Batman & Robin

Batman & Robin

Direção: Joel Schumacher

Gênero: Hilariante e Irritante

EUA – 1997

Talvez minha crítica, mesmo se fosse feita de maneira atual ao filme (1997), não seria bem vista pelos apaixonados pelos super-heróis norte-americanos. Conversava com a Dudark exatamente sobre isso: o nosso cansaço a respeito da hegemonia europeia e norte-americana. Por onde caminham os filmes feitos fora do hemisfério “norte”? Engraçado que o “norte” geralmente é “submundo” e ao “sul” é reservado à elite. Bom, nem sempre é assim que funciona… Voltando ao filme, acho que Schumacher exagerou na dose. De repente os norte-americanos vejam graça nisso, mas eu não consegui ver na época e nem agora nada que preste no longa. Vou me explicar e acho que isso até ofende, porque o filme é tão ruim que na minha concepção nem precisa dizer o por que, mas…

Considero muito chato um aspecto da cultura norte-americana: o de criar o tempo todo heróis, mocinhos, super-heróis. Será que eles não cansam? Todos os filmes dele tem esse traço. Porém, de vez em quando eles acertam – não poderiam errar sempre, né? Batman, pra mim, é um acerto. Mocinho soturno, humano, com história palpável e baseada em um sofrimento real (perda dos pais) que o incentivou a se tornar um herói de Gotham City.  Nada muito surreal. Inclusive, a perda dos pais e seu sentimento de culpa promove uma interação entre o mocinho e nós, a plateia, nos sensibilizamos com ele. Quem aqui não teve medo de se ver órfão? Ao mesmo tempo, quem aqui não teve vontade de se ver livre dos pais? Nietzsche dá o crédito ao Cristianismo (‘o pai maior’) para o sentimento de culpa baseada na moral internalizada. Tema que disserta em Genealogia da Moral. Freud dá esse crédito ao pai de carne e osso, por assim dizer, o que é muito mais genial, porque faz até mesmo com que entendamos o motivo de adorarmos ‘deuses’… o que é sumariamente mais próximo de mim, de nós, do Batman… Batman leva a culpa da morte do Pai. Quer coisa mais humana do que isso?

Aí que entra Joel Schumacher. Ao invés dele explorar isso em Batman e Robin, ele fez uma competição imbecil entre os dois ao longo do filme. A criação do Batman os norte-americanos acertaram, mas a de Robin, não. Schumacher pegou as meninices de ambos e explorou a coisa mais chata que tem nessa dupla! Desde o início do filme é possível perceber a competição entre os dois. Quando Hera Venenosa entra em cena, então? E a Bat-Girl? Frases do tipo: “Ela gosta mais de mim do que de você”… Hein????????? Pra que isso, Schumacher? Isso só mostra que de dupla esses dois não tem nada. Eles formam UM CASAL! E se Schumacher queria falar de viadagem, então que pusesse o SuperMan em cena também, porra! Perco a compostura com tanta babaquice!

Sem contar que na primeira cena do Homem de Gelo já dá uma vontade de desligar a tv. Não sei o que vocês pensam a respeito, mas a atuação do Arnoldo e suas Negas está de matar! Em Exterminador do Futuro ele passa porque, afinal, é uma máquina. Então, ele ser ruim torna-o bom, uma vez máquinas não tem expressão humana. Mas, como Homem de Gelo é deprimente. Falas bobas, expressão ruim, o espectador inteligente assiste e pensa: isso é um filme ou um desenho animado para a turminha de 3 anos de idade? Bom, se bem que eu aos 3 anos assistia coisas melhores, os desenhos eram mais instigantes. (E antes que alguém me pergunte se quando nasci já tinha televisão, é bom lembrar que rapadura é doce mas não é mole não).

Além de Batman, Robin, Hera Venenosa, Homem de Gelo, Schuma põe mais uma centena de personagem solto, sem motivo de ser, o que polui ainda mais o contexto, empobrecendo o filme que poderia ser muito melhor. (não tão melhor quanto as produções de Nolan, obviamente).

Agora, pro final, obviamente falarei do tiro total no pé. Aliás, no corpo inteiro: Schumacher fez um filme do e sobre o Batman usando CORES fortes, que gritam na tela, que ardem os olhos, que são BERRANTES e uma verdadeira aberração tratando-se de BATMAN, o herói mais soturno e obscuro dos EUA! Tudo muito irritante. Gotham City virou a gaiola das loucas, minha gente. Aí não tem condições… Cadê a escuridão, Joel? Cadê o mistério? Enfim, cadê o Batman?????????

Detestei o filme. Não recomendo.

Por: Barbie. 

Lanterna Verde

Lanterna Verde – Green Lantern

Direção: Martin Campbell

Gênero: Ação, Ficção Científica, História em Quadrinhos

EUA – 2011

Sobre Martin Campbell: Neozelandês, seu estilo para filmagens é um tanto fantasioso e cheio de ação, o que pode ser conferido nos filmes 007 em que esteve à frente. Com filmografia curta, mas significativa, parece que só pega filme de grande porte, no entanto, nenhum filme dele realmente foi criativo. Faz o dever de casa e só.

Sinto por ter sido ele a pegar Lanterna Verde para transformá-lo em arte cinematográfica. Talvez tivesse sido melhor apostar em um diretor que já tem estrada nesse quesito quadrinhos, que vale dizer não é fácil. Eu apostaria em Sam Liu… ainda mais porque Lanterna é da DC Comics.

Campbell fudeu com o Verdão, essa é a verdade. E ainda deu entrevistas dizendo que topou a ideia do filme por causa de sua conta bancária. Fez questão de insinuar que não tem a menor intimidade com a história do Lanterna. Não adianta maquiar o óbvio. O que me faz perguntar: por que escolheram esse cara para dirigir essa história???? Bastidores que ultrapassam a lógica e qualquer entendimento.

Sobre Ryan Reynolds: personagem Lanterna Verde – Hal Jordan. definitivamente? Não tem nada a ver com o Lanterna. Se mostrou o tempo todo arrogante e com questionamentos imaturos que nem de longe são descritos nos quadrinhos.Até entendo que uma coisa chama a outra, ou seja, chamaram o cara para garantir certo lucro, mas de que adianta deixar milhares de fãs insatisfeitos com o resultado?

