Cisne Negro – O Outro Lado do Espelho

Nina em frente ao espelho de seu camarim

Cisne Negro – O outro lado do espelho

Direção: Darren Aronofsky

Pensei em fazer outro texto, mas a proximidade e preparativos para o carnaval me fizeram recuar nessa ideia; por agora, sem tempo pra isso. Então, decidi escrever assim mesmo, de supetão, sem maiores correções.

Peço permissão para me referir à Nina por (Me)Nina. Penso que esse trocadilho não é ofensivo e nem desgastado no contexto do filme, faz jus ao seu mundinho colorido e de fadas cheio de bichinhos de pelúcias em seu quarto, cuidados maternos excessivos, tratamento como se fosse (me)Nina e de porcelana, ainda por cima.

Certo é que se a mãe dela se comportava assim foi por ser autorizada como um reflexo por (me)Nina. Não digo que todos os casos de não-crescimento são assim, mas este é. (me)Nina não se rebelava contra si mesmo; consequentemente, não se rebelava contra nada que lhe era imposto: aceitava chegar em casa ter seu jantarzinho preparado por sua mãe, ter as unhas cortadas por sua mãe, ver seu sono ser velado por sua mãe, ouvir por meio da caixinha da bailarina uma musiquinha para dormir… posta por sua mãe etc etc etc.

Controlada pela mãe, por seu diretor e por si mesma, pegou toda essa rebeldia recalcada e jogou contra si. Autoflagelo (vide as costas arranhadas etc). Só que este movimento não é da ordem do consciente. Aí que entra Kunis: a ameaça de vir à tona tudo que está muito bem recalcado.

O filme é difícil por isso, pois ao mesmo tempo que Kunis é uma bailarina real, é uma ameaça interna real para (me)NIna. Ou seja, boa parte do filme acreditamos que Kunis está realmente sabotando a Cisne Branco. A direção do filme nos faz acreditar que a sabotagem é externa, quando, na realidade, a sabotagem é interna. É a (ME)NINA quem se sabota o tempo inteiro.

São nas pequenas sutilezas que percebemos o jogo intenso proposto pela direção do filme. Um claro exemplo é quando (me)Nina começa a delirar nas entrelinhas: A cena em que ela se autoflagela puxando a carne do próprio dedo e logo na cena seguinte o dedo dela aparece sem nenhum machucado.

Desta maneira, Aronofsky insere o espectador no outro lado do espelho. Ele joga a dúvida para o espectador: Kunis é ou não uma perversa que quer tirar as glórias de Portman?

E se numa cena ele lança o delírio, na outra ele lança a dúvida: aquilo foi ou não um delírio? O filme é todo costurado entre o que se vê e o que se reflete no espelho. O que vemos é a ameaça de sabotagem da Kunis, mas o que se reflete no espelho é a própria (me)Nina se sabotando.

É como se o controle estivesse na ponta da panela de pressão pronto para explodir… e explode. E sempre vai explodir, ao menos em termos de estrutura psíquica no que tange ao mundo humano.

O ser humano necessita extravazar por algum lado, do contrário, o cristal se quebra na explosão mais sensível e delicada: na psicose.

(Me)Nina quis crescer ou simplesmente se viu explodindo? O ímpeto de rebeldia desmedida só me faz crer que se viu explodindo e quando é assim não há mais retorno. O cristal pode ser colado, mas as rachaduras sempre estarão presentes.

A tríade estava bem formada:

  • a mãe: tirânica controladora;
  • o diretor do balé: tentando fazer com que (Me)Nina se soltasse, mas segurando as rédias;
  • Kunis: sem controle

A luta estava posta no ringue, que vença o/a melhor. O mundo do não controle era para (Me)Nina muito atraente. Acontece que ela não tinha estrutura só pra beber na fonte e voltar ao seu estado comum. Enfim, surtou.

E que surto lindo, não? Eu achei a cena maravilhosa quando o delírio a invade de uma vez e (me)Nina liberta a Cisne Negro... Foi espetacular, embora saiba que pra quem passa por isso é bastante sofrível.

Sei que quando ela chora é por estar sofrendo e carregando uma dor que não aguenta carregar. Numa clínica psiquiátrica, é de doer a alma. Mas, a cena, a arte, a poesia do filme, foi digna de aplausos. Ao invés de chorar com ela, abri um sorriso, porque FINALMENTE um diretor de cinema conseguiu captar o que é um delírio. Tarefa bem difícil para quem não é da área psi e mais, para quem faz arte com cinema.

Por essas e tantas outras coisas que estão atrás do espelho de Nina Menina, é que considero um erro da Academia Americana de Cinema não premiar este filme com o Oscar. Mas, quem precisa dessa estatueta para considerar essa obra brilhante?

