Smurfs era um de meus desenhos preferidos por achar o máximo uma sociedade de formigas azuis. Vai me dizer que nunca ninguém lembrou dos Smurfs nas aulas de Biologia quando falavam da abelha rainha, as operárias etc? A diferença é que a abelha-rainha, aqui, é Papai Smurf. Ele manda, mas não necessariamente o Desastrado obedece. E aí, tal como nas sociedades das formigas, abelhas, cupins, quando um não obedece dá merda! O conselho que eu dou é que se você quiser que o Desastrado vire para direita, diga a ele que vire para esquerda! Ele vai errar e, no erro, vai acertar. Porém, Papai Smurf (por ser pai) não escuta conselho de ninguém. (Pai, não vista a carapuça, hein? rs).Daí que uma vila pacata e feliz se vê em apuros quando Desastrado convive nela e um tal sujeito estranho, que atende pelo nome Gargamel, que quer por tudo comer as formigas azuis. Mas, poxa, quem é desastrado só faz desastre? Aí que mora a moral da história. Às vezes um desastre une pessoas que só com um tsunami faz a coisa acontecer. Sabe assim quando ocorre um meteoro no espaço e os planetas se alinham? Ou ainda, quando surge no céu a Lua Azul e faz com que várias mensagens altruístas que dignificam o ser humano sejam emitidas??????????
O naufrágio do navio Titanic, que matou 1.513 pessoas na sua primeira viagem, completa 100 anos no próximo dia 14 e muitos mitos criados no cinema ainda são ditos como verdade. Saiba quais são as cinco histórias mais mal contadas sobre a tragédia:
Inafundável
A mãe da personagem Rose, heroína do filme “Titanic” (do cineasta James Cameron), observa o navio e comenta: “Então, este é o navio que dizem que não afunda”. A companhia White Star Line nunca afirmou que o navio era “inafundável” e nunca se falou sobre isso até o incidente, afirma o cientista Richard Howells, do Kings College, de Londres, na Inglaterra.
“Se um homem cheio de orgulho constrói um navio imbatível, como Prometeu, que roubou o fogo dos deuses, isso carrega um senso mítico porque indica que deus estaria tão zangado por tal afronta que acabaria afundando o navio”, explica Howells.
A última música
No filme “Titanic”, a banda do navio permanece no deck enquanto navio afunda e toca a canção “Nearer, My God, To Thee” (“Mais perto de ti, meu Deus”) aos passageiros que não conseguiriam sobreviver. No entanto, um dos consultores para o filme, Paul Louden-Brown, da Sociedade Histórica do Titanic, afirma que James Cameron apenas usou a cena dos músicos no filme “Uma noite para se lembrar” (1958).
“Ele me disse: ‘Eu roubei isso inteiramente e coloquei no meu filme, simplesmente porque amei. Era uma parte muito forte da história’”, diz Louden-Brown.
Capitão Smith
O comandante do navio, capitão Smith, foi retratado como herói no cinema e ainda ganhou estátuas e cartões postais. Porém, ele é apontado por especialistas como o principal culpado pelas falhas na estrutura de comando a bordo. Smith não deu atenção aos alertas contra gelo e iceberg nem reduziu a velocidade da embarcação quando já se sabia da presença de gelo na rota do navio.
“Ele sabia quantos passageiros e quanto espaço havia nos barcos salva-vidas. Mesmo assim, ele permitiu que os barcos partissem apenas parcialmente cheios”, ressalta Louden-Brown.
Joseph Bruce Ismay, o presidente da White Star
Joseph Bruce Ismay, presidente da White Star, foi acusado de mandar acelerar o navio e escapar da embarcação no primeiro barco salva-vidas disponível, deixando para trás mulheres e crianças. Ele foi execrado em Nova York e aposentou-se falido em 1913.
Lord Mersey, que comandou o inquérito britânico em 1912, chegou à conclusão que Ismay ajudou vários passageiros antes de entrar no barco salva-vidas. “Se ele não tivesse se salvado, salvaria apenas mais uma vida”, pontuou Mersey em relatório.
“Se formos para a origem disso, temos de nos lembrar de William Randolph Hearst, o grande magnata da imprensa nos Estados Unidos. Ele e Ismay brigaram pelo fato de Ismay não cooperar com a imprensa [fornecendo informações] em um acidente com um navio da companhia”, diz Paul Louden-Brown.
Louden-Brown acredita que as acusações são injustas e chegou a discutir o assunto com James Cameron. “É isso que o público espera ver”, teria dito o cineasta ao consultor.
O autor do livro “Como sobreviver ao Titanic: o naufrágio de J. Bruce Ismay”, Frances Wilson, também defende o presidente da White Star. “Ele foi um homem comum pego por circunstâncias extraordinárias”.
Terceira classe
O filme “Titanic” mostra que os passageiros da terceira classe foram forçados a ficar longe do deck e impedidos de alcançar os barcos salva-vidas. Richard Howells, do Kings College de Londres, afirma que não existe evidências para confirmar tal história.
