Eletrodoméstica

Eletrodoméstica

Direção: Kleber Mendonça Filho

Gênero: Curta, Conteúdo Adulto

Brasil – 2005

Somos acostumadas/os, por vezes e pela maioria – sem nem mesmo perguntarmos o por que – a ouvir que o espaço da mulher é o doméstico e o espaço do homem é o público. Para as mães é dado de presente artigos de casa e cozinha, para os pais, gravatas e afins. Ou alguém já viu propaganda do dia dos pais anunciando um jogo de panelas novíssimo em folha? Também não são todos que se questionam sobre a subalternidade feminina e dominação masculina. O que mais me espanta é que muitas mulheres também não o fazem. Não é raro ouvirmos que “lugar de mulher é em casa”. Bom, nem precisamos dizer onde é o lugar do homem, né? Até porque se falássemos seríamos sumariamente ignoradas.

De cara o curta me chamou atenção; exclusivamente pelo nome. Gostei da provocação no feminino: eletrodoméstica. Dizem que os eletrônicos de uma casa são chamados de eletrodomésticOS, mas usados por mulheres, no feminino. Talvez seja um eficaz modo do masculino manter o feminino no doméstico.

O início do curta, de 20 minutos, começa instigante: uma rua em que cada portão da garagem tem estacionado um fiat uno. Vale fazer uma ressalva a esse cenário, ele não pode passar batido, ainda que a cena tenha se desenvolvido em segundos, talvez um minuto.

7 Unos do modelo dos anos 90 estacionados. Provocador, não? Onde estão os carros que dizem “ser de homens”? Não estão estacionados, né? “Uno é carro de mulher”, portanto, é ruim que arde. Alguém por acaso pensa em comprar um Uno quando pensa em adquirir um carro? Aliás, os carros pequenos, de passeio doméstico, são “de mulher”. Pra vender é mais fácil, porque dizer que é “de mulher” denota zelo, mas pra circular na cidade sempre chama a atenção pro volante: “mulher no volante, perigo constante”.

Depois desse início bárbaro, a mãe aparece com cara de tédio, fumando um cigarro na janela gradeada de sua casa. Aliás, a casa é toda cheia de grades. Já não basta por as mulheres dentro do lar (d0ce lar), precisa ainda gradeá-la? Ah, precisa! Dizem que é por medo de ladrões…

Um rasante da filmagem passa por todos os eletrodomésticos da casa, inclusive os dois filhos, um menino e uma menina. A menina, claro, está fazendo coisa de mulher. O menino está no computador fazendo um dever de casa. De casa? Na verdade, é da e para a escola, mas é feito em casa. Vai entender?

Relógio no pulso, cronômetro ligado, sexo acontecendo na garagem de outra casa, e a mãe super entendiada controlando os eletrodomésticos. Olha a comida no forno, a roupa na máquina, a sujeira nos cômodos… Chega o aspirador de pó. Ela começa a pensar no quanto o aspirador de pó pode ser mais útil que aspirar sujeira. Pensaram besteira? Ainda bem. Porque não está com nada essa dominação eletrônica.

Tédio aqui, tédio acolá e a roupa na máquina de lavar vai entrar em ação. Não deu outra: a mãe descobriu o quanto é útil a máquina vibrar enquanto lava a roupa de seu macho que está no trabalho…

Recomendadíssimo, até porque é preciso dizer que esse curta é uma mensagem sobre a melhor maneira que nós mulheres devemos usar os utensílios domésticos.

Por: Guerra de Pipoca.

Trust

Trust

Direção: David Schwimmer

Gênero: Drama

EUA – 2011

As histórias infantis, via de regra, começam com “Era uma vez” e terminam com “…e foram felizes para sempre”. Não é por acaso, o propósito é simples: trata-se de confortar psicologicamente a criança para seus futuros e prováveis dramas internos. Após o “Era uma vez” há uma sucessão de eventos emaranhados  que denunciam angústias pueris. Como, por exemplo, se perder dos pais, que é o caso de João e Maria. Qual criança não tem medo dos pais se esquecerem de ir à escola buscá-los? Qual criança não tem medo de se perder dos responsáveis num passeio, supermercado, shopping? João e Maria é uma história de desamparo e durante esse “abandono” uma bruxa (personagem que dialoga com a metáfora do mal na sociedade) se aproveitou para atacá-los e “tome-lhe comida”. Não dizem que se alimentar faz crescer? Em horas como estas, João e Maria tiveram que “crescer” (amadurecer) para, enfim, atingirem o tão sonhado “e foram felizes para sempre”.

Acontece que essa artimanha psicológica nem sempre procede no real das existências infantis. Enquanto conselho e instrução, os contos são fantásticos. Mas, ocorre que conselhos – via contos de fadas – não resolvem o real da Coisa em si. Isto é, as histórias infantis servem apenas para efeito catártico. Ou seja, João e Maria diminui a angústia na criança, mas não evita que ela se perca dos pais, por exemplo. De maneira que o mundo é muito mais duro do  que as histórias contam…

Annie descobriu às duras penas que o príncipe encantado de seus sonhos não existe como ela fantasiou. Não digo que príncipes não existam, eles até existem, mas nunca são como na fantasia. Uns são mais sapos do que outros. Esse do filme era o monstro da lagoa verde. Pedófilo de 35 anos virtualmente iludiu Annie, de 14. Por que Annie pode transar com um homem de 15, mas não pode com um de 35? Isso é algo que nós leitores do blog já temos a resposta pronta na ponta da língua, mas é essa questão que Annie levanta durante boa parte do filme. Ela, por ter 14 anos, não faz a mínima ideia do por que a sociedade implica com uma relação deste porte, uma vez que ela pode namorar com alguém de sua idade.