Eu gosto de personagens e super heróis que são divertidos, debochados com a vida, mas que passe certa sinceridade no compromisso maior de qualquer herói: salvar e proteger. Reynolds, extremamente apagado em todo o filme (ao contrário de Sinestro – Mark Strong), foi uma péssima escolha e a sua roupa detonou o Lanterna.

Sobre Mark Strong: personagem Sinestro. Obviamente que alguns pontos cruciais dos quadrinhos tiveram que ser modificados para caber no cinema. No entanto, os embates com Jordan foram forçados e não passaram credibilidade.

Porém, vale ressaltar que Sinestro teve uma atuação muito mais criativa que Hal Jordan. Só não foi mais talentoso que Peter Sarsgaard, personagem de Paralax, o vilão dos vilões.

Sobre Peter Sarsgaard: personagem Paralax, o vilão. Em primeiro lugar, é preciso dizer que Paralax foi o personagem melhor construído em todo o longa. O ator se entregou na personalidade do vilão, conferiu franqueza ao proposto. Além do mais, gradativamente, a transformação dele de cientista para um psicótico com mania de grandeza foi muito bem feita em minha opinião.

Pena que, como se trata de um vilão, tratou de virar o bode expiatório do fracasso do filme. É um absurdo, ainda mais se compará-lo ao Reynolds – que se percebe não ser fã do Lanterna Verde, o que faz imensa diferença.

Sobre a história do filme: certa fidelidade com o quadrinhos, porém, eu confesso que esperava mais. Decerto que o marketing é importante, os dólares também, mas o que mais importa para os fãs é ver a história se desenvolver da melhor maneira possível e que não produza um sentimento de frustração.

Hal Jordan passou o filme praticamente sozinho, sendo que a marca registrada dos Lanternas é o sentimento de grupo e de amizade. Eles atuam juntos, um salva a pele do outro, são extremamente fiéis e companheiros. Campbell construiu um personagem solitário, antipático e arrogante. É quase um Batman de roupa verde!!!

Sem contar que nesse quesito cinematográfico a Marvel sai no lucro. A DC Comics é muito boa em animações. Não me admiro que esse filme foi um fracasso em bilheterias.

Eu saí frustrado do cinema. Teria feito um trabalho melhor…

Por: Leo Shina.

X-Men Primeira Classe

X-Men Primeira Classe – X-Men First Class

Direção: Matthew Vaughn

Gênero: Ação, Quadrinhos

EUA – 2011

Não me canso de repetir que os quadrinhos são parte da minha formação cultural. Lê-los durante praticamente todos os anos de minha vida, preencheu meus sonhos e ampliou meus conhecimentos. Sendo assim, me é impossível deixar de ir ver um filme baseado neles. Principalmente, os que acompanhei desde o começo. Ah, mas como foi bom ter ido neste!

As origens de personagens – antes deles adultos e sedimentados – são no mínimo curiosas. Podem ser fidedignas ao que já lemos ou fantasiosas. Mas obrigatoriamente coerentes com o herói em questão. Vamos nos prender a dois deles, por agora: Professor X e Magneto… Como o chavão de “os dois lados da mesma moeda” é tão aplicável neles!

Charles Xavier (James MacAvoy) é bem-nascido, culto, galanteador, bonito e consegue estudar e ser feliz. Nenhum sofrimento, nenhum trauma. O mocinho. Michael Fassbender é Erik Lehnsher, o Magneto. Seu trauma de infância é o pior de todos. Agressivo, impulsivo, poliglota, sedutor. Vi ve em busca de uma vingança. O sobrevivente.

De quebra a melhor amiga de Xavier é uma mulher atraente, com um demônio interno sobre ser ou não ser. À medida que crescem, se afastam; apesar do imensurável respeito em comum. Eles são abordados por uma agente do FBI, tão honesta quanto Xavier, que viu o que nunca foi visto: mutantes. E a demonstração inenarrável de seus poderes. E liderados pelo objeto de desejo de Magneto: o antigo oficial alemão SS (quer iniciais, einh?).

O vilão também é soberbo. Kevin Bacon é Sebastian Shaw. Elegantérrimo em seus costumes bem cortados, acompanhados de ajudantes não menos bem vestidos e cheios de charme. Contrastando com os atrapalhados adolescentes recrutados por Charles. A única falha é a Rainha Branca que não faz jus ao nome. Envelhecida, pernas finas e sem bunda, não conquistaria nem jogador de futebol brasileiro que é o sujeito mais otário – e sem gosto pra mulher – que conheço.

Estamos nos anos 60, e várias chamadas do presidente JFK preenchem a tela (não teria sido ele um mutante, assim como Martin Luther King e Malcolm X?). A Guerra Fria está no seu ponto máximo, com o transporte dos mísseis russos e sua provável instalação em Cuba. A realidade se funde magistralmente com a fantasia. Ponto para os roteiristas.

Ele – o Shaw- planeja jogar uma superpotência contra a outra. Tem meios e métodos. Xavier precisa de ajuda para impedir a guerra iminente, mas seus comandados são infantis –vejam a festinha deles quando reunidos- e destreinados. Sobra apenas ele e Magneto, no fundo um menino raivoso com recalque guardado. Várias cenas belíssimas, como a lágrima dos dois amigos. Ou a transformação de cientista-aviador-atleta Hank McCoy em quem ele realmente é e não tão somente os pés ocultos de um todo. E a moeda em câmera lenta?

O final é espetacular e o que mais me surpreende é a profundidade psicológica de quase todos os personagens. Mostrando que é possível aliar aventura com qualidade emocional. Sem cair na pieguice, ou o que é pior, naqueles “filmes-cabeça” que só os pouco vividos e limitados apreciam.

O que há de bom: personagens poderosos e humanos, e um vilão à altura dos heróis
O que há de ruim: infelizmente a postura dos detentores do poder é o pior possível, o que mostra que o caminha da humanidade é sombrio
O que prestar atenção: a casinha humilde do Xavier é Englefield House, em Berkshire e o melhor dela não mostraram, que são os jardins…
A cena do filme: Charles e Erik conversando (cuidado meu amigo, a paz … paz nunca foi uma opção)

Cotação: filme ótimo (@@@@)

Por: C.O.B.R.A.

