Anjos da Noite 4

Anjos da Noite 4 – O Despertar  – Underworld Awakening

Direção: Björn Stein

Gênero: Terror

EUA – 2012

Anjos da Noite 3 retratou a vida dos vampiros e lycans desde sua origem, mostrando a filha do vampiro (Sonja) que se relacionou com Lucius (que é um lobisomem-escravo queridinho da patota vampírica) etc. É como se fosse o primeiro filme embora tenha sido lançado como continuação da saga. Deste modo, Anjos da Noite 4 é continuação, por assim dizer, de Anjos da Noite 2, que é o filme onde Selene se envolve com Michael, lycan híbrido.

No filme atual é mostrado um mundo mais tecnológico, por sua vez, mais fictício, onde foi desenvolvida uma tecnologia que destrói e/ou congela os vampiros e lobisomens tornando-os bem mais frágeis que seres humanos.

Neste ínterim, é importante notar a “medicalização” de tais seres como se o que não coubesse na “normalidade” compulsória tivesse – necessariamente – que ser banido, excluído da sociedade.  De forma que vampiros e lycans compõem, ou melhor, ajudam a compor, o quadro das minorias sociais. Eles ainda não marcham demandando espaço na sociedade, como ocorre em alguns seriados e filmes vampirescos, porém em Anjos da Noite 5 é possível que marchem em prol de um lugar ao Sol. Opa! Sol? Estamos falando, por enquanto, de vampiros, então, nada de Sol!!!

É sob esse crivo que o filme se desenvolve: na clara escuridão da medicalização dos seres da noite…

Em termos práticos, Selene teve uma filha.Apenas em termos práticos. Felizmente, o filme não mostra nem a gravidez, nem o parto. Seria penoso e lamentável assistir a mais um filme que perde tempo com uma ideia sumariamente infeliz, tal como “Amanhecer – Saga Crepúsculo”. A filha, por sua vez, já aparece no filme em estado pré-adolescente com aparência de 12 anos (se bem que eternidades não somam anos, mas…). Estou presumindo isso porque foram doze anos que os cobaias zero, um e dois ficaram presos e congelados. A menina é uma híbrida, o que lhe confere força descomunal, porém não gostei muito da transformação dela, soou muito a cara da garotinha “seven days” de “O Chamado”. Sem contar que Michael teve pouca participação neste filme deixando os cientistas com ares de empoderamento desnecessário.

Selene, claro, não demonstrou afeto à filha, embora houve a tentativa de protegê-la apenas por sua força e hibridismo. Ao menos foi fiel à sua alma vampiresca.

Enfim, um filme que terá continuação com a “filha de Rosemary” viva e na ativa, o que não passará de um blockbuster de nível mediano.

Por: VAMP.

Lanterna Verde

Lanterna Verde – Green Lantern

Direção: Martin Campbell

Gênero: Ação, Ficção Científica, História em Quadrinhos

EUA – 2011

Sobre Martin Campbell: Neozelandês, seu estilo para filmagens é um tanto fantasioso e cheio de ação, o que pode ser conferido nos filmes 007 em que esteve à frente. Com filmografia curta, mas significativa, parece que só pega filme de grande porte, no entanto, nenhum filme dele realmente foi criativo. Faz o dever de casa e só.

Sinto por ter sido ele a pegar Lanterna Verde para transformá-lo em arte cinematográfica. Talvez tivesse sido melhor apostar em um diretor que já tem estrada nesse quesito quadrinhos, que vale dizer não é fácil. Eu apostaria em Sam Liu… ainda mais porque Lanterna é da DC Comics.

Campbell fudeu com o Verdão, essa é a verdade. E ainda deu entrevistas dizendo que topou a ideia do filme por causa de sua conta bancária. Fez questão de insinuar que não tem a menor intimidade com a história do Lanterna. Não adianta maquiar o óbvio. O que me faz perguntar: por que escolheram esse cara para dirigir essa história???? Bastidores que ultrapassam a lógica e qualquer entendimento.

Sobre Ryan Reynolds: personagem Lanterna Verde – Hal Jordan. definitivamente? Não tem nada a ver com o Lanterna. Se mostrou o tempo todo arrogante e com questionamentos imaturos que nem de longe são descritos nos quadrinhos.Até entendo que uma coisa chama a outra, ou seja, chamaram o cara para garantir certo lucro, mas de que adianta deixar milhares de fãs insatisfeitos com o resultado?

Eu gosto de personagens e super heróis que são divertidos, debochados com a vida, mas que passe certa sinceridade no compromisso maior de qualquer herói: salvar e proteger. Reynolds, extremamente apagado em todo o filme (ao contrário de Sinestro – Mark Strong), foi uma péssima escolha e a sua roupa detonou o Lanterna.

Sobre Mark Strong: personagem Sinestro. Obviamente que alguns pontos cruciais dos quadrinhos tiveram que ser modificados para caber no cinema. No entanto, os embates com Jordan foram forçados e não passaram credibilidade.

Porém, vale ressaltar que Sinestro teve uma atuação muito mais criativa que Hal Jordan. Só não foi mais talentoso que Peter Sarsgaard, personagem de Paralax, o vilão dos vilões.

Sobre Peter Sarsgaard: personagem Paralax, o vilão. Em primeiro lugar, é preciso dizer que Paralax foi o personagem melhor construído em todo o longa. O ator se entregou na personalidade do vilão, conferiu franqueza ao proposto. Além do mais, gradativamente, a transformação dele de cientista para um psicótico com mania de grandeza foi muito bem feita em minha opinião.