Isso me fez questionar a que ponto os projetos sócio-educativos alcançam o/a adolescente e a criança neste entendimento. Será que basta dizer para não darem atenção a estranhos? Será que nós, adultos, veteranos de guerra, estamos imunes às mazelas das relações? Se nem nós estamos, o que dirá uma criança e/ou um(a) adolescente… Falta resposta para muitas perguntas, porque essas regras são elaboradas na sociedade para depois serem elaboradas na jurisdição vigente.

O filme não tem nenhum artifício cinematográfico especial, mas em termos de conteúdo – sobretudo para quem trabalha com clínica, com ser humano e suas complexidades – é muito bom por lidar com um assunto atual e que mexe com toda ordem familiar de alguém que passa por abuso sexual.

Tendo em vista comparações com outros filmes, gostei muito da atuação da terapeuta; não foi excepcional, mas, felizmente, o filme não capengou nesse ponto, pois não colocou a psicóloga numa posição de autoajuda. Nós não cursamos 5 anos de faculdade + o tempo de formação clínica para nos tornarmos conselheiros/as!!!! Nós não somos conselheiros/as! Achei ótimo que esse diretor de cinema não fez do/a psicólogo/a um adepto dos livros da Nova Era…

Por: Guerra de Pipoca.

O Cemitério Maldito

O Cemitério Maldito – Pet Sematary

Direção: Mary Lambert

Gênero: Suspense, Terror, Thriller Psicológico

EUA – 1989

Esse texto deveria ter sido escrito no período em que as Moiras escreveram Poltergeist e Evid Dead. Contudo, ocorrências em minha vida me fizeram tardar em acompanhá-las; infelizmente. Nem tudo está perdido, afinal, aqui estou para escrever sobre esse filme que tem por lema… adivinhem? “Nem tudo está perdido”. Hmmmmm! Por passos…

Em primeiríssimo lugar, é preciso que os leigos na obra saibam que aqui só se fala apenas de um único assunto: morte. São 103 minutos falando de mortes, cemitérios etc. Falar da morte é complicado porque, lembrando de Lacan, a morte é uma experiência que não há. Não há porque para se ter experiência é preciso ultrapassá-la a ponto de contá-la; isto não acontece quando se morre. Não no mundo “real”, mas em Pet Sematary, sim.

Novela de Stephen King, Cemitério Maldito conta a história de uma família feliz (Família Creed) que se muda para uma linda casa em beira de altoestrada. A estrada é perigosa, passa caminhão e mata animais desatentos constantemente. Jud, o solitário vizinho da família Creed), apresenta o escondido cemitério de animais, mas logo acima há um cemitério indígena; este, por sua vez, inicialmente não fora apresentado para os Creed…

Mary Lambert filma caminhões passando na estrada a cada cena reservada da família. Não é difícil supor que alguém será duramente atropelado. Primeiro, o gato de Ellie morreu e posteriormente, ah… puxa… quem iria imaginar?

Bom, aí que entra a má tradução do título. De cemitério de animais para cemitério maldito foi só o prazo de Charlie (pai Creed) enterrar o gato de Ellie (filha mais velha). Jud e Pascow alertaram: às vezes a morte é melhor.

Não acho que a morte seja melhor. Mas, uma vez que está morto, então o melhor é deixar morrer.

Ressalto, antes de finalizar minhas breves palavras, que Pet Sematary fecha um ciclo de filmes de terror que se consagraram entre os clássicos (pré-anos 90). Infelizmente, sua continuação é dispensável. Nem de longe mantém o clima pesaroso que a morte provoca. Embora cheio de clichês, é preciso parabenizar Lambert, pois manter o cheiro de morte durante 103 minutos não é fácil. O gato que o diga, já que Ellie acha que agora ele fede e não sabe o porque…

Para além, é um filme com algumas cenas fortes, que comovem. Sobretudo para aqueles que amam os animais e odeiam quando crianças são maltratadas. Será que é possível retornar ao ponto que se ultrapassou? Eu não sei… mas, peço por gentileza, quando morrer não me enterrem no cemitério indígena. Ficarei feliz de ser enterrada junto com os animais… rss :P

Por: Morgana.

A Viagem de Chihiro

A Viagem de Chihiro – Sen to Chihiro no Kamikakushi

Direção: Hayao Miyazaki

Gênero: Animação

Japão – 2001

Olhos redondos e expressivos. Mundo mágico dentro de outros mundos. Desenho prestimoso e detalhado. Um anime de alta classe. Este filme é isso e muito mais.
Se sua visão ocidental de sonho ainda é presa a reles flashes do subconsciente, prepare-se. Vai adentrar em outro nível de realidade!

Dispa-se das dificuldades de assimilação do adulto. Viaje. Entrando num túnel e comendo até virar porco, assim é o destino dos pais de Chihiro. Ela está sozinha. Pode interpretar como rito de passagem da idade infantil para a adolescência. Ou como devaneios de um habilidoso desenhista.

