O Poderoso Chefão 3

O Poderoso Chefão 3 – The Godfather part III

Direção: Francis Ford Coppola

Gênero: Máfia

EUA – 1990

O que mais impressiona é o envelhecimento de Al Pacino. O primeiro filme é de 1972 e a sequência quase que imediata; somente dois anos de diferença. Contudo desta feita, estamos em 1990, fazendo as contas, passaram-se quase 20 anos da estréia. O impacto é o mesmo e o público, não. Nesta época as pessoas tinham dificuldades em ver um filme datado e a maioria somente o fazia, via TV. E por incrível que pareça, muitos não viram os dois filmes que o precederam. Estamos diante de um claro enigma. O que virá?

A postura de Michael mudou, tenta ser conciliador -coisa que nunca foi- diplomata e até justo. Al Pacino anda encarquilhado, como se o peso dos assassinatos o perturbasse, apesar de sabermos que somente uma morte ele carrega consigo, a de Fredo; seu irmão. Cabelos grisalhos, filhos crescidos, inimigos espalhados por todo o mundo, sem uma companheira. Só o dinheiro e a fama de gangster permanecem ao seu lado.

Ele que corrompe a tudo e a todos, agora tenta lavar o dinheiro e ter somente relações econômicas lícitas, evitando mortes desnecessárias. Isso causa um constrangimento e inveja colossais nos outros Dons. Que são inflamados por Joey Zaza, um selvagem mafioso.

As duas cenas iniciais; onde recebe uma comenda vindo diretamente do Vaticano – na bela igreja de São Patrício – e a festinha, na qual nos é apresentado o filho bastardo de Sonny, o Vincent “Vinnie” Mancini, resumem o filme. Família versus o poder.

Este – Vincent – flerta abertamente com a sua prima, Mary Corleone. E esta demora a perceber que o seu papel como líder da Fundação Corleone – braço filantrópico do monstro mafioso – é apenas uma maneira de mudar a visão que o público tem de seu pai. De chefão para benfeitor. E o outro filho é músico, e distante do pai.

O julgamento de Michael – ele é acusado de ser um criminoso, assassino, contrabandista, narcotraficante – possui uma série de diálogos poderosos, e uma impactante cena do velho soldado que vê chegar o seu irmão, direto da Sicília.

Mas Michael ainda não sabe quem o está traindo, qual é o sujeito que está por detrás de todas as animosidades que surgem.

Vincent é chamado para trabalhar com Michael e sua disputa contra o também ascendente Joey Zaza mantém a parte de violência da trilogia. Não obstante as cenas da primeira emboscada a Vincent e depois a vendetta dele no desfile, em plena festividade em Little Italy; o que seduz neste filme é o nível de envolvimento da máfia com a sociedade produtiva.

Michael tem inúmeros políticos em suas mãos, magistrados e agora clero. Ou seja, ele domina a tríade de uma sociedade: o padre, o prefeito e o juiz. A ordem de São Sebastião é uma condecoração ambicionada por muita gente. E os negócios com o Banco do Vaticano (lembram-se do escândalo do Banco Ambrosiano?) ligitima qualquer um… O que falta?

Resta descobrir qual é o verdadeiro “capo di capi”, que bola o ataque de helicóptero as famílias reunidas e que está envolvido até no premeditado assassinato do Papa Paulo VI e seu provável sucesso, Papa João Paulo I. Vejam em que nível Michael chegou. Infiltra-se numa das mais seculares estruturas do mundo ocidental, a igreja!

Chego a arrepiar ao ver a primeira fraquejada de Michael, quando ele confessa com o futuro papa. Sei que tudo acontecerá de forma rápida e simultânea na apresentação de Anthony-Vito Corleone, em Palermo. Sua escolha de tema não poderia ser melhor: Pietro Mascagni; Cavelleria Rusticana.

Um velho matador é contratado em Montelebre, o Mosca. Seu estilo é seco e direto, nada o impede. Cada morte que sucede, as encomendadas por Michael e o fatal disparo do assassino profissional, você fica abismado ao ver a fragilidade das pessoas e como elas estão expostas. A mais criativa é a de Don Luchesi, a proximidade e a arma improvisada. E logicamente que alguém do clã Corleone cai ao chão depois do tirambaço nas escadarias.