Os portões que os separavam dos demais passageiros do navio foram instalados por exigência da imigração norte-americana, que temia que os passageiros desembarcassem em Nova York sem passar por testes de higiene. Na terceira classe, estavam armênios, chineses, holandeses, italianos, russos, sírios e britânicos.
Evidências apontam que os portões estavam fechados na noite da tragédia e que só depois de a maioria dos barcos salva-vidas terem partido é que os eles foram abertos. Menos de um terço dos passageiros da terceira classe sobreviveram.
História de superação, pai que não quer saber do filho, filho que consegue acessar o coração do pai e fazê-lo querer estar junto dele… mas não para por aí, felizmente!
Charlie Kenton é um ex lutador de boxe, otário, pedante, caloteiro e que na atualidade luta com os robôs. Na verdade, o que acontece é que o boxe se sofisticou em tecnologia e ao invés de seres humanos no ringue, agora são robôs do tipo “homem de ferro”. Hugh Jackman na pele de Kenton teve que incorporar seu papel de sucesso(Wolverine) para dar vida à Charlie. Soa estranho recorrer a outro personagem para conseguir dar corpo autêntico em outro papel, mas foi isso mesmo que aconteceu. Deu certo.
Porém, quem foi a estrela do filme foi Max (Dakota Goyo), seu filho de 11 anos que passou a vida sem o pai. O moleque é esperto pra caramba e a graça do filme é que mesmo sendo rejeitado o filme não apelou pro sentimentalismo barato. Max e Charlie estão em pé de igualdade e o que liga ambos não é uma relação pai – filho, mas sim um robô, que supostamente não tem sentimentos.
A parte de ficção científica do filme soa como “revival” de antigamente. O longa é quase um Rock Balboa dos Robôs, vamos combinar! A luta entre o robô de Max e Zeus, o invencível, nos lembrou demais a luta final do Rocky com o gigante da ex-URSS… Bater até cansar para no fim revidar.
A mensagem de todo o filme é essa: apanhar, cair e depois levantar, ganhar. Balboa até hoje comemora essa fórmula. Dizem que em time que está ganhando não se mexe, o que torna repetitivo esse formato em longos 20 anos. Mas até que algo diferente aconteceu: Rocky não nocauteia o Russo…
Ponto forte do filme: o trailler de Os Vingadores antes do filme começar. A que tudo indica, os atores que fizeram os heróis isolados em seus filmes particulares vão atuar nesse longa, o que dará mais veracidade ao elenco.
A escuridão está irada e os olhos já não aguentam a claridade da luz, que ilumina os medos da personagem. Alguém a encoraja por telefone, talvez ela mesma, uma vez que fabricou o ambiente, a janela estraçalhada e os pássaros voando.
Afinal, os pássaros são seres muito inteligentes. Quando o tempo muda, eles voam para o Sul…
Enfim, Lars von Trier.
p.s. vi que tem no youtube, só não sei se está legendado.
p.s.2. Essa postagem é mais uma da série: Moiras estamos sem tempo.
O filme relata a história de uma amizade entre duas pessoas bem diferentes: de um lado Mary Dinkle, uma garotinha de 8 anos, tem um galo de estimação, mora em Melbourne, a mãe é uma ladra (ou seria cleptomaníaca?) e alcoólatra e o pai passa mais tempo com seus animais empalhados do que na companhia da filha. Do outro lado Max Horovitz, judeu, chocólatra, mora em Nova York, também se sente sozinho e é muito ansioso!
Tudo começa quando Mary resolve olhar a lista telefônica e resolve se comunicar com alguém que mora em outro lugar. No caso o escolhido foi Max. Ambos começam a trocar impressões sobre suas vidas, falar de coisas que os aborrecem, contar novidades, trocam presentes fofos, dão uma pausa nas cartas por causa de uma problema de saúde, mas voltam a se falar depois que tudo é explicado. A amizade se mantém mesmo diante de altos e baixos e só se fortalece cada vez mais.
Sem sombra de dúvida o filme aborda temas muito importantes e densos como alcoolismo, bullying, diferenças religiosas, a falta, o amor, a solidão, a vida, casamento, sofrimento entre outras coisas, mas aborda tudo isso de uma forma sofrida demais. Tudo bem, na vida nem tudo são flores, mas também sei que nem tudo é treva.
A vida da Mary é tristonha demais, ela sofre, a personagem consegue transparecer isso, é notório e é muito triste perceber isso. Ela é uma criança…
A do Max também, uma pessoa sozinha, que formulou um amigo imaginário que um dia teve que partir.
A animação em si é muito bacana, o jeito que o filme foi montado, aliado às cores nele inseridas (o mundo dele é preto e branco e o mundo dela é marrom), um tom meio sombrio, a técnica arrasou. Mas acho que não gostei do tom depressivo demais que a ele foi dado e talvez a única coisa que eu tenha gostado foi ver a amizade entre os dois que persistiu por 20 anos e por eles terem se encontrado de um modo tão improvável, pois ao mesmo tempo pude sentir o quão importante um é para o outro!