Mas absolutamente ninguém fica alheio ao belíssimo trabalho de Hayao Miyazaki. Estamos em um gigantesco hotel que recebe deuses de inúmeras origens. Eles vão para relaxar e se divertir. O gerente é uma velha que desumaniza seus funcionários, transformando-os apenas em nomes sem origem.

Como sobreviver no universo adulto? Arranjando um trabalho. Claro. Encaixando-se na sociedade. Óbvio. Mas não é bem assim. Chihiro vira Sen. Obtém ajuda cúmplice do misterioso Haku, menino esperto e aprendiz de feiticeiro. Mas rala bastante. Indescritíveis as cenas do vai-e-vem dos hóspedes. Todos diferentes de tudo que já vi.

Adoro o multi-homem da manutenção. Coração puro em um lugar insalubre. Outro personagem incrivelmente forte é o fantasma que entra no hotel. Dá e recebe. Nem bom nem mau. Apenas vive. A Yubaba apesar de sua mão de ferro, cria o filho com mimos exagerados e amor superprotetor. Isso dá vazão a mil interpretações psicanalíticas.

Chihiro vai se destacando em suas funções e deseja reverter o quadro suinesco de seus pais. Alguns segredos haverão de surgir. Afinal? Quem é Haku, além de ótimo amigo? E a irmã gêmea da Yubaba, que é boazinha? Se você possui a alma leve e infantil logo perceberá que Haku é um animal mágico, especial. Se for apenas um adulto babaca, saia do cinema, pois já se passaram mais de 90 minutos para um filme de “desenho animado”. Tempo demasiado. Principalmente para os fracos de imaginação.

Enfrentamentos, desenhos poéticos como o trem, por exemplo.  As gaivotas de papel. Ou até mesmo o dragão, com sua beleza feroz. As cores são destaque, o requinte dos movimentos rivaliza com a Disney. Mas ninguém canta. É mais profundo.

A menina consegue salvar o dragão e resgata os pais. Mas jamais será a mesma. Suas aventuras fazem-na crescer e entender que o mundo real é pior do que o imaginário. Mas a vida sempre reserva surpresas positivas para quem sonha.

O que há de bom: desenho riquíssimo e idéias absolutamente originais
O que há de ruim: trilha sonora fraca
O que prestar atenção: a identidade é o segundo mais precioso bem que temos, somente perdendo para a liberdade
A cena do filme: ela cavalgando o dragão, lindo!

Cotação: filme ótimo (@@@@)

Por: C.O.B.R.A.

De repente é Amor

De repente é amor – A lot like Love

Direção: Nigel Cole

Gênero: Comédia Romântica

EUA – 2005

Toda vez que penso nesse filme, penso nessa frase (é claro que ela serve pra todo tipo de situação que traga felicidade): “Felicidade se acha em horinhas de descuido…” Guimarães Rosa

Uma briga entre namorados. Um encontro casual no avião. Sexo no banheiro do avião. Atração mútua e caminhos que se cruzam, mas que ao mesmo tempo se descruzam. Um mistura de amor, com amizade, com atração, com tesão, mas que ao mesmo tempo parece que o destino não está nenhum pouco interessado em juntar!

O filme é marcado por encontros e desencontros dos personagens de Amanda Peet e Ashton Kutcher. Ele planeja a vida nos mínimos detalhes, quer alcançar objetivos e quer marcar data! Já ela não, ela é sossegada, vive o agora, ela deixa a vida levá-la! O encontro é explosivo e os marca.

Mas o tempo passa e ambos já têm vidas construídas, namorados novos e ele até se casa. Mas como nem tudo são flores nessa vida, algumas coisas podem desandar e é nesse meio tempo de bagunça que eles se encontram e que ao mesmo tempo de desencontram. E parece que sempre que a coisa ferve na vida de ambos, a vida vem e marca um encontro entre eles. :D

Mesmo sem perceber, sei lá, porque eu acredito que de repente a gente se apaixona, eles se apaixonam. Só que isso só começa a ser percebido no desenrolar final do filme rs!

Gosto muito desse filme. Talvez de comédia romântica esse seja um dos meus preferidos. É leve, suave, descontraído, apaixonante e mostra que tudo tem um tempo certo pra acontecer o que tem que acontecer!

Vou deixar a música do filme também! Eu amo!

Beijãooooooooooooooooooooooooo

Por: Bel.

 

A Garota da Capa Vermelha

A Garota da Capa Vermelha – Red Riding Hood

Direção: Catherine Hardwicke

Gênero: Suspense, Romance

EUA – 2011

Para inaugurar, em definitivo, o ciclo de textos temáticos – visando comemorar o Dia dos Namorados – trago a Chapeuzinho Vermelho, que é comida pelo Lobo Mau. Dizer isso é como dizer tudo, ainda mais quando os olhos (“pra ver melhor”) se deparam com o título e com a direção do filme. 1. Quem conhece a Chapeuzinho Vermelho sabe como a história começa e termina; 2. Quem sabe que Hardwicke fez Crepúsculo também sabe que no filme a mocinha será disputada por dois e que o assunto virgindade poderá compor a pauta. Ok. Sem surpresas até aí.

Acontece que felizmente a diretora inseriu um elemento na trama e no suspense que julgo muito interessante: quem é o assassino/lobo mau já que todos são suspeitos? Bingo! A partir de então, o enredo se cria em outro clima (mais atraente, vale dizer) e que me fez ficar atenta aos detalhes da história. Pois, de possível chateação “crepusculiana” me vi imersa numa narrativa detetivesca! Porém, contudo, entretanto e todavia, não é por isso que o filme seja bom ou espetacular…

Bem, comecemos pelo o início.

