humano como uma animal diferenciado é perfeita.
Depois disso, conceitos e imagens são arremessados numa velocidade vigorosa e necessária. E a cada um deles minha atenção aumenta e meu critério de julgamento e crítica, idem.
Flores, perfumes, compras. A cadeia de produção está quase toda ali mostrada. Desde a matéria–prima, passando pela transformação, acúmulo, venda e utilização. Até o descarte, que é o lixo.
Em seis minutos de projeção fico impressionado com a quantidade de conceitos, todos adequados e de grande capacidade de discussão e reflexão. Os porcos aparecem e obviamente cercados de crianças e o lixão. Todos sabem o que vai acontecer e é duro.
A paulada da exclusão social é enorme. E do ponto-de-vista apresentado pelos autores e diretor, o Jorge Furtado; é brilhante. Qual a razão de tamanha discrepância e injustiça?
Os motes – palavras repetidas várias vezes com sentido evidente – são marcados mais uma vez. As imagens do tomate, da dona-de-casa, da Ilha das Flores, do lixo, dos porcos é muito bem colocada e os ângulos belos.
O final nos convida a reflexão e também á discussão. Será que um dia o ser humano perceberá que essa destruição ininterrupta do nosso planeta levará á nossa extinção. E; como dizem os índios lakota, da etnia sioux: “O homem branco precisa saber que não se come dinheiro, nem carros, nem eletrônicos.”
O que há de bom: criatividade e agilidade máxima em exíguos treze minutos O que há de ruim: pouco divulgado nos lares em geral e nas escolas em particular O que prestar atenção: quando se lê “Deus não existe”, não significa que quem filmou concorda ou não; cabe ao espectador tirar suas próprias conclusões A cena do filme: a conexão das imagens e textos finais, já nos créditos, sobre o que é real (documentário) e ficção
A inovação dos Mamonas foi em apontar críticas sociais de maneira muito lúdica. Isso foi de uma criatividade imensa, realmente, porque o Brasil estava acostumado à crítica artística séria da Tropicália, do Chico Buarque, Cazuza e até mesmo bandas menos expressivas na mídia mas que também exerciam a função de meter o dedo na ferida. Acontece que até a chegada dos Mamonas, tudo era dito com muita seriedade e até mesmo com “tom” de sofrimento.
Esse círculo de músicos pensadores advindos das tristezas da Ditadura jamais se daria ao luxo de cantar algo como: “Abra a sua menteee, gay também é genteeee”; ou ainda, “ser corno ou não ser, eis a minha indagação”; quem sabe: “quanta gente, quanta alegria, a minha felicidade é um crediário nas Casas Bahia”…
E Mamonas se deu a esse luxo e foi ótimo! Eu que sou mega ultra power plus roqueira achei o máximo comprar o cd dos caras. E falo com muita franqueza que os considero excelentes poetas, não é gozação. Gente, quer fonética e rimas mais sublimes do que: “(…) no mundo animal existe muita putaria/ por exemplo os cachorros que come a própria mãe/ suas irmãs e suas tias/ Eles ficam grudados, de quatro se amando/ em plena luz do dia”. Combinemos! É sensacional!
Enfim, foi lançado o documentário Mamonas Para Sempre. Concordo com o título, eles foram inovadores e, por mais que a carreira deles tenha sido interrompida por um acidente estúpido no dia 2 de março de 1996, marcaram uma mudança fantástica na música brasileira ao críticar a sociedade por meio de brincadeiras.
Acontece que não sei até que ponto tal documentário pode ser original e dizer algo diferente do que foi dito ao longo desses 15 anos.
De todo modo, irei conferir, claro. Afinal, nunca é demais beber e comer mamona assassina num tom super brasileiro…
Documentário feito e produzido por Raves ponto com ponto br.
Já fui muito em raves e trances, sobretudo, no tempo em que estas estavam saindo (ou entrando) da marginalização citada no documentário. Estas festas são fenômenos com caráter de atitude, não devem ser vistas com juízo de valor do “melhor ou pior” tão característico das classificações que estamos acostumados. No entanto, essa característica é refletida no fenômeno enquanto atitude. Paradoxal, certamente.
Com a fetichização da diferença, que assenta na ideia de que, para reparar uma desigualdade, convém valorizar uma diferença em relação a outra diferença, todo mundo quer ter seu espaço no solo do individualismo. Isto é, se todos querem, logo, deixou de ter um caráter plenamente individual. Outro paradoxo, sem dúvida.
Acontece que, se é errôneo valorizar o universalismo em nome da recusa da diferença, então, é errôneo tanto quanto rejeitar o universalismo em nome da arbitrariedade da diferença.
Roudinesco, historiadora e psicanalista francesa, há muito já evocava aos quatro ventos o quanto o sujeito tem vivido num tempo em que as manifestações repousam em máscaras diversas. Assim, as expressões se tornam isoladas, exageradas indo de encontro aos limites. De acordo com ela, “a violência da calmaria, às vezes, é mais temível do que a travessia das tempestades”. (Seria o que chamamos de “Tempo Emo”?). Nas festas raves, percebe-se excesso de euforia, de “amizade”, de sociabilidade que destrói as diferenças, as classes, os problemas, todo mundo “é” igual momentaneamente. Todos querem exorcizar suas “infelicidades” festejando a céu aberto.
A questão duvidosa é quando o exorcismo se dá pela via da droga ilícita. Será que ocasiona mesmo um “exorcismo” das “infelicidades” e infortúnios? Não quero generalizar, em absoluto, pois sei que muitos vão nestas festas para outros “etc e afins”. Mas, fico tentada a continuar pensando o que tantos corpos dançantes nos dizem neste ambiente festivo e isolado do urbanismo, porém repleto de urbanização. Eles não dizem apenas que festejam ao dilúvio da existência, mas dizem também que desaba-fam…
“O injusto perfeito recebe todos os louros do justo sem o sê-lo.”
Glaucon, em “A República”, livro II
“Ilari-la-li-ê! Ô, ô, ô! Ilalilariê; ô, ô, ô!”
Xuxa
Eu vos anuncio: o vencedor de qualquer Big Brother ou reality show será quem mais sofrer. Como assim, quem mais sofrer? É possível mensurar o sofrimento? Qualitativamente, não. A experiência individual do sofrimento é única, inerente da constituição psíquica do ser. Ao amante de chocolate, privar-se dos maravilhosos ovos de Páscoa é um imenso sofrimento. Não posso ter ciência da dor de um atropelamento se jamais passei por tal experiência. Quem sofre mais? Quasimodo por sua aparência ou Esmeralda por ser cigana? Não dá para estabelecer. Entretanto, é possível medir o sofrimento quantitativamente. Bastante foi dito sobre o totem e o tabu. Embora circunstâncias, dependentes do contexto histórico e estrutural, são absolutos enquanto existem. Logo, existe um sofrimento absoluto: aquele que todos da mesma sociedade concorda como tal. Ao perder seu ursinho de pelúcia favorito, há quem sinta solidariedade pela sua dor enquanto há quem deboche, alegando não passar de um vão capricho. Contudo, diante a morte da mãe, por exemplo, somos todos compreensíveis para quem sofre a perda. Quem sofre pelo denominador comum mais amplo tocará a sensibilidade geral. Logo, no caso do Brasil, onde todas as pesquisas de padrão de comportamento, gostos e afins tem por base a classe social e renda, é bastante óbvio que o sofrimento derivado da pobreza sensibilize as massas. Este é um dado a priori no Big Brother: há outros fatores em jogo.
A condição de pobreza do participante mais miserável é ponto favorável para conquistar a complacência pública. Não obstante, se este participante apelar excessivamente de sua condição, perderá a vantagem. Por que? Porque em tais circunstâncias, ele não sofre, mas aproveita-se da ideia de sofrimento para tirar benefícios. Outro fator importante é o sofrimento visível, plástico. O participante que for excluído socialmente da casa, isolado, sem justa causa (e nisto a edição do Big Brother pode alterar a realidade), naquela ocasião imediata da percepção pública, ele sofre mais que o pobre—se este se enturmar com os demais membro da casa. A vítima do complô adquire imensa vantagem sobre o manipulador, pois nossa visão maniqueísta tende a catalogar o opressor como mal e o oprimido como bom. Porém, caso se torne vísivel que o oprimido esteja tirando proveito da situação, ele deixa de sofrer e, nisto, perde o favoritismo. O sofrimento precisa ser legítimo. Não pode ser o pobre cachaceiro, mas aquele batalhador, que rala, pasta. E continua pobre. E o excluído precisa ser uma inocente vítima discriminada.