Por: Guerra de Pipoca.

Leia aqui também.

Sobre Alice…

 

(Feita por mim do livro: Alice no País das Maravilhas)

Alice no País das Maravilhas  de Tim Burton – EUA / 2010

Por um motivo muito simples gosto bastante desta obra: toda a jornada de Alice é para conhecer aquilo que é desconhecido. Nada mais psicanalítico do que isto. Aliás, Alice é um incentivo para qualquer área desde que seja do saber ainda não sabido. Creio que pesquisadores, etnógrafos, analistas e até mesmo curiosos perguntadores sobre “por que o céu é azul” tem um pouco ou muito do “sangue” desta menina de belos cachos dourados. Não me resta dúvida: saber é um verbo que atinge o imaginário do país das maravilhas. Não importa se a dúvida é sobre “por que somos assim?” ou “por que Urano está tão longe do Sol?”, posto que – no fundo e no raso – qualquer pergunta que se faça é uma busca de sanar o  desconhecido de nós mesmos. “O que somos nós? Quem somos nós? Pra onde vamos nós?” –  O que Alice faz senão isto? Portanto, é uma obra literária que recomendo por, também, ser ancorada na fantasia. Aquilo que não damos conta de resolver, fantasiamos. Não esta fantasia consciente e que é dita de maneira racional, me refiro à fantasia inconsciente. Esta que não é conhecida… Ou seja, fantasiamos o tempo todo, ainda que não “saibamos” sobre isso.

A minha relutância em assistir a este filme diz respeito à repetição nos cinemas desta obra tão cara. Ora, se o assunto diz respeito ao desconhecido, por que repeti-la tantas vezes sob diversas máscaras a ponto de perder sua graça? Ou seja, a obra já está tão conhecida que a mensagem sobre buscar o desconhecido perdeu um pouco de seu valor no cinema. Será que não há mais nenhuma história de fantasia desconhecida que não possa ser retratada na telona? Só há a Alice? Tão limitante e limitado restringir a fantasia a apenas Alice no País das Maravilhas. Tendo a pensar que nós, seres humanos, estamos muito empobrecidos de criatividade…

Portanto, depois de um ano de seu lançamento, só agora que me dispus a assisti-lo. Espero que nenhum outro diretor tenha a falta de imaginação de por Alice mais uma vez nos cinemas. Já deu. Não há mais o que sugar desta obra. De maneira que imagino que esta Alice já se esgotou em possibilidades de mostrar sobre o desconhecido. Já se tornou conhecida demais e sob formas das mais variadas.

Falar deste filme, por conseguinte, é esmiuçar a pobreza da falta de criatividade desses diretores do Cinema. Deixo pra lá por respeito à obra literária, que é linda e instigante; e, sobretudo, não precisou ser feita em 3D para conquistar o mundo. Ao contrário, é uma trama muito simples.

Pra que complicá-la?

Por: Guerra de Pipoca.

Velha Nova Infância

 

(Feita por Guerra de Pipoca)

Lacan se dizia com 5 anos de idade, mas ter 5 anos de idade e saber ter esses anos de vida são duas coisas diferentes.

Saber ter 5 anos nas costas é fantasiar, brincar com a vida, brincar com que estiver disponível como instrumental e ferramenta e fazer disso um lindo momento de prazer e satisfação. É  saber rir e sorrir com as situações, adversidades, momentos, circunstâncias etc. Demora-se muito tempo para ser jovem…

Saber ter 5 anos é conseguir enxergar diversas possibilidades de respostas para as experiências da vida…

(Feita por Guerra de Pipoca)

assim como fazem as crianças que tiram do lenço depositado no chapéu -com toda mágica do mundo- um belo pombo. Assim como Lacan, que com muitos anos de experiência se dizia com 5 anos de idade.

Mais uma  vez: comemoremos o tempo dos Aquarianos, tempo este que é atemporal…

Felicidades, Aquarianos Guerreiros! (Guerra de Pipoca, Morgana, Vamp e BullDog)

Vida Longa e Próspera!

Por: Moiras.

2 anos de Guerra de Pipoca!!!

Enfim, se fechamos o ciclo de mais um ano, então, que venha mais! Somos gulosos!

:D

Parabéns para nós!

Beijos,

Guerra de Pipoca.

Por Amor a Nancy

Por amor a Nancy – For the love of Nancy

Direção: Paul Schneider

Gênero: Drama

EUA – 1994

Esta imagem não é do filme, mas é pertinente trazê-la.