Epílogo já diz tudo: fim, conclusão resumida de um livro. A duração é curta, são 12 minutos contando com os créditos. Portanto, não vou me alongar. Na verdade, não há porque me estender uma vez que falo do Epílogo. O que há na obra? Possivelmente, conta uma história de um relacionamento que não deu certo e chegou ao fim. Por que sei disso? Porque o Epílogo conta o arremate da obra, o fim do caso, o momento em que ele acabou.
O que é genial nesta obra é que primeiro Tykwer (diretor de Corra, Lola, Corra) narra o fim como ele aconteceu. Depois, o fim como o marido fantasiou. Como a gente sabe que a segunda versão é fantasiosa? Aí vem a arte: os objetos saem do lugar pela força do pensamento. Detalhe sutil no cenário do curta, mas que faz toda a diferença para o entendimento dessa conclusão no Epílogo…
As histórias infantis, via de regra, começam com “Era uma vez” e terminam com “…e foram felizes para sempre”. Não é por acaso, o propósito é simples: trata-se de confortar psicologicamente a criança para seus futuros e prováveis dramas internos. Após o “Era uma vez” há uma sucessão de eventos emaranhados que denunciam angústias pueris. Como, por exemplo, se perder dos pais, que é o caso de João e Maria. Qual criança não tem medo dos pais se esquecerem de ir à escola buscá-los? Qual criança não tem medo de se perder dos responsáveis num passeio, supermercado, shopping? João e Maria é uma história de desamparo e durante esse “abandono” uma bruxa (personagem que dialoga com a metáfora do mal na sociedade) se aproveitou para atacá-los e “tome-lhe comida”. Não dizem que se alimentar faz crescer? Em horas como estas, João e Maria tiveram que “crescer” (amadurecer) para, enfim, atingirem o tão sonhado “e foram felizes para sempre”.
Acontece que essa artimanha psicológica nem sempre procede no real das existências infantis. Enquanto conselho e instrução, os contos são fantásticos. Mas, ocorre que conselhos – via contos de fadas – não resolvem o real da Coisa em si. Isto é, as histórias infantis servem apenas para efeito catártico. Ou seja, João e Maria diminui a angústia na criança, mas não evita que ela se perca dos pais, por exemplo. De maneira que o mundo é muito mais duro do que as histórias contam…
Annie descobriu às duras penas que o príncipe encantado de seus sonhos não existe como ela fantasiou. Não digo que príncipes não existam, eles até existem, mas nunca são como na fantasia. Uns são mais sapos do que outros. Esse do filme era o monstro da lagoa verde. Pedófilo de 35 anos virtualmente iludiu Annie, de 14. Por que Annie pode transar com um homem de 15, mas não pode com um de 35? Isso é algo que nós leitores do blog já temos a resposta pronta na ponta da língua, mas é essa questão que Annie levanta durante boa parte do filme. Ela, por ter 14 anos, não faz a mínima ideia do por que a sociedade implica com uma relação deste porte, uma vez que ela pode namorar com alguém de sua idade.
Isso me fez questionar a que ponto os projetos sócio-educativos alcançam o/a adolescente e a criança neste entendimento. Será que basta dizer para não darem atenção a estranhos? Será que nós, adultos, veteranos de guerra, estamos imunes às mazelas das relações? Se nem nós estamos, o que dirá uma criança e/ou um(a) adolescente… Falta resposta para muitas perguntas, porque essas regras são elaboradas na sociedade para depois serem elaboradas na jurisdição vigente.
O filme não tem nenhum artifício cinematográfico especial, mas em termos de conteúdo – sobretudo para quem trabalha com clínica, com ser humano e suas complexidades – é muito bom por lidar com um assunto atual e que mexe com toda ordem familiar de alguém que passa por abuso sexual.
Tendo em vista comparações com outros filmes, gostei muito da atuação da terapeuta; não foi excepcional, mas, felizmente, o filme não capengou nesse ponto, pois não colocou a psicóloga numa posição de autoajuda. Nós não cursamos 5 anos de faculdade + o tempo de formação clínica para nos tornarmos conselheiros/as!!!! Nós não somos conselheiros/as! Achei ótimo que esse diretor de cinema não fez do/a psicólogo/a um adepto dos livros da Nova Era…
Esse texto deveria ter sido escrito no período em que as Moiras escreveram Poltergeist e Evid Dead. Contudo, ocorrências em minha vida me fizeram tardar em acompanhá-las; infelizmente. Nem tudo está perdido, afinal, aqui estou para escrever sobre esse filme que tem por lema… adivinhem? “Nem tudo está perdido”. Hmmmmm! Por passos…
Em primeiríssimo lugar, é preciso que os leigos na obra saibam que aqui só se fala apenas de um único assunto: morte. São 103 minutos falando de mortes, cemitérios etc. Falar da morte é complicado porque, lembrando de Lacan, a morte é uma experiência que não há. Não há porque para se ter experiência é preciso ultrapassá-la a ponto de contá-la; isto não acontece quando se morre. Não no mundo “real”, mas em Pet Sematary, sim.