Por que tamanha admiração pelo sofrimento? O Homem insiste em negar sua condição egoísta; refuta ao menos compreender que tal egoísmo é somente necessário para assegurar a própria sobrevivência. O altruísmo supremo é o sacrifício. Por sacrifício compreende-se sofrer, sem ser em vão, em prol do benefício alheio, sem nada pedir em troca. Tanto a renúncia quanto a ambição retiram o aspecto sagrado do sacrifício. Somente um deus pode realmente exercer um sacrifício legítimo: os homens são incapazes de tamanho altruísmo. Ainda assim, por ser ideal e—justamente o que torna impossível—impulsionado pela vaidade de se aproximar dos deuses, o Homem tenta alçancar o pedestal do sacrifício.
Uma ressalva: o sacrifício precisa ser opcional. Se não houve outra opção, não é sacrifício: trata-se somente do necessário. Portanto, quando alguém disser “eu me sacrifiquei por você”, verifique se realmente houve alternativa. Ainda que fisicamente haja possibilidade de ações diversas, o peso da consciência constituinte da moral do indivíduo o impossibilita de agir de outra forma senão a do “sacrifício”. Porém, isto não é sacrifício. O que o indíviduo faz é evitar seu suicídio simbólico—ir contra os próprios princípios significa ir contra si mesmo: basta analisar a palavra “princípio”. E, novamente, o sacrifício legítimo não reclama ou exige trocas. Como somente um deus é capaz de realizar um verdadeiro sacrifício, o sofrimento humano consiste ou em Ananké (Necessidade. É a mãe das Moiras) ou, simplesmente, masoquismo. Ainda assim, quem mais sofre e, não obstante, encara o sofrimento, conquista nossa compaixão. Por isso o elegemos: para nos iludir em ideais transcendentais. E por isso a necessidade de sutileza, para não desvendar nem o aspecto egoísta ou masoquista do Homem.
Por que toquei neste assunto? Oras, para compreender Super Xuxa Contra o Baixo-Astral, precisamos analisar quem é Xuxa e o que a faz ser Super Xuxa? Certamente, o fato do shortinho de Super Xuxa ser menor que as ombreiras confere certas qualidades de “super”: assim como os herois masculinos vestem a cueca por cima das roupas colantes. Sempre interpretei isso como ausência de culpabilidade em se expôr! Superar esse sentimento de culpabilidade não é para qualquer um! Freud e as Moiras que o digam! Somos compelidos à falsa modéstia a fim de evitar testes. Afinal, quem se “garante” será constantemente testado até falhar. É um paradoxo. A ideia de sacrifício é altruísta, então o homem que deseja se tornar um deus deve tentar sê-lo sem ambição. O ambicioso é desprezado por evidenciar sua humanidade demasiadamente.
Xuxa é uma celebridade. As celebridades contemporâneas ocupam o panteão divino e recebem, do público/ súditos, todos os louros possíveis: beleza, fama, riqueza. Gostamos de debochar da inteligência das celebridades: sejam modelos, atores ou políticos. E não é para menos! Mesmo “intelectuais” como Pedro Bial e Paulo Coelho não podem superar excessivamente a média humana: do contrário não há elos de identificação, não há intercâmbio comunicativo. A celebridade atua como oposto de um profeta diante o totem e o tabu. O profeta é visto como louco por dizer assuntos percebidos por nós como incoerentes. Em seu tempo, era realmente um louco. Somente tomará o título de profeta post-mortem. Por isso o gênio é incompreendido ou, quando muito, adquire fama e sucesso restritos aos círculos acadêmicos. Não sei a validade dessa postulação, mas o patamar máximo do QI de um líder das massas não pode ser acima de trinta pontos da média humana. Se a média humana é cem, a Madonna não pode ultrapassar 130 (cuidado com as informações de Internet delegando QI de 150 à Britney Spears. Einstein possuia 160 no máximo). Faço tais referências de QI pois abaixo mostrarei como Super Xuxa consegue ultrapassar—talvez não em inteligência, mas em transcendência humana—Goethe e Wittgenstein. Goethe é considerado o maior gênio da humanidade, empatado com Leonardo DaVinci. Wittgenstein ocupa o humilde terceiro lugar, depois dos dois citados acima. Super Xuxa é demais! Ah, nota de curiosidade! Não posso confirmar a validade de tal afirmação, mas o diferencial de trinta pontos é o limite do esforço. Com tamanha diferença, jamais o esforçado ultrapassará o talentoso inato, mesmo que o primeiro tenha hemorróidas de tanto estudar e o último, cirrose hepática por conta das baladas. É aqui que a compaixão humana da sociedade inverte a lógica e coroa o esforçado em prol do talentoso, apesar do desempenho inferior. O mérito se torna mais importante que o feito.
Já Xuxa, como representante da sociedade, desempenha a função em repetir incessantemente que “o céu é azul”. O mártir é o último a morrer com a queda do tabu. Por se tratar precisamente daquele que anuncia que o tabu já fora rompido, sua posição é neutra. É morto e após redimido, quando compreende-se o que dissera. E, graças a ele, os profetas, outrora loucos, também são resgatados do baú (porém, os loucos que inspiraram os profetas permanecem esquecidos, como insanos). Aliás, essa suposta neutralidade confere a noção mais próxima de “sacrifício” possível, pois a ambivalência da posição do mártir o situa fora de uma dicotomia. As celebridades são quem ascendem socialmente diante a nova ordem do totem e do tabu, porém “sofrendo” os preconceitos do tabu já derrubados. Justamente pelo caráter absoluto, que sequer é ousado ser mencionado, as celebridades debatem e interagem com o público o tabu derrubado—mas acreditando que ainda persiste, o que gera a eterna ideia de progresso e liberalismo social—esquecendo, obviamente, o atual tabu. Faustão, ao dizer que uma menina do Big Brother pode beijar outras meninas, recebeu salvas de aplausos do público. Ele não faria a mesma afirmativa diante Oscar Wilde. Ou inclusive Xuxa, ao indagar indignada “quantas Isabellas precisarão morrer?”. Logo, as polêmicas debatidas nada mais são que tabus caídos. E quanto mais são debatidas em amplitude, mais distante estão do antigo tabu e próximas do novo, porém não percebemos dessa forma. Se há um século era tabu uma menina beijar outra; hoje, é praticamente tabu condenar tal atitude. Diga-se de passagem, após sentenças como o “céu é azul” for proferida exaustivamente, questionar tal afirmação torna-se tabu. Durante algum tempo ninguém mais falará do assunto, até que certo sujeito indagará, “é realmente azul?”. Assim segue o ciclo do louco, profeta e mártir.
Então analisemos o caso brasileiro em meados da década de 80. O poder do pater familias quebrara há tempos. O feminismo triunfará há décadas. Os mártires morreram gerações antes. Uma jovem briga com o pai e decide tentar a sorte na cidade grande. Minha nossa! Como é possível? Uma jovem brigar com o pai! Ousar enfrentar o poder do pater familias? E ainda por cima, na condição de mulher, tentar sozinha a sorte na cidade grande? Essa é Xuxa. Não retiro seu mérito. Do contrário; aplaudo. Ela foi a pessoa mais normal possível de sua época. Enfrentou as dificuldades que todos ao redor enxergavam como intransponíveis, mas, na verdade, torcíamos desde o início em seu favor: para ver a queda do tabu confirmada! Ou melhor, do que julgamos ser tabu…
“A mais normal possível”: é exatamente por isso que a coroamos. De tão normal, precisamos fazê-la anormal. Daí a enriquecemos, conferimos glamour e lhe providenciamos um imenso poder simbólico. Não adianta tentar, agora, repetir os passos de Xuxa. Ela o fez antes. Seu mérito é ser, como oposto do profeta e do gênio que “vivem no futuro”, incrivelmente apurada no olhar do presente. Tal habilidade de percepção a permitiu encontrar a kairos! Essa palavra grega significa a perfeita harmonia entre Virtude e Fortuna. Quer ser modelo? Não adianta se degolar na academia de ginástica sem frequentar as boates e as praias onde os caça-talentos perambulam. Tampouco faz sentido percorrer tais ambientes com banhas assassinas quicando em seu ventre a cada passo dado. A kairos é a união das duas condições.