Thor

Thor

Direção: Kenneth Branagh

Gênero: Comédia, História em Quadrinhos, Ação

EUA – 2011

Comentário de Guerra de Pipoca:

Um aspecto da Marvel me agrada: eles tentam, com constância, embasar suas histórias na Ciência; por exemplo, os últimos marvelianos lançados ilustram minha afirmação, que são: Homem de Ferro 1 e 2, O Incrível Hulk. No entanto, a maneira como usam a Ciência para dar sustentação à história é, por vezes, deveras surreal. Desta vez, em Thor, a Ciência foi usada como suporte, mas em momento algum foi explicado o mínimo dos estudos de Jane Foster (Natalie Portman). Talvez isso dê ao filme mais graça, afinal, poucos vão ao cinema querendo estudar, mas ao mesmo tempo, deixou o enredo furado. Pois, por que Jane Foster e sua turma estavam às voltas com tais estudos?

A entrada de Thor na Terra funcionou, inclusive em palavras, para misturar a ciência com a magia. Afinal, Asgard não separa verdades, como ele mesmo disse para Jane. Deu ao filme um caráter fantástico e fantasioso promovendo graça. Um ser, literalmente, de outro planeta é lançado na Terra. É um ET dos mais diferentes do que dizem existir, afinal, não é verde, nem tem um cabeção enorme, não conversa por telepatia… ao contrário, Thor é um ogro bastante humano (e fala inglês), por assim dizer. Esse aspecto do filme é interessante, pois os costumes de Asgard  – que é o Reino dos Deuses – são bastante rústicos; o que contrapõe o imaginário de encontrar tecnologia x extrema civilização. (Ri muito quando Thor quebra uma caneca no chão da lanchonete, que é um costume de viking e não de “Deuses”). A tecnologia não implica (diretamente) em povo civilizado.

Asgard é fantástica. Linda, bem feita, Branagh está de parabéns por sua elaboração. O guardião Heimdall foi muito bem feito, também. No entanto, sinto-me pesarosa por Odin, Anthony Hopkins. Desperdício absoluto neste filme, embora proporcione soberania ao enredo. Porém, tal ator não tem cara de quadrinhos… Muito embora ele arrase em qualquer papel, colocá-lo para dormir mais da metade do filme pegou mal. Não gostei. Outro ponto que não gostei foi de Thor na pele de ogro irracional que precisa apanhar bastante para adquirir sabedoria. Loki, seu irmão, lhe deu mais lições do que o inverso. E, convenhamos, Thor da Marvel que ensina Loki e não o contrário. Mas, enfim, as cenas engraçadas passaram maquiagem nessas diferenças, foi tragável.

Um ponto que não diz respeito somente ao filme, mas, quero comentar, é Natalie Portman no papel principal ao lado de Thor fazendo uma interpretação ridícula, aquém de sua última aparição que tanto emocionou: Cisne Negro. Juro que olhei pra Morgue no meio do longa  e perguntei: Que aconteceu com essa atriz? Até agora não faço ideia do que houve, do motivo que a fez ser tão ruim como Jane Foster. Enfim, pelo menos, o filme não é exatamente uma comédia romântica, se me entendem.

A ideia conspiratória também não me agradou. Sei que está na moda e tal (vou deixar pra Vamp e Morgue falarem mais sobre esse aspecto, conforme o combinado), mas antes Thor ter sido elaborado em sua busca por paz, atrapalhando os planos sórdidos de Loki, do que um perdido no espaço (literalmente) preso por uma conspiração típica americana. Enfim.

Comentário de Vampira Olímpia:

A ideia de Thor é fazê-lo sofrer longe de sua terra para aprender ensinamentos altruístas básicos, como respeito ao outro e próximo (não tão próximo assim), paz etc. Seria ótimo se a vinda dele à Terra não fosse tão tragicômica. Primeiro que Asgard fala o mesmo inglês que os terráqueos. Talvez se a comunicação entre eles fosse, no mínimo, complicada, seria mais próximo aos propósitos da inserção da Ciência no filme: dar realidade ao enredo. É patético que até mesmo as piadas entre eles sejam iguais!

Ainda assim, gostei do filme pela grandiosidade fantástica do intercâmbio entre três planetas (não se pode esquecer dos Gigantes do Gelo). Sobre eles que irei falar. É óbvio que se o sentinela não conseguiu ver a entrada dos Gigantes do Gelo, então é porque há um traidor. E um traidor que conhece bem Asgard, do contrário não conseguiria burlar uma segurança tão forte. O que sugere de imediato que Loki tem seu dedinho nisso. Considero esse ponto do filme bastante atual, uma vez que novamente estamos (no sentido de mundo) retomando o assunto datado de 10 anos atrás: a invasão planejada da al-Qaeda nos EUA. Alguém teve que trair os EUA para isso acontecer. Quem? ;)

Comentário de Morgana:

Que cidade perdida no nada é a do filme, não? Se tiver 5 ruas e uma avenida principal, é muito. E de repente, não mais do que de repente, a equipe tática da S.H.I.E.L.D. (Superintendência Humana de Intervenção, Espionagem, Logística e Dissuasão – criada pela Marvel) apareceu em peso por lá, montando toda a estrutura para estudarem um… machado… O machado não tinha uma cara de “instrumento extraterrestre”, só era grande e pesado, mesmo assim: “Pânico! Ameaça de invasão no ar!”

Eu também estou “panicada”, não nego. Não pelas “ameaças vindas do espaço”, mas pela loucura que estamos vivendo quanto às pseudos-ameaças que nada mais são do que frutos paranoicos de governos que insistem em pregar a paz, a democracia, o respeito ao próximo, mas que não fazem o que falam, posto que são eles quem promovem guerra, discórdia, violência que contradiz qualquer Estado Democrático etc. A paranoia da falsa-paranoia me deixa paranoica, por assim dizer.

Com isso, vi (também) em Thor algo muito atual, como Circe e Vamp já apontaram em seus comentários: Asgard vive o que estamos vivendo: qualquer coisa é motivo para ameaças. Que espécie de animais estamos nos tornando? Preocupo-me bastante com as queixas frequentes das pessoas: falta de confiança, fobia social, mania de perseguição etc. Claro! O mundo vive uma “perseguição” consentida por autoridades! Como esperar outro comportamento do ser humano?

Por: Moiras.