Filme de 94 que é muito atual, pois se refere à história real de um caso extremo de anorexia (transtorno alimentar que pode levar à morte). Diante de tanta tecnologia avançada e exigência cultural da indústria da beleza, os que sofrem de transtornos alimentares não tem escapatória, uma vez que se afundam em suas neuroses e distorções corporais com o consentimento social. Bom, comecemos pelo início.

Enquanto criança, as diferenças físicas são mais marcantes no que se referem à genitália. Corpos de crianças não se diferem muito umas da outras. Somente no decorrer dos anos de vida é que os corpos se desenvolvem e se diferenciam com maior evidência. Como dizem no popular: o sujeito “encorpa”. As diferenças de gênero passam a ser mais visíveis, não preciso descrever aqui, claro.

Na adolescência, o corpo se desenvolve de maneira desproporcional. Os braços crescem e se alongam, a voz sofre modificações em tempos variados, as pernas não crescem no mesmo tempo que os braços. Enfim. São os “desengonçados/as” por natureza. Somado a isso, todos/as adolescentes sentem-se de “mal” com seus corpos em transformação.

Pensemos juntos: primeiro se é criança, diferença gritante com o mundo adulto. Depois, as pessoas deixam de ser crianças, crescem desproporcionalmente, tem corpos de pessoas  adultas, mas não são tratadas como tais. São tratadas entre a infantilidade e a adultice, sabem que são tratadas assim porque seus corpos mudaram e o pior, de uma maneira extremamente disforme. Se os corpos ao menos mudassem de maneira uniforme… Difícil exigir que não fiquem de mal com a vida na adolescência…

Os indivíduos que sofrem mais com isso são aqueles que psicologicamente não querem adquirir essas mudanças corporais que denunciam maturidade sexual. Em outras palavras, são aquelas pessoas que querem permanecer com seus corpos de crianças, tratados/as como tais, sem formas, sem curvas, sem atrativos sexuais. Pois, o corpo adulto é um corpo biologicamente preparado para a vida sexual ativa.

Somado a essa problemática, na cultura ocidental em épocas pós-modernas  ser bonito/a é ser magro/a. Ou seja, ser “sarado/a” é ter um corpo malhado, sem gorduras, sem excessos desnecessários. Em contrapartida, ser “doente” (pra fazer semblante ao ser “sarado”) é ser gordo/a, acima do peso exalando excessos.

Negação (inconsciente) da sexualidade + negação (inconsciente)  do corpo em desenvolvimento + neurose estética cultural = anorexia.

Parada rápida para um comentário pertinente: os/as modelos são cabides! Expositores de roupas que são guardadas em guarda-roupas, armários!

Voltando, “parar de comer” para o/a anoréxico/a é equivalente a ter “controle” do desenvolvimento corporal. Isto é, decidir não comer mais faz com que se emagreça tanto que “as curvas”, as formas, desaparecem. Não é assim? Almejam a assexualidade.

(gente, estou falando de pessoas com corpos adultos que chegam a 30 kilos!)

A diferença entre anorexia e bulimia é que na bulimia o indivíduo consome grandes quantidades de alimentos calóricos de maneira rápida e depois faz grandes estágios de jejuns somados à provocação de vômitos e ingestão de laxantes para por tudo o que se comeu pra fora, pelos buracos possíveis do corpo. E o sujeito anoréxico simplesmente não come.

O filme mostra Nancy em todos os estágios anoréxicos. Para a turma Psi é indispensável assisti-lo. Porém, recomendo para todos. Lembrando que o que está em jogo não é somente a neurose cultural do corpo perfeito, o buraco é mais embaixo… trata-se de uma doença psicológica crivada na distorção manifesta do corpo e da sexualidade…

Não dispensem as guloseimas ao assistirem “Por amor a Nancy”!

Por: Guerra de Pipoca.

Absurda

Absurda

Direção: David Lynch

Gênero: Curta, Surrealismo, Drama

França – 2007

Infelizmente, não achei um youtube com legenda em português, que alcançasse a todos. Mas vale a pena conferi-lo ou buscá-lo numa linguagem mais acessível.

Por falar em linguagem, a condição do inconsciente é esta, pois se estrutura como tal. O inconsciente, nos alerta Freud e Lacan, fala. Ao contrário do que pensava Aristóteles, que o homem pensa com a alma, o sujeito do inconsciente só toca na alma por meio do corpo. O corpo é um texto que se estrutura como uma linguagem sem pontuações.

Baudrillard nos lembra em Senhas que as palavras são temporais. Estabelecem-se por um jogo poético de morte e renascimento, por serem geradoras de ideias, operadoras de encanto. Em Freud, ao contrário, as palavras são atemporais, pois seus efeitos atingidos pelo inconsciente mostram que a linguagem pensa, nos pensa e pensa por nós.