Para enfim falar de Super Xuxa, gostaria de finalizar sobre Xuxa. É claro que ela enfrentou inúmeros desafios, assim como todos nós o fizemos. O seu desafio, entretanto, é aquele considerado como desafio por todos os membros da sociedade. Absoluto. E circunstancial. Não surtiria efeito nem décadas antes, nem posteriores. Por isso uma grande celebridade é a pessoa mais normal possível, convertida por nós em anormal. E por isso sempre dizem “o céu é azul”. Certamente Xuxa, durante sua ascensão, era David. Mil problemas, personificando Golias, a esperavam à frente. Nós, não obstante, apedrejamos o Golias, torcendo por Xuxa. Enfatizo: não retiro seu mérito; aliás, apenas o engrandeço. Outro simples exemplo? Pensemos em Titanic, filme para um público de 1997 contextualizado em 1912. Aplaudimos a coragem de Rose. Choramos com a morte de Jack. Realmente, Jack era o David. O noivo da Rose, o Golias. Rose agiu como uma heroína, “quebrou” o tabu. Mentira! Rose não quebrou o tabu coisa alguma. Se ela realmente quebrasse o tabu contemporâneo, e não o já quebrado, teria escolhido o noivo no lugar de Jack. Neste caso, sairíamos do cinema revoltados! Não é possível que uma jovem mulher escolha um cara velho, só porque é endinheirado, ao invés do bonitão pobrezinho! Que mulher vagabunda, prostituta, golpista do baú! Mais ou menos isso…
Então, se Xuxa é a pessoa mais normal possível, quem é Super Xuxa? Para elaborar melhor o enredo do filme, consideremos o vocábulo “super” em termos do Nietzsche. O Super-Homem, que, de fato, significa “Além do Humano”, conforme o original alemão Übermensch. Logo, temos a obra cinematográfica ÜberXuxa contra o Baixo-Astral.
Considero esse filme como o antecessor das séries do Discovery Channel sobre combates improváveis, nos moldes de um duelo entre o tubarão branco com o urso polar. Não obstante, esses documentários possuem um grau de interesse apesar da irrelavância. É improvável por se tratar de distintos habitats, mas os cálculos são feitos pautados na força de cada antagonista. ÜberXuxa e Baixo-Astral racionalizam o ilógico com sublime dinamismo: leia-se, é tão sutil que nosso tendencionismo ecumênico costuma catalogar essa obra como infantil!
Numa análise dos antagonistas, percebemos como o enredo do filme é centrado na ÜberXuxa difundindo o ateísmo niilista e desconstruindo as estruturas vigentes, moldando o mundo ao redor conforme sua vontade deliberada. A tolice de Baixo-Astral é sua intolerância, pois a dominação por completo tende à autodestruição. Ele deveria permitir que Xuxa seguisse com sua doutrina até que esta se enfraquecesse por si mesma. Uma alternativa pleonástica seria a manipulação dos sujeitos circundantes de Xuxa, para que estes entrem em conflito com ela, mas sem entrar em relação direta.
Com seu shortinho menor que as largas ombreiras – uma reformulação gramatical: o short que é pequeno demais ou a ombreira, excessivamente grande? – ÜberXuxa percorre o Rio de Janeiro de moto. A cada esquina perfaz atos de vandalismo, pintando muros do patrimônio público. Crianças rebelam-se contra a ordem panóptica do horário escolar e unem-se com ÜberXuxa na destruição da propriedade pública ou privada. Ela anuncia pomposamente seu intuito: pintar um arco-íris de energia!
Um arco-íris é um fenômeno da natureza! E de energia? Que tipo? Quântica? Mecânica? Termodinâmica? Ah, com tinta! ÜberXuxa vai contra as postulações de Wittgenstein. O filósofo austríaco pregava a falta de nexo em nomeações de sensações privadas sem consentimento público. Por exemplo, se quero denominar tal tom de vermelho como “alpha”, é necessário a concordância geral sobre o significado dessa designação. Xuxa deliberamente nomeia funções para cores, remodela o mundo conforme sua vontade. Afinal, ela decide, num estalar de dedos, que “toda cor tem poesia e magia. Emoções em forma de poesia”. Isso é ser ÜberXuxa, para além do bem e do mal da mera ética fenomenológica, castradora dos nossos impulsos e geradora do mal-estar individual em prol do processo civilizatório.
ÜberXuxa é além do humano no sentido em que pouco se importa com o mundo a seu redor; o que não implica numa submissão à regra ou pretensa superação, mas total indiferença sem, contudo, converter-se numa alienada. Podemos perceber isso claramente na atuação na personagem. ÜberXuxa é apática!
Páthos não é somente o mundo onde reina o Imperador Conde Pato. Com “p” minúsculo, trata-se de uma palavra grega cujo significado é paixão. Porém, essa paixão é pejorativa, pois implica na falta de controle do indivíduo de seus próprios impulsos, cedendo aos excessos, à catástrofe: uma passividade diante o efêmero, submissão sofrida e assujeitamento do fenomenológico. Desta palavra também deriva a atual “patologia”.
Logo, o ideal grego é o da pessoa apática: aquela que não cede diante as tentações da páthos. A pessoa apática, segundo o pensamento grego, possui controle de sua thymòs (humor). Nisto, ela mais ou menos consegue manter o equilibrío psíquico diante a eudamonia dos deuses. Eudamonia é frequentemente traduzido como “felicidade”, mas o conceito grego é bem diferente do nosso. Nós seguimos uma postura teoricamente utilitarista, proposta por Stuart Mill, em tentar controlar o destino. Na nossa ação, pensamos de antemão a prevenção de possíveis infortúnios e, assim, mantemos o mundo externo sob nosso controle. Os gregos não possuiam essa prepotência (mas eram prepotentes em outros quesitos). Sabiam que nada podiam fazer diante a Vontade dos deuses: controlar o mundo externo é em vão. Portanto, o controle deve ser, sobretudo, interno. Essa é a ideia de eudamonia. O que os deuses dão, seja glória ou fortuna, eles podem facilmente retirar conforme seus caprichos. Cabe ao indivíduo manter-se emocionalmente equilibrado, apático, e não sucumbir aos prantos da incerteza. O sujeito para além do bem e do mal é apático. E quem é apático desafia os deuses!
Das profundezas de Hades (ou do esgoto. Não dá para discernir), Baixo-Astral não pode tolerar os feitos ÜberXuxa. Sua reforma niilista põe em xeque a existência de Baixo-Astral. Quem é, afinal, Baixo-Astral?
Baixo-Astral é um totem em si, do mesmo modo como Helena de Tróia é o totem da Beleza. Ainda que nenhuma mulher possa ser mais bela que Helena de Tróia pela simples relação gramatical entre substantivos e adjetivos –se quiser, o que Aristóteles denominava como qualidades primárias, ela permanece circundada numa ordem prévia. É verdade: qualquer mulher bela terá a ideia de “mulher” como substantivo e “bela” como adjetivo, ou seja, um simples anexo. Isso jamais poderá se igualar com Helena, a Beleza em si, pois neste caso, “beleza” é o substantivo enquanto “mulher”, o adjetivo. Por obséquio, precisamente o caráter absoluto e totalitário da Beleza de Helena revela uma pequena fragilidade. Existe uma entidade capaz de ser mais bela que Helena. Uau, quem? A deusa Afrodite. Helena permanece inferior diante Afrodite. Por mais que seja a personificação da Beleza, é Afrodite quem dita o que é a Beleza. Só então essa pode enfim ter uma essência e se revistir na forma de Helena. Minha lógica persiste pois Afrodite não é uma mulher, mas uma deusa. Então, Helena é a favorita da deusa Afrodite. Apesar de tudo, está sujeita à eudamonia. Afrodite pode mudar de ideia e delegar a dádiva da Beleza suprema à Preta Gil ou Vovó Mafalda quando bem entender. Acaso Afrodite escolha Dercy Gonçalvez, nenhum homem poderá resistir aos encantos desta última. E Helena cairá no ostracismo.
Essa noção grega de eudamonia como felicidade é contraditória ao nosso conceito de sacrifício. Nós valorizamos o sofrimento a ponto de privilegiar o esforçado empenhado no lugar do talentoso inerte. Os deuses são indiferentes às emoções—afinal, são apáticos—e, ao contrário dos homens, escolherão o melhor, independente da intenção ou da vontade. O conceito do mundo schopenhauriano como Vontade e Representação é eudemonístico precisamente nesse aspecto de “necessário”. Não se trata de uma crueldade pessimista qualitativa, mas de uma ordem onde a mais-valia da Natureza é o que importa, indiferente do desejo humano.