Valerie (Amanda Seyfrield), a Chapeuzinho, desde criança se mostra “má”. Isso se tomarmos o parâmetro de matar animais como um ato de maldade. Pra mim é. Pra mim é extrema crueldade matar qualquer ser que seja pelo simples gozo de matar. Bom, independente dos juízos de valor, Hardwicke inaugura uma novidade na história: de que Chapeuzinho não é tão do bem como muitos pensam. Na verdade, nenhuma criança é pura, como dizem por aí. Elas são, sim, indefesas. Claro. Não tem força, nem experiência, para se defenderem do que o mundo pode fazer com elas. Mas, dizer que são inocentes… convenhamos! Felizmente, Freud acabou com esse mito… o parceiro da Chapeuzinho também não é lá tão do bem assim. E como é esperado pra não fugir tanto da história original, ele se torna um lenhador/caçador.

São apaixonados um pelo outro desde crianças e sonham em ficar juntos por toda vida. Muito bonito. Acontece que Peter Falk (Shiloh Fernandez) é pobre e na aldeia em que vivem, como em qualquer outra “aldeia”, o dinheiro determina ‘certas’ visões de mundo. Amanda tem um outro pretendente (Henry – Max Irons), que ela não o ama, mas que é rico. Então, sua família deseja que ela se case com o moço rico. Vale ressaltar que o pai de Valerie é o mesmo ator que faz o pai de Bella da saga Crepúsculo (Billy Burke). Não é preciso dizer que Valerie se encontra às escondidas com Peter etc, certo? Afinal, há uma grande contradição na sociedade: as pessoas afirmam categoricamente que o amor é lindo, porém, determinam que a pobreza é horrorosa. Então, na luta braçal entre o amor ser lindo e a pobreza ser horrível, o/a rico/a é sempre melhor pretendente para aqueles/as que desejam ter um “bom” futuro pela frente. O futuro, afirma a maioria, é pautado no “ter” e não no “ser”.

Em meio a toda essa questão, surge na aldeia um lobo mau. Ocorre que esse lobo não é um lobo comum, é um lobisomem e quer levar Valerie embora a qualquer custo. Quem pode ser esse lobisomem que já fez algumas vítimas?

Nos papéis de detetives da história, se encontram o padre Solomon (maravilhoso Gary Oldman) e, nas entrelinhas, a vovozinha de Valerie (Julie Christie). Sim, sim, a vovozinha do filme quem deu à Chapeuzinho a capa vermelha com capuz! :D Também não é preciso dizer o fim da Vovozinha, certo?

Uma curiosidade particular: lembro-me que meu pai lia historinhas para mim antes de dormir e num rompante de curiosidade latente, questionei: pai, como que o lobo come a vovozinha e ela permanece viva? Bom, convenhamos que se trata de uma pergunta óbvia e que deveria ser feita por todas as crianças que escutam essa narrativa…

Retornando ao filme, acredito que o grande erro de sua estrutura foi ter instaurado uma inquisição ao lobisomem sob a égide do catolicismo. Ainda que seja preciso reconhecer que a Igreja Católica modelava os costumes e a moral da sociedade ocidental em alguns séculos atrás, a maneira como a diretora inseriu o contexto religioso na história não ficou bom. Definitivamente, ficou horrível e detonou com metade do longa.

Então temos: um triângulo (forçado) amoroso, um lobisomem que deseja fazer vítimas e comer geral e a Igreja Católica condenando (ao colocar tudo no pacote de “bestialidades”) o amor, o tesão e o sexo livre. Em resumo é isso, só que conta com a vestimenta da fantasia, do tempo… o que faz parecer que o filme está numa época muito distante de nós. Será?

O lobo mau, neste filme, “se deu bem”. Será que Jacob se dará mal ao fim da saga de Crepúsculo? Cenas dos próximos capítulos…

Por: Guerra de Pipoca.

Caso 39

Eis o caso 39.

Caso 39 – Case 39

Direção: Christian Alvart

Gênero: Suspense

Canadá – EUA – 2009

Ok!

Vamos lá!

Típico filme em que uma garotinha aparentemente meiga, inteligente, indefesa e gentil se transforma numa demônia chata, maldosa e disposta a infernizar (gratuitamente) a vida dos que a cercam. Esse tipo de suspense costuma dar certo, pois à criança é atribuído bondade, ingenuidade, fraqueza, enfim, precisam ser protegidas. E de repente, surge na história o questionamento: possuída ou naturalmente má?

Já encheu o saco o estigma de crianças adotadas = crianças de sangue ruim, por não se saber sua “procedência”. A ideia de sangue como resposta ao comportamento e caráter já caiu por terra há tempos. Ou alguém ainda atribui à biologia e à genética todas as soluções do ser humano?

Anyway! Algumas cenas não devem passar despercebidas pelo público que ama um bom suspense assustador. Buuuuuuuuuuuuuuu! Como por exemplo a cena em que Emily (Renée Zellweger) – assistente social responsável pela capetinha – está em seu gabinete quase às raias da loucura quando a gente fina endiabrada liga… Hummmm!