All Star Superman

(Superman e Lois Lane)

All Star Superman

Direção: Sam Liu

Gênero: Animação

EUA – 2011

Planeta condenado. Cientistas em desespero. Última esperança. Casal bondoso. Superman.

Eu dizia nos comentários do texto abaixo (Retórica) sobre o herói moderno/pós-moderno mais propagado no Planeta, e cá estou pra falar de mais uma animação sobre ele. Superman! Bom, não sei dizer se a animação é fiel aos quadrinhos. Até tentei arrancar respostas com meu irmão, que era leitor assíduo, mas ele se diz esquecido da trama, embora lembre que são 12 capítulos de All Star Superman. Enfim, sobre a animação:

Sam Liu tem se tornado especialista e referência de superheróis no cinema; é merecido. Pelo que é possível perceber, ele é um grande fã. Sorte nossa! Nesta animação, soube dar espaço tanto para Super-Homem, quanto para Lex Luthor, que se mostrou cada vez mais “normal”.

Para cada mocinho, um vilão à altura. Considero careta a vilanice de Lex Luthor: o ideal de salvar o mundo das mãos de Superman é pra lá de tedioso,  porque vilão politicamente correto é o fim da picada! Por si só, bandido é aquele que infringe a lei. Simples assim. E um sujeito politicamente correto infringindo a lei sendo politicamente correto é, no mínimo, chato. Mas, tenho que confessar que pelo menos a chatice de Luthor, nesta animação, ficou bem dividida com Super-Homem.

Pra terem a mínima ideia do que digo: pois não é que Lex está preso, construiu um túnel para fugir e não foge porque “merece” estar preso? rsrsrs  Agora, a pergunta que não quer calar: pra que construir o túnel, Senhor Luthor? Enfim…

Sobre a história… Superman vai morrer! Aff! Não vou explicar como e nem o por que para não estragar para quem não viu, mas vale deixar claro que achei boçal a atitude de disputa de Lois Lane. A Esfinge não deixa barato desde os tempos da brilhantina grega, quanto mais agora que ganhou experiência… Lois Lane peca pela imaturidade. Porém, achei lindinho quando o Super-homem deu um buquê de flores que cantam para ela. Nossa! Que diferente, não? Flores que cantam!

Enfim, eu não sou muito fã do estilo tedioso do Superman, mas gostei da animação e acho que vale a pena ser vista.  É uma chance única de ver Lex Luthor entendendo como as coisas estão interligadas…

Afinal, “é incrível a força que as coisas parecem ter quando elas precisam acontecer” (Caetano Veloso).

Por: Guerra de Pipoca.

2 anos de Guerra de Pipoca!!!

Enfim, se fechamos o ciclo de mais um ano, então, que venha mais! Somos gulosos!

:D

Parabéns para nós!

Beijos,

Guerra de Pipoca.

Kick-Ass

Kick Ass – Quebrando Tudo

Direção: Matthew Vaughn

Gênero: Ação, Aventura, História em Quadrinhos, Comédia

EUA – Reino Unido – 2010

Does that make me crazy?

Does that make me crazy?

Does that make me crazy?

Possibly.

(Gnarls Barkley – Crazy)

A ideia deste texto é a de passar por alguns pontos do filme, sem adentrar demais nos detalhes, para não estragar pros que não assistiram.

De acordo com a Wikipedia (e vamos ter que confiar que está correta, pois não lemos a HQ) Kick-Ass é uma história em quadrinhos da Marvel Comics lançada em 2008, escrita por Mark Millar e ilustrada por John Romita Jr.

O filme diz respeito a essa HQ e conta a história nerd de Dave Lisewski, viciado em histórias em quadrinhos, que decide se tornar um herói. Notoriamente, no longa, é influenciado por Batman, pois este é um herói, mas não tem poder além-do-humano, tal como Dave. E então, ele compra uma rouba verde, se nomeia por Kick-Ass, faz propaganda de si mesmo em sites de relacionamento e vai às ruas ajudar ao próximo. É hilária a primeira cena em que ele tenta impedir um roubo de carros. O descrédito dos ladrões mostra como que o mundo fora dos quadrinhos receberia heróis de roupas coladas que voam e fazem todo tipo de estripulia possível.

“(…)My heroes had the heart to lose their lives out on a limb

And all I remember is thinking “I want to be like them”

Ever since I was little, ever since I was little it looked like fun

And it’s no coincidence I’ve come

And I can die when I’m done(…)”

(Gnarls Barkley – Crazy)

Vida de herói não tem moleza e Dave logo de cara percebe em que se enfiou. Para sustentar a fama do novo herói e permanecer como tal, apanha muito. A graça do filme é isso! Pois, o longa mostra que não é tão simples assim ser um super-herói, ainda mais numa cidade que é chefiada por Frank D’Amico, grande mafioso da região. Opa, Kick-Ass não contava com parcerias, para ele o universo de HQs se limita aos papéis… mas… Big Daddy e Hit-Girl estão em ação!

É engraçadíssimo o treinamento dos dois. Palmas para Chloe Moretz (Hit Girl), interpretou maravilhosamente bem e roubou todas as cenas em que esteve presente.  Nicolas Cage (Big Daddy) também não ficou atrás e até se redimiu dos péssimos papéis que vinha interpretando nos últimos tempos.

Pra completar o quadro dos heróis do pedaço, o filho de Frank D’Amico – o mafioso – decide tornar-se herói para se aproximar de Kick-Ass e capturá-lo. Assim, nasce Red Mist!

I remember when, I remember, I remember when I lost my mind

There was something so pleasant about that phase

Even your emotions had an echo

In so much space.

(Gnarls Barkley – Crazy)

Ah! A propósito, essa música está no filme (a trilha sonora também está de parabéns)… e nós Moiras “surtaaaaamos” quando ela apareceu na narrativa! :D

A Circe deu “pause” no filme para cantá-la em pé no sofá e o microfone era sua taça de vinho…

Maybe I’m crazy

Maybe you’re crazy

Maybe we’re crazy

Probably…

(Gnarls Barkley – Crazy )

 

A maioria das pessoas supõe facilidade em fazer comédia. Não é tão simples assim. Retirar gargalhadas do outro é mais difícil do que arrancar lágrimas. Qualquer drama convence os mais sensíveis, basta ter meia-morte com muita tristeza envolvida que a maioria se comove. Já fazer comédia, que preste, é bem mais complicado. Nesta safra de péssimos filmes, Kick-Ass se sobressaiu por oferecer ao espectador uma comédia mais equilibrada, com humor ácido e interessante. Nada de pastelarias e imbecilidades que estamos saturados de ver.