Termina uma saga, começa uma lenda. Três filmes do mesmo nível, com histórias longas que podem ser assistidas separadamente ou juntas. Sugiram que o façam das duas maneiras. Para mim, a trilogia mais gradiloquente e sólida da história do cinema.

O que há de bom: o elenco que se mantém e a atualidade do tema, bandidos e gente dita “digna” envolvidos quase que simbioticamente

O que há de ruim: Sofia Coppola não tem charme, nem beleza, nem carisma, nem nada, para viver a filha do Poderoso Chefão

O que prestar atenção: o diretor F. Ford Coppola é pai de Sofia e tio do Nicolas Cage (este até foi sondado para fazer o papel de Vicent, que Andy Garcia está magnífico) e não precisava colocar a Sofia nos três filmes, no primeiro ela é a sobrinha de Michael no batismo, e no segundo ela faz uma pequena imigrante que está ao lado de Vito, ao chegar à ilha Ellis, o nepotismo de atores é grande pois a Connie é irmã do diretor e tem outros mais…

A cena do filme: os assassinatos múltiplos que culminam no grito de perda irreparável de Michael

Cotação: filme ótimo(@@@@)

Por: C.O.B.R.A.

The Runaways

Banda Original

The Runaways – The Runaways

Direção: Floria Sigismondi

Gênero: Musical

EUA – 2010

Estamos no ano de 1975, época em que o Feminismo cria mais forças devido aos acontecimentos pioneiros dos anos 60. Porém, o mundo do rock ainda é exclusivamente dos homens, embora tenhamos Janis Joplin alucinando com sua voz rouca e fabulosa.  Com Joplin em cena (ainda que tenha morrido em 1970) é injusto dizer que The Runaways é a primeira banda de rock composta por mulheres. Mas não estou aqui para falar de Janis, ainda que preferisse…

O filme conta a história do início e fim da banda The Runaways  e ressalta o momento feminista da época. A exaltação de que as mulheres são “foda” na música e põem pra “foder” faz parte, inclusive, das letras musicais das meninas adolescentes. Quem criou a banda foi Joan Jett (interpretada pela meiga vampiresca Kristen Stewart de Crepúsculo), mas o foco do filme foi Cherie Currie (interpretada por Dakota Fanning), a estrela da banda. Muito nova e usuária de drogas, não é difícil supor que a banda sucumbiu antes de fazer alguns importantes aniversários. No entanto, isso não impediu que criasse uma história.

História rasa, deslumbrada, propositalmente infantil, afinal, as 5 da banda (original) eram mulheres recém-menstruadas com famílias desequilibradas. Tiveram que “se criar” sozinhas. Porém  para época era mais comum ver os filhos saírem de casa mais cedo.

Além das loucuras que a fama precoce proporciona, o filme conta paralelamente a história sofrível da família de Cherrie Currie, nada de extraordinário, mas deu substância ao enredo (que se pretende nostálgico). Ademais, a participação do produtor das meninas deu um charme a mais ao filme. A maneira como ele as treinou foi digna de risos e aplausos. Tragicômico. Necessário, talvez.

Depois do filme sobre The Doors é preciso ousar para contar uma história de banda de rock. Sigismondi até que tentou, mas encaixotou a narrativa na problemática. O que deu ao filme um nível bastante mediano. Acima da média somente as fotografias e enquadramentos, gostei de algumas pirações.

Pra fechar, nada melhor do que uma música da banda, que quando teve seu fim deu um pontapé para o surgimento de “Joan Jett and the Blackhearts” (particularmente, prefiro bem mais do que The Runaways…).

Por: Morgana.

A Órfã

A Órfã – Orphan

Direção: Jaume Collet-Serr

Gênero: Suspense

EUA – 2009

Bem, desde o começo sabemos que ela vai dar problema. O próprio cartaz do filme anuncia o fato. Mas quais as raízes de tanta maldade? Qual é a vantagem que ela tira em fazer o que faz? Aí está o segredo do espectador. Tentar descobrir uma razão e também desfiar consigo mesmo até que ponto o enredo irá chegar.

Uma mãe pode perder um filho. Não é tão incomum assim. E essa perda leva a conseqüências danosas e uma dissolução familiar. Aqui a mãe bebia tanto que teve de receber tratamento psiquiátrico. O pai é um sujeito bacana, que de vez em quando dá uma vacilada extraconjugal. Dois filhos vivos. Interessante que um deles é surdo-mudo.