Pena que, como se trata de um vilão, tratou de virar o bode expiatório do fracasso do filme. É um absurdo, ainda mais se compará-lo ao Reynolds – que se percebe não ser fã do Lanterna Verde, o que faz imensa diferença.

Sobre a história do filme: certa fidelidade com o quadrinhos, porém, eu confesso que esperava mais. Decerto que o marketing é importante, os dólares também, mas o que mais importa para os fãs é ver a história se desenvolver da melhor maneira possível e que não produza um sentimento de frustração.

Hal Jordan passou o filme praticamente sozinho, sendo que a marca registrada dos Lanternas é o sentimento de grupo e de amizade. Eles atuam juntos, um salva a pele do outro, são extremamente fiéis e companheiros. Campbell construiu um personagem solitário, antipático e arrogante. É quase um Batman de roupa verde!!!

Sem contar que nesse quesito cinematográfico a Marvel sai no lucro. A DC Comics é muito boa em animações. Não me admiro que esse filme foi um fracasso em bilheterias.

Eu saí frustrado do cinema. Teria feito um trabalho melhor…

Por: Leo Shina.

Skyline

Skyline – Skyline: A Invasão

Direção: Brothers Strause

Gênero: Ficção Científica, Besteirol Agudíssimo

EUA – 2010

Um ano depois…. Distrito 9 rendeu uma melhor bilheteria, vale ressaltar e recomendar.

Enfim.

Bom, eu sei, eu sei, eu sei, EU SEI, que deveria ter escrito sobre ele há mais tempo e assim que o vi, mas é que fiquei me questionando (na época) o por que  de dizerem que esse filme é sobre invasão alienígena e então acabei me esquecendo dele, uma vez que o filme é sobre um grupo que se tranca num apartamento  para se proteger de bichos-papões que roubam cérebros E SÓ. Qualquer coisa que se diga além disso é querer forçar a barra.

Por: Guerra de Pipoca.

 

Gigantes de Aço

Gigantes de Aço – Real Steel

Direção: Shawn Levy

Produção: Steven Spielberg

Gênero: Ação, Aventura, Ficção Científica

EUA – Índia – 2011

História de superação, pai que não quer saber do filho, filho que consegue acessar o coração do pai e fazê-lo querer estar junto dele… mas não para por aí, felizmente!

Charlie Kenton é um ex lutador de boxe, otário, pedante, caloteiro e que na atualidade luta com os robôs. Na verdade, o que acontece é que o boxe se sofisticou em tecnologia e ao invés de seres humanos no ringue, agora são robôs do tipo “homem de ferro”. Hugh Jackman na pele de Kenton teve que incorporar seu papel de sucesso(Wolverine) para dar vida à Charlie. Soa estranho recorrer a outro personagem para conseguir dar corpo autêntico em outro papel, mas foi isso mesmo que aconteceu. Deu certo.

Porém, quem foi a estrela do filme foi Max (Dakota Goyo), seu filho de 11 anos que passou a vida sem o pai. O moleque é esperto pra caramba e a graça do filme é que mesmo sendo rejeitado o filme não apelou pro sentimentalismo barato. Max e Charlie estão em pé de igualdade e o que liga ambos não é uma relação pai – filho, mas sim um robô, que supostamente não tem sentimentos.

A parte de ficção científica do filme soa como “revival” de antigamente. O longa é quase um Rock Balboa dos Robôs, vamos combinar! A luta entre o robô de Max e Zeus, o invencível, nos lembrou demais a luta final do Rocky com o gigante da ex-URSS… Bater até cansar para no fim revidar.

A mensagem de todo o filme é essa: apanhar, cair e depois levantar, ganhar. Balboa até hoje comemora essa fórmula. Dizem que em time que está ganhando não se mexe, o que torna repetitivo esse formato em longos 20 anos. Mas até que algo diferente aconteceu: Rocky não nocauteia o Russo…

Ponto forte do filme: o trailler de Os Vingadores antes do filme começar. A que tudo indica, os atores que fizeram os heróis isolados em seus filmes particulares vão atuar nesse longa, o que dará mais veracidade ao elenco.

Por: Guerra de Pipoca e Vampira Olímpia.

Crimes do Futuro

Crimes do Futuro – Crimes of the future

Direção: David Cronenberg

Gênero: Experimental

Canadá – 1970

Combinemos, o filme é um porre. Não tem movimento, o estilo é de documentário-experimental, os ares são de descoberta, é chato! Porém, algo está em suas entrelinhas o tempo todo, o que torna-o intrigante: o cheiro de erotismo, isto é,  Cronenberg conseguiu inserir no contexto futurístico o gosto picante do erótico e do sexo, o cheiro da transgressão. O futuro, neste caso, é a transgressão.

Isto choca o espectador, porque quando se escolhe pegar um filme chamado “crimes do futuro” o que se espera ver é toda uma tecnologia futurística que abarque o título e a ideia a priori de ficção científica: muita máquina, mudanças do tempo, poderes futurísticos etc. Não é o que se vê. O curta, por assim dizer, de uma hora é chato e tedioso, porque “não tem” futuro, mas tem um choque visual-cultural muito expressivo e que incide nas profundas moradas da simplicidade transgressora. Pra ser transgressor não precisa ser Lady Gaga, exagerada etc, basta estar um passinho “acima” do teu tempo. (E depois, estar a dois passos do paraíso :P )

Desde o início do filme-experimento, quando o médico aparece com unhas vermelhas (em pleno anos 70, hein?), fumando um cigarro, ao lado de mais dois médicos, já mostra alguma transgressão que Cronenberg deseja transmitir. Em primeiro lugar, os médicos são seres classistas e certinhos. São padronizados, não falam mal de outros médicos em público, se unem por causas próprias da profissão e ganham o que buscam, posto que o discurso da classe médica é de autoridade. Sim, se um médico me diz: “Morgana, você está doente”, não vou questionar. É uma autoridade dizendo sobre mim e eu acato. A não ser que eu vá sentar numa cadeira de universidade por mais 7 anos para constestar o seu saber, o que não é o caso.