Nós recomendamos! Estamos pensando em ler as HQs também.

Por: Moiras.

Planeta Hulk

Hulk de bom humor

Planeta Hulk – Planet Hulk

Direção: Sam Liu

Gênero: Animação

EUA – 2010

Antes de mais nada, gosto da direção de Sam Liu, mas o considero pouco criativo nas narrativas. Hulk, pra mim, é sinônimo de força desmedida e incontrolável. Bruce pensa! Hulk não! Este filme peca em diversos pontos, e o pior deles é colocar Hulk sempre transformado em Hulk e racional. Que isso!!! Esteve com raiva o tempo todo? Surreal!

Bom, perigoso demais para continuar vivendo no Planeta Terra, Hulk foi despachado pro espaço e antes que chegasse no destino programado, arrebentou toda a nave e foi parar no Planeta Sakaar. No momento em que chegou em Sakaar, estava sendo realizada uma reza para o “salvador” do Planeta não tardar em voltar para lá… eu não gostei dessa relação Hulk x Salvador x Misticismo. Achei tola a construção e desvirtuou a história pro lado religioso que não condiz com os quadrinhos do Verdão.

Além disso, a história – mediada pela religiosidade – foi narrada na perspectiva imperial: imperador – escravos. Não há criatividade no filme, uma vez que a narrativa de gladiadores se assemelha em absoluto ao filme Gladiador. A ideia de um sofrido e solitário gladiador que salvará Roma de seu malicioso Czar é exatamente a mesma em Sakaar, e o salvador solitário é Hulk. Não nego: torci o nariz para isso.

Gente! Hulk é um ser regido por instinto que só pensa quando está no formato Bruce!!! De repente, este Hulk do filme arquiteta o plano para destronar o Imperador? :o

WTF!!!!

 

Seus amigos de arena

A construção de Sakaar é baseada em Roma, até mesmo a arena dos gladiadores chama-se Coliseu. Hulk por se negar a lutar, exatamente como Maximus, torna-se o “misericordioso” para o povo. As analogias não param… é preciso conferir para ter noção da falta de criatividade de Sam Liu.

Ao mesmo tempo, a história prende o espectador. Ao menos me prendeu. A minha ideia era de ver novamente Ondas do Destino (de Lars von Trier), mas acabei optando por ver Hulk para me distrair mais e o filme cumpriu com essa demanda. Sobretudo, pelo personagem Miek, esse inseto pirralhinho entre os Gladiadores. rsrsrs Muito fofinho!

Miek é o “Covarde, o cão coragem” do filme. O medo dele chega a ser engraçado, é o ponto cômico da obra. E deu certo! O seu jeitinho medroso acessou o lado “humano” de Hulk. Foi bonito conferir esse lado do filme.

Bom, de escravo para gladiador, de gladiador para salvador, de salvador para imperador, só foi uma questão de Sam Liu acordar de bem com a vida para produzir esta animação… ou não, né? Talvez tenha sido um ímpeto masoquista que tenha feito a cabeça dele, porque o que deve ter ouvido de xingamento dos fãs… está escrito nos gibis?????????? :o

Como fã do Hulk, de histórias em quadrinhos, indico o filme, mas enquanto cinéfila… hummmm! Melhor assistirem Ondas do Destino, é mais interessante.

Por: Guerra de Pipoca.

 

Superman e Batman – Apocalipse

Superman e Batman – Apocalipse – Superman & Batman – Apocalypse

Direção: Lauren Montgomery

Gênero: Animação

EUA – 2010

Estou cada vez mais fã dessas animações da DC Comics. Muito boas! Dessa vez eles atacaram de Superman e Batman em altíssimo nível: mostra a vinda de Kara (Prima de Superman) para a Terra. Como ela não consegue ainda controlar seus poderes (e sempre sob a desconfiança de Batman), a Mulher-Maravilha interfere junto com suas amazonas na relação Kara e Superman. (inevitáveis piadas entre Superman e Batman rsrsrs).

Superman, nesta animação, demonstra colocar os sentimentos à frente da razão, mas não perde suas intuições. No entanto, isso não foi o suficiente para salvar Kara das garras de Darkseid (anagrama de Dark Side – inimigo e vilão das HQs do Super).

As cenas de lutas são realmente ótimas, sobretudo quando eles chegam em Smallville. Fantástico! Pra quem assiste o seriado, vai gostar muito. Eu assisti um tempo SmallVille, mas confesso que Superman não é meu herói favorito, de maneira que não demorou muito para abandonar a série, mas tenho pretensão de voltar a ver um dia, com mais tempo.

Batman está mais (iria escrever humano, mas essa não é a palavra certa) limitado. Considerei sua participação aquém, embora ele tenha sido o responsável por intuir o momento em que o forte vilão atacou a Ilha das Amazonas.

O fim é legal! Eu gostei! Apresenta ao mundo a Supergirl! :)

Gostei demais dessa animação e devo dizer que esta não deixou falhas de quem é quem no filme. Todos foram muito bem apresentados, independente se já sabemos quem são pelo bombardeio midiáticos etc. Eu recomendo, com certeza! Muito bom!

Por: Guerra de Pipoca.

Homem de Ferro 2

Homem de Ferro 2 – Iron Man 2

Direção: Jon Favreau

Gênero: Besteirol Agudíssimo, HQ, Ação

EUA – 2010

Cada época tem o herói que merece. Em momento de superexposição midiática, numa sociedade consumista ao extremo, ególatra e emocionalmente instável, eis aí o Homem de Ferro. Um super ser que se funde com a identidade secreta, tornando-se público.

A diferença entre homens e meninos é o preço de seus brinquedos. Ditado popular norte-americano. A comunidade militar deseja a armadura de Stark e o rival infantilóide, Sr. Hammer, idem. Seu embate contra Stark no tribunal e nas TVs é digno de pena. Não sei quem é mais besta, se Stark com seu narcisismo premente ou Hammer com a sua carinha de Bambi querendo chamar a mamãe!