Com Baixo-Astral se passa algo semelhante. Sua existência ameaçada, ele precisa se livrar, de uma vez por todas, de ÜberXuxa!
Quem vence esse duelo? Um totem dos deuses ou um humano além de si, indiferente dos deuses (o que não quer dizer superior)? É o que veremos abaixo!
O mundo de ÜberXuxa é perfeito até um incidente primevo: o sequestro de Xuxo! Xuxo, o cachorro de Xuxa, é capturado pelos capangas de Baixo-Astral. No mais, como Xuxo conseguiu ser capturado tão facilmente? Oras, ele não alcançou o patamar de ÜberXuxo; sujeito, portanto, às influências totêmicas do Mundo. Possuído pelo Baixo-Astral, tornou-se vítima fácil.
ÜberXuxa vai ao seu resgate! Vale salientar: ser apático, nos termos gregos, não é pejorativo como nós compreendemos. O niilismo é a crença no Nada, não em nada. Isto significa que ÜberXuxa não se sujeita aos caprichos dos deuses, é indiferente destes, mas de modo algum quer dizer que caiu na inércia. Do contrário, se tal apatia fosse traduzida por contentação, frustração ou depressão, seria páthos de qualquer modo. Seu desapego por questões mundanas não significa renúncia da vida, mas transfigura-se em seu exato oposto: em resolução e determinação constantes. Só assim, como na Pandéia, ÜberXuxa pode ultrapassar as ambições de Baixo-Astral, um totem dos deuses!
ÜberXuxa confronta-se com um muro repleto de hieróglifos egípcios. Ao menos, reconheci alguns destes. Não sei se os outros são signos babilônicos ou escrita cuneiforme. Lá, encontra Marlene Mattos, digo, a minhoca Xixa. Ultrapassam o muro e começam, juntas, uma imensa viagem astral.
Até nisso Xuxa se revela ÜberXuxa! Ela penetra no mundo astral sem necessidade de romper a simbiose corpo e alma! É além das capacidades humanas! É pura Vontade!
Durante toda a viagem, é interessante focalizar a apatia na atuação de ÜberXuxa. Ela não demonstra qualquer sinal de emoção. É perfeito! Não há escalas de expressividade em afirmativas díspares como “aquele tubarão branco vem me atacar” e “o céu é azul”. Somente um indivíduo com total controle de si é capaz de manter tamanha harmonia psíquica. Sua resolução pela busca de Xuxo afasta possibilidades de interpretarmos essa apatia como resignação ou ausência de vida.
Ainda mais fascinante é sua simplicidade e humildade em perguntar. Sabemos que a sabedoria não jaz nas respostas oferecidas, mas na capacidade de perguntar. Uma visão presa às entropias profanas poderia considerar ÜberXuxa como alienada, pois são frequentes as perguntas do gênero “onde estou?”, “o que é isso?”, “o que preciso fazer”, “o que é você?”, “o que está acontecendo?” etc; mera ilusão. Trata-se do mais minucioso metódo socrático, a indagação da questão até delimitá-la em seu axioma, se existir. E, para isso, para questionar tantas coisas, muita sabedoria é necessária.
Através das imensas planíces daquele mundo astral, ÜberXuxa depare-se com constantes barreiras aparentemente intransponíveis. O acesso à morada dos deuses é vedado aos homens. Isso é algo que mesmo Gilgamesh, o mais antigo relato mitológico da humanidade sobre o rei sumério com um-terço de divinidade, precisou compreender às duras custas. A prepotência de Gilgamesh em proclamar-se deus absoluto o levou ao combate com Enkidu, até então enviado dos deuses para deter o arrogante rei. Ao se tornarem amigos, ambos desafiaram criaturas sagradas e despertaram a fúria de Inana. Esta é a deusa do amor e do ódio, ancestral da Ishtar babilônica. Eventualmente a Afrodite grega. Inana destribui as tábuas do destino, as me. Cada homem recebe diversas me, mas a última é sempre idêntica: a morte! Enkidu e Gilgamesh fracassaram na tentativa de vencer a morte ao penetrarem a morada dos deuses. O que acontecerá com ÜberXuxa no mundo astral?
O erro de Gilgamesh foi tentar superar os deuses pela força. Após vencer temíveis monstros, remar, nadar, correr, lutar e sei lá o quê ao quadrado, ele não foi capaz de vencer o teste final: depois de tantos exercícios, deitar-se numa cama confortável e não dormir! ÜberXuxa não é tão ingênua. Ela tem soluções schopenhaurianas na manga!
A música, na visão de Schopenhauer, consegue por vezes ir além da tragédia como arte suprema. Ao esboçar emoção em estado puro capaz de anteceder a palavra, trata-se de uma linguagem capaz de gerar sentimento sem que haja sentido a priori. É como uma beleza desprovida de forma. Enquanto os totens absolutos da Natureza eudemonística são coisas em si, ding an sich kantianas. Enquanto sujeitos à Natureza, eles nos afetam inexoravelmente. O Übermensch de Nietzsche seria capaz, através da Arte, de revelar sua total indiferença com a Natureza, invertendo a lógica e tornando os esforços desta estéreis diante a pura resolução do Übermensch perfeito. ÜberXuxa, sempre que diante um problema aparentemente sem solução, começa a cantar. Sua música converte em pura emoção sobrepujando as forças da Natureza e, assim, transfigurando o mundo ao seu redor conforme sua vontade. Os golfinhos, as plantas e os animais passam a ajudá-la. O que era aparentemente impossível torna-se possível diante uma nova perspectiva: mas isto é algo que somente alguém no patamar de ÜberXuxa é capaz de realizar. A música de ÜberXuxa a eleva em todos as ramificações do mundo astral, inclusive o Alto-Astral.
Estamos à beira do conflito direto entre ÜberXuxa e Baixo-Astral. Preciso antes assinalar outro ponto. Thymós é “humor” em grego. Aqui existe uma divergência entre Platão e Aristóteles com Sêneca. Sêneca é romano, então dane-se para ele. Seguirei a visão platônica-aristotélica. Thymós seria a minha constância: ou seja, minha apatia. Porém—e isto pode tornar-se um pouco confuso, pois os conceitos gregos não são sempre compatíveis com os nossos—trata-se de outro assunto, diferente da relação do homem com a páthos. Lembram do velho ditado “a virtude está no meio”? Pois bem, a mediocridade também, como todos sabemos. Para Platão e Aristóteles, a vasta maioria dos homens seria susceptíveis à páthos sem, contudo, alterar a thymós. Do contrário, a constante recaída nos estados proporcionados pela páthos seria a própria thymós do indivíduo. A experiência limitada pela própria thymós resulta numa entropia e incapacidade de compreensão do Outro. O gênio e o louco (em Aristóteles analisado pelos casos de melancolia) compartilham uma extraordinária habilidade: a de conseguir oscilar entre a euthymia e a disthymia. Euthymia, para Sêneca, trata-se somente da ausência de inquietação. Vamos por Aristóteles e Platão!
A euthymia é o gozo de ser si mesmo, uma espécie de euforia por adorar-se. É o ser em sua completa auto-realização. A disthymia é a repugnância de si, o não-conhecimento do próprio indivíduo como tal. Enquanto um é entrar ao máximo dentro de si, o outro é afastar-se mais quanto possível. Quando um indivíduo é capaz de alcançar a euthymia e a disthymia, ele torna-se capacitado para compreender o Outro. Platão sugere a experiência alcóolica (o que poderíamos facilmente traduzir como ácidos lisérgicos ou drogas afins) como uma possibilidade primeva de oscilar pela euthymia e a disthymia. O alcóol, o estar embriagado, serveria como um fogo inicial para a experiência total da thymós. Porém, ele adverte: esse fogo serve apenas como pontapé inicial. Ele é útil para a compreensão da thymós, ou melhor, do reconhecimento desta de seus estados alterados, o eutímico e o distímico. Então o trabalho do gênio seria de conseguir reproduzir tais estados enquanto sóbrio. Em hipótese alguma Platão sugere o alcoolismo, pois ele adverte: se a chama do fogo externo (o alcóol) for mais intesa que o fogo interno (a thymós do indivíduo), o resultado será que a chama maior terminará por consumir totalmente a menor. Ou seja, a produção da melancolia. Trocando em miúdos, Platão aconselha experimentar de tudo, mas não se viciar. E o brilhantismo do gênio, através da kairos, é saber a dose perfeita deste equilíbrio.