Novela de Stephen King, Cemitério Maldito conta a história de uma família feliz (Família Creed) que se muda para uma linda casa em beira de altoestrada. A estrada é perigosa, passa caminhão e mata animais desatentos constantemente. Jud, o solitário vizinho da família Creed), apresenta o escondido cemitério de animais, mas logo acima há um cemitério indígena; este, por sua vez, inicialmente não fora apresentado para os Creed…
Mary Lambert filma caminhões passando na estrada a cada cena reservada da família. Não é difícil supor que alguém será duramente atropelado. Primeiro, o gato de Ellie morreu e posteriormente, ah… puxa… quem iria imaginar?
Bom, aí que entra a má tradução do título. De cemitério de animais para cemitério maldito foi só o prazo de Charlie (pai Creed) enterrar o gato de Ellie (filha mais velha). Jud e Pascow alertaram: às vezes a morte é melhor.
Não acho que a morte seja melhor. Mas, uma vez que está morto, então o melhor é deixar morrer.
Ressalto, antes de finalizar minhas breves palavras, que Pet Sematary fecha um ciclo de filmes de terror que se consagraram entre os clássicos (pré-anos 90). Infelizmente, sua continuação é dispensável. Nem de longe mantém o clima pesaroso que a morte provoca. Embora cheio de clichês, é preciso parabenizar Lambert, pois manter o cheiro de morte durante 103 minutos não é fácil. O gato que o diga, já que Ellie acha que agora ele fede e não sabe o porque…
Para além, é um filme com algumas cenas fortes, que comovem. Sobretudo para aqueles que amam os animais e odeiam quando crianças são maltratadas. Será que é possível retornar ao ponto que se ultrapassou? Eu não sei… mas, peço por gentileza, quando morrer não me enterrem no cemitério indígena. Ficarei feliz de ser enterrada junto com os animais… rss
Uma família de quatro pessoas, um casal de adolescentes, Califórnia ensolarada. Classe média-alta americana. Um é ginecologista, trabalha muito e é firme, retira 17 miomas por vídeo, coisa que nunca vi e nem fiz, e outro – apesar da sólida formação acadêmica – vai saltando de projeto em projeto, mas não consegue encontrar a si mesmo. Estão com mais de quarenta anos.
Por razões óbvias, não conseguem tem filhos. O pai doou esperma e sua identidade só é conhecida pelo casal. Um belo dia o rapaz, menino bom, esportista, que faz amizade – e é sempre assim – com o grandalhão paspalho do colégio, quer conhecer o pai biológico; mas não pode. Somente a irmã lindinha, romântica, estudiosa e a cara da mãe; pode fazer isso. Afinal ela está completando 18 anos…
Bom, a velha fórmula de colocar um elemento novo num meio familiar ou de trabalho, ou esportivo, ou o que seja, é aplicada. Surge então o pai, ator? Mark Rufallo. Faz o típico homem-descolado: barba por fazer, motociclista, saradão, dono de restaurante natural, namora uma gata e é tranqüilo com a vida. A moçada apaixona. E ele, que levava uma vida assim sossegada, agora é a ovelha negra da família.
O processo, mostrado com bom humor e excelentes vinhos – veja o Petit Sirah de Kalyra – dali mesmo, de envolvimento dos personagens é interessante. Uma mulher com mais de quarenta anos que nem sabe qual é a sua identificação sexual é digna de pena. E a outra que acha que manda, porque tem o dinheiro e fala grosso; é risível. Elas se merecem.
Contudo o crescimento emocional dos filhos me encanta. O título original “The Kids Are All right” é muito adequado. Eles discutem em alto nível, enfrentam suas descobertas sozinhos, e por isso sofrem.
O amadurecimento da menina é ainda mais intenso, pois ela – de uma hora para outra – está diante de uma figura masculina de modelo, coisa que nunca teve. E suas reações, marcantes. Ela chegando bêbada é uma cena memorável e ao mesmo tempo delicada como momentos antes.
Outra sequência de grande impacto é o jantar na casa do coitado, que nunca procurou saber que tinha filhos e é jogado nesse redemoinho e por ser agradável, constrói dentro de si uma imagem nova que o envaidece e também o faz mais seguro. De um momento para o outro ele é o máximo, devido à sólida identificação musical e enóloga, e de outro é um sujo, cão traidor.
O final é pequeno-burguês, mas bem certinho para o tom de comédia aplicado. E nas infinitas rugas de expressão de Annette Bennig posso perceber a sensação de alívio ao ver que a filha está bem e o filho também. Grande atriz.