Ficaria uma excelente brecha para uma discussão mais profunda acerca de adoção. Como uma família que já tem dois, deseja o terceiro? E lá vão eles para o orfanato. Onde encontram Esther, isolada, pintando. Sua primeira fala é tão madura e serena que fico com medo dela. Detesto crianças que agem como adultos. Nem sei se ela é escolhida ou ela é quem escolhe o casal.

Chegando em casa a sua prodigiosa inteligência encanta. Mas devido ao seu vestuário – ela é de origem russa – em que sempre cobre o pescocinho e os pulsos com fitas, é mal vista pelas coleguinhas de escola. A irmã menor a adora e a segue por todo lado. O irmão mais velho a detesta e sente aqueles ciúmes louco de substituição.

As cenas intermediárias são boas. Inverno. Sombras, galhos, casinha na árvore. E começa o inferno. Primeiro um empurrãozinho, depois uma ameaça e chegando até martelada na cabeça.

Daí em diante a disparidade das interpretações dos pais acerca do que ocorre irritam e mexem com o espectador que sabe do que ela é capaz. O pai a considera inocente e a mesma é “puxa-saco” dele. A mãe desconfia, mas não consegue provar. O instinto feminino é a chave do filme. E a cena em que ela vê o que não deveria e depois opina secamente é reveladora, do ponto-de-vista psicanalítico. Aí eu descobri quem ela era.
O rol de maldades vai até o inominável. Uma tentativa de assassinato para depois a revelação bombástica para 99,5% da platéia. E ainda assim o diretor prende sua atenção.
E a mãe ferida, humilhada, e sabendo do risco que corre, vai em busca do confronto final.

As cenas de ação e luta no gelo e n’água são muito boas, até a frasezinha malévola de Esther antes do golpe final.

O que há de bom: se é suspense tem que amarrar o espectador e isso é feito com maestria

O que há de ruim: poderia dar mais dicas do grande segredo final

O que prestar atenção: como alguém pode ser tão hábil em variadas áreas do saber com tão tenra idade?

A cena do filme: a pequena irmãzinha tornando-se cúmplice e mesmo assim a protege não sabe se por medo ou por amor (melhor atriz do filme, disparado)

Cotação: filme bom (@@@)

Por: C.O.B.R.A.

2 anos de Guerra de Pipoca!!!

Enfim, se fechamos o ciclo de mais um ano, então, que venha mais! Somos gulosos!

:D

Parabéns para nós!

Beijos,

Guerra de Pipoca.

Vampiros que se mordam

Vampiros que se mordam – Vampires Suck

Direção: Jason Friedberg e Aaron Seltzer

Gênero: Besteirol

EUA – 2010

Eu garanto que o trailer é mais engraçado que o filme, e se este texto ficou pobre e sem graça, é porque a obra não me resta outra alternativa de escrita…

Crepúsculo é ruim, muito ruim, e este filme é sátira dele, que tal? Fundo do poço. Comédia idiota, sem graça de tudo, sem estilo, nenhuma piada me fez rir. Nada! Todas de mau gosto e sem requinte.

Concordo que a atriz que fez a Becca, sátira da Bella, atuou de maneira ímpar: conseguiu ser xerox da babaca nos comportamentos e nos trejeitos. De resto, os personagens foram escolhidos fisicamente muito parecidos, a história é bem compatível com o original e só.

Em alguns momentos ensaiaram fazer piada com True Blood, mas não deram conta do recado. Até porque tal série não dá espaço pra babaquices, manda bem no que faz. Por alto, citaram The Vampire Diaries, mas de forma tão rápida e num contexto sem sentido, que não atingiu o objetivo esperado, o de fazer rir.

Não há mais nada a dizer, é tão péssimo que nem dá pra encher linguiça com a sopa de letrinhas.

NÃO RECOMENDO.

Por: Vampira Olímpia.

 

Homem de Ferro 2

Homem de Ferro 2 – Iron Man 2

Direção: Jon Favreau

Gênero: Besteirol Agudíssimo, HQ, Ação

EUA – 2010

Cada época tem o herói que merece. Em momento de superexposição midiática, numa sociedade consumista ao extremo, ególatra e emocionalmente instável, eis aí o Homem de Ferro. Um super ser que se funde com a identidade secreta, tornando-se público.