ÜberXuxa, no Alto-Astral, alcançou a euthymia! E não foi através do vinho ou da embriaguez, mas da Arte! É a dádiva suprema da genialidade! Novamente, trata-se de uma equivalência parcialmente eficaz, mas é quase possível afirmar que ÜberXuxa atingiu a poèsis, a contemplação dos deuses, o poder heurístico de criação, de conferir existência onde outrora era inexistência. Essa contemplação dos deuses consiste num vislumbre rápido, porém profundo, da perfeição das formas divinas. Goethe descreveu em termos típicamente faustianos a tentativa de Fausto em desvendar o Absoluto. Fausto fita os olhos diretamente para o Sol. Mefistófeles relembra a existência de poderes que ultrapassam seu próprio e Fausto queima os olhos. Não se trata de resignação, mas Fausto vira de costas e compreende que o Absoluto é apreendido somente sob a forma de reflexos da luz solar. A poèsis grega é parcialmente análoga.
ÜberXuxa: totalmente apática, conforme denota sua atuação, é blindada contra as influências da páthos! E agora conseguiu, através da música e da Arte, diante um problema original –quem sabe uma disthymia?—alcançar a euthymia e a poèsis! Para alguém assim, os deuses não são necessários.
O contrário se passa com Baixo-Astral. Como totem, não obstante, sem ser o emblema totêmico máximo, é totalmente dependente da benevolência divina. Agora, ÜberXuxa está pronta para enfrentar Baixo-Astral. Uma nota sobre o enredo: Baixo-Astral não apenas sequestrou Xuxo, mas também um rapaz. Foi um grande erro, pois este rapaz é humano e, portanto, condicionado aos apelos da páthos.
Baixo-Astral tenta humanizar ÜberXuxa, transformá-la em tão somente Xuxa! Logo, é apelativo na esfera das emoções. Diz que Xuxo não suportou tamanha demora e culpabiliza Xuxa pelo fracasso da empreitada e morte de Xuxo!
A hermenêutica nos permite várias interpretações da seguinte cena. Uma visão ingênua diria que ÜberXuxa humanizou-se e, degradada como somente Xuxa, incorporou o sentimento de culpabilidade de um superego extremamente sádico. É a cena em que Xuxa apresenta-se como Bruxa. Baixo-Astral diz que sua única saída é o pacto de aliança. Porém, nossa investigação minuciosa não é enganada por diálogos levianos, certo? Sabemos que tudo não passou de uma estratégia de ÜberXuxa para enganar o próprio Baixo-Astral, tanto que ela não mudou seu estado apático na atuação. Um golpe de mestre! Pura maiêutica socrática: conferir credibilidade ao argumento do opositor para depois refutá-lo. Ao fingir-se humana—o que ela, agora ciente das variantes da thymós, pode fazer conforme sua vontade—seduziu pela compaixão o garoto perdido por perto. Foi ele quem se aventurou, comovido pelo aparente sofrimento de ÜberXuxa, e libertou Xuxo.
Assim, cão e dona se unem novamente! Porém, Baixo-Astral não se dá por vencido. Um totem não se dá por vencido até que seja derrubado por outro—neste caso, alguém indiferente à ordem dos deuses—por isso não pode jamais ser redimido, somente destruído.
Munido de seus asseclas Titica e Morcegão, ele lança raios de puro Baixo-Astral, coisa em si, contra ÜberXuxa. E também agarra Marlene Mattos, digo, a minhoca Xixa.
Lembram do que foi dito em Nárnia? Um totem possui imenso poder, porém somente se acreditam nele? ÜberXuxa compreende essa lógica perfeitamente. Fenomelógica, husserliana, ela soluciona o impasse mediante a Einfuhlung (“sentir dentro”, “empatia”. Indica um modo de conhecimento que procura penetrar na experiência de outro ser humano e saber e sentir o mundo como ele faz) com Titica e Morcegão.
Com isso, ela oferece o benefício do perdão. Diante o público, claro, para surtir maior efeito. Sobretudo, diante Baixo-Astral exatamente no momento em que as forças estão equilibradas. É pela emoção, com ajuda da kairos, portanto, que ela vence. Ela, apática, que nada sente, consegue manipular os outros pela emoção. Não consigo deixar de me impressionar diante tamanha genialidade, além da possibilidade humana! Afinal, para quem nada sente, é extremamente fácil perdoar. Não apenas o ser não fora afetado como implanta culpabilidade naquele que julga ter conseguido provocar sofrimento. Assim como o sacrifício, somente um deus pode perdoar legítimamente. Ou ÜberXuxa.
Com a música, desconfigurando a gramática, num verdadeiro amalgama sensorial, ÜberXuxa lança seu raio de arco-íris, aniquilando Baixo-Astral de vez!
É muita emoção e poesia numa cena só!
Naturalmente, não posso deixar de observar: seja lá qual for o deus protetor do Baixo-Astral, este o havia abandonado. É como se Helena de Tróia decidisse participar num concurso de miss num momento em que Afrodite já escolhera outra “coisa”, seja uma zebra ou ser humano, para totem máximo de beleza. Helena de Tróia perde para Mulher Melancia se Afrodite assim desejar.
Dois cenários se desfecham, portanto. Primeiro, ÜberXuxa, unida de seu cão Xuxo, segue no comando de crianças vândalas pintando patrimônio público e propriedade privada, na difusão de caóticos ideais niilistas.
Noutro…
Os deuses sumérios compreendiam muito melhor que os deuses gregos ou das tradições judaico-cristã a essência da própria divindade. Anu e Enlil eram os deuses do firmamento, da ordem. Pai e filho em perpétua transmutação. Não suportavam um ao outro e, como deuses, não são obrigados a tolerar a companhia. São auto-suficientes. Enquanto um reinava supremo, envelhecia. O outro, afastado da assembléia divina, rejuvenescia. E assim eles revezam o trono do deus supremo. Enquanto Enki, o deus da sabedoria, ria de Enkidu e Gilgamesh. A última tábua do destino, as me, é sempre a mesma: morte. Enki sabia que nem mesmo ele e os demais deuses poderiam escapar da última tábua. Porém, eram diferentes de Gilgamesh ou do Baixo-Astral. Apesar de outros nomes, sempre renascerão enquanto o homem for homo sapiens. ÜberXuxa deve, portanto, jamais baixar a vigilância!
Abaixo deixo um vídeo de ÜberXuxa, além do bem e do mal, desconsiderando os círculos da crítica de cinema, em alusão ao seu poder totêmico superior. Afinal, ela comanda crianças. O que os críticos podem fazer?
Não serei nostálgica na escrita comemorativa de hoje. Obviamente que muita coisa aconteceu no decorrer desse um aninho de blog, o histórico está vivo na memória de todos que aqui frequentam e compõem esse espaço delicioso.
Também não acho justo a nostalgia de narrar como que me veio a ideia de abrir esse blog, pois com o passar do tempo, na leitura passiva de muitos e na escrita ativa de alguns, eu deixei de falar sozinha nele e com ele.
Portanto, vamos direto ao bolo, sem esquecermos da vodka! rsrsrs
Parabéns e felicidades para nós!
Um ano de Guerra de Pipoca, estamos engatinhando ainda, balbuciando pequenas frases, logo, logo estaremos sem fraldas nesse universo rico chamado Cinema.
A luta dele contra o ótimo ator Ken Davitian, o seu produtor, é antológica. Ficará nos anais anais (eu repeti a palavra, quem viu o filme entenderá…) do humor sem fronteiras. O ridículo é tão grande que só resta rir. E o encontro no jantar fino? Será que ninguém percebe que ele está gozando todo mundo com aquele saquinho de merda na mão? E a frase de que ele poderá se “americanizar”? Que prepotência…
O grande momento é sem dúvida alguma o culto. Gritando pelo salvador. Falando em línguas que ninguém conhece… O lixo dos lixos. Como é autêntico. E depois quando pede carona na estrada e um grupo de rapazes que tomam todas com ele? Perceberam o paupérrimo vocabulário dos universitários? Será que no Brasil também é assim? Essa pobreza ideológica e cultural?
Posso descrever inúmeras outras cenas hilárias e ao mesmo tempo profundamente sérias. A mensagem é séria. Muito séria. Vivemos num mundo podre. E sinto que somente um humor pra lá de fodido nos desperta a verdade. A sociedade está presa às aparências e ao consumismo. Precisou de um saudável louco como Borat para nos mostrar.