O que há de bom: uma discussão bem humorada sobre as crises de meia-idade e envolvendo filhos
O que há de ruim: idéia requentada, quando surge o sujeito
O que prestar atenção: a melhor fala é a tentativa de explicação do comportamento e da sexualidade delas quando o menino descobre filmes pornô de homens homossexuais, em um quarto em que coabitam duas mulheres; realmente o ser humano é complexo
A cena do filme: Juliane Moore despedindo o imigrante trabalhador e de olhar simples e retilíneo, culpa é um negócio complicado
Felizmente li o livro antes de assistir ao filme, e posso afirmar de que é uma das únicas obras em que não consigo dizer qual é melhor. Pragmático, masculino, forte, selvagem, seco, mil adjetivos. Porém pode-se resumir em um só nome: Marlon Brando.
Um dos homens mais bonitos de todos os tempos, aliado a um talento visceral. Ele, desde a primeira cena- em que está de costas- e ouvimos sua voz sussurrada discutindo valores e comportamentos – e a câmera recua como que temendo-o – da sua incontestável sabedoria e liderança, até quando brinca serelepe com o neto; é formidável.
Primeira parte é a família, centro das atenções e razão de viver. Suas frases emblemáticas já ficaram na boca do povo. Ali é desenhado o perfil de todos que o cercam. O filho frio e calculista (além de adotado), o impetuoso, o frouxo e o mais novo, e esperança de que seja igual ao pai, ou melhor. Este é vivido por outra lenda do cinema, Al Pacino. Seus capangas mais próximos, e também os rivais, todos delineados.
Segunda parte é a maneira cuidadosa como lida com os negócios e suas propostas irrecusáveis. A cena do cavalo arrancou um grito do meu pai, que na época já tinha sessenta anos e pensava que já havia visto de tudo. Ali ele molda o espírito de corpo, a união dos mafiosos e suas regras tácitas e ocultas.
Terceira parte é o mundo se transformando, novas -e mais sórdidas – maneiras de se ganhar dinheiro e que na lógica de Corleone não é ética. Paralelamente acontecem os dramas familiares internos, as traições, os interesses escusos e Michael, o filho alheio é jogado dentro deste turbilhão após o bem engendrado assassinato contra um membro da família.
Quarta parte as reações e mortes esperadas. A facilidade com que Michael mata, e ama, e casa, e retorna. Um homem direto, sem conversa fiada, puro instinto para os amigos e mais puro raciocínio contra os inimigos. Quaisquer semelhanças com o pai estão arquivadas.
O filme depura diálogos soberbos, como o da reunião com as cinco famílias mafiosas e cenas impactantes como, por exemplo, a emboscada contra Santino. Ou a morte do policial corrupto e o outro mafioso. E até mesmo a agressão contra a belíssima Apolônia. Nada esperado, tudo exaltado.
Não se consegue prever o que irá acontecer, apesar das reviravoltas do roteiro parecerem sempre naturais. O comportamento irascível de Michael, aliado a indestrutibilidade do pai, forma uma dupla invencível. Esse é o segredo do filme, a relação pai-e-filho sem conflitos, com mútua admiração e cumplicidade. Isso que todo homem de verdade deseja, isso que o Poderoso Chefão consegue.
O que há de bom: atores magníficos em papéis de destaque, segue a listinha; Marlon Brando, Al Pacino, James Caan, Robert Duvall, Diane Keaton e John Cazale…
O que há de ruim: eu e minha antiga vontade de ver tudo, não consegui esperar o Poderoso Chefão 2 e antes mesmo de sair, critiquei a possibilidade de conseguirem fazer um a continuação à altura
O que prestar atenção: toda vez que aparece uma laranja, alguém morre
A cena do filme: Marlon Brando passando o bastão para Al Pacino, memorável com a trilha sonora que é um carimbo de qualidade, ao fundo
Estava muito ansiosa para assistir a este filme, pois é baseado em um conto de Philip K. Dick (1928-1982) chamado The Adjustment Team, que trata o livre arbítrio numa perspectiva de ficção científica. Conto sombrio que dá margem a muitas perguntas e poucas respostas.
Tudo que eu tenho são escolhas que eu faço. David Norris (Matt Damon)
Porém, a obra de Dick foi mal explorada e a riqueza do roteiro cedeu espaço para o medo de lançar um filme que choca o mundo do cinema, como Matrix. George Nolfi, diretor de Doze Homens e um Segredo e O Ultimato Bourne (acho que ele gostou de trabalhar com Damon), não ousou em cima do que é ousado. Fiquei frustradíssima com o filme, pois a história não passou de um caso de amor confuso com a vã tentativa de dar margem à ficção científica.
É preciso lembrar que não é fácil fazer um filme desse gênero porque as ideias de maquinaria, futurismo, efeitos especiais, vem à mente da plateia de imediato. Se não há estes elementos, parece faltoso, dramático. Então, se o assunto é livre arbítrio tudo se torna um pouco mais complicado, porém, bastava seguir o conto à risca que o filme seria apresentado com mais qualidade.