A diferença entre homens e meninos é o preço de seus brinquedos. Ditado popular norte-americano. A comunidade militar deseja a armadura de Stark e o rival infantilóide, Sr. Hammer, idem. Seu embate contra Stark no tribunal e nas TVs é digno de pena. Não sei quem é mais besta, se Stark com seu narcisismo premente ou Hammer com a sua carinha de Bambi querendo chamar a mamãe!

Vamos para o Grande Prêmio de Mônaco, que por sinal é o mais seguro e vigiado de todos da Fórmula 1. Um sujeito vindo não se sabe de onde invade as pistas, na contra-mão, brincando de chicotinho queimado! Ele é um sub-vilão chamado Ivan Vanko, um russo filho de gênio e que cria uma cacatua.

Logico que o bobinho do Hammer se une ao tatuadíssimo Vanko, vivido por Mickey Rourke, num personagem estrebuchante de feio. Enquanto isso Tony/Homem de Ferro sofre com a contaminação de vanádio em níveis altíssimos na sua corrente circulatória.

Devo dizer que até gosto dos diálogos rasteiros e piadinhas engraçadas de Tony. Mas o personagem tem muito mais destaque do que o herói. Como se o ator Robert Downey Jr. eclipsasse o mesmo. Assim fica aquela imagem de sujeito malandro, boa pinta, meninão que a galera adora. Igualzinho ao Sherlock, ao outro Homem de Ferro e papéis anteriores dele?

Eis que surge a Viúva Negra. Bom visual rebolativo e cabelos vermelhos. Mas mulher para ser gostosa precisa de mais carne e aquela sensação de que você pode pegar ela, de acessibilidade. Se não, vira uma Gisele da vida. Linda, mas inalcançável. Homens comuns não gostam. Para mim ele luta bem melhor do que o próprio Homem de Ferro, que tem suas ações ofuscadas pelo amigo-rival coronel James Rhodes, único que parece levar a sério a fita e o seu papel.

Quase morrendo com o vanádio no peito. Metal que nem existe puro na Natureza, deveria ter analisado melhor a liga formada com alumínio e titânio, inócuos ao ser humano, e utilizados em próteses ortopédicas. Mas tudo bem, a descoberta do novo composto, com direito a herança paterna e visão trimidimensional “hi-tech” é legal.

O embate final é fraco, aliás para um filme de ação ele está cheio de diálogos desnecessários e uma inversão de papéis principais. Robert Downey é bom ator, mas o personagem ficou muito maniqueísta, pueril e superficial. Igualzinha as “celebridades” de hoje.

O que há de bom: ferros rangindo, trilha sonora criativa e cheia de style e algumas “voadeiras” esteticamente bonitas e eficazes da Natasha

O que há de ruim: repetição de uma fórmula anterior de sucesso elevada ao cubo, que acabou ficando quadrada

O que prestar atenção: pelo menos as tatuagens do Vanko seguem o padrão das prisões russas e seu rígido código identificador

A cena do filme: ele chegando no palco e agachando, atlético e urinando na armadura; patético

Cotação: filme regular (@@)

Por: C.O.B.R.A.

O Império das Raves

Documentário feito e produzido por Raves ponto com ponto br.

Já fui muito em raves e trances, sobretudo, no tempo em que estas estavam saindo (ou entrando) da marginalização citada no documentário. Estas festas são fenômenos com caráter de atitude, não devem ser vistas com juízo de valor do “melhor ou pior” tão característico das classificações que estamos acostumados. No entanto, essa característica é refletida no fenômeno enquanto atitude. Paradoxal, certamente.

Com a fetichização da diferença, que assenta na ideia de que, para reparar uma desigualdade, convém valorizar uma diferença em relação a outra diferença, todo mundo quer ter seu espaço no solo do individualismo. Isto é, se todos querem, logo, deixou de ter um caráter plenamente individual. Outro paradoxo, sem dúvida.

Acontece que, se é errôneo valorizar o universalismo em nome da recusa da diferença, então, é errôneo tanto quanto rejeitar o universalismo em nome da arbitrariedade da diferença.