Vamos para o Grande Prêmio de Mônaco, que por sinal é o mais seguro e vigiado de todos da Fórmula 1. Um sujeito vindo não se sabe de onde invade as pistas, na contra-mão, brincando de chicotinho queimado! Ele é um sub-vilão chamado Ivan Vanko, um russo filho de gênio e que cria uma cacatua.

Logico que o bobinho do Hammer se une ao tatuadíssimo Vanko, vivido por Mickey Rourke, num personagem estrebuchante de feio. Enquanto isso Tony/Homem de Ferro sofre com a contaminação de vanádio em níveis altíssimos na sua corrente circulatória.

Devo dizer que até gosto dos diálogos rasteiros e piadinhas engraçadas de Tony. Mas o personagem tem muito mais destaque do que o herói. Como se o ator Robert Downey Jr. eclipsasse o mesmo. Assim fica aquela imagem de sujeito malandro, boa pinta, meninão que a galera adora. Igualzinho ao Sherlock, ao outro Homem de Ferro e papéis anteriores dele?

Eis que surge a Viúva Negra. Bom visual rebolativo e cabelos vermelhos. Mas mulher para ser gostosa precisa de mais carne e aquela sensação de que você pode pegar ela, de acessibilidade. Se não, vira uma Gisele da vida. Linda, mas inalcançável. Homens comuns não gostam. Para mim ele luta bem melhor do que o próprio Homem de Ferro, que tem suas ações ofuscadas pelo amigo-rival coronel James Rhodes, único que parece levar a sério a fita e o seu papel.

Quase morrendo com o vanádio no peito. Metal que nem existe puro na Natureza, deveria ter analisado melhor a liga formada com alumínio e titânio, inócuos ao ser humano, e utilizados em próteses ortopédicas. Mas tudo bem, a descoberta do novo composto, com direito a herança paterna e visão trimidimensional “hi-tech” é legal.

O embate final é fraco, aliás para um filme de ação ele está cheio de diálogos desnecessários e uma inversão de papéis principais. Robert Downey é bom ator, mas o personagem ficou muito maniqueísta, pueril e superficial. Igualzinha as “celebridades” de hoje.

O que há de bom: ferros rangindo, trilha sonora criativa e cheia de style e algumas “voadeiras” esteticamente bonitas e eficazes da Natasha

O que há de ruim: repetição de uma fórmula anterior de sucesso elevada ao cubo, que acabou ficando quadrada

O que prestar atenção: pelo menos as tatuagens do Vanko seguem o padrão das prisões russas e seu rígido código identificador

A cena do filme: ele chegando no palco e agachando, atlético e urinando na armadura; patético

Cotação: filme regular (@@)

Por: C.O.B.R.A.

Sobre o Homem-Aranha

Sobre o Homem-Aranha

Homem-Aranha 1, 2, 3 – Spider-Man 1, 2, 3

Direção: Sam Raimi

Gênero: Ação, Aventura, HQ

EUA – 2002 – 2004 – 2007

Queria ter escrito um texto que mesclasse a história com as curiosidades nas HQs e filmes, mas somente quando comecei a escrevê-lo que percebi que se eu fizesse isso iria colaborar bem mais com o aspecto da arte e propaganda midiática do que com que mais valorizamos aqui: debate sobre conteúdo.

Criado por Stan Lee, Homem-Aranha é um dos heróis mais populares do mundo das HQs e Marvel Comics. Talvez tal popularidade se deva ao modo de vida de Peter Parker. O personagem se iguala à média da maioria promovendo identificações das mais variadas. Não mora com os pais e, sim, com seus tios Ben e May, num ambiente classe média com algumas dificuldades acentuadas, como hipoteca vencida. Inclusive, Peter vende ao jornal local as fotos do Homem-Aranha, é o único heroi que se beneficia financeiramente de seu alterego. Pra pagar as contas de sua tia sozinha e viúva vale essa postura. Para Nietzsche, a Genealogia da Moral tem sua origem no social. O sujeito que se desenvolve “bom” é aquele que se desenvolveu “espiritualmente nobre”. (logo à frente ficará mais claro).

As identificações com a maioria não param por aí; afinal, Parker está longe de ser o garoto popular da escola, mesmo com sua inteligência. É um nerd avacalhado (bullying) pela maioria dos estudantes. Esse mundinho é sádico, sabemos, e Peter não revida ao que recebe no colégio. Ele deixa passar também por não ter meios para fazer o contrário a isso. Ao menos enquanto não se transformou ainda em Aranha. Além disso, é um heroi apaixonado… pronto! Homem-Aranha tem todas as fontes primárias para angariar solidariedade e compaixão, afinal, há heroi mais humano que ele neste mercado de quadrinhos?

Nas HQs, ele se apaixona primeiramente por Gwen Stacy, morta pelo Duende Verde (o primeiro e original Norman Osborn). No cinema, não sei por que, ela nem aparece. Somos apresentados para Mary Jane Watson, sua vizinha, por quem Peter também foi apaixonado depois que Stacy faleceu.

O primeiro filme, com direção de Sam Raimi, se desenvolve de maneira coerente à história em quadrinho, salvo a ausência de Gwen. Peter Parker (Tobey Maguire) é fotógrafo e estudante colegial quando vê numa visita ao laboratório de estudos científicos com aracnídeos a sua primeira chance real em se aproximar de Mary Jane (Kirsten Dunst) e, também, de seu mais novo destino. Picado por uma aranha geneticamente alterada seu corpo sofre diversas transformações. Inicialmente não tem consciência de seus poderes, se sente mal , mas não sabe exatamente por que. Não tarda para seu físico se alterar em consonância com as possibilidades estratégicas dos aracnídeos.

Seus tios percebem essas mudanças comportamentais e Ben decide conversar com o sobrinho. Eles discutem durante o percurso para a Biblioteca local. Essa é a última conversa que eles tem e seu tio finaliza seu discurso dizendo que “grandes poderes geram grandes responsabilidades”. Neste mesmo dia seu tio morre (assassinado) e Peter entende que poderia ter evitado sua morte se tivesse agido de maneira certa. Eis o prato cheio para o uso de seus poderes ao cumprimento do bem. O homem designa-se como o ser que mede valores, valora e mede; mede-se à outra pessoa, também. Além de comparar-se à coisa. E cada coisa tem seu preço real ou simbólico. O dano imediato é entendido como uma “quebra de palavra”, daí que as palavras são caras… Quanto elas valem? No caso em questão, o preço é impagável: o valor foi a vida de seu tio Ben. É preciso acertar as contas com seus fantasmas, Peter…

E então, Peter usa seus novos poderes para praticar o Bem. Vale o esforço de circunscrever a inquietação do sentimento de culpa; sobretudo, a vontade de considerar todo seu ato resgatável de algum modo.