(Parênteses aberto após a publicação: não consigo entender o por que de tanto drama em torno de uma endiabrada. Basta esperar que ela vá ao colégio e meter câmera escondida pra todo lado da casa e depois levar as filmagens à Polícia, não? Ou então, despachá-la como se despacha uma mala… sem alça!)

Enfim, não é um filme que mereça premiações consagradas, mas quebra um bom galho.

Saudações Vampirescas.

Por: Vampira Olímpia.

Plano de Voo

Plano de Voo – Flightplan

Direção: Robert Schwentke

Gênero: Suspense, Ficção, Drama

EUA – 2004

Filme que dispõe de apenas um cenário tem que ser muito bom para não se tornar cansativo. Cães de Aluguel, de Tarantino, é a prova de que pode dar certo. Plano de Voo, infelizmente, prende apenas pelo suspense e dúvida: a filha existe ou é delírio? Pois o cenário sendo o avião, a sensação que o filme passa é de estar no ar com uma vontade imensa de pousar em qualquer aeroporto para chegar em casa o mais depressa possível. Ou seja, o ambiente é responsável por cansar o/a espectador/a antes mesmo da dúvida maior (se a filha existe) cumprir seu papel em promover suspense e conferir mistério.

Às vezes o filme proporciona o questionamento: por que diabos Kyle Pratt (Jodie Foster) estaria delirando? As pistas são lançadas sutilmente no filme, como no momento em que, por exemplo, o Comandante Rich (Sean Bean) pergunta para ela se bebeu, se toma remédio controlado etc, mas soa tão rotineiro que nem assim convence quanto a possível psicopatologia. E assim, o filme segue com o avião, claro, no ar.

À medida em que é conhecida algumas particularidades da vida de Kyle Pratt, a pergunta muda de roteiro – como se o avião mudasse seu destino na metade do caminho: Certo! Se a filha existe, por que foi sequestrada? Espionagem? Segredo industrial? Os aliados são mesmo amigos?  Quem mente, quem fala a verdade? Ah! Pouco importa! Nesta altura do campeonato (precisamente 40 mil pés de altitude) o/a passageiro/a só quer saber de encontrar logo essa menina e acabar com esse tormento, digamos, pseudo psicológico… Afinal, como disseram no filme: “como uma criança se perde dentro de um tubo fechado?”

(Bom, sem querer ser indiscreta, mas eu conheço pessoas que se perdem em quarto fechado e rua sem saída. :o )

E novamente o ambiente peca… mas acerta! Opa! Exatamente: como uma garotinha é sequestrada dentro de um avião em voo e ninguém a encontra em lugar nenhum? Verificaram tudo? Você que me lê está com a sensação de que estou escrevendo com sumária prolixidade, voando em círculos, dando voltas?

Pois é assim mesmo que o filme se apresenta…

E sabe? Se não tem mais nada para fazer, é um bom passatempo. :o

Por: Guerra de Pipoca.

Um Plano Simples

Um Plano Simples – A Simple Plan

Direção: Sam Raimi

Gênero: Drama, Suspense

EUA – 1998

Decidi assistir a todos os filmes de Sam Raimi; não que eu pense que se trate de um diretor excepcional, mas tem algo nele que eu gosto: ele não faz do cinema um momento de contos de fadas (o final desse filme deixa claro a que me refiro). O quanto de metáfora isso possa significar, a saber.

De saída, um filme que se pretende simples já demonstra ser complicado. Porém, nem por isso o diretor precisa complicar as coisas. Neste sentido, Sam Raimi está de parabéns. Não dificultou o contexto e nem coloriu com fantasias todo o plano, ou melhor, o longa. Aliás, as cores do filme são duas: o branco da neve e o preto dos corvos. No entanto, não é por isso que o filme não se apresenta colorido.

O branco da neve é uma constância nos 121 minutos de longa-metragem. Cenário gélido, relações gélidas. Tudo é muito gelado no filme. Tanto a relação de Hank Mitchell (Bill Paxton) com seu irmão Jacob Mitchell (Billy Bob Thornton, de Vida Bandida), quanto sua relação com sua esposa grávida Sarah Mitchell (Bridget Fonda) são congelantes, mesmo quando os ímpetos violentos comparecem. Na verdade, Hank Mitchell é o branco da neve (não confundir com Branca de Neve :P ).

Em contrapartida, há de se lembrar do preto dos corvos. O corvo já foi fonte de inspiração para Edgar Allan Poe, e é preciso reconhecer que o escritor não se engana em eleger como sua musa esse pássaro que anuncia a morte; afinal, “é apenas uma visita que pede entrada na porta” (…). No filme, o corvo não é tão facilmente identificável. Tende-se a pensar que são as pessoas mortas ou as mortes que batem na porta de entrada; mas, a morte, ou melhor, o corvo, isto é, o preto dos corvos, é o dinheiro.

Aqui é necessário rebobinar a fita e falar um pouco do que se trata o filme: Hank, Jacob e Lou (Brent Briscoe), em uma reserva florestal, encontram um avião abandonado, piloto morto e uma sacola contendo 4,4 milhões de dólares. Ou seja, 4,4 milhões de “problemas” em uma sacola. O corvo à espreita sabe que os três, por maior que seja a deliberação, vão decidir ficar com o dinheiro. Pois se 4,4 milhões é sinônimo de problemas, então é sinônimo de soluções, também. O que pesa mais: problemas ou soluções? Eis o plano simples proposto por Hank Mitchell, o branco da neve, “quando a neve passar, a primavera chegar e ninguém reclamar da falta do dinheiro, então o dividiremos em três partes iguais. Até lá a soma ficará comigo”, não é literal, mas a ideia é essa. A partir desse momento, o branco e o preto se misturam. E a raposa? Bom, esta já capturou sua parte há muito tempo.