Roudinesco, historiadora e psicanalista francesa, há muito já evocava aos quatro ventos o quanto o sujeito tem vivido num tempo em que as manifestações repousam em máscaras diversas. Assim, as expressões se tornam isoladas, exageradas indo de encontro aos limites. De acordo com ela, “a violência da calmaria, às vezes, é mais temível do que a travessia das tempestades”. (Seria o que chamamos de “Tempo Emo”?). Nas festas raves, percebe-se excesso de euforia, de “amizade”, de sociabilidade que destrói as diferenças, as classes, os problemas, todo mundo “é” igual momentaneamente. Todos querem exorcizar suas “infelicidades” festejando a céu aberto.

A questão duvidosa é quando o exorcismo se dá pela via da droga ilícita. Será que ocasiona mesmo um “exorcismo” das “infelicidades” e infortúnios? Não quero generalizar, em absoluto, pois sei que muitos vão nestas festas para outros “etc e afins”. Mas, fico tentada a continuar pensando o que tantos corpos dançantes nos dizem neste ambiente festivo e isolado do urbanismo, porém repleto de urbanização. Eles não dizem apenas que festejam ao dilúvio  da existência, mas dizem também que desaba-fam…

Por: Guerra de Pipoca.

Menina Má.com

Menina Má.com – Hard Candy

Direção: David Slade

Gênero: Suspense

EUA – 2005

Jeff tem 32 anos e, depois de conversar através da internet com uma menina de 14 anos, decide se encontrar com ela em um café. Uma questão salta aos olhos: o que um homem de 32 anos quer com uma garota de 14? Ele se diz decente… difícil de acreditar.

“Só porque uma garota sabe imitar uma mulher, isto não significa que ela está pronta para fazer o que uma mulher faz – Hayley (a garota de 14 anos).

Os adolescentes tem uma característica clássica: eles querem ser mais velhos, sempre. Lembro-me que quando fiz 12 anos queria ter 15; quando fiz 15 queria ter desesperadamente 18, tudo era muito cafona aos 15 anos, a realidade era muito chata ou eu a tornava assim por ser essencialmente adolescente. Quando fiz 18 estava ensandecida para ter 21! É assim que funciona em qualquer adolescência, desde a mais normal à mais absurda, porque no fundo todas são as duas ao mesmo tempo. Depois, quando se “tem” idade é que a busca pra envelhecer soa como loucura, rsrsrs. Como diz Camus, “chega um dia em que o homem constata ou diz que tem trinta anos. Afirma assim a juventude. Mas, no mesmo movimento, situa-se em relação ao tempo. Ocupa nele o seu lugar. Reconhece que está num certo momento de uma curva que, admite, precisa percorrer. Pertence ao tempo e reconhece seu pior inimigo nesse horror que o invade. O amanhã, ele ansiava o amanhã, quando tudo em si deveria rejeitá-lo. Sem dúvidas, uma pessoa de 30/32/34 não almeja ter 40, rsrsrs. Ah… o amanhã… :D

Hayley é adolescente, mas não é burra e sabe que esse rapaz que conversa com ela tem um passado que o condena. Jeff a convida para ir à sua casa, ela aceita e o droga. Hayley o amarra e então, é dado início ao jogo psicológico para fazê-lo confessar seus crimes sexuais. A chapeuzinho vermelho seduziu o lobo depois de premeditar toda sua vingança.

O filme é um conto sobre moralidade, com certeza. Pedófilo e vítima-> invertem os papéis<- pedófilo e algoz. Chegou um ponto em que o filme se tornou chato pra mim. Diálogos infindáveis, uma falação desnecessária, enfim. Embora os atores saibam o que fazem, o filme peca pelo ambiente claustrofóbico e tenso. Ainda assim, recomendo.

Por: Guerra de Pipoca.

O Veneno da Ambição

O Veneno da Ambição

Direção: Lucas Souza

Gênero: Mistério

Brasil – 2000

Nesses dias comentava a respeito de duas obras de Agatha Christie e ao rever o início deste filme, lembrei-me de um de seus maravilhosos títulos: “Um brinde de Cianureto”. O brinde aqui é feito com outro veneno, porém de igual importância mortífera, sobretudo por seu aspecto subjetivo.