David Lynch, mais uma vez, nadou em águas profundas, conseguiu tornar estranho o que é familiar. Pos em questionamento a estranheza do absurdo. O coração humano tem a odiosa tendência a chamar de destino aquilo que o esmaga e o atravessa; como fazem as Moiras: tece, fia e corta… Todo esforço do drama consiste em mostrar seu sistema lógico, e aqui o drama é surreal. O absurdo é muito claro: lucidez que abdica de si mesma.

Por: Guerra de Pipoca.

O Império das Raves

Documentário feito e produzido por Raves ponto com ponto br.

Já fui muito em raves e trances, sobretudo, no tempo em que estas estavam saindo (ou entrando) da marginalização citada no documentário. Estas festas são fenômenos com caráter de atitude, não devem ser vistas com juízo de valor do “melhor ou pior” tão característico das classificações que estamos acostumados. No entanto, essa característica é refletida no fenômeno enquanto atitude. Paradoxal, certamente.

Com a fetichização da diferença, que assenta na ideia de que, para reparar uma desigualdade, convém valorizar uma diferença em relação a outra diferença, todo mundo quer ter seu espaço no solo do individualismo. Isto é, se todos querem, logo, deixou de ter um caráter plenamente individual. Outro paradoxo, sem dúvida.

Acontece que, se é errôneo valorizar o universalismo em nome da recusa da diferença, então, é errôneo tanto quanto rejeitar o universalismo em nome da arbitrariedade da diferença.

Roudinesco, historiadora e psicanalista francesa, há muito já evocava aos quatro ventos o quanto o sujeito tem vivido num tempo em que as manifestações repousam em máscaras diversas. Assim, as expressões se tornam isoladas, exageradas indo de encontro aos limites. De acordo com ela, “a violência da calmaria, às vezes, é mais temível do que a travessia das tempestades”. (Seria o que chamamos de “Tempo Emo”?). Nas festas raves, percebe-se excesso de euforia, de “amizade”, de sociabilidade que destrói as diferenças, as classes, os problemas, todo mundo “é” igual momentaneamente. Todos querem exorcizar suas “infelicidades” festejando a céu aberto.

A questão duvidosa é quando o exorcismo se dá pela via da droga ilícita. Será que ocasiona mesmo um “exorcismo” das “infelicidades” e infortúnios? Não quero generalizar, em absoluto, pois sei que muitos vão nestas festas para outros “etc e afins”. Mas, fico tentada a continuar pensando o que tantos corpos dançantes nos dizem neste ambiente festivo e isolado do urbanismo, porém repleto de urbanização. Eles não dizem apenas que festejam ao dilúvio  da existência, mas dizem também que desaba-fam…

Por: Guerra de Pipoca.

La Carne

Francesca e Paolo, quando se conheceram.

La Carne

Direção: Marco Ferreri

Gênero: Comédia, Romance

Itália – 1991

Ferreri é inegavelmente polêmico, La Carne é um filme que retrata o quanto o amor pode também ser destrutivo, faz uma relação (assim como no filme La Grande Bouffe, contudo mais sutil) com os verbos comer e transar. Pulsão de vida (Eros) não caminha ao lado oposto à Pulsão de morte (Thanatos), estão ambas juntas e inseparáveis. Pode ser desconfortável para alguns lidar com essa ideia, pois somos acostumados a entender o amor como algo sublime, belo e construtivo. Enquanto o ódio é o seu oposto. Freud nos diz em “Pulsões e suas Vicissitudes” que o contrário do amor não é o ódio, mas sim a indiferença (claro que aqui amor, ódio e indiferença estão bem longe de serem entendidos como no senso comum). Célebre frase que se tornou dito popular. Se pensarmos nos relacionamentos amorosos, identificamos com muita facilidade desencontros dos mais variados em grau e intensidade. Thanatos atua o tempo todo nos seres e é possível vê-lo escancarado em momentos de brigas e desavenças, mas como Freud nos alerta, “a pulsão de morte é silenciosa”. Aqui é o lado mais perigoso da pulsão, pois nem sempre é passível de ser “vista”. Em La Carne, tudo é muito belo, mas há algo no filme que Ferreri amarra com perfeição e que ilustra esse “silêncio pulsional”.