Enquanto isso, seu melhor amigo Harry Osborn  (James Franco) investe em Mary Jane, sua amada. E quem disse que Peter interfere? Com seu novo destino impossível de ser ignorado que importa mais essa punição? O espectador (quase) sente pena de tamanha cruz que deve ser carregada. Aumenta, óbvio e consideravelmente, sua popularidade em nome das identificações – aquelas que me referia no início do texto.

Vamos e venhamos! Peter sabe seu lugar… Harry não é um bom aluno. Ou melhor, não é tão brilhante como Parker. Talvez por isso seu pai Norman Osborn tenha um forte apreço pelo amigo do filho. Vê em Aranha uma parceria científica, coisa esta que nem de longe pode esperar de Harry, e Peter sabe disso. Norman é o ambicioso e milionário dono da Oscorp. Quer sempre mais e mais. Desenvolve um experimento bélico que beira o fracasso e o ameaça a perder seu patrocínio governamental. Então, na falta de cobaias competentes, experimenta em si a nova invenção. Nasce Duende Verde, um dos principais vilões da Marvel. Sua ambição cede espaço para a insanidade que deseja ter o controle do mundo.  Descobre, porventura, a identidade de seu estraga-prazeres.  O jeito é eliminá-lo. Ou melhor, tentar eliminá-lo.

Não é tão simples assim. A não ser que… bom, Mary Jane está na trama, também, pra isso… E mais uma vez Peter terá de salvá-la, até por que carregar mais essa culpa nas costas será pesado demais. Não daria conta. Seriam duas caras vidas colocadas em sua conta. Quanto ficaria, desta vez, o valor da “hipoteca”? Daria para parcelar o prejuízo?

Entre Mary Jane e o pai do melhor amigo, Peter escolhe o óbvio.

O segundo filme mostra Peter ainda mais afundado em seus infortúnios: não tem emprego fixo, não está com Mary Jane, não tem a amizade de Harry porque este deseja saber a identidade de Aranha e Peter, obviamente, nega-lhe a informação. Puxa! Que fardo! O peso da fantasia é a tecla batida que Sam Raimi encontra para escamotear os furos do(s) filme(s). Aliás, o peso da existência é comum entre os “salvadores do mundo”. Sofrer é um verbo caro para tais herois, pois não existe ato heroico se não for trágico. O exagero faz parte do show. Daí que é comum propagarem histórias como “passou o dia todo apanhando, carregou nas costas e sozinho uma cruz e ainda deu conta de salvar o mundo” e o ser humano se convencer com as faces pálidas por tamanha desgraça e altruísmo. Peter Parker não é diferente disso – nenhum outro heroi o é; pois, segundo Nietzsche, “do que é igual sempre brotarão os iguais” -, só que o peso de sua cruz é uma roupa até bem interessante para o mundo das festas à fantasia. Confesso que vejo mais charme nas vestimentas de Batman.

A magnitude consiste no valor daquilo que teve ou deve ser sacrificado. Parker, como todos os outros herois da Marvel Comics, DC Comics, Bíblia etc, tenta evitar que a massa sacrificada seja justamente a humanidade. O e no fundo, há de se ter nobreza nas finalidades! A relação de nobreza (espiritualmente bons) e aristocracia faz semblante aos “espiritualmente bem-nascidos”. Em contrapartida, o plebeísmo é entendido como o semblante do “ruim”, “comum”, “baixo”.  É fácil supor as condições egoístas dos bandidos, né?

Por falar nisso,  o vilão do filme II é o Dr. Octopus. Que coisa… Aqui vale a pena pensarmos sobre a vilania deste doutor. Debatíamos AQUI a respeito disso. Eu dizia que ele tem uma clara motivação construída: a morte de sua esposa logo após a falha de um experimento. Os tentáculos ficaram presos ao seu corpo comandando seu cérebro. Vale perguntar: se ele fosse sumariamente bom, os tentáculos conseguiriam fazê-lo cometer o mal? Porém, existe alguém suficiente e inteiramente bom? Nos herois americanos é visível a condição de ser bom – inteiramente bom – não há espaço nem mesmo para um deslize ingênuo, característico da Tragédia grega. Tenho notado imensa diferença neste ponto entre americanos e japoneses. Pelo pouco que vi, nas animações japonesas fica claro que o heroi perambula nas duas instâncias; o que torna mais atraente a animação. Pois não há ninguém, que seja antes de tudo humano, inteiramente bom. As motivações dos mocinhos e bandidos são imutáveis?

Mais uma vez, o alvo foi Mary Jane… Tremenda falta de criatividade Raimi colocá-la novamente como isca.

No terceiro filme, o vilão é o Homem-Areia. No longa,  ele sofreu uma modificação se comparada à HQ. Na HQ, Homem-Areia sempre foi do mal. No filme, era um pai de família que se viu falido e com uma filha beirando à morte; assalto a banco se tornou uma solução. Raimi não estava satisfeito com a apresentação de um vilão por filme, então ele colocou mais dois: Venon e Duende Verde, o retorno. Duende Verde é Harry, que deseja vingar seu pai, e nas HQ pipocam Duendes Verdes pós-original.

Neste filme algo interessante acontece: Mary Jane é a fracassada do momento. Os infortúnios chegaram para essa moça como um meteoro particular. Seu relacionamento com Aranha não dá certo, sua carreira também… Em contrapartida, Peter está no auge de sua glória, deixou de ser aquele paspalho bobo e pamonha! O mais curioso é que Parker se permite estar por cima porque por um momento ele usou o poder de Venon. Ou seja, do mal rsrsrs. Cartas marcadas. Bom, eu vou preferir não me aprofundar sobre Venon porque sei que ferraram demais com esse vilão no filme, porém, prefiro que os mais inteirados da HQ comentem a respeito.