Ainda na abertura desta obra caseira onde todos os personagens tinham 16 anos na época, somos apresentados para o elenco (alguns rostos conhecidos desde que vimos O Maníaco da Casa 4)  através de notícias de jornal. Trata-se de um mistério que assola a família vitoriana Fitspatrick.  O que parará nas capas dos noticiários? Quem protagonizará tal notícia? A câmera fecha a seguinte imagem recortada em jornal logo depois que Lola e Paco são apresentados: “alvo sogra”. O espectador atento não deixa essa informação passar… Não convém colocar a culpa no mordomo… (ao menos, não agora).

Como toda boa história de mistério, o início do filme começa com o detetive Wolf que posteriormente se mostrará um conquistador. Estaria ele na idade do Lobo :P ? Com sua inseparável lupa, é convidado para passar uma semana na mansão Fitspatrick, pois Marina – que trabalha no Jornal da Tarde do canal 8- suspeita que algo não vai bem… Ah! esses biscoitos da sorte distribuídos em restaurantes chineses… “Depois do entardecer sempre cai a noite”. Conclusão brilhante, sem dúvida!!! :D

Aqui vale ressaltar um ponto da arte do filme: a lua! Interessante a marcação feita da lua cheia e do amanhecer no decorrer das filmagens. Como se não mostrasse apenas a passagem do tempo, os dias corridos, mas também dá a entender que “a noite foi longa”. E para alguns, os sonhos foram ótimos! Passei mal de rir do sonho que detetive Wolf teve com a sensacional Rebecca McDonald’s!!! Aliás, Rebecca não poderia ter vindo de outra família que não fosse McDonald’s, dizer isso é até redundante rsrsrs. Sua entrada triunfal no jantar à moda antiga à la cenouras e cebolas na mansão Fitspatrick também merece aplausos. Quebrou o clima sombrio com suas plumas e paetês. Muito bom!

Enfim, todos estão na mansão, é noite, e como diria Poirot “está na hora do silêncio da morte”.  A morte foi tão silenciosa que ninguém a percebeu, nem mesmo o mordomo que lê um livro para a vítima (hilário!). Todos seguem suas vidas como tem de ser, menos Wolf… o Lobo atento aos detalhes de Ernesto Fonda. O que essa família esconde e está envolvida, afinal?

Vale à pena conferir!!! (colocarei os vídeos do filme nos comentários, o vídeo 1 e 4 estão sem áudio por causa das regras de direitos autorais do YouTube – veja até o fim dos créditos).

Eu recomendo e agradeço ao Eduuuuuuuuuu (aqui representando a Rebecca McDonald’s) por ter nos mostrado essa raridade! :)

Muito legal!!!

Por: Guerra de Pipoca.

Sex Pot

Sex Pot

Direção: Eric Forsberg

Gênero: Besteirol Paupérrimo

EUA – 2010

E eu que já tive a alegria de criticar American Pie pelo nível dos lançamentos da época… O que não é a relatividade, hein Einstein? Hoje, American Pie é um excelente filme sobre o início da vida sexual, se for comparado aos lançamentos atuais que sugerem este tema.

Sex Pot é de uma pobreza de espírito absoluta! A história não se sustenta e é super apelativa. Bom, tudo indica que a tia de Spanky sofreu alguma perda e então, ele foi levado pelos pais para a casa de Mert onde ficará o fim de semana, enquanto o restante da família vai ao encontro da tal tia… Por que Spanky não foi, não me pergunte! Não saberia dizer.

Já na casa de Mert, eles encontraram uma caixa com maconha e filme pornô de seu irmão. Fumaram até dizer chega, se masturbaram mais ainda, imaginaram orgias lésbicas o quanto puderam. Aliás, o filme é só isso! Orgias lésbicas, masturbação, maconha, maconha, masturbação, orgias lésbicas, masturbação, orgias lésbicas, maconha, maconha…

Não dá nem pra dizer que quando eles transaram com uma melancia foi legal e engraçado, porque foi tão mal feito, que o diretor desperdiçou um momento ímpar que renderia boas risadas se o roteiro estivesse em mãos menos medianas.

Enfim, o baseado tem um feitiço capaz de deixar as mulheres doidas pela dupla punheteira dinâmica. E numa festa, eles fumaram essa maconha com as mulheres… já deu pra imaginar? Maconha, orgias lésbicas, sexo a dois, a três, a quatro… enfim, eles perderam a virgindade.