Então, um médico de unhas vermelhas e fumando, outro vestido completamente de preto, onde o “certo” é estar de branco, tira os olhos do espectador do lugar comum de conforto e familiaridade. É possível até mesmo se perguntar se essas pessoas são mesmo médicos, uma vez que estamos sob o domínio dos rótulos constantemente. Aquilo que não faz parte do “metiê cultural”, logo é apelidado por algo pejorativo. Sabemos disso.

Outrossim, numa clínica de excelente arquitetura ter apenas um paciente é de fritar os ovos na própria cachola, não? Sem contar que é um paciente especial, ele produz uma gosma branca nos ouvidos que deixa os médicos com cara de tesão… se me entendem…

Não está em jogo dizer sobre os acontecimentos, o que vale a pena ser dito do filme é isso: trata-se de um jogo erótico entre médicos e paciente, mas a graça é que isso não é explícito, está nas entrelinhas do experimento futurístico… enfim, Cronenberg em seu início em cinema!

Por: Morgana.

Contra o Tempo

Contra o Tempo – Source Code

Direção: Duncan Jones

Gênero: Ficção Científica

EUA – 2011

Ainda não estreou nos cinemas, então nem se preocupem em buscar links etc, pois ninguém precisa estar contra o tempo, somente o Capitão Colter Stevens (Jake Gyllenhaal – adoro esse ator) e, em certa medida, eu – que já me antecipei rsss.

O filme chega sem pretensões e com público certo esperando por sua entrada nos cinemas, e por isso mesmo é muito legal! A história é muito boa e simples, porém, de amarração detalhista e que necessita da atenção do espectador para acompanhar como se deve o desenvolvimento da narrativa, que consiste em:

Capitão Stevens faz parte de uma missão para salvar um trem em Chicago que explodiu inúmeras vezes. Aí entra a ficção científica: o exército americano consegue fazer voltar o tempo em 8 minutos para descobrir a identidade do terrorista. A cada vez que explode o trem, Stevens descobre algo importante para desvendar todo o mistério. Neste quebra-cabeça conta com duas ajudas importantes: Christina (Michelle Monaghan, do filme Missão Impossível III) – passageira do trem e fã do homem que Capitão Stevens se apossa do corpo (é preciso ver para entender, mas pra quem viu 12 Monkeys fica mais fácil de captar a mensagem) e Capitã Goodwin (Vera Farmiga, filmografia expressiva, sobretudo quando atuou em Os Infiltrados do diretor Martin Scorsese) – que faz parte do centro militar que comanda a operação.

A inovação que me fez apreciar o filme é que a volta ao tempo não se dá por máquina do tempo, mas sim por reconfiguração da decodificação da memória. Audacioso, mas muito interessante, sobretudo porque vivemos  imersos numa operação de códigos que vem crescendo ainda mais com o aumento da informática e possibilidades tecnológicas. É como se fosse possível aproveitar das informações cerebrais mesmo com os corpos mortos (isso me lembra o seriado Fringe… que também recomendo). A ideia é muito louca, mas pertinente, ainda que o cérebro comece um processo de deteriorização em pouco tempo depois que há uma quebra de oxigenação cerebral (via de regra, em 5 minutos sem oxigênio, o cérebro já começa a morrer).

O que se torna gostoso é que ainda que os recursos para explicar toda essa dinâmica sejam pautados na neuropsicologia e física, Duncan Jones soube por a arte em primeiro lugar. De forma que o filme não é cansativo e muito menos chato. É super bacana!!!

Felizmente, vi um filme de ficção científica em 2011 que vale a pena, pois corroboro com a opinião de Jason (expressada nos comentários de Os Agentes do Destino, logo abaixo): está cada vez mais difícil fazerem ficção científica de qualidade e que seja realmente sci-fi. Este é! Tem um romancezinho? Tem. Mas está em outro plano, em outros códigos…

Por: Morgana.

Os Agentes do Destino

Os Agentes do Destino – The Adjustment Bureau

Direção: George Nolfi

Gênero: Ficção Científica

EUA – 2011

Estava muito ansiosa para assistir a este filme, pois é baseado em um conto de Philip K. Dick (1928-1982) chamado The Adjustment Team, que trata o livre arbítrio numa perspectiva de ficção científica. Conto sombrio que dá margem a muitas perguntas e poucas respostas.

Tudo que eu tenho são escolhas que eu faço. David Norris (Matt Damon)

Porém, a obra de Dick foi mal explorada e a riqueza do roteiro cedeu espaço para o medo de lançar um filme que choca o mundo do cinema, como Matrix. George Nolfi, diretor de Doze Homens e um Segredo e O Ultimato Bourne (acho que ele gostou de trabalhar com Damon), não ousou em cima do que é ousado. Fiquei frustradíssima com o filme, pois a história não passou de um caso de amor confuso com a vã tentativa de dar margem à ficção científica.