Por: Deusa Circe.

Poltergeist

 

(Vem pra luz, Carol Anne)

Poltergeist

Direção: Tobe Hooper

(Produzido por: Steven Spielberg)

Gênero: Suspense, Terror

EUA – 1982

Prefiro não colocar a má tradução do título no Brasil, pois O Fenômeno consiste apenas num eufemismo típico. Ocorre que no alemão essa palavra tem um peso maior ou pelo menos mais assustador.

Talvez seja melhor começar a falar desse filme pelos boatos que ele provocou ao longo de sua existência. Afinal, a obra é perfeita para duas coisas:

  • Conversas sobrenaturais em acampamentos ou fim de noite em casa de amigos;
  • Assisti-lo sozinho(a) e às 3 da manhã (by Guerra de Pipoca).

Vamos aos boatos:

Após as filmagens dos três filmes (sim, é uma trilogia), 4 atores faleceram (dois deles foram atores dos filmes posteriores, portanto citarei apenas as duas que aparecem no primeiro filme):

  • Heather O’Rourke no papel de Carol Anne (a menina que é “sugada” para o mundo espiritual através da televisão). Logo após as filmagens do terceiro Poltergeist, Heather com 12 anos simplesmente adoeceu gravemente. Foi levada ao hospital, submetida a uma cirurgia e puf. Morreu. Os médicos só descobriram qual era a doença depois que ela morreu.
  • Dominique Dunne -no papel de Dana (a filha mais velha do casal, pais de Carol Anne) -morreu no mesmo ano das filmagens (1982) após ter sido brutalmente estrangulada pelo ex-namorado insatisfeito com o fim do namoro.

Resta fazer as famosas questões populares: o filme Poltergeist tem alguma influência sobre estas mortes? Seria coincidência Carol Anne vir a adoecer gravemente logo após o término da trilogia? E Dana?

Se admitirmos essa influência, teremos que necessariamente supor a existência de um mundo paralelo ao nosso, repleto de espíritos que podem se emputecer em algum momento e zoar com as nossas caras ao fazer gracinhas das mais diversas, tanto leves quanto pesadas. Que tal rs?

Certo é que existe o outro lado da moeda, que consiste: o fenômeno poltergeist existe, mas não significa que haja espírito zombeteiro num universo qualquer; ele pode ser explicado por parapsicólogos e metafísicos e é um fenômeno não provocado por mortos, mas sim por pessoas vivas que tem um poder psicocinético diferenciado.

Fato é que tanto uma quanto a outra explicação não me satisfazem; restam lacunas a serem preenchidas nestas questões, como por exemplo, por que existem pessoas com esses poderes “psicocinéticos” diferenciados? Por que e como elas liberam esses fenômenos? E se forem os espíritos, por que eles tem permissão para encher o saco de pessoas do mundo material e o inverso não se aplica? Por que uma pessoa viva não pode visitar o mundo dos mortos e fazer mover as panelas transparentes deles?

É muito X-Men e Nosso Lar para minha cabeça dotada de massa cinzenta.

***

Poltergeist é um clássico e para sempre será. Por isso sou totalmente contra a sua refilmagem, pois pode danificar toda essa teoria conspiratória em torno da obra e que dá a ela a posteridade que muitos filmes não tem.

Em 1982 os efeitos especiais não tinham a sofisticação que tem hoje, mas Spielberg não fez feio! Junto com Hooper, soube construir a atmosfera demoníaca que o conjunto merece. A música, aquele maldito palhacinho rodopiando em cima da cama, os fantasmas descendo as escadas, Carol Anne falando com a mãe pela televisão, a árvore que tenta engolir seu irmão, a equipe de profissionais que lidam com o sobrenatural, o exorcismo dos demônios, a voz macabra da paranormal… tudo está em seu devido lugar.

Ouvi o conselho da Dudark e assisti-o novamente às 3 da matina neste fim de semana passado e percebi que não está envelhecido. Vocês acreditam que em um momento eu me assustei? Maldito palhacinho! :D

A televisão tem essa propriedade de me “assustar” de vez em quando, é cada coisa que se vê e que se escuta rs…

Bem, Poltergeist é um clássico que qualquer cinéfilo(a) tem que ter de cór e salteado na ponta da língua. É o B a Bá do terror! E, por favor, não quero ler nos comentários “eu não vi esse filme ainda”! É o fim do planeta cinéfilo(a) que não viu ainda POLTERGEIST! Me poupem! rs.

Por: Vampira Olímpia.

72 Horas

72 Horas – The Next Three Days

Direção: Paul Haggis

Gênero: Suspense, Drama, Policial

EUA – 2010

Adaptação de um filme francês (Pour Elle, 2008) – que eu não o assisti – “72 horas” deixa a questão de Dom Quixote no ar: “é melhor ser feliz num mundo imaginário ou sofrer num mundo real?”

