O Poderoso Chefão 3 – The Godfather part III
Direção: Francis Ford Coppola
Gênero: Máfia
EUA – 1990
O que mais impressiona é o envelhecimento de Al Pacino. O primeiro filme é de 1972 e a sequência quase que imediata; somente dois anos de diferença. Contudo desta feita, estamos em 1990, fazendo as contas, passaram-se quase 20 anos da estréia. O impacto é o mesmo e o público, não. Nesta época as pessoas tinham dificuldades em ver um filme datado e a maioria somente o fazia, via TV. E por incrível que pareça, muitos não viram os dois filmes que o precederam. Estamos diante de um claro enigma. O que virá?
A postura de Michael mudou, tenta ser conciliador -coisa que nunca foi- diplomata e até justo. Al Pacino anda encarquilhado, como se o peso dos assassinatos o perturbasse, apesar de sabermos que somente uma morte ele carrega consigo, a de Fredo; seu irmão. Cabelos grisalhos, filhos crescidos, inimigos espalhados por todo o mundo, sem uma companheira. Só o dinheiro e a fama de gangster permanecem ao seu lado.
Ele que corrompe a tudo e a todos, agora tenta lavar o dinheiro e ter somente relações econômicas lícitas, evitando mortes desnecessárias. Isso causa um constrangimento e inveja colossais nos outros Dons. Que são inflamados por Joey Zaza, um selvagem mafioso.
As duas cenas iniciais; onde recebe uma comenda vindo diretamente do Vaticano – na bela igreja de São Patrício – e a festinha, na qual nos é apresentado o filho bastardo de Sonny, o Vincent “Vinnie” Mancini, resumem o filme. Família versus o poder.
Este – Vincent – flerta abertamente com a sua prima, Mary Corleone. E esta demora a perceber que o seu papel como líder da Fundação Corleone – braço filantrópico do monstro mafioso – é apenas uma maneira de mudar a visão que o público tem de seu pai. De chefão para benfeitor. E o outro filho é músico, e distante do pai.
O julgamento de Michael – ele é acusado de ser um criminoso, assassino, contrabandista, narcotraficante – possui uma série de diálogos poderosos, e uma impactante cena do velho soldado que vê chegar o seu irmão, direto da Sicília.
Mas Michael ainda não sabe quem o está traindo, qual é o sujeito que está por detrás de todas as animosidades que surgem.
Vincent é chamado para trabalhar com Michael e sua disputa contra o também ascendente Joey Zaza mantém a parte de violência da trilogia. Não obstante as cenas da primeira emboscada a Vincent e depois a vendetta dele no desfile, em plena festividade em Little Italy; o que seduz neste filme é o nível de envolvimento da máfia com a sociedade produtiva.
Michael tem inúmeros políticos em suas mãos, magistrados e agora clero. Ou seja, ele domina a tríade de uma sociedade: o padre, o prefeito e o juiz. A ordem de São Sebastião é uma condecoração ambicionada por muita gente. E os negócios com o Banco do Vaticano (lembram-se do escândalo do Banco Ambrosiano?) ligitima qualquer um… O que falta?
Resta descobrir qual é o verdadeiro “capo di capi”, que bola o ataque de helicóptero as famílias reunidas e que está envolvido até no premeditado assassinato do Papa Paulo VI e seu provável sucesso, Papa João Paulo I. Vejam em que nível Michael chegou. Infiltra-se numa das mais seculares estruturas do mundo ocidental, a igreja!
Chego a arrepiar ao ver a primeira fraquejada de Michael, quando ele confessa com o futuro papa. Sei que tudo acontecerá de forma rápida e simultânea na apresentação de Anthony-Vito Corleone, em Palermo. Sua escolha de tema não poderia ser melhor: Pietro Mascagni; Cavelleria Rusticana.
Um velho matador é contratado em Montelebre, o Mosca. Seu estilo é seco e direto, nada o impede. Cada morte que sucede, as encomendadas por Michael e o fatal disparo do assassino profissional, você fica abismado ao ver a fragilidade das pessoas e como elas estão expostas. A mais criativa é a de Don Luchesi, a proximidade e a arma improvisada. E logicamente que alguém do clã Corleone cai ao chão depois do tirambaço nas escadarias.
Termina uma saga, começa uma lenda. Três filmes do mesmo nível, com histórias longas que podem ser assistidas separadamente ou juntas. Sugiram que o façam das duas maneiras. Para mim, a trilogia mais gradiloquente e sólida da história do cinema.
O que há de bom: o elenco que se mantém e a atualidade do tema, bandidos e gente dita “digna” envolvidos quase que simbioticamente
O que há de ruim: Sofia Coppola não tem charme, nem beleza, nem carisma, nem nada, para viver a filha do Poderoso Chefão
O que prestar atenção: o diretor F. Ford Coppola é pai de Sofia e tio do Nicolas Cage (este até foi sondado para fazer o papel de Vicent, que Andy Garcia está magnífico) e não precisava colocar a Sofia nos três filmes, no primeiro ela é a sobrinha de Michael no batismo, e no segundo ela faz uma pequena imigrante que está ao lado de Vito, ao chegar à ilha Ellis, o nepotismo de atores é grande pois a Connie é irmã do diretor e tem outros mais…
A cena do filme: os assassinatos múltiplos que culminam no grito de perda irreparável de Michael
Cotação: filme ótimo(@@@@)
Por: C.O.B.R.A.