É preciso lembrar que não é fácil fazer um filme desse gênero porque as ideias de maquinaria, futurismo, efeitos especiais, vem à mente da plateia de imediato.  Se não há estes elementos, parece faltoso, dramático. Então, se o assunto é livre arbítrio tudo se torna um pouco mais complicado, porém, bastava seguir o conto à risca que o filme seria apresentado com mais qualidade.

Nesta perspectiva de romance meloso que o filme se apresenta, temos David Norris (Matt Damon) que é um político novo com aparente carreira brilhante pela frente e Elise (Emily Blunt), uma bailarina em ascenção. Os agentes do destino não querem vê-los juntos. Tudo isso para não estragar as carreiras de ambos. A margem para a questão: por que não é possível unir o amor ao profissional, é um fato. Parece que estamos vivendo o tempo da solidão, porque nos tornamos máquinas desenfreadas… O que há demais, afinal, em um brilhante carreirista político se apaixonar?

Os agentes mais se parecem com Sr. Smith de Matrix somado aos agentes de Homens de Preto. A diferença é que eles usam chapéus mágicos que permitem mudar de ambiente quando abrem portas girando a maçaneta ao contrário. Pelo menos um ponto em que é possível elogiar o filme: as mudanças de ambiente ficaram ótimas! Muito legal esse efeito especial do espaço-tempo.

Tudo muito à sombra do conto, é bem verdade, mas existem ganchos com os questionamentos sobre livre arbítrio. Afinal, temos livre arbítrio? Se temos, temos opções? Se temos, temos direito a mudar as opções de escolhas?

Thompson, um dos agentes, diz para David: – Vocês não tem livre arbítrio, David. Apenas aparentam ter.

David responde: – Espera que acredite nisso. Tomo decisões todos os dias.

Thompson: – Há livre arbítrio para escolher uma pasta de dente ou o que beber no almoço, mas a humanidade é imatura demais para controlar coisas importantes.

Não é difícil supor que o filme fez uma mistura entre romance, ficção científica e catolicismo, certo? Até mesmo um dos agentes confirmou que já teve um tempo em que eles eram chamados de anjos. O que conferiu à obra uma confusão de assuntos que não ficou legal. Não sei se depositei expectativa demais no lançamento deste longa (sou apaixonada por ficção científica), mas certo é que não gostei do resultado final.

Por: Morgana.

Van Helsing

Van Helsing

Direção: Stephen Sommers

Gênero: Comédia

EUA – 2004

O que impressiona é o fato do filme ter custado 95 milhões. Não me admiro que mais da metade dessa grana tenha sido gasta em cachês. Bastante estrelinhas para pouco brilho.

Pra quem não sabe, Van Helsing é um personagem do livro Drácula de Bram Stocker, médico e cientista idoso, pioneiro em tratar vítimas de Drácula. Neste filme, Van Helsing é um caçador de monstro – de todo tipo e espécie – que tem a dura missão de matar o mestre dos mestres. Obviamente, a história nem por um segundo foi fiel à origem do personagem, pois o filme é a união de 3 histórias, a saber, Drácula de Bram Stocker, Lobisomem e Frankenstein. Pode-se notar, ainda, a história de Stevenson O Médico e o Monstro. O longa, com isso, se perde. São muitas referências.

Tratando-se de cinema, as referências também comparecem, pois o final é muito parecido com “A Dança dos Vampiros” de Polanski. O que dá a clara ideia de colagem mal feita e mal costurada. Ainda mais porque o enredo não deixou por menos no romantismo dualista: herói x bandido. O Herói, sabemos, é o Wolverine na pele de Van Helsing. Estranhamente, Van Helsing não utiliza nenhum artifício científico – sua marca registrada em Bram Stocker -, mas sim é um lutador nato. Bate, pula, corre, voa e até dança. Enfim.

Pra fechar com chave de ouro, nosso herói conta com a ajuda de Frankenstein e do lobisomem Valerius e sua irmã Anna Valerius para derrotar  Drácula e seus planos de reprodução em massa (o que lembram, certamente, as incubadoras de Matrix).

Porrada daqui, pancada de lá, o filme segue sem rumo, história sólida e sem algo que realmente prenda o espectador. Não recomendo.

Por: Vampira Olímpia.

Lutando contra o Tempo

Lutando Contra o Tempo –  Ticking Clock

Direção: Ernie Barbarash

Gênero: Suspense, Ficção Científica

EUA – 2011

Particularmente, não gosto de filme de mistério e suspense em que o assassino já é anunciado na primeira cena. Explico o por que de meu gosto: quando a identidade do assassino é exposta para o público o filme deixa de ser de mistério e passa a ser de “corrida contra o tempo”, ação, “pega ladrão”, “policial e bandido”, enfim. Não há mistério, salvo em como o assassino será capturado. Nada mais é do que uma caça de gato e rato, onde ora o assassino é gato, ora rato. Bastante óbvio, por isso não é dos meus favoritos.

