Thor
Direção: Kenneth Branagh
Gênero: Comédia, História em Quadrinhos, Ação
EUA – 2011
Comentário de Guerra de Pipoca:
Um aspecto da Marvel me agrada: eles tentam, com constância, embasar suas histórias na Ciência; por exemplo, os últimos marvelianos lançados ilustram minha afirmação, que são: Homem de Ferro 1 e 2, O Incrível Hulk. No entanto, a maneira como usam a Ciência para dar sustentação à história é, por vezes, deveras surreal. Desta vez, em Thor, a Ciência foi usada como suporte, mas em momento algum foi explicado o mínimo dos estudos de Jane Foster (Natalie Portman). Talvez isso dê ao filme mais graça, afinal, poucos vão ao cinema querendo estudar, mas ao mesmo tempo, deixou o enredo furado. Pois, por que Jane Foster e sua turma estavam às voltas com tais estudos?
A entrada de Thor na Terra funcionou, inclusive em palavras, para misturar a ciência com a magia. Afinal, Asgard não separa verdades, como ele mesmo disse para Jane. Deu ao filme um caráter fantástico e fantasioso promovendo graça. Um ser, literalmente, de outro planeta é lançado na Terra. É um ET dos mais diferentes do que dizem existir, afinal, não é verde, nem tem um cabeção enorme, não conversa por telepatia… ao contrário, Thor é um ogro bastante humano (e fala inglês), por assim dizer. Esse aspecto do filme é interessante, pois os costumes de Asgard – que é o Reino dos Deuses – são bastante rústicos; o que contrapõe o imaginário de encontrar tecnologia x extrema civilização. (Ri muito quando Thor quebra uma caneca no chão da lanchonete, que é um costume de viking e não de “Deuses”). A tecnologia não implica (diretamente) em povo civilizado.
Asgard é fantástica. Linda, bem feita, Branagh está de parabéns por sua elaboração. O guardião Heimdall foi muito bem feito, também. No entanto, sinto-me pesarosa por Odin, Anthony Hopkins. Desperdício absoluto neste filme, embora proporcione soberania ao enredo. Porém, tal ator não tem cara de quadrinhos… Muito embora ele arrase em qualquer papel, colocá-lo para dormir mais da metade do filme pegou mal. Não gostei. Outro ponto que não gostei foi de Thor na pele de ogro irracional que precisa apanhar bastante para adquirir sabedoria. Loki, seu irmão, lhe deu mais lições do que o inverso. E, convenhamos, Thor da Marvel que ensina Loki e não o contrário. Mas, enfim, as cenas engraçadas passaram maquiagem nessas diferenças, foi tragável.
Um ponto que não diz respeito somente ao filme, mas, quero comentar, é Natalie Portman no papel principal ao lado de Thor fazendo uma interpretação ridícula, aquém de sua última aparição que tanto emocionou: Cisne Negro. Juro que olhei pra Morgue no meio do longa e perguntei: Que aconteceu com essa atriz? Até agora não faço ideia do que houve, do motivo que a fez ser tão ruim como Jane Foster. Enfim, pelo menos, o filme não é exatamente uma comédia romântica, se me entendem.
A ideia conspiratória também não me agradou. Sei que está na moda e tal (vou deixar pra Vamp e Morgue falarem mais sobre esse aspecto, conforme o combinado), mas antes Thor ter sido elaborado em sua busca por paz, atrapalhando os planos sórdidos de Loki, do que um perdido no espaço (literalmente) preso por uma conspiração típica americana. Enfim.
Comentário de Vampira Olímpia:
A ideia de Thor é fazê-lo sofrer longe de sua terra para aprender ensinamentos altruístas básicos, como respeito ao outro e próximo (não tão próximo assim), paz etc. Seria ótimo se a vinda dele à Terra não fosse tão tragicômica. Primeiro que Asgard fala o mesmo inglês que os terráqueos. Talvez se a comunicação entre eles fosse, no mínimo, complicada, seria mais próximo aos propósitos da inserção da Ciência no filme: dar realidade ao enredo. É patético que até mesmo as piadas entre eles sejam iguais!
Ainda assim, gostei do filme pela grandiosidade fantástica do intercâmbio entre três planetas (não se pode esquecer dos Gigantes do Gelo). Sobre eles que irei falar. É óbvio que se o sentinela não conseguiu ver a entrada dos Gigantes do Gelo, então é porque há um traidor. E um traidor que conhece bem Asgard, do contrário não conseguiria burlar uma segurança tão forte. O que sugere de imediato que Loki tem seu dedinho nisso. Considero esse ponto do filme bastante atual, uma vez que novamente estamos (no sentido de mundo) retomando o assunto datado de 10 anos atrás: a invasão planejada da al-Qaeda nos EUA. Alguém teve que trair os EUA para isso acontecer. Quem?
Comentário de Morgana:
Que cidade perdida no nada é a do filme, não? Se tiver 5 ruas e uma avenida principal, é muito. E de repente, não mais do que de repente, a equipe tática da S.H.I.E.L.D. (Superintendência Humana de Intervenção, Espionagem, Logística e Dissuasão – criada pela Marvel) apareceu em peso por lá, montando toda a estrutura para estudarem um… machado… O machado não tinha uma cara de “instrumento extraterrestre”, só era grande e pesado, mesmo assim: “Pânico! Ameaça de invasão no ar!”
Eu também estou “panicada”, não nego. Não pelas “ameaças vindas do espaço”, mas pela loucura que estamos vivendo quanto às pseudos-ameaças que nada mais são do que frutos paranoicos de governos que insistem em pregar a paz, a democracia, o respeito ao próximo, mas que não fazem o que falam, posto que são eles quem promovem guerra, discórdia, violência que contradiz qualquer Estado Democrático etc. A paranoia da falsa-paranoia me deixa paranoica, por assim dizer.
Com isso, vi (também) em Thor algo muito atual, como Circe e Vamp já apontaram em seus comentários: Asgard vive o que estamos vivendo: qualquer coisa é motivo para ameaças. Que espécie de animais estamos nos tornando? Preocupo-me bastante com as queixas frequentes das pessoas: falta de confiança, fobia social, mania de perseguição etc. Claro! O mundo vive uma “perseguição” consentida por autoridades! Como esperar outro comportamento do ser humano?
Por: Moiras.













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