E sabe do que mais? Adivinhem… Mary Jane, claro, foi mais uma vez alvo rsrsrs… Grandes poderes geram grandes responsabilidades, né Mary Jane? :D

Por: Guerra de Pipoca.

Batman: Under the Red Hood

Batman de bom humor!

Batman: Under the Red Hood

Direção: Brandon Vietti

Gênero: Animação

EUA – 2010

Verdade seja dita: Batman é o heroi mais legal da DC Comics!!! rsrsrs

Acho interessante observar a construção do personagem com o semblante soturno de Gotham City. Casamento perfeito. A abertura desta animação é linda, justamente por ter focado a fotografia neste ponto: o tom sombrio e noturno estão na dosagem certa. Além do mais, já começa com dois vilões em cena: Ra’s Al Ghul e Coringa. Aliados, porém, não em pleno acordo, pois isso não é possível tratando-se de Joker!

Coringa!!!

De cara, Coringa mata Robin. O filme começa assim. Batman não consegue salvá-lo. Ético como é, certamente essa ferida não ia mesmo se fechar. Porém, não é por isso que Batman mataria Coringa. Jogou-o em Arkham Asylum trancado a sete chaves. Ufa! Não daria mesmo pra fazer diferente disso. Como Gotham ficaria sem as maravilhosas gargalhadas de Joker? rsrsrs

5 anos depois aparece Capuz Vermelho.

Capuz Vermelho!

Quem é este criminoso que é ao mesmo tempo um vigilante?

Capuz Vermelho conseguiu controlar a violência de Gotham City, mas seus métodos não são nenhum pouco éticos. Batman sabe disso e então, decide por um basta nessa farra. Não dá pro Vermelhudo tomar o lugar de nosso Morcegão… mas ele luta tão bem quanto… quem é ele, afinal?

No fim, Batman é posto em xeque: matar ou não matar? Como solucionar esse impasse? É interessante quando ele diz que matar é muito simples e fácil, mas que se ele começasse a eliminar os vilões desta maneira não pararia mais. É legal observar que mesmo por trás da aparência de playboy desmiolado, há um “Bruce Wayne” que põe a vida acima de qualquer outra questão, mesmo tratando-se de criminosos perturbando a ordem dos fatores. Vale lembrar que Bruce não tem nenhum poder sobre-humano como os outros herois. Ele mesmo se transformou, sem ajudas de laboratórios e mutações genéticas, num heroi.

A animação tem uma trama que não segue a linha só “porradaria”, embora tenha lutas. Esse aspecto é um ponto altíssimo do filme. A história se sustenta e é muito legal o passo-a-passo de cada revelação dada ao espectador. A Warner Bros em conjunto com a DC Comics tem caprichado mesmo nesse universo. Pena que não saem nos cinemas essas animações; vão direto pro DVD…

Bom, eu recomendo!!!

Por: Guerra de Pipoca.

Liga da Justiça: Crise em Duas Terras

Mundo Fascinante!

Liga da Justiça: Crise em Duas Terras – Justice League: Crisis on Two Earths

Direção: Sam Liu

Gênero: Animação

EUA – 2010

Esse mundo nerd é admirável…

Lex Luthor e Coringa juntos, que tal? A Liga da Justiça se une ao Carecão  para combater a Sociedade (Sindicato) do Crime, que acha disso? Sabe quem está por trás da malvadeza dessa Sociedade? Coruja! Salada mista? Não viu nada ainda. Putz! Eu gostei demais de ver os mocinhos da DC Comics se tornando vilões ao menos uma vez na vida!

Superman decide ajudar Lex e Batman recua em nome da ética e da responsabilidade (sempre ele, deveras sombrio). Esse embate entre os dois é “secular”, nós fãs sabemos, mas é sempre bom conferir na telinha o poderio de ambos. A Liga acompanha Superman, Batman permanece na Sala da Justiça, mas não vai achando que o Morcegão não fará nada no filme, porque ele mata logo dois numa porradaria só! Aliás, o filme é 75% lutas! E vou te contar… as lutas são phodásticas. Aplausos pra Mulher Maravilha, cada golpe que ela dava colocava uns herois no chinelinho. Desculpe-me o clã dos fãs do Flash, mas com a Mulher-Maravilha em cena, o que resta pra ele é fazer piada. Inclusive, o filme é dotado de bom humor. Eles se debocham, se zoam; é muito legal isso na animação porque convida o telespectador a conhecê-los “entre amigos”. Tiveram muitas cenas em que eu ri e falei sozinha com a tela, em resposta às piadas deles. rsrsrs Enfim…

A Sociedade do Crime é forte tanto quanto e por alguns momentos, para dar muita emoção, até mais que eles. Mas o fim, todos sabemos… afinal, esse mundo Nerd é um baita mundo nerd, né? Acha que Batman não ia se juntar ao Super? É ruim hein? Tá estranhando o Batman? rsrsrs

Agora, pra fechar com chave de ouro, a história é MUITO legal. Eles falam de um universo paralelo e a mensagem é intrigante; vem à somar ao que debatíamos em “12 Macacos”:

“Bem vindo à Terra Primária. Antes de haver pensamentos esse lugar já existia. Uma Terra, uma única História, mas com advento do Homem veio a ilusão do Livre Arbítrio. E com essa ilusão, veio o Caos. Cada escolha que fazemos cria um mundo, literalmente. A História se divide em duas, criando uma Terra que escolhemos e uma segunda que não escolhemos. Eis o segredo do Universo: bilhões de pessoas fazendo bilhões de escolhas, criando infinitas Terras. Algumas tão parecidas que poderia passar uma vida atrás de uma distinção, outras tão radicalmente diferentes que desafiam a compreensão” (…)

- Coruja para Batman -

Recomendo!!

Por: Guerra de Pipoca.

Blá Blá Blá

“Sou um homem supersticioso, e se algo acontecesse com meu filho, se ele fosse atingido por um raio, se o avião dele cair, ou se fosse baleado na cabeça por um policial ou se o enforcasse na prisão eu teria de culpar algumas pessoas nesta sala, e isto eu não perdoaria, mas fora isso, eu juro pela alma de meus netos que não serei eu quem irei quebrar a paz que selamos hoje”. – O Poderoso Chefão -

rsrsrs

Acho que essa frase simboliza toda a “semana santa” no Cinema.

:D

Boa Páscoa!

Por: Guerra de Pipoca.