Disseram-me que este filme se equivale (em qualidade) à Seven e ao O Silêncio dos Inocentes. Mentira deslavada! (1) Porque Cuba Gooding Jr. não tem o mesmo “tino” que o elenco dos filmes comparados acima (Anthony Hopkins, Edward Norton, Jodie Foster, Brad Pitt, Morgan Freeman…); (2) Porque, em definitivo, a trama – que é o que interessa – é surreal; (3) Porque a imitação ao “Efeito Borboleta – parte 1” é notória e bastante aquém…

Quando se lê o título somado à sinopse, a ideia é de um outro filme! (Sinopse: (…) Um jornalista de página policial especializado em homicídios brutais ao encontrar o corpo mutilado da sua nova namorada e obter um diário macabro que revela a lista das futuras vítimas do assassino, ele terá que correr contra o tempo e encontrar maneira de impedir os terríveis assassinatos antes que eles ocorram). O que se supõe? Que a corrida contra o tempo é em função somente de impedir mais crimes, certo? Pois bem… só que não é exatamente este o sentido do tempo…

Não me importo com enredos surreais desde que sejam bem sustentados. Gosto de admirar a liberdade criativa de quem é artista, mas a surrealidade no sentido de total falta de nexo e que a qualidade se perde em delírios particulares… realmente, não me apetece.

No mais, as mortes seguem um padrão de crueldade até aceitável pela mente doentia do criminoso, mas não entendi o por que no diário macabro não tinha a presença de nenhum homem para ser morto. A repetição de só matar mulheres foi forçado.

Enfim, um filmeco para domingos tediosos.

Por: Guerra de Pipoca.

 

2 anos de Guerra de Pipoca!!!

Enfim, se fechamos o ciclo de mais um ano, então, que venha mais! Somos gulosos!

:D

Parabéns para nós!

Beijos,

Guerra de Pipoca.

O Último Mestre do Ar

 

O garotinho Avatar chamado Aang

 

O Último Mestre do Ar – The Last Airbender

Direção: M. Night Shyamalan

Gênero: Fantasia, Desenho, Seriado, Animação

EUA – 2010

A minha decepção com o filme e direção passou. Não de maneira gratuita, foi preciso eu assistir um capítulo do seriado “Avatar: As Lendas de Aang” para perceber que o filme é uma adaptação do mesmo e que não é uma grande loucura da cabeça de Shyamalan, mas prefiro não me referir à direção dele. Depois disso, revi o filme para poder falar melhor sobre o tema, mas minha opinião de que “O Sexto Sentido” e “A Vila” são os melhores e que as obras feitas posteriormente por este diretor sofreram um claro declínio de produção permanece de pé.

O Último Mestre do Ar é uma adaptação de um desenho produzido pela Nickelodeon Animation Studios. Trata-se de um seriado sobre um mundo fantasioso pautado nas artes marciais e ideologias chinesas. De acordo com o desenho, e agora com o filme, a humanidade é regida pelos 4 elementos: ar, fogo, terra e água, dividindo-se em 4 nações respectivas. O Avatar é aquele que não só tem a capacidade de unir os 4 elementais, como também consegue dialogar com o mundo espiritual. Ele é a ponte entre a matéria e o espírito. E também o último mestre do ar. (Ao menos os atores não são absolutamente “americanizáveis”, porque de último guerreiro a insultar a cultura oriental, já basta o Tom Cruise com o último samurai).

No filme, o Avatar  (Aang) é um garotinho de seus 12 anos, que atuou até direitinho. Como era o último mestre do ar, foi perseguido pela Nação do Fogo. Reino dividido pelo poder e ambição. De um lado, um rei ambicioso que deserdou o próprio filho em nome do poder. De outro, o príncipe deserdado (Zuko) que busca, com a ajuda de seu tio (General Iroh), pela limpeza de seu nome e honra. De outro, o ‘fiel escudeiro’ do rei, que não favorece nem um, nem outro, quer saber do seu. Enfim… o poder corrompe, já dizia algum ótimo observador da índole humana. E o poder aqui é para ter as mesmas condições dos deuses, se entendi o babado forte do filme.

Digo dessa maneira porque as coisas acontecem de maneira bem rápida, Shyamalan disse em entrevista que precisou tirar 40 minutos de filme por ordens superiores. Eu entendo o motivo que os superiores deram essa ordem! Fico imaginando mais 40 minutos de kung fu misturado com poderes surreais dos 4 elementos e penso: Ufa! Que bom que são só 1:35h de filme!

As fórmulas são conhecidas, a ideia é clichê e os atores são ruins demais. Não dá liga! Sabe quando não há sintonia e por mais que se force uma situação é notório que os atores se sentem presos nos diálogos e não se deixam “dançar” pelo momento? Não há insight, o aspecto “decorado” é visível… e risível. São ruins demais.

Até que Katara, a Dobradora da Tribo da Água, atuou  mais ou menos sintonizada com Aang. Mas seu irmão Sooka e a Princesa Yue não convenceram mesmo!!!

No fim, a Princesa Azula e o Rei da Nação do Fogo dão a deixa de que terá continuação… Céus! Como será isso, a saber!

Pontos altos do filme são: Tai chi chuan feito pelos membros da Tribo da Água, o aspecto zen e os super poderes surreais que eles tem. De resto, eu pulo.

Até agora não sei o que diabos é esse animal. Sei que ele faz um som muito estranho e é um bom amiguinho de Aang… Não sei se eu queria um desse pra mim, embora ele seja o Bombril do filme, tem mil e uma (in)utilidades…

Por: Guerra de Pipoca.

Predadores

Adrien Brody e Alice Braga

Predadores – Predators

Direção: Nimrod Antal

Gênero: Ficção Científica, Suspense, Aventura, Ação

EUA – 2010

Não é preciso dizer que o brutamontes Arnold Schwarzenegger deixou lembranças, certo? Vou pular todo o saudosismo que Predador impõe porque a ideia  de Predadores é de saudar os fãs. Um presente de fã pra fãs. Está na cara que Antal delirou e muito com os momentos em que Schwarzenegger metralhou um, dois, três, alienígenas… talvez quatro, cinco…(?) Quem é que não viu o original, né?