Família ideal e feliz se vê quebrada pela acusação de que Lara (a esposa, a mãe) matou sua chefe. Contra ela tem digitais na arma, sangue em sua roupa, colega de trabalho como testemunha de que a ré e a vítima tiveram uma discussão naquele dia e um jantar onde a mesma socializou seu problema com sua chefe. Complicado… O diretor fez o imenso favor ao espectador de deixar a dúvida no ar todo o tempo do filme: é ou não a assassina?

O marido (Russel Crowe) diz que não e segue com essa ideia às últimas consequências. Ele nem chega a perguntar para ela o que houve, se ela a matou, nada. Acredita na mulher (Elizabeth Banks) que prometeu amar e pronto. Ela também se mostra empenhada a dizer-se inocente até o fim. É bonita a maneira como o diretor amarrou a ideia de amor sem ser forçada. Em algumas passagens do filme é possível ver John Nash em “Uma Mente Brilhante”. Ambos personagens de Crowe não duvidam, detém certezas. Ambos arquitetam matematicamente um plano. Porém, o John de 72 Horas é bastante lúcido e põe toda sua racionalidade para resgatar a esposa da prisão; já John, o Nash, é o prisioneiro de si, mesmo liberto.

Sobre o plano de fuga, é bastante audacioso, porém, possível. Nada de explosões em grandes paredes de não sei quanto centímetros e/ou metros, nada muito teatral. Tudo se deu de forma bem regular: início, meio e fim. Vale dizer que Liam Neeson teve uma curtíssima participação, mas deu pra matar saudade do bom ator que é. Olivia Wilde, uma das médicas do seriado House M.D. (Doutor House no Brasil), também não fez feio, embora tenha aparecido pouco. (Só não entendi porque ela estava organizando a festa da filha em casa se o aniversário se deu no zoológico, enfim).

O filme é daquele tipo que a plateia torce para ter um final feliz. Eu torci e muito para que tudo desse certo, pois o sentimento desse marido me convenceu de que o melhor realmente seria efetuar o plano. Bom, enquanto estamos falando de fuga no cinema, respondendo ao Quixote, não custa preferir ser feliz num mundo imaginário, né?

Eu gostei e recomendo. Bom fim de semana para todos!

Por: Guerra de Pipoca.

A Estrada

A Estrada – The Road

Direção: John Hillcoat

Gênero: Drama

EUA – 2009

Até onde vai o amor de um pai por seu filho? Qual a cota de sacrifícios que um homem pode fazer por alguém que ama incondicionalmente? Quais os valores arraigados da espécie humana que podem ser detonados diante da simples questão de sobreviver mais um dia? Qual o limite de confiança que você pode ter no outro? Em quem você pode realmente confiar? No seu filho, no seu pai? Na sua mulher? E um desconhecido? Como fica, então? Questionamentos. Todos pertinentes. Absolutos e profundos.

Terra devastada. Cinza. Fuligem. Pó. Céu eternamente em sombras. Caminhada para o sul. Pai e filho, lado-a-lado. Nenhuma vida aparente. Sem pássaros ou outros animais. Somente o ser humano. Na maioria homens. Reunidos para sobreviver. Resumidos no mais básico instinto: comer. E se não tem alimento, o que usar? A carne dos outros homens?

A cada momento um discreto flashback da mãe, pouca participação dela como parceira. Ela desiste. Ele não. Sua jornada é tão ingrata que o público se contorce nas cadeiras do cinema sem uma única solução para a jornada que vai a lugar nenhum.

Qual o ator? O talentoso Viggo Mortensen, que a molecada adorou em “O Senhor dos Anéis”, que os puristas se surpreenderam em “Appaloosa” e que os cinéfilos carimbaram em “Senhores do Crime”. Ele compõe o personagem tanto física como psicologicamente. Sua barba desgrenhada, o olhar vazio, até o andar quase arrastante emolduram uma decadência cheia de angústia.

O menino que o acompanha é passável. Não cheira e nem fede. Mas em pequenos olhares basta, pois mostra sinceridade e isso é o mais cabível num filme em que o pai é tudo e nada pode. Lembrei-me de “Rei Leão” a melhor animação que já vi. São díspares. Aqui o destino é cruel e a esperança vã. No outro a redenção é o caminho mais provável.

Desconfiar de todos. Ser perseguido. Deixar nú um combalido pedinte. Abandonar um ancião. Atirar em quem nem vê e muito menos sabe. Não verificar se o som de um cão com seu dono são do bem ou do mal.

O garoto diuturnamente pergunta quem são eles mesmos: os bandidos ou os mocinhos. O pai nem mais sabe, mas acredita que sim, eles são os justos.

O final é quase uma réstia de luz num mundo soturno pintado pelo diretor. Sim, há mortes. Sim, existe uma família nuclear. Sim, existe um cão. Sim, há esperança. Pois se existem crianças, a rima justifica os meios.

O que há de bom: ator maduro, sólido, competente e que nos põe em cheque sobre os valores atuais de consumismo

O que há de ruim: por que a mãe foi tão omissa? Não suportou? Onde os fracos não têm vez? Qual seria a figura dela no psiquismo do autor do livro em que o filme é inspirado?

O que prestar atenção: a lentidão das cenas leva a reflexão aos calmos cinéfilos e à exasperação dos “nervosinhos”, o mundo é assim, reflexo de nós mesmos

A cena do filme: o pai deitado, imóvel e a escolha do filho

Cotação: filme ótimo(@@@@)

Por: C.O.B.R.A.