Enquanto isso, na sala da Justiça, eu perdi meu tempo.

Por: Guerra de Pipoca.

Leaves of Grass

Gêmeos - Nem preciso dizer quem é o Filósofo e quem é o Maconheiro, certo?

Leaves of Grass

Direção: Tim Blake Nelson

Gênero: Drama

EUA – 2009

“É irracional temer um evento se, quando esse evento ocorre, não existimos.

E uma vez que, quando a morte está existindo, nós não estamos. Quando nós estamos existindo, a morte não está.

Então, é irracional temer a morte”. (Bill, gêmeo filósofo, traduzindo um pensamento de Epicuro).

Um é Filósofo renomado, o outro é maconheiro procurado. Um é escritor e pensador, o outro consegue criar uma estufa jamais vista para cultivar suas ervas. Um é metódico, certinho, o outro é um porraloca que será pai e tenta se acertar. Enfim, são gêmeos univitelinos que há tempos não se viam, mas que propositalmente se encontram com fins bem inusitados.

A ideia do filme não é ruim, mas é forçada. O “excesso” de Filosofia torna-o moralizante demais, pretensioso em dose cavalar. É como se cada fala fosse com a intenção de dar uma “lição” de moral nos espectadores. Não me surpreenderia se falassem que o longa é profundo. Mas antes de falarmos em “profundidade”, é preciso saber em quais águas navegaremos. Por isso que estes filmes extremamente filosóficos podem arriscar o próprio pescoço. Porque, embora o Cinema produza um saber próprio, ainda não é Filosofia e nem Ciência, é Arte.

“Talvez o que seja verdade esteja em nossa frente e nos afastamos sem saber que está lá” (fala do filme).

Bom, enfim…

Outro aspecto que merece crítica é a ideia de irmão-gêmeo filósofo = bonzinho, certinho e irmão-gêmeo maconheiro = ser errante. Como se as profissões determinassem o caráter das pessoas. Não é bem assim… longe de fazer apologia às drogas aqui, não me interessa saber se maconha é ou não produto para vagabundo usar, mas até que ponto seu uso determina a maldade do sujeito? Pode determinar, E OLHE LÁ, uma certa alienação.

Agora, o que realmente não deu pra entender o motivo de ser foi o contexto judeu-nazi que colocaram no filme. Que historinha mais sem sentido!  Ah não… Filosofia + judeus x nazi + bondade x maldade + maconheiros = putz! Não deu certo, não… Não deu certo de jeito nenhum!

“Se cada um criar suas próprias regras, como saberemos qual é a verdadeira”? (fala do filme).

Verdadeira ou não, a “regra” do filme não colou pra mim, mesmo com Edward Norton no papel dos gêmeos. Gosto desse ator e aqui, ao menos isso, ele trabalhou muito bem. Contracenar consigo mesmo deve ser difícil, merece palmas.

Por: Guerra de Pipoca.

Transylmania

Transylmania

Direção: David e Scott Hillenbrand

Gênero: Comédia

EUA – 2009

Ao som de Creedence Clearwater Revival, o filme se desenvolve sem muitas surpresas, afinal é uma comédia a la American Pie + Van Helsing, então é normal ter cenas desde o ridículo até o pastelão; é até divertido.

Diz  a sinopse que “Grupo de estudantes universitários decidem fazer um semestre na Universidade Raznan, na Roménia. Mas acabam ficando nas mãos (ou dentes) de vampiros que vivem lá”. Na verdade, eles acabam  nas mãos de várias outras coisas, faltou sanguessuga no filme, mas os que apareceram foram engraçados.

Eu gostei da mitologia que inventaram sobre a caixinha de música e a noiva Stephania, foi criativo e deu graça às cenas de “dupla personalidade”. A Femme fatale e a universitária bocó me renderam bons momentos.

Por fim, considero pertinente a transgressão do nome Transylvania para TransylMania (no título do longa-metragem), pois virou mania realmente séries e filmes sobre vampiros. Eu que já me encontro nesse “mercado” desde que ingressei na internet (há séculos atrás), sempre usei o nick Vampira Olímpia, percebo que o índice de nicks vampirescos aumentou consideravelmente de uns tempos pra cá.