Sabem aquela garota (Alice Braga) que namorou o Bené em Cidade de Deus? Aquela que o tiraria do crime se Zé Pequeno não o matasse? Pois não é que ela está nesse filme e fez bonito? Vamos do começo.

O começo foi estranho, confesso. Esperava um bombadão pra substituir Arnold e de repente só vejo o nariz de Adrien Brody (filme O Pianista) caindo livremente de para-quedas! O que Arnold tem de tamanho, Brody tem de nariz. Mas vamos combinar! O que Schwarzenegger tem que aprender pra ser bom ator, Adrien já é doutor faz tempo… Brody é excepcional! Mas ele tem mais cara de pianista do que de mercenário matador, porém, não fez feio. Gostei bastante da sua atuação.

A ideia do filme é muito simples: 8 predadores humanos são jogados num planeta de alienígenas predadores. Que vença o melhor!

Assistiram O Cubo? Então… o prejuízo desse filme, pra mim, é a falta de sentido; além da experiência científica, de prender as pessoas naquelas provas infindáveis dentro de um cubo gigantesco. A minha sensação com Predadores, tal como com Predador, é a mesma com O Cubo. Qual é, afinal, o objetivo de lançar predadores humanos em um planeta de predadores alienígenas? Evolução estratégica? Conhecimento territorial para possível domínio? Então por que não mandar logo um batalhão? As chances numéricas aumentariam as chances reais de sobrevivência, não?

Bom, de mato eu entendo rsrsrs! E gosto de ver filmes onde a estratégia se dá na selva. Aí, quem me lê pensa: “Que loucura… a Guerra de Pipoca não gosta de A Origem, e demonstra gostar de Predadores?”. É isso mesmo.

Explico o por que: Predadores não se pretende “cabeça”, portanto não se enrola na narrativa, não há profundidade alguma no filme: trata-se de um jogo de sobrevivência onde os aliens estão, em termos evolutivos, à frente dos humanos. Como errar e se perder no contexto? A Origem é uma teia de aranha que se pretendeu super profunda e NÃO deu conta do recado. Já Predadores, é extremamente linear e tem como objetivo entreter e só. Não… minto… tem também o objetivo de alegrar os fãs de outrora. Qualquer um que vá assistir a esse filme sabe exatamente o que encontrará e ele cumpre com o combinado.

Laurence Fishburne aparece muito pouco e não fez uma atuação digna de Morpheus em Matrix, deixou a desejar.

Agora, querem saber o que realmente roubou a cena, além do nariz de Adrien? O nome do ator que atuou como predador-estuprador-assassino, que estava preso e no corredor da morte, e que misteriosamente foi lançado no planeta pra morrer: Mahershalalhashbaz Ali.

Poxa… uma mãe passa nove meses carregando um filho na barriga e, quando este nasce, ela o batiza por “Mahershalalhashbaz Ali”??????? :D Aqui não tem como disfarçar: baita palavrão, literalmente rsrsrs. A Wikipedia me socorreu. Diz ela que Maher-shalal-hash-baz é um nome hebreu bíblico. Aff! rsrsrs.

Cliquem Aqui

Por: Guerra de Pipoca.

A Origem

A Origem – Inception

Direção: Christopher Nolan

Gênero: Mistério, Drama, Ficção Científica

EUA – 2010

Existem vários tipos de bolo. Os mais saborosos são aqueles de várias camadas. Onde se aprecia cada nuance de textura e sabor. Os afoitos ficam impressionados com a cobertura e até lambem-na com sofreguidão. Outros vibram com a beleza plástica do confeito. Alguns mastigam rapidamente, pois é muito gostoso. Raros são aqueles que demoram em cada pedacinho, atentos aos detalhes. E mais raros ainda são os que tentam lembrar retrospectivamente de cada ingrediente ali colocado. E a exceção é quando a pessoa une o bolo às suas próprias vivências e fundem-no com seus desejos e prazeres. O filme que assisti é assim. Em camadas e interpretações. Um bolo bem arquitetado e até certo ponto, de fácil compreensão.

O didatismo do filme, em que mostra a necessidade de um sonhador experiente para invadir o sono de outrem, aliado ao arquiteto, que faz o ambiente, é ótimo. Assim, o grande público pode acompanhar os delírios oníricos e imagens sensacionais do diretor Nolan, que mostra ser capaz de brilhar tanto na reflexão como na ação. O protagonista é Di Caprio, atualmente um ator maduro, firme, e seguro. Até que enfim! Até sua beleza feminina consegue torná-lo verossímil. Ele está durão, sofrido e dual.

O plano é policial. Em vez de roubar um segredo, inserir uma idéia. A observação acerca de como essa idéia cresce e torna-se quase que uma obsessão no sujeito interceptado é muito coerente. Acredito que Freud ficaria feliz ao ver demonstrado que o sonho é a estrada real que conduz ao inconsciente. As delicadas regrinhas, tais como ter um totem – leia Jung- à mão (objeto pequeno, pesado, somente manuseado pelo dono) para saber se o momento é real ou sonhado. Ou a necessidade de um “salto” para despertar de cada camada. Ou a existência de uma região chamada limbo, e até a presença arquetípica de sua esposa, contrapondo suas ações. Tudo é muito bem orquestrado.

Desde o nome dos personagens, ou Ariadne não é nada? Ou a escolha do totem dela é aleatória? Não, meus queridos. O filme inteiro conspira para você entrar dentro dele e participar. Olhando de maneira quase voyeurística o sonho deles e podendo escolher o seu no final.