Nesta perspectiva de romance meloso que o filme se apresenta, temos David Norris (Matt Damon) que é um político novo com aparente carreira brilhante pela frente e Elise (Emily Blunt), uma bailarina em ascenção. Os agentes do destino não querem vê-los juntos. Tudo isso para não estragar as carreiras de ambos. A margem para a questão: por que não é possível unir o amor ao profissional, é um fato. Parece que estamos vivendo o tempo da solidão, porque nos tornamos máquinas desenfreadas… O que há demais, afinal, em um brilhante carreirista político se apaixonar?
Os agentes mais se parecem com Sr. Smith de Matrix somado aos agentes de Homens de Preto. A diferença é que eles usam chapéus mágicos que permitem mudar de ambiente quando abrem portas girando a maçaneta ao contrário. Pelo menos um ponto em que é possível elogiar o filme: as mudanças de ambiente ficaram ótimas! Muito legal esse efeito especial do espaço-tempo.
Tudo muito à sombra do conto, é bem verdade, mas existem ganchos com os questionamentos sobre livre arbítrio. Afinal, temos livre arbítrio? Se temos, temos opções? Se temos, temos direito a mudar as opções de escolhas?
Thompson, um dos agentes, diz para David: – Vocês não tem livre arbítrio, David. Apenas aparentam ter.
David responde: – Espera que acredite nisso. Tomo decisões todos os dias.
Thompson: – Há livre arbítrio para escolher uma pasta de dente ou o que beber no almoço, mas a humanidade é imatura demais para controlar coisas importantes.
Não é difícil supor que o filme fez uma mistura entre romance, ficção científica e catolicismo, certo? Até mesmo um dos agentes confirmou que já teve um tempo em que eles eram chamados de anjos. O que conferiu à obra uma confusão de assuntos que não ficou legal. Não sei se depositei expectativa demais no lançamento deste longa (sou apaixonada por ficção científica), mas certo é que não gostei do resultado final.
A Viagem de Chihiro – Sen to Chihiro no Kamikakushi
Direção: Hayao Miyazaki
Gênero: Animação
Japão – 2001
Olhos redondos e expressivos. Mundo mágico dentro de outros mundos. Desenho prestimoso e detalhado. Um anime de alta classe. Este filme é isso e muito mais.
Se sua visão ocidental de sonho ainda é presa a reles flashes do subconsciente, prepare-se. Vai adentrar em outro nível de realidade!
Dispa-se das dificuldades de assimilação do adulto. Viaje. Entrando num túnel e comendo até virar porco, assim é o destino dos pais de Chihiro. Ela está sozinha. Pode interpretar como rito de passagem da idade infantil para a adolescência. Ou como devaneios de um habilidoso desenhista.
Mas absolutamente ninguém fica alheio ao belíssimo trabalho de Hayao Miyazaki. Estamos em um gigantesco hotel que recebe deuses de inúmeras origens. Eles vão para relaxar e se divertir. O gerente é uma velha que desumaniza seus funcionários, transformando-os apenas em nomes sem origem.
Como sobreviver no universo adulto? Arranjando um trabalho. Claro. Encaixando-se na sociedade. Óbvio. Mas não é bem assim. Chihiro vira Sen. Obtém ajuda cúmplice do misterioso Haku, menino esperto e aprendiz de feiticeiro. Mas rala bastante. Indescritíveis as cenas do vai-e-vem dos hóspedes. Todos diferentes de tudo que já vi.
Adoro o multi-homem da manutenção. Coração puro em um lugar insalubre. Outro personagem incrivelmente forte é o fantasma que entra no hotel. Dá e recebe. Nem bom nem mau. Apenas vive. A Yubaba apesar de sua mão de ferro, cria o filho com mimos exagerados e amor superprotetor. Isso dá vazão a mil interpretações psicanalíticas.
Chihiro vai se destacando em suas funções e deseja reverter o quadro suinesco de seus pais. Alguns segredos haverão de surgir. Afinal? Quem é Haku, além de ótimo amigo? E a irmã gêmea da Yubaba, que é boazinha? Se você possui a alma leve e infantil logo perceberá que Haku é um animal mágico, especial. Se for apenas um adulto babaca, saia do cinema, pois já se passaram mais de 90 minutos para um filme de “desenho animado”. Tempo demasiado. Principalmente para os fracos de imaginação.
Enfrentamentos, desenhos poéticos como o trem, por exemplo. As gaivotas de papel. Ou até mesmo o dragão, com sua beleza feroz. As cores são destaque, o requinte dos movimentos rivaliza com a Disney. Mas ninguém canta. É mais profundo.
A menina consegue salvar o dragão e resgata os pais. Mas jamais será a mesma. Suas aventuras fazem-na crescer e entender que o mundo real é pior do que o imaginário. Mas a vida sempre reserva surpresas positivas para quem sonha.