O que há de bom: humor visceral e corrosivo O que há de ruim: quem não pensa, só vai rir e sentir alguma repulsa O que prestar atenção: não é apelativo, é imprevisível, nunca sei até que ponto é verdade -tudo armado- e quando foi espontâneo… A cena do filme: a luta em pelo, imperdível
Se chega a ser assim porque não pode enfrentar a realidade.”
(Sex Pistols ao referir-se às roupas fetichistas de couro em analogia às suas músicas e banda).
Real-mente! Enfrentar a realidade sem uma dosagem de realismo e de irrealismo é um rumo ao suicídio mental, pois, é preciso a sub-versão para não se tornar uma ovelha no pasto.
Paul Cook, Steve Jones, Glen Matlock, Johnny Rotten e Sid Vicius não são ovelhas e nem vacas de presépio.
Estamos em Londres no ano de 1976.
“O Partido Trabalhista, que havia prometido tanto depois da guerra, havia feito tão pouco pela classe trabalhadora,
que a classe trabalhadora estava confusa, e já nem sequer compreendia o que significava classe trabalhadora.
Eram tempos frios e deprimentes. Ninguém arranjava trabalho. Todo mundo estava desempregado.
O germe, a semente dos Sex Pistols, surgiu disso“.
Quanto mais a sociedade domina o indivíduo, mais precária é a situação da arte. Conseguem compreender o todo dessa frase? A ditadura, seja ela Política ou apenas Mental, aliena o sujeito. A arte funciona como tentativa de desalienação. Podemos, hoje, dizer que até então nenhuma Ditadura venceu, posto que o Lirismo sobreviveu a todas elas. Ocorre que se a ditadura vence, tem sucesso, não há lírica. Ou seja, aliena todo mundo.
Theodor Adorno – Filósofo, Sociólogo e Musicólogo alemão – nos ensina o óbvio:
Se não tivesse nada de social, como a arte – seja ela a poesia, a música, ou qualquer outra expressão artística – poderia ser curtida pelas pessoas?
A Linguagem é sempre social.
Diante da insatisfação social inglesa, a banda Sex Pistols surgiu. Ou seja, diante dos problemas sociais, a arte compareceu em forma de música e de protesto. Daí nasceu o Punk.
Esse é o refrão da música que os soldados americanos escutavam quando bombardearam o Iraque em seu primeiro dia de Guerra.
Rebobinando a fita!
Já estamos cansados dessa data, ao menos, eu estou e muito. 11 de setembro passou de uma data comum para uma data trágica imersa numa data quase cabalística. Mas, sejamos demo-cráticos! Não posso deixar de falar disso aqui! Só não me peçam resenha de “Super Xuxa contra o baixo-astral” porque aí o feitiço virará contra o feiticeiro rsrsrs.
Esse documentário feito por Michael Moore mostra os dias que antecederam a tragédia da data, os dias de Bush curtindo férias, Bush recebendo a notícia do ataque, a comoção pública e o pós-ataque que resultou em uma invasão americana ao Iraque.
Motivo alegado por Bush à invasão ao Iraque, sabemos, foi o desarmamento iraquiano, ou melhor, de Saddam Hussein. Porém, ao menos nós aqui abaixo da linha do Equador, que não temos neve cotidianamente, deixamos de acreditar em Papai Noel desde pequeno… Nem precisa de um documentário, mesmo que “fictício”, para sabermos que o real motivo é o ouro negro: Petróleo.
Dominar as minas petrolíficas mundiais é aumentar o poderio e o Império. O filme mostra o quanto essa história toda está mal contada, desde relações Bushianas com a família de Bin Laden fazendo um pit stop com os marajás armamentistas (Indústrias das Armas), até suas “fiéis” uniões com Saddam Hussein. Iraque era miguxo e de repente… xiiiiiiiii! A corda sempre rompe pro lado mais fraco. (dizem que quem apanha nunca esquece…)
Geo-Política é um assunto que me interessa, mas por agora vou ficando por aqui. Acontece que passou por minha cabeça agorinha toda essa problemática entre “nossos vizinhos” da atualidade e o 11 de setembro está quase entrando pro Museu. (Será?). Segura, Coréia! O Huguinho também tem que segurar a onda… vai ser chato assim lá na China (tem horas que torcer pro Lobo Mau faz um bem danado). Opa! Na China não – é loba demais ou de menos? -, melhor escolhermos outro país… ou talvez outro Planeta pra esses pseudos-democráticos a-terroriza-rem outro Mundo.
** Imagem abaixo é de uma parte do documentário onde entrevistam uma Senhora iraquiana, por isso a tradução do que ela fala para o inglês. Imagens retiradas diretamente do longa.
Quem tem um estômago mais fraco, não aconselho ver o filme. Primeiro, porque o Bush dá nojo! Segundo, pelas informações. Terceiro, pelas crianças… dói vê-las!
“O senhor da Guerra,
Não gosta de crianças…” (Legião Urbana).
Por: Guerra de Pipoca. Vale frisar que meu nick é Guerra, MAS, DE PIPOCA!
Desde uma acirrada disputa no MSN sobre quem escreveria a respeito do filme CONTATO —na qual, graças a minha lerdeza, perdi—resolvi ponderar alguns conceitos com filmes de alienígenas. Não que eu seja absoluto na impossibilidade de comunicação entre nós e seres de outros planetas. Posso muito bem estar equivocado, mas tenho grande convicção que é bem improvável. Não do contato, mas da compreensão entre seres oriundos de dois planetas diferentes (sobretudo da nossa parte).
Para delimitar o tema, E.T. e afins, como o Alf, o É Teimoso, estão dispensados. Eles são fofos e nunca foi a intenção do Spielberg filosofar sobre o cosmo naquela mágica cena da bicicleta com a lua ao fundo. Quem já foi, criança, no brinquedo do E.T. na Universal Studios e não achou mimoso quando o E.T. levanta, na sua frente, balbuciando com sua voz rouca, era um infante sem sentimentos! Também julgo desnecessário considerar o Alien e o Predador.
Filmes de alienígena, em geral, podem ser resumidos em duas premissas: ou eles querem nos matar pelo simples prazer de chacina ou eles querem nos guiar espiritualmente para uma maior harmonia dos terráqueos com o Universo. Julgo ambas possibilidades igualmente errôneas. São visões humanas transportadas em entidades cósmicas e, normalmente, pressupostas como superiores a nós. Esse conceito soa familiar? Bastante. Sobretudo quando se comparam as duas versões, os alienígenas do Apocalipse diante os da Salvação, temos uma idéia bem nítida entre demônios e deuses. A “tecnologia superior” se apresenta tanto quanto nossa impossibilidade de resistência diante o massacre como uma “evidência” de que suas sábias palavras devem servir para nos guiar ao caminho da iluminação espiritual. Não é estranho que, enquanto a “tecnologia superior” não pode ser explicada—ela é simplesmente “além do humano”, “acima da compreensão do homem”, “poderosa demais para nós”—as razões dos atos extra-terrestres, bons ou maus, apresentam-se o inverso, completamente compreensíveis? Em outras palavras: humanas, demasiada humanas. Pois é, por vezes levanto meu queixo, fixo o olhar nas estrelas e, resignado, admito: “Deuses, talvez vocês realmente existam. Os homens, simplesmente, não conseguem viver sem vocês”. Em tempos de ateísmo, vejo nascer os novos deuses. Paradoxal.
E, se dispenso o Alien da mesma forma que o E.T., apesar dele não ser tão fofo e você não querer ter um de pelúcia no seu quarto, é pelo motivo que estes filmes estão “esteticamente perdoados”. Eles fogem do padrão. E.T. é inofensivo. Bonzinho. Se fosse o E.T. ou o Roger Rabbit, não faria a menor diferença. Igualmente o Alien. Tanto faz, poderia ser o Fred Kruger. Ele só quer matar. Sem contar que num dos filmes, no qual “aquilo” engravida uma mulher, os comentários são desnecessários.