Cada etapa reflete uma sensação corporal do sonhador envolvido. Repare bem na vestimenta dos filhos do casal, e até na aliança que ele usa. Faça uma retroação visual para os momentos de ação em Mombaça. Principalmente naquela parede estreita. Tente lembrar do texto que se refere às pessoas idosas sedadas e em sonho profundo. Nada é gratuito.

O final é maravilhoso. Uma carrapeta girando. Comprei semelhante, no Nepal. Um encontro tão sonhado. E será que não ficou perfeitinho demais? Tudo certo como dois e dois são cinco? Cabe a nós escolher o caminho, pois Nolan sonhou tão bem que nos envolveu também!

O que há de bom: as imagens intrincadas e o roteiro vindo de uma idéia complexa ser destrinchado de maneira simples

O que há de ruim: não sei dizer, talvez a duração do filme, eu queira mais

O que prestar atenção: ah, tudo! O filme desfia imagens reveladoras e a capacidade de continuidade é fantástica, a coordenação de cada despertar é obra prima de câmera, até o gestual de cada personagem reflete bem como ele é na vida real e sonho e até varia de acordo com o sonhador…

A cena do filme: todas que se repetem, pois são a chave para adentrar mais profundamente no enredo e seus segredos, tais como as crianças brincando, o diálogo entre o velho e o novo e a ausência ou não do totem, pontes e passagens

Cotação: filme excelente (@@@@@)

Obs.: assista-o de maneira calma e relaxada, aproveite cada instante e grave-o, depois refaça tudo novamente e reveja – agora com olhos detetivescos – uns meses depois

Por: C.O.B.R.A.

Homem de Ferro 2

Homem de Ferro 2 – Iron Man 2

Direção: Jon Favreau

Gênero: Besteirol Agudíssimo, HQ, Ação

EUA – 2010

Cada época tem o herói que merece. Em momento de superexposição midiática, numa sociedade consumista ao extremo, ególatra e emocionalmente instável, eis aí o Homem de Ferro. Um super ser que se funde com a identidade secreta, tornando-se público.

A diferença entre homens e meninos é o preço de seus brinquedos. Ditado popular norte-americano. A comunidade militar deseja a armadura de Stark e o rival infantilóide, Sr. Hammer, idem. Seu embate contra Stark no tribunal e nas TVs é digno de pena. Não sei quem é mais besta, se Stark com seu narcisismo premente ou Hammer com a sua carinha de Bambi querendo chamar a mamãe!

Vamos para o Grande Prêmio de Mônaco, que por sinal é o mais seguro e vigiado de todos da Fórmula 1. Um sujeito vindo não se sabe de onde invade as pistas, na contra-mão, brincando de chicotinho queimado! Ele é um sub-vilão chamado Ivan Vanko, um russo filho de gênio e que cria uma cacatua.

Logico que o bobinho do Hammer se une ao tatuadíssimo Vanko, vivido por Mickey Rourke, num personagem estrebuchante de feio. Enquanto isso Tony/Homem de Ferro sofre com a contaminação de vanádio em níveis altíssimos na sua corrente circulatória.

Devo dizer que até gosto dos diálogos rasteiros e piadinhas engraçadas de Tony. Mas o personagem tem muito mais destaque do que o herói. Como se o ator Robert Downey Jr. eclipsasse o mesmo. Assim fica aquela imagem de sujeito malandro, boa pinta, meninão que a galera adora. Igualzinho ao Sherlock, ao outro Homem de Ferro e papéis anteriores dele?

Eis que surge a Viúva Negra. Bom visual rebolativo e cabelos vermelhos. Mas mulher para ser gostosa precisa de mais carne e aquela sensação de que você pode pegar ela, de acessibilidade. Se não, vira uma Gisele da vida. Linda, mas inalcançável. Homens comuns não gostam. Para mim ele luta bem melhor do que o próprio Homem de Ferro, que tem suas ações ofuscadas pelo amigo-rival coronel James Rhodes, único que parece levar a sério a fita e o seu papel.

Quase morrendo com o vanádio no peito. Metal que nem existe puro na Natureza, deveria ter analisado melhor a liga formada com alumínio e titânio, inócuos ao ser humano, e utilizados em próteses ortopédicas. Mas tudo bem, a descoberta do novo composto, com direito a herança paterna e visão trimidimensional “hi-tech” é legal.

O embate final é fraco, aliás para um filme de ação ele está cheio de diálogos desnecessários e uma inversão de papéis principais. Robert Downey é bom ator, mas o personagem ficou muito maniqueísta, pueril e superficial. Igualzinha as “celebridades” de hoje.

O que há de bom: ferros rangindo, trilha sonora criativa e cheia de style e algumas “voadeiras” esteticamente bonitas e eficazes da Natasha

O que há de ruim: repetição de uma fórmula anterior de sucesso elevada ao cubo, que acabou ficando quadrada

O que prestar atenção: pelo menos as tatuagens do Vanko seguem o padrão das prisões russas e seu rígido código identificador

A cena do filme: ele chegando no palco e agachando, atlético e urinando na armadura; patético

Cotação: filme regular (@@)

Por: C.O.B.R.A.