Não é raro em meu orkut ter 10,15 convites por dia de páginas de vampiros querendo me adicionar. Nego a todos eles por notar a linguagem tipicamente adolescente por trás de fotos transilvânicas que dizem respeito às séries atuais, além de que  não é qualquer convidado que recebo em meu castelo rs.

Virou moda e esse filme soube jogar com isso, achei legal as sátiras, mas enfim o filme é besteirol puríssimo. Pra quem não gosta, não se aventure.

Saudações Vampirescas.

Por: Vampira Olímpia.

Contra Todos

Contra Todos

Direção: Roberto Moreira

Gênero: Drama

Brasil – 2004

Periferia…

O que fazer com essa humanidade por excesso que simplesmente não tem mais utilidade econômica e política identificável? Questionam estudiosos das Humanidades.

Vivemos numa sociedade onde a “classificação” social é estabelecida pelo poder de consumo dos sujeitos. Com toda variação e oscilação de índices possíveis, é possível verificar de cara que os moradores da periferia não são apenas números no IBGE, afinal, eles constroem cultura assim como todos nós e independente dos aspectos econômicos, porém, o sistema capitalista  aos poucos transforma o homem em produto a ser vendido e a ser comprado. Quando Y vai trabalhar ele vende -por um preço X- sua força de trabalho, simples assim. Acontece que a maioria que está na periferia não tem esse “poder” de compra e venda… aí é onde a porca torce o rabo… O que fazer com a falta de perspectiva (des)humana? Como torná-los competitivos para o mercado? Será que isso resultaria no fim da violência cada dia mais banalizada?

Contra Todos é um filme contra todos, mensagem dolorida e bem construída, amarrada. História sobre 4 personagens que vivem na borda do grande Centro de São Paulo, não estão nem lá, nem cá, mas são de lá. Subúrbio, drogas, crimes, enfim. Vale a pena assisti-lo para pensar o urbano como um todo, os circuitos, as idas e vindas; sobretudo, a ausência. Qual? Todas.

O que “salva” essas pessoas? A Igreja? Jesus? A Escola? O Trabalho?

Ótima trama, muito bem desenvolvida, filme muito rico e que não fica na filantropia da miséria e da pobreza tão realçada nos longas que denunciam as favelas brasileiras. Recomendo.

Por: Deusa Circe.

Nota sobre High Life

High Life

Direção: Gary Yates

Gênero: Genérico

EUA – 2010

Por que não ter por ti desprezo?

Resposta não veio, mas ainda procuro um motivo para achar esse filme ao menos razoável.

Não falarei dele agora, isso é apenas um registro que o vi até o apagar das luzes e nada ficou pra ser escrito, talvez por não ter nada a dizer. Mas darei uma chance ao filme, num outro tempo o verei de novo. Volto a falar dele se mudar minha opinião a respeito. Por enquanto: péssimo!

Não recomendo.

Por: Guerra de Pipoca.

O Casamento de Rachel

O Casamento de Rachel – Rachel Getting Married

Direção: Jonathan Demme

Gênero: Dramalhão

EUA – 2008

Típica família problemática que se encontra dias antes do casamento e a partir de então, as maiores baixarias, lavação de roupa suja, acontecem. Não é comédia, nem romance e nem drama, é dramalhão. Não há nem como se identificar com o filme, mesmo sabendo que toda família tem suas picuinhas e problemas particulares, porque o excesso não permite.

Depois que as letras subiram, fiquei pensando: com quem Rachel se casou? O filme é só sobre “divórcios”.  Separações de corpos, de fato, de tudo. Eu hein.

Não forço a barra quando penso em Rousseau quando ele diz que “quem se recusa a obedecer à vontade geral será coagido a isso por todo o grupo, o que não significa outra coisa além de que o obrigarão a ser livre”. Paradoxal, mas verdadeiro.  A obrigação de ser livre consiste unicamente na liberdade de cumprir o dever social. Segundo Augusto Comte, “ninguém possui outro direito que não seja o de cumprir sempre o seu dever”.

O filme é só sobre uma família que cobra do outro, integralmente, que ele cumpra seus “deveres”. Nossa… que canseira…

Se recomendo? Obviamente que não, salvo para os masoquistas.

Saudações Vampirescas.

Por: Vampira Olímpia.