Paolo é um pianista divorciado que se dá relativamente bem com os filhos e muito mal com a ex esposa. Conhece Francesca numa noite em seu trabalho, uma linda mulher que o encanta. Mora numa bela praia e a leva pra lá. O cenário é típico de um grande e bonito romance. PORÉM, Paolo ignora as noites em que tem que trabalhar (já não vive mais também pra ele), passa o dia com Francesca, transam o tempo todo, comem transando, transam comendo e não param. Vivem só para esse consumo. Francesca faz uma magia em Paolo para que ele fique excitado 24 h/dia e assim o relacionamento é aprisionado num único pilar, o da comida sexual. E o silêncio vai amarrando esse casal que agora ignora o mundo externo, o que importa é só os dois e mais nada. Consumo intenso… destruição de algo, certamente. Os românticos idealizam essa cena: viver um pro outro e fim.

É o que sempre falo: é preciso amar mais de um objeto para a energia circular. Se o amor é concentrado num ponto, o resto do mundo se perde. Não estou com isso dizendo que é preciso amar mais de uma pessoa, não é isso. Mas é preciso não deixar pra lá as coisas que dão prazer quando se está namorando. A tendência é começar a namorar e ignorar o mundo, até os prazeres individuais. Percebem o silêncio da pulsão de morte em cena? Onde tudo é bonito, há um quantum de destruição que é inerente ao sujeito.

Filme que simplesmente adoro e recomendo, claro. Chega ao ápice da comédia, do “ridículo” exposto e como complemento típico, a tragédia está ali… de boca fechada… comendo pelas beiradas…

Por: Guerra de Pipoca.

Inconscientes

Inconscientes

Direção: Joaquín Oristrell

Gênero: Comédia

Espanha – 2004

InconscienteS! Palavra no plural que dá um salto entre o significado de Inconsciente Psicanalítico para InconscienteS, no sentido de não-cônscios, sem deixar a Psicanálise de lado. Quem não sabe e já que não sabe, não sabe do que? :D

Comédia primorosa e muito inteligente. Quem não é da área pode deixar passar em branco sátiras e piadas salutares, mas não compromete a graça do filme. Pode ser, apenas, que não gargalhe com médicos que se chamam Alzheimer, que ignorem a caricatura de Freud, alguns diálogos etc. Mesmo assim, vale a pena. Não se trata de um filme que tenha algum compromisso sério com a Psicanálise, mas sim que utiliza bordões clássicos desta teoria  para fazer de um drama uma comédia engraçadíssima.

O marido de Alma, psiquiatra, encontra-se com Freud e depois desse encontro abandona sua esposa e seu trabalho. Some, literalmente. Alma, grávida do primeiro filho, recruta o melhor amigo de seu marido, também psiquiatra e marido de sua irmã, para ajudá-la decifrar esse sumiço. A partir daí, a trama se torna detetivesca com muita risada.

“Freud Além da Alma”, mas muito além dela mesmo, literalmente rsrsrs. O que eles encontram? Diria Freud: ” Não obstante, a saber”…

rsrsrs

Recomendo!

Por: Guerra de Pipoca.

A Origem do Mal

A Origem do Mal – Hannibal Rising

Direção: Peter Webber

Gênero: Suspense

EUA – França – Inglaterra – 2007

Apenas um curto comentário.

Com a popularidade das informações, é sabido pela maioria que a infância, para a Psicanálise, é primordial; isso não é novidade nem mesmo para as pedras. É na primeira infância que é estruturado todo o corpo psíquico do sujeito. Dali que surgem os autistas, psicóticos, perversos, neuróticos etc. Não é de se estranhar, portanto, que eu tenha depositado uma grande expectativa nesse filme, posto que é aqui que temos acesso à infância de Hannibal. Doce ilusão. O filme contradiz em absoluto tudo que foi dito nas entrelinhas e nas linhas de O Silêncio dos Inocentes e O Dragão Vermelho.

A Origem de Hannibal não é má, mas o acontecimento  que lhe traumatizou, sim, é mau. Explico-me: Hannibal é de uma família bem composta, amorosa, tem uma irmãzinha muito da bonitinha, enfim, família acima do normal. Lá pros seus 8/10 anos, Hannibal é raptado junto com sua irmã e tem o desprazer de presenciar o canibalismo que fizeram com ela. Sim, concordo, isso é um motivo forte pra uma série de coisas, mas, primeiro, tendo ele mais de 7 anos todo o arsenal psíquico já se encontra formado ou quase lá, é preciso ter isso em mente.

Hannibal, assim, se torna um justiceiro, tal como Batman, que presenciou a morte de seus pais e declarou guerra aos inimigos de Gotham City. Até aí, normal. Mas, diante do que é visto em O Silêncio e em O Dragão condiz com sua verdadeira origem? Certamente que não, pois Hannibal não é um herói.

De maneira que eu não considero essa Origem tão assim do mal e muito menos, Hannibalesca. Acho que estão falando de outro Hannibal, um mais humano e saudoso de sua irmãzinha. Um que pretende adocicar a alma dos espectadores.