“Contatos Imediatos de Terceiro Grau” (Close Encounters, 1977) nos dá uma nítida idéia (droga de programa do Word que não aceita o novo acordo ortográfico) de um antropomorfismo alienígena. São mais altos, magros, desprovidos de pêlos e cabeçudos (denotando maior cérebro). Muitas vezes, essa idéia nos remete ao conceito da futura evolução do homem. Tais características são, de fato, uma tendência na humanidade (mas não se preocupe. Se você for baixo, gordo e peludo, o finlandês alto, magro e sem pêlos não é “mais evoluído” que você. Essas transformações genéticas demoram muito tempo para ocorrer e, lembro, tais características são totalmente irrelevantes a cores de pele, olhos ou cabelo. Com exceção dos Pokémons, uma espécie evolui em conjunto de seus componentes, não individualmente). Outra vez, temos novamente o conceito de um ser superior a nós (nós mesmos! Porém, transformados, redimidos, após termos superados todas as dores fenomenológicas), vindo de um futuro tão longínquo retratado como uma espécie de Paraíso ou Nirvana. Não tem nada a ver com alienígenas. O principal motivo é que os alienígenas, provavelmente, não têm nada a ver conosco: mesmo se porventura eles sejam fisicamente semelhantes, o mundo onde vivem deve ser tão distante que, para chegar até aqui, suas noções de causa e conseqüência certamente divergem muito da nossa!
Existe uma sutil, fina diferença entre licença poética na Arte e o simples absurdo. Do contrário, kÚaL eH a ReAaaL dIsTiNssAuM InTrE mAXxXaDu di AXxis i u MiGuXês? Não me cabe julgar e tampouco é minha intenção debater as circunstâncias onde o absurdo é permitido ou não, mas acredito que depende muito da intenção do filme. Se, em “O Exorcista”, o espírito que possuiu a menina do pescoço torto fosse o Gasparzinho, eu sentiria uma imensa pena em exorcizá-lo. Tampouco consigo conceber aquela menina macabra como parte do elenco da Turma do Penadinho. Se Leonardo DiCaprio e Kate Winslet fossem substituídos por Silvio Santos e Hebe Camargo como protagonistas de “Titanic”, eu não questionaria a cena do “Jack, I’m flying! I’m flying, Jack!”. Porém, julgaria inverossímeis as acrobacias realizadas durante o naufrágio para sobreviver até o último segundo. Mesmo filmes de pura ficção científica ou esoterismo possuem graus de seriedade. Esse “grau de seriedade” deve ser contínuo, pois há leis pressupostas dentro do próprio ambiente que o filme produz. Por isso, logo no início, “Sexta-Feira, 13” é escancarado e debochado. Não me incomoda nem um pouco ver o Jason caminhar calmamente com sua serra elétrica alcançar uma vítima que corria, de patins, em velocidade máxima. O mesmo não posso dizer da Samara assassina sair da televisão, pois o filme me transmitia uma seriedade, rompida pelo absurdo, dentro daquele ambiente que ele mesmo construiu no início.
Felizmente, em geral, filmes de alienígenas são debochados. O problema é quando são sérios. No caso, CONTATO.
Tal problema se agrava já que qualquer filme visa transmitir uma mensagem. Isso é óbvio; ele possui um enredo, um tema, com início, meio e fim, salvo raras exceções como aqueles filmes experimentais franceses e alemães da década de 20. Eu, como espectador, sou ciente disso. Porém, e quando a mensagem é, digamos, inconsciente, bem subliminar? Às vezes, sequer intencional! Muitas vezes as maiores “rupturas de continuidade”, os absurdos, surgem justamente nos filmes dito “cabeça”. É nisso que quero me concentrar, filmes como CONTATO e “Fogo no Céu” (Fire in the Sky), cada um simbolizando os estereótipos dos alienígenas ora messiânicos ora malignos.
Diria que “Guerra dos Mundos”, “Independence Day” e semelhantes estão em algum meio-termo entre o E.T. e Contato. Porém, devo ressaltar. O final do “Guerra dos Mundos”, por mais fantasioso que seja o filme, é fantástico. Não somos nós, ou melhor, o Presidente dos Estados Unidos, que derrota a invasão extraterrestre, mas a evolução das espécies no mundo por eles invadido. Aqueles alienígenas morreram asfixiados com a nossa atmosfera! E esses filmes ao menos levam em consideração uma grande diferença entre signos e simbologia. Isso é fundamental. Não se trata de um choque cultural de continentes distantes. Não se trata de um encontro de épocas distantes, como entre os Flinstones com os Jetsons! São dois planetas diferentes que se intercalam! Aqueles alienígenas acaso eram burros? Conseguiram derrotar todos os nossos exércitos, mas não previram as bactérias atmosféricas? Idiotas, não? Bastava usar um traje de astronauta, sei lá! Não sei se George Wells o fez conscientemente, mas é mais brilhante do que aparenta numa primeira instância. Quem disse que eles sequer cogitam a hipótese da existência de bactérias nocivas? Quem disse que eles têm qualquer, por mais rudimentar que seja, noção da existência de roupas?
Não apenas a linguagem, mas a maneira como cada espécie concebe a sua existência e a do Universo deve, no mínimo, divergir drasticamente. Tempo, espaço e matéria. É assim como enxergamos a composição do Universo. Essas noções mudam em cada espécie da Terra. Aliás, mesmo entre culturas da espécie humana! Imagine em cada planeta?
Se a Pipoca der o aval—ela é a comandante da Guerra—este texto será dividido em partes. É até melhor, pois assim posso responder “conforme vou escrevendo”. Analisarei vários casos. Seja a distância em anos-luz, a possibilidade de teletransporte ou fendas que rompem o tempo-espaço ou simplesmente os alienígenas viverem bastante tempo. Um bilhão de anos-luz para eles pode ser o equivalente de uma caminhada nossa até a padaria. A vida de um mosquito dura apenas um dia, não é? Qualquer que seja o caso, ao menos a nossa compreensão de mensagens enviadas por eles não pode ser apreendida.
Até onde nossa tecnologia nos permite explorar, sabemos que nenhum planeta conhecido atualmente apresenta condições para o desenvolvimento da vida tal como a definimos! Se existe vida num desses planetas, deve ser de um modo tão absurdo que enfatizarei outra vez: é impossível estabelecer comunicação. No mínimo, é preciso certificar que essa forma de vida é feita de carbono. Este é o menor denominador comum. Do contrário, é mais fácil você ensinar um protozoário a fazer seu próprio perfil no Orkut.
As órbitas elípticas dos planetas fora do Sistema Solar mudam dramaticamente. Em nosso sistema, há a questão tanto do dia quanto do ano, cada planeta com durações diferentes, mas, se a rotação é relativa, a translação segue uma ordem proporcional conforme o distanciamento do planeta em relação ao sol. Parece lógico, portanto, que a duração do ano em Mercúrio será necessariamente mais curta comparando com Saturno. Não é lógico. Esse fenômeno é mais raro do que imaginamos. É comum planetas, durante a translação, terem um verão meteórico e um inverno imenso. A elíptica é bizarra. Ele não somente circula a estrela e as estações dependendo tão somente de sua posição/curvatura correlacionada com o astro. Ele se aproxima e se distância da estrela! Em muitos casos, a distância oscila como Vênus e Júpiter! Imagine a consciência ambiental desse povo? Eles sofrem tanto os efeitos do Global Warming como o da Era do Gelo todos os anos! Extremos. A água, caso exista, evapora para depois virar gelo. Em alguns planetas, o movimento de rotação demora mais que o da translação. A vida neste lugar deve ser uma festa, pois todo dia é Réveillon. Varias vezes! O “ano que vem” ocorre com maior freqüência que o “amanhã”. Certamente, eu cairia na falência se precisasse estourar champagne e comprar roupas novas várias vezes no mesmo dia. Além do mais, é uma boate. O movimento rotacional do planeta é tão rápido que, nós, humanos, naquele solo, jamais sobreviveríamos. Lembra daquele brinquedo giratório no parque de diversões em “O Pestinha 2”? Geral vomita. Tente viver seu cotidiano assim. Se algum tipo de vida existe em lugares assim, elas necessitam uma flexibilidade biológica incompreensível—e impossível—para nós! As possibilidades são inúmeras e o contrário também existe. Você pode passar toda a sua vida sem que um dia sequer transcorra. Décadas passam numa semana. Ou qualquer combinação possível entre translação e rotação.
Não é uma simples questão de linguagem, facilmente superada com uma substituição de termos “dia”, “meses”, “anos” etc. É toda a sua percepção da categoria Tempo—essencial para sua compreensão da vida tal como ela se apresenta aos seus sentidos—que é posta em jogo!