O que há de bom: desenho riquíssimo e idéias absolutamente originais O que há de ruim: trilha sonora fraca O que prestar atenção: a identidade é o segundo mais precioso bem que temos, somente perdendo para a liberdade A cena do filme: ela cavalgando o dragão, lindo!
Para quem não sabe (o que acho difícil dada a sua divulgação), esta obra é de William Shakespeare datada de 1591. Desde então, tem sido vastamente adaptada ao teatro, cinema e afins. Inclusive em diversas histórias que não levam a assinatura da obra original. Afinal, quantos romeus e julietas não vemos por aí? Desta vez, o cinema trouxe Leonardo DiCaprio (Romeu) e Claire Danes (Julieta) para interpretarem a obra. Embora tenha sido fiel ao original, foi adaptado aos dias de hoje. Festa, rave, drogas químicas, mas nada disso foi o essencial, posto que tanto em 1591 quanto em 1996 o que interessa é uma coisa só: o amor interditado (e inter-ditado) pelo sobrenome, isto é, pelo “sobreamor”.
Pensar em Romeu e Julieta é se deparar com a obviedade do nome próprio: se trata de um texto. Nele, no nome, já está dito a existência do sujeito, que vem ao mundo sendo alguma coisa a priori. Chega moldado, culturado, vestido. Antes mesmo de viver já é precedido pelo dizer. E isso se resume numa palavra, a saber, que os pais dizem através do nome que dão ao rebento.
Sob os viéses psicanalítico e antropológico, o nome constitui o próprio sistema egoico e de parentesco, engendra todo o sistema simbólico que vai do imaginário à concretização da palavra em si (desejo), do texto significante – para lembrar de Lacan e Saussure. Romeu e Julieta podem não saber disso na teoria, mas souberam na carne. No real da letra. Nasceram (inter)ditos. Vieram ao mundo com a interdição da palavra que os interditaram socialmente. Palavras simples, mas que sistematizaram todas as suas duas vidas. Afinal, esse “texto” (nome) é recebido, dado e é, também, a expressão do desejo de um Outro.
Não era do desejo de Romeu em ficar longe de Julieta e vice-versa. Esse desejo era de seus pais, de suas famílias e clãs. Era do sistema de parentesco simbólico que dita e interdita com quem é possível se relacionar. Ninguém nasce com todo o mundo ao seu dispor (ilusão máxima do capitalismo). Ninguém nasce com todas as possibilidades pela frente. Somos barrados simbólica, psíquica e socialmente. O amor rompe barreiras? Capuleto e Montecchio dizem que não, mas romperam a morte. Ou melhor, para novamente me lembrar de Lacan, romperam AMORTE. Amor-te, A-morte. Veneno. Previamente fabricado. Antes mesmo de seus nascimentos…
Um diretor que acerta em todos os filmes que já participou, deve ser respeitado. Sua característica maior de fragmentação de locações e histórias de outras empreitadas, agora se inverte. Ele torna-se único e uno. Uma cidade, Barcelona. Um ator principal, Javier Bardem. Um tema, a morte. Uma câmera, granulada. Um sentimento, a inevitabilidade – da vida. E a inquietude – da platéia.
Fala de despedida, rapaz na neve, Bardem e ele conversam em primeiro plano, ambos fumam. Apresentam uma certa nostalgia e familiaridade entre si. Cena inicial. Corta. Uxbal (Bardem) está com hematúria, consulta médica, revela seu passado de drogadicto. Close monumental no rosto do ator, que é embrutecido, traços grosseiros, barba por fazer, homem feio à primeira vista, mas sua masculinidade e conjunto; agradam.
Sua vida é coalhada de tragédias, pequenas e grandes. Seu irmão vivo é um idiota que precisa se afirmar (vide seus relacionamentos e profissão) como homem. Pais estão mortos. Filhos em idade escolar, no ensino fundamental em Barcelona. Não aquela da praia, das Ramblas, mas da Ciutat Vella, de Barri del Raval. Eles, apesar de tudo vão à escola todos os dias, fazem tarefa e comem nos horários certos. A mãe? Paciente psiquiátrica, medicada, mas não controlada. Carente e agressiva. Sorridente e triste. Magra e forte. Um poço de contradições, assim como Uxbal.
Ele é médium. Ouve os mortos. E o filme gira em torno dela, a morte. No seu inefável círculo. Ele ganha dinheiro com isso. Também agencia estrangeiros para trabalhar em condições subumanas. Os senegaleses, que ficam na rua vendendo bugigangas que ninguém quer e os chineses, que as fabricam em regime de semi-escravidão.
Um subtexto forte, pois eles também têm famílias, sonhos, dificuldades imensuráveis de sobrevivência, além da óbvia barreira da língua e racial. Uxbal se preocupa com eles, mas não deixa de ser culpado pelos infortúnios que ocorrem. E são muitos, e são graves.