Por: Vampira Olímpia.

O Amigo Oculto

O Amigo Oculto – Hide and Seek

Direção: John Polson

Gênero: Suspense, Thriller

EUA – 2005

Olá! Ainda em viagem, desejo a todos um ótimo ano.

Numa madrugada insone, coloquei o dvd desse filme para assisti-lo, através de meus olhos estranhamente amarelados, com um pouco mais de crivo. Não foi possível, pois o filme embora muito interessante, escorrega mais do que menino em playground, é mais enfeitado do que burro de cigano.

Talvez eu devesse começar esse texto dizendo o quanto é pecaminoso tal ditado popular: “De Louco e de Psicólogo, todo mundo tem um pouco”. Ser psicólogo não é passar a mão na cabeça, com excesso de paciência, do amigo e fingir que o entende, vai bem além de meras compreensões, mas não farei desse filme um exemplo para defender a Classe, embora eu me sinta estafada com filmes que colocam psicólogos como sujeitos doentios e loucos. Esse pensamento provinciano vai durar mais quanto tempo?

Quem é Charlie? Ou talvez a pergunta principal seja: o que é Charlie?
Na infância, é comum amiguinhos imaginários, eles nunca são realmente pessoas, representam algo que falta e que é necessário para a constituição psíquica da criança. Geralmente, os amiguinhos imaginários aparecem na primeira infância e desaparecem sem fazer mal a ninguém, sem esforços e com muita naturalidade; quando adultas, raramente se lembram do tempo em que os amiguinhos apareciam.

Contudo, a pequena Emily já está grandinha demais para elaborar um amiguinho na imaginação. Primeiro ponto que o filme levanta uma lebre. Porém, sua mãe aparentemente cometeu suicídio. Pode ser comum a formação imaginativa de um colega depois de um trauma desse porte? Por que não? Não, não, isso está bem longe de ser uma esquizofrenia infantil. Trata-se de um consolo mental, que pode ser substituído posteriormente pelo ato de “falar sozinha(o)”. Tão comum, não?

No entanto, o pai de Emily, muito bem interpretado por Robert De Niro, a leva para um local isolado. OPA!!! Pera aí, vamos devagar… rs O lado chato de ser psicóloga é que… deixa pra lá… fato é que dificilmente um psicólogo decidiria por isolar uma criança após a perda de sua mãe, sendo que o ideal seria colocá-la em socialização com os amigos mais próximos e antigos, além de reais. Qual intenção disso no filme, meu caro Diretor? O de causar suspense, óbvio ululante. Mas, esta foi a besteira maior que vi nele (no filme). Antes o pai ter decidido ficar em New York, assim o final seria mais surpreendente e criativo.

Saudações Vampirescas.

Por: Vampira Olímpia.

Um ano de Guerra de Pipocaaaa!!!

Mês comemorativo de um ano de blog!

Não serei nostálgica na escrita comemorativa de hoje. Obviamente que muita coisa aconteceu no decorrer desse um aninho de blog, o histórico está vivo na memória de todos que aqui frequentam e compõem esse espaço delicioso.

Também não acho justo a nostalgia de narrar como que me veio a ideia de abrir esse blog, pois com o passar do tempo, na leitura passiva de muitos e na escrita ativa de alguns, eu deixei de falar sozinha nele e com ele.

Portanto, vamos direto ao bolo, sem esquecermos da vodka! rsrsrs

Parabéns e felicidades para nós!

Um ano de Guerra de Pipoca, estamos engatinhando ainda, balbuciando pequenas frases, logo, logo estaremos sem fraldas nesse universo rico chamado Cinema.

Beijos e obrigada!

Por: Guerra de Pipoca.

Um Estranho no Ninho

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Um Estranho no Ninho – One Flew over the Cuckoo’s Nest

Direção: Milos Forman

Gênero: Drama

EUA – 1975

Quem nunca se sentiu um estranho no ninho? Considero coerente dizer que todos já se sentiram uma vez ou outra (ou muitas vezes) como tal. Há uma banda brasileira que canta algo ecoado por muitos; nem sei se esses tantos escutam, na verdade, o que cantam:

“Entre um rosto e um retrato, o real e o abstrato / Entre a loucura e a lucidez

Entre o uniforme e a nudez / Entre o fim do mundo e o fim do mês

Entre a verdade e o rock inglês / Entre os outros e vocês

Eu me sinto um estrangeiro/ Passageiro de algum trem (ôôôô)/

Que não passa por aqui/ Que não passa de ilusão” (…)

-A Revolta dos Dândis – Engenheiros do Hawaii- (vale a pena ler a letra toda).