O planeta com condições tanto ambientais como elípticas mais próximo do nosso é o “Planeta Água”. É bizarro e ainda não fora totalmente comprovado sua existência, mas, caso seja, ele funciona da seguinte forma: é totalmente feito de água. Em seu núcleo, tamanha é a pressão exercida por toda a água circundante que ela se torna sólida, porém sem ser fria como o gelo. É o mundo mais próximo da Terra. E, já dá para imaginar. Acaso a vida floresça lá, a comunicação entre nós não é um pequeno empecilho de Smurfs com Snorkels.
Eu não sou a melhor pessoa para escrever sobre Ficção Científica, porque existem complexidades tecnológicas-futurísticas que minha rusticidade contemplativa, por vezes, não alcança. Porém, depois de ver esse filme fiquei tentada a escrever sobre ele, ainda que sem saber exatamente por onde começar:
Abstrair seu conteúdo ou dissertar sobre o conjunto em si? Mil coisas passaram em minha cabeça como possibilidades de rascunhos, e aqui estou decidida a “deixar fluir”.
Um amigo me disse desse filme e fui buscar informação, encontrei um textinho básico escrito:
“A história ainda é mantida em segredo, mas a idéia dessa ficção científica nasceu da impossibilidade (por motivos financeiros) de Peter Jackson levar adiante o projeto “Halo”, baseado no game de mesmo nome da Microsoft. Coincidentemente, o diretor de “District 9″ é o sulafricano Neill Blomkamp, que assinou comerciais de TV para o jogo em questão. Jackson faz as vezes de produtor”.
Hey hey!!!! Aí atiçou minha curiosidade mais ainda em vê-lo… Peter Jackson depois de dirigir Senhor dos Anéis subiu e muito em meu conceito. Pensei: Se ele não tem investimento financeiro pra levar o projeto “Halo” adiante é porque, então, o projeto é grandioso.
Será que é também genial? Só pagando pra ver…
É um filme-documentário com a intenção de dar mais realismo ao enredo. 28 anos atrás uma raça alienígena aporta na Africa do Sul, precisamente em Johannesburg, mas no lugar de uma infiltração bélica, os extraterrestres só buscavam um lugar para viver após abandonarem seu planeta natal. Foram instalados de qualquer jeito e viviam de maneira subestrutural. Horrível o ambiente. Eles roubavam a população e eram agressivos, além de gostarem de comer comida de gatos. A MNU se encarregou de fazer a transferência dos aliens-camarões (é, eles tem formato de camarões) para o que chamam de Distrito 9.
Só esse início já dá um belo pano pra manda… África do Sul… separar uma outra raça… isolá-los… lembra alguma coisa, não lembra? Aí, esbocei um sorriso. Afinal, pode ser Ficção Científica, mas tratando-se de homem o assunto é conhecido… Notoriamente, o pano de fundo refere-se ao Apartheid. Interessante, pensei. Um Apartheid com Extra-Terrestres com cara de Camarões é, no mínimo, diferente no cinema, mas não na linguagem cotidiana. Posto que no cotidiano é comum a negação desse diferente.
MNU designou um agente para comunicá-los do despejo… é de rir, não? rsrsrs Onde já se viu humanos ou ets serem avisados que serão despejados de seus muquifos e ainda assim, receberem a notícia com satisfação?
A maneira em que eles levam essa informação para os ETs é dotado de chacota, violência, ironias, deboches, que me lembra razoavelmente o Planeta dos Macacos, que tem o objetivo de ironizar a domestificação humana com relação aos seus maiores primus. De maneira que os macacos domestificam, ou como gosto de dizer, do-homestificam os próprios homens.
Nesse caso, nós Homo sapiens que tememos uma infiltração bélica extra-terrena pudemos ver o contrário: o homem escravizando os ETs.
(Até que ponto?)
E o filme segue nessa pauta conhecida: Dominação – escravidão, Desumanidade x Humanidade, Interesses bélicos-armamentistas…
Eu disse interesses? Pois é, o interesse científico também está presente embotido na Dominação. “Façamos de cobaia”! Quem?
No que se refere à tecnologia do filme, eu gostei muito. Mescla o antigo com o atual e o futurístico, algumas cenas são inteiramente indigestas, mas mesmo assim é MUITO legal!
Quem ainda não viu, vale a pena vê-lo com a mente aberta para localizações sociológicas. Enriquecerá a visão de mundo. Também, se ficasse preso numa temática limitada, eu não iria gostar tanto…
Quem assistiu Borat e tem bom senso fica em dúvida se deve investir tempo (time is money) em Brüno. O meu receio era de pagar pra ver uma versão homossexual de Borat. Respirei fundo e fui assisti-lo, afinal, 73 minutos não fica tão caro assim… ou fica?
Inicialmente, trata-se de uma sátira ao mundo da fama com um pano de fundo do “Orgulho Gay”. Até aí, muito engraçado. Tem uma entrevista de Sacha Baron Cohen (Brüno) com uma modelo que é a cara do que penso a respeito da falta de cérebro dessas profissionais. Ri muito, só essa entrevista já valeu. O assunto se desenvolve de maneira engraçada e de repente, não mais do que de repente, o inevitável aconteceu: Sacha apela talvez tanto quanto em Borat ou mais. Eu acho cruel demais satirizar com uma realidade tão sofrível como a dos africanos, quando envolve criança minha cabeça dói! Me sinto infinitamente incomodada com a realidade em si, imagine com as sátiras sobre as realidades? Acho medonho e cruel esse tipo de humor negro. Não me incomodam as brincadeiras com adultos, embora algumas sejam tolas, mas ao menos nós adultos sabemos nos defender, aparentemente. Com criança, não…
À exceção dessa parte, o filme corre bem, a pornografia não choca como algumas chacotas em outros assuntos pertinentes. Ri muito com o humor na casa de Swing… rsrsrs.
Fiquei pensando agora, depois que saí do cinema: como o mundo é normalizante, não?
Freud diz que nossa tendência é a de buscar o Nirvana, ou seja, a quietude, a falta de ansiedade, de angústia, a falta de “oscilação cardíaca”, isto é, a falta de tensão. Mas, ele mesmo nos alerta que isso é impossível em vida; um dos motivos de sofremos tanto. Faço uma analogia ao cardiograma, um exame cardiológico, quem já fez poderá visualizar o que quero dizer:
A pessoa que faz o eletrocardiograma verifica que sua respiração ascende e descende num gráfico. A morte seria a linha reta (piiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii). Ou seja, a vida é cheia de altos e baixos, tensões, angústias, prazeres, tesão! A morte é ausência de tudo isso; é a pessoa em linha reta, sem sentir nada, ou seja, o Nirvana (??????). Não acredito que “Oshos” da vida conseguem atingir em vida tal ‘plenitude’ rsrsrs… conta outra!
Por que pensei nisso? Porque a maioria tenta enquadrar o outro em seus gostos, assim diminui a tensão e ansiedade. Ou seja, o diferente sempre passa pela angústia do meio normalizante social. Não sei se é alcançável esse salto de entendimento que eu dei aqui, porque é um caminho longo esse assunto, mas me ponho a pensar:
Qual a diferença em levantar a bandeira do “Orgulho Gay” e a bandeira do “Orgulho Hetero”? E aí acho que Sacha, nesse ponto, foi muito feliz. Pois, coloca a coisa no mesmo plano, no mesmo patamar: um querendo dizer ao outro como devemos usar nossa sexualidade. Patético, né?
Mas a sociedade normal praticamente faz isso o tempo todo: Dizer como que as pessoas devem viver suas vidas sexuais. Por alguma coerência qualquer, Brüno invade o mundo das Igrejas de uma forma muito jocosa e ainda assim, RESPEITOSA.
Isso é interessante porque não levanta a bandeira do ódio pelo diferente, mas sim faz as pessoas pensarem, na melhor das hipóteses… até mesmo essas vaquinhas de presépio de Igrejas…
Quem é fã de Mr. M? Mr. M é aquele mágico que foi ao Fantástico (Rede Globo) desvendar algumas mágicas, muitos o condenaram por fazer isso, eu achava o máximo.
E exatamente por isso, assisti Harry Potter – Behind the Magic, um documentário que funciona como um making off, uma espécie de “extras” de um dvd; fala sobre as técnicas de filmagem utilizadas para esse último filme. Mostram os treinos de Ron em, pasmem, cama elática pula-pula rsrsrs para as filmagens na vassoura, entrevistas com Ron, Hermione e Harry, construção do Beco Diagonal…
É bem interessante e divertido, mas não se enganem, algumas “mágicas” vão perder seus mistérios…