Sua doença é terminal. Mas o diretor não alisa, as coisas pioram para ele. Onde ficarão meus filhos? E com quem? Não há redenção e nem saídas. A câmera que se movimenta mais do que o normal contribuindo para isso. Além das passagens de cena serem marcadas por mariposas no teto, por lagartixas, por um ambiente sempre degradado e degradante. Como se o tempo todo o filme estivesse suando, nervoso, abafado, tenso. Isso incomoda deveras.
O fim está chegando. Não há um momento de conforto, de cenas claras, de grandes externas, apesar de Barcelona ser linda, assim como toda a Catalunha. O círculo se fecha. Quase um réquiem. Os poucos e breves momentos foram quando ele tentou unir a família, que um dia existiu. As outras famílias apresentadas são todas quebradas, dissociadas, perecíveis, um aspecto de finitude e fragilidade. Não há felicidade, talvez paz. Talvez.
O que há de bom: habilidade de conduzir uma história rica e complexa e nos afetar O que há de ruim: nenhuma esperança O que prestar atenção: repare bem no personagem que está pregado no teto, ao final A cena do filme: ele, a filha, o anel, e o pai
O filme é regular, mas o sorriso do Bardem vale o ingresso (by Deusa Circe).
Comer, Rezar, Amar – Eat, Pray, Love
Direção: Ryan Murphy
Gênero: Drama, Romance
EUA – 2010
(NOTA DE DEUSA CIRCE: Post programado e automático. Se houver qualquer erro de formatação será corrigido posteriormente).
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Jovem de 30 e poucos anos, casada, rica, bonita, emprego fixo, magra, articulada e… infeliz! Não consegue se encontrar, algo está inadequado. Num diálogo com um guru – esqueci de dizer que ela também viaja muito – em Bali, este faz vários alertas e colocações. Ela acorda no meio da noite diante de tanto tédio e reza, e chora e conversa com o marido que aparentemente possui as mesmas características dela. Ah, ele a ouve.
Separa imediatamente e encontra um rapaz bem nascido, bonito, mais novo, espiritualizado e carinhoso. Vai morar com ele. E novamente decide ir embora. O que ela quer? Não sei. Ninguém sabe. Uma crise enorme neste fastio de vida difícil que ela leva… Se fosse pobre, feia e desempregada, não estava assim, o sofrimento seria outro.
O roteiro então nos brinda com a solução mágica de uma crise: viajar, conhecer novas culturas, pessoas bacanas e alegres. Como se isso fosse fácil. E como se essa fosse a solução para os problemas de todas as pessoas, inclusive as mulheres. O primeiro destino é a Itália. Imagino a infantilidade que é, fugir. Passar um ano “se descobrindo”.
Excelente as locações, um pouco exagerados e caricatos os italianos, mas compensa pela fotografia e pela comida. Agora percebo a primeira jaula em que ela vivia, a alimentícia. Gostaria de vê-la indo para o interior de Goiás, comer pequi e gueroba, e feijão tropeiro com lombo de porco, agüentar os chatos dando cantadas grosseiras e dizendo que ela tem que arrumar um marido. Mas aqui todos são divertidos, amorosos e compreensivos. Me leva!
O segundo destino é a Índia. Assim como a Itália, conheço bem. O choque cultural imensurável na sua chegada é amenizado por ela ter um destino certo. Um local de abstinência, silêncio e dedicação. Ali encontra um senhor maduro e sofrido, que lhe dá diários cutucões de realidade. Ela vai em busca de paz de espírito. Como esse tipo de busca fosse externo e não interno.
. Se fosse no meu Estado, estaria numa dessas seitas e quem o povo grita – pois o Deus deles é surdo – e teria que doar 10%, no mínimo de seu patrimônio.
Vai direto para Bali, ilha paradisíaca, mas que prende e mata quem usa drogas. Encontra o brasileiro mais legal que já conheci na minha vida. Apesar de hábitos bem diversos do meu país, pois ele fala com sotaque, ama o filho, carinhoso, atencioso, lindo, fala vários idiomas e não tem relações sexuais há mais de 10 anos! Aqui ela só encontraria garotos incultos interessados no seu dinheiro, ou idosos cheios de manias interessados na sua estampa.
Nem posso analisar a capacidade que ela tem de somente encontrar pessoas maravilhosas e comer sempre bem, dormir de porta aberta em um país estrangeiro e não ser violentada, e conseguir uma casa para sua médica e a filha dela com somente um e-mail e poucos posts…
O final é cor-de-rosa, assim como era o quarto da minha filha quando ela tinha 12 anos, o que deve ser equivalente a idade mental dessa protagonista. Não vejo crescimento algum, apenas valores rasos de quem acha que sonho é comportamento evasivo e infantil.
O que há de bom: locações belíssimas e uma fotografia do mesmo nível
O que há de ruim: roteiro raso e imerso em clichês com personagem de conto-de-fadas
O que prestar atenção: depois da Índia a atriz perde o pique e até aceita ser filmada desarrumada, o que demonstra que ali ela aprendeu alguma coisa
A cena do filme: pai brasileiro dando selinho no filho adulto, mais improvável, impossível