Em O Estrangeiro, tão bem dito por Albert Camus, Mersault é um personagem que experimenta e experiencia o Absurdo de simplesmente viver sem sentir o mal-estar da civilização; por ser frio existencialmente, causa mal-estar em todos os leitores. Impossível passar impunemente a um ser tão Absurdo* (Leia! Recomendo a leitura!).

Acontece que o mal-estar só pode estar na civilização. Em qual outro lugar estaria? Mal-estar na Selva, existe isso? Certamente que não. Chega a ser uma redundância o título do belo texto freudiano: “Mal-estar na Civilização”. Lá ele ensina que um dos motivos dos homens sofrerem é a sua relação com outros homens. E aqui nesse ponto, é possível fazer um gancho com o filme O Estranho no Ninho.

Jack Nicholson, maravilhoso, no personagem R.P. McMurphy vai parar numa clínica psiquiátrica por fingir-se louco para evitar ser preso numa penitenciária. Só em fazer isso, já não é algo normal rsrsrs. A ignorância faz a vítima, dizia meu avô, e é verdade. O “patinho feio” cai de paraquedas num ambiente dominado pela enfermeira Ratched; dona de um semblante entristecido e sádico, talvez adquirido pelo ambiente – a saber-, e que mostra que nessa “selva” a lei é a do mais forte. Mas, qual outra lei existe, na verdade? Todas as outras leis surgem dessa máxima. Aliás, um parênteses, as leis jurídicas existem porque temos o Forte e o Fraco, onde o Fraco precisa ser, ao menos perante os Homens, posto em igualdade através da sociedade.

Nessa queda de braço, que vença o melhor!

Sabemos, no entanto, das artimanhas utilizadas numa clínica: as punições, a restrição da liberdade, a hierarquia do normal como superior ao anormal etc, fazem com que as chances de sobrevivência mental nesse mato sem coelho sejam ínfimas. A beleza do filme é ver que vence, realmente, o melhor. O mais forte, o mais estratégico… nem sempre as estratégias ficam às claras, elas podem ser mudas e surdas, quem pode prever?

*Absurdo: Aqui o termo Absurdo é referido ao Absurdo Filosófico (em letra maiúscula por se tratar de um conceito para além do senso comum), que consiste, basicamente, em um estranhamento na relação entre o Homem e o mundo. Pode ser traduzido pela pergunta: Olho o mundo e não o compreendo. Por quê?

Para Camus, do qual concordo, se eu me revolto (bem longe da revolta  dos adolescentes) perante aquilo que é cuspido pra mim pela sociedade, eu existo. Revolto-me, logo existo.

Até que ponto McMurphy se “revoltou”?

Por: Guerra de Pipoca.

AntiCristo

o-anticristo

AntiCristo – AntiChrist

Direção: Lars von Trier

Gênero: Complexo demais para defini-lo, mas … Thriller Psicológico, Terror

Dinamarca – Alemanha – França – Suécia – Itália – 2009

Von Trier,  cineasta dinamarquês, não poupa esforços para fazer de sua obra a mais complexa amostra de cultura de 2009 no mundo. Mal compreendido no Festival de Cannes, onde fora questionado do por que fez esse filme, defende-se como pode e deve, entenda como quiser:

“Trabalho para mim mesmo. Não devo satisfação a ninguém. Não tive escolha (ao fazer o filme). Foi a mão de Deus, eu temo. E eu sou o maior diretor de cinema do mundo. Não sei se Deus é o melhor Deus do mundo”, completou.

Polêmico.

AntiCristo (nome também de uma bela obra de F. Nietzsche – Filósofo Alemão) foi realizado pelo diretor num momento em que tentava superar uma crise de depressão. Segundo ele:

“Não conseguia trabalhar. Seis meses depois, apenas como um exercício, escrevi um roteiro. Foi um tipo de terapia, mas também uma procura, um teste para ver se eu ainda faria algum filme”.

E fez bonito!

A Depressão não é um fetiche burguês, um piti nostálgico que liga nada a lugar algum. Não. A Depressão corrói o sujeito por dentro entre uma Melancolia faltosa e um vazio absoluto que vai aos cumes do desespero. No texto Luto e Melancolia, Freud conceitua Luto como um trabalho psíquico que diz respeito a  reação à perda de objeto de investimento libidinal, onde uma de suas maiores características é a incapacidade de investimento em outro objeto. O momento do luto, portanto, é do sujeito se recompor de tal perda para então conseguir investir energia em outro objeto.

Sabedoria popular: Não dizem que cura-se um mau de amor com um amor mais especial? Exatamente. No momento em que “aparece” um amor mais especial é o momento em que o sujeito já dá conta de investir energia em outro.