Na Trilha do Assassino

Na Trilha do Assassino – Tenderness

Direção: John Polson

Gênero: Suspense Dramático

EUA – 2011

Já dizia o sábio ditado: “quem não aguenta bebe leite”. Traduzindo pro português do cinema: quem não sabe fazer filme, preciso continuar?

 

Dizem as más línguas midiáticas, e dessa vez só posso pensar que são más mesmo, que este era um filme que prometia. Assustada aqui com tanta promessa. Prometeu tanto que se esqueceu de cumprir em qualidade, consistência, enredo… e por falar nisto, a narrativa…

Eric é um estuprador serial killer menor de idade. É condenado a ficar no reformatório até completar 18 anos. Ou seja, um trombadinha psicopata que tem a seu favor o benefício da idade. Lori é uma desequilibrada que não sabe se é virgem por ter sido molestada pelos padrastos que sua mãe lhe arrumou no curto período de 16  longos anos. Eric sai do reformatório com o detetive Cristofouro (não tinha nome melhor, não?) em seu pé, pois este considera inevitável que aquele volte a matar. Lori, por sua vez, o aguarda para viver um romance… para tudo! Rebobinemos a fita. Lembram-se daquela discussão sobre “mulheres idiotas que se apaixonam por maníacos do parque”? Ok! Este filme é sobre elas… e eles…

Lori diz amar Eric… uia! E Eric se vê entre a cruz e a espada: matá-la ou não, eis a questão. Enquanto isso, no reino de Hollywood sabor mentolado, Cristofouro, que derrete-se na melancolia de ver sua esposa vegetar no hospital, não tem mais nada pra fazer a não ser perseguir o recém-liberto trombadinha.

Lori, combinemos, é uma garota suicida! Alguém pensa o contrário? Alguém pensa que essas mulheres idiotas e masocas que decidem pelo casamento com assassinos em série são algo além de suicidas?

Pois muito bem…

Em resumo, o longa se justifica com a seguinte fala de Cristofouro (Russell Crowe):

“Minha esposa costumava dizer que existem dois tipos de pessoas. Aquelas que buscam o prazer e aquelas que fogem da dor. Se você me perguntar, ninguém pode escapar de sua dor. (…) O que realmente sei é isso: o prazer te ajuda a esquecer, mas a dor te obriga a ter esperança. Você diz a si mesmo ‘isso não vai durar para sempre’”.

O filme é um ciclo sintomático de pessoas que se atraem em seus sintomas: o garoto que faz sofrer, a garota que ama sofrer e o detetive que quer provar a tese de sua esposa de que só existem dois tipos de pessoas no mundo…

Um martírio! O filme não passa de um martírio. Até mesmo o psicopata, que se supõe isento de sofrimentos, sofre. :o

Talvez o filme agrade aqueles que gozam com entretenimentos de má qualidade, dramáticos e sofríveis. Pois, contrariando a esposa do detetive, há tipos e tipos de pessoas…

Por: Guerra de Pipoca.

The Runaways

Banda Original

The Runaways – The Runaways

Direção: Floria Sigismondi

Gênero: Musical

EUA – 2010

Estamos no ano de 1975, época em que o Feminismo cria mais forças devido aos acontecimentos pioneiros dos anos 60. Porém, o mundo do rock ainda é exclusivamente dos homens, embora tenhamos Janis Joplin alucinando com sua voz rouca e fabulosa.  Com Joplin em cena (ainda que tenha morrido em 1970) é injusto dizer que The Runaways é a primeira banda de rock composta por mulheres. Mas não estou aqui para falar de Janis, ainda que preferisse…

O filme conta a história do início e fim da banda The Runaways  e ressalta o momento feminista da época. A exaltação de que as mulheres são “foda” na música e põem pra “foder” faz parte, inclusive, das letras musicais das meninas adolescentes. Quem criou a banda foi Joan Jett (interpretada pela meiga vampiresca Kristen Stewart de Crepúsculo), mas o foco do filme foi Cherie Currie (interpretada por Dakota Fanning), a estrela da banda. Muito nova e usuária de drogas, não é difícil supor que a banda sucumbiu antes de fazer alguns importantes aniversários. No entanto, isso não impediu que criasse uma história.

História rasa, deslumbrada, propositalmente infantil, afinal, as 5 da banda (original) eram mulheres recém-menstruadas com famílias desequilibradas. Tiveram que “se criar” sozinhas. Porém  para época era mais comum ver os filhos saírem de casa mais cedo.

Além das loucuras que a fama precoce proporciona, o filme conta paralelamente a história sofrível da família de Cherrie Currie, nada de extraordinário, mas deu substância ao enredo (que se pretende nostálgico). Ademais, a participação do produtor das meninas deu um charme a mais ao filme. A maneira como ele as treinou foi digna de risos e aplausos. Tragicômico. Necessário, talvez.

Depois do filme sobre The Doors é preciso ousar para contar uma história de banda de rock. Sigismondi até que tentou, mas encaixotou a narrativa na problemática. O que deu ao filme um nível bastante mediano. Acima da média somente as fotografias e enquadramentos, gostei de algumas pirações.

Pra fechar, nada melhor do que uma música da banda, que quando teve seu fim deu um pontapé para o surgimento de “Joan Jett and the Blackhearts” (particularmente, prefiro bem mais do que The Runaways…).

Por: Morgana.