Os Doze Macacos

2035 - Bruce e a Diretoria do Presídio

Os Doze Macacos – Twelve Monkeys

Direção: Terry Gilliam

Gênero: Ficção Científica

EUA – 1995

Doze Macacos é, pra mim, um filme inteligente, mesmo nos dias de hoje, por abordar pertinentes questões de maneira multidimensional. Obra que não vai envelhecer tão cedo.  Raramente surge filme em que a possibilidade científica, o fanatismo, a psicose e o misticismo se encontram num mesmo pilar. O filme constrói com este ponto uma teia de aranha tão bem arquitetada que deixo expressa minha recomendação: nada se perde ao vê-lo.

Como Gilliam conseguiu unir no mesmo ponto quatro polaridades tão diferentes? Pra mim é muito simples vislumbrar esse abismo imaginário na medida em que percebo que os conceitos que utilizamos para descrever a natureza são limitados, e por muitas vezes, não são características da realidade, como tendemos a supor. Traçar um mapa e conferi-lo no território ainda são duas coisas diferentes para nós seres humanos, talvez não sejam para os macacos, mas desta realidade não saberemos, pois esbarraremos no impeditivo natural do Ser.

Cole se encontra em um presídio no ano de 2035; é um sociopata bastante perigoso e tem ao seu favor (além de ser interpretado por Bruce Willis) força física e a capacidade de observação e de memória acima do normal. O presídio funciona de maneira diferente, porém nem tanto, acontece que a diretoria reside também no local. Em 2035, o território terrestre é inabitável devido a liberação de um vírus letal no ano de 1996 que matou 5 bilhões de pessoas.  Cole é convocado como “voluntário” a pisar em solo terrestre (muito bem protegido) afim de buscar por modos de vidas. Ele percebe que não há humanos, mas se depara com ursos, aranhas etc. A diretoria do local, portanto, lhe oferece a possibilidade de se redimir desde que tope viajar no tempo e evitar que o vírus letal se espalhe a ponto de dizimar a vida humana na Terra. Ele, claro, aceita. Teria outra escolha?

Acontece que a viagem no tempo dá errada e ele ao invés de voltar ao ano de 1996, volta no ano de 1990. Gilliam conseguiu com esse simples detalhe a confusão necessária: ao voltar para o ano de 1990, onde nada ainda tinha acontecido por estar 6 anos antes do previsto, as pessoas o consideraram como um louco e então, foi preso em um sanatório estadual. Maravilhoso! Acontece que a loucura não se dá somente pelo sujeito estar fora da normalidade social de sua época, a psicose consiste – independente dos parâmetros culturais – no embasamento delirante e alucinatório. Chega a ser engraçado Willis explicando para a diretoria deste novo sanatório que em 1996 5 bilhões de pessoas morrerão. Delírio e alucinação? A sociedade suporta o dom da profecia com seus profetas dando-lhes cartaz de tudo que dizem?

Neste local ele consegue o apoio de duas importantes pessoas no cenário do futuro: a médica psiquiatra (Madeleine Stowe – excelente atuação) e o apocalíptico interno (Brad Pitt).  Em minha opinião, é a melhor atuação de Pitt no cinema. Ele consegue encantar o espectador com seu personagem totalmente biruta. A cena em que Pitt ajuda Willis a fugir do sanatório é uma das melhores que já vi com essa temática. Opa! Cole foi preso durante a tentativa de fuga, no entanto… sumiu da sala em que foi amarrado!

Acontece que a diretoria do outro presídio o levou de volta sob a perspectiva da viagem no tempo. Não vale questionar a possibilidade desta viagem aqui no filme, pois somente através dela que toda essa loucura é possível. Assim, é desnecessário gastar cartuchos da lei da Física, em minha opinião. Finalmente após corrigirem o erro inicial, James é mandado de volta em 1996 e encontra com a psiquiatra. Esse encontro já é outro encontro, pois aquilo que ele dizia em 1990 de repente passa a ser confirmado no presente. Fabulosa maneira de constatar o real. Ou seja, Cole deixa de ser louco e suas profecias apocalípticas passam a ter voz. Nada como a relatividade do Tempo… aqui, possível por sua viagem.

Neste sentido, os questionamentos não param de pipocar: o ser humano consegue relativizar temporalmente o momento sócio-cultural-histórico em que vive? Pelas propriedades de todas as “partes que compõe o Todo”, nenhuma parte é fundamental; isso é óbvio, mas as partes são determinadas e determinantes? O que fazemos o tempo todo é o isolamento de certos padrões e a interpretação de objetos seguindo estes parâmetros. Capturamos, com isso, o real em sua plenitude? Damos importância seletiva para o que chamamos de “compreensão da realidade”, porém, a distinção entre observador e observado é completamente demolível? O universo material é visto como uma teia dinâmica de eventos interrelacionados, a consistência global determina a estrutura de toda teia?

Por fim, o arcabouço conceitual que o homem constrói tem a importância de fazê-lo entender os fenômenos interconectados, portanto, quaisquer olhares constituem padrões relativamente estáveis ou não. De maneira correspondente, a ciência nunca poderá proporcionar um entendimento completo e definitivo. Eterna limitação pela busca de verdades que me faz ousar dizer que o homem ainda não aprendeu a relativizar o espaço-tempo em que vive (estou achando que no lugar de Bruce Willis, quem vai levar porrada sou eu rssss…).

O Todo e suas partes

Pedi para a Caríssima Guerreira Predadora escolher as imagens do filme e fazer aquele quadrinho que ela costuma produzir em seus textos, mas com um detalhe: tinha que ter o Bruce nu, porque essa é a melhor parte do filme, com certeza rsss.

Não posso deixar de dizer que o vencedor do Oscar de 1996 foi ‘Coração Valente’. Pode? Chega a ser cretino…

Por: Morgana.