E a Melancolia que é agente direta da Depressão? Conceitualmente é a mesma coisa do Luto, porém com nuances mais delicadas. Primeiramente, demora demais para cessar o tempo de reação à perda. Segundo, uma das maiores características é a Autodepreciação. A autodepreciação é importante para entender que na verdade quando o sujeito diz: “eu não presto pra você, sou chato, mau, idiota etc” ele está dizendo que o objeto de seu investimento libidinal que não presta ;) . Por isso, os suicidas escrevem cartas maravilhosas: “Eu não presto, o mundo é bonito demais pra mim” ou “Essa vida não me traz mais nada, não compensa ficar nela para te dar trabalho” e por aí vai, no fundo trata-se de um ódio absoluto que ao invés de ser dirigido pra fora é dirigido pra dentro, pra si próprio. Autoagressividade. O Suicida quando se mata está matando o objeto de amódio. Por isso, também, a carta. É preciso que ele culpe o objeto a ponto de deixá-lo – o objeto – com o máximo sentimento de culpa que ele puder.

Obviamente que o assunto não cessa aqui, é longo, vasto e in-tenso. Mas com essas premissas em mão é possível entender melhor a obra de von Trier que se divide em capítulos que pelos títulos já se tem uma noção do que virá.

Respeitar o Luto é de suma importância tanto pra quem sente, quanto para quem convive com um sujeito de e em luto. Explicações racionais não são alcançadas para quem sofre. Não adianta um médico dizer para um sujeito às raias do desespero: “Você tem depressão”. E daí? Saber disso não o cura!!! O diagnóstico serve mais para o profissional como forma de saber como vai trabalhar com aquela pessoa do que para a pessoa em si que nem sabe o que fazer com isso…

Além disso, o filme é uma crítica direta ao americanismo do fast food terapêutico, onde são pautados no Behaviorismo que privilegia apenas a consciência do sujeito. Mas, isso é um longo assunto que pode ser massacrante para um blog onde a pauta é cinema rsrsrs. Freud, felizmente, não morreu.

Paciência, silêncio e atenção são elementos básicos para assistir o filme. Ele lida com questões humanas densas, feridas, fraturas expostas. Segundo Freud, quando se abre uma caixa de escorpiões o que encontrará lá dentro? Escorpiões. Não se iludam.

Por: Guerra de Pipoca, Vampira Olímpia (Vamp) e Morgana.

Divã

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Divã

Direção: José Alvarenga Jr.

Gênero: Drama, Comédia

Brasil, 2009

Resolvi dar uma chance para mais um filme brasileiro com os atores noveleiros e dessa vez, não me arrependo.

Lília Cabral na carne de Mercedes está divina, atuação maravilhosa. O filme começa com ela chegando num consultório psicanalítico e aqui vale fazer algumas ressalvas.

O próprio nome do filme, mesmo que eu não quisesse vê-lo sob a luz da Psicanálise, me levaria à tal. O Divã é uma espécie de sofá que em muitos locais é usado como enfeite, artigo de composição de um ambiente mais refinado. Numa clínica psicanalítica o divã é usado como instrumento de trabalho.

O quê? Um divã? Exatamente. O divã é uma cara ferramenta. Já repararam como é castrador o olhar? Não tanto como o silêncio, claro. Tem aqueles que falam sem nem pensar sobre “quando faço algo errado, meu pai só precisa me olhar que já basta”. O olho é um órgão sexual caríssimo! E também, ilusório e castrador. Ocorre que o olhar é da ordem do imaginário, portanto, tem um quantum paranóico que é inegável (“O eu é paranóico” – Lacan). Mas esse paranóico a qual me refiro não é a Paranóia da Psicose rsss, calma… rssss

Suponhamos a circunstância: Eu, Morgana, te olho, você que me lê. E permaneço séria em silêncio, até porque não tenho nada a dizer por enquanto. Você pode até não me comunicar isso, mas em algum momento se questionará: “Que foi? Será que estou feio(a)? Será que essa roupa não está legal? O que será que ela tanto pensa (DE MIM)? Será que ela está me analisando?”

É dessa pequena paranóia a qual falo rsss. O olhar provoca isso. Faça o teste, sente-se numa praça e olhe fixadamente para alguém. O incômodo virá à galope. Essa pessoa SE olhará. Ou então, o mais comum, pare em determinado local e olhe pra cima fixadamente. Você comprovará que muitos passarão ao seu lado e olharão para cima também.

Aí vem a grande sacada de Freud! Não é a válvula motora do tratamento que a pessoa SE olhe externamente tão somente, é importante que ela SE VEJA internamente e se responsabilize com que vê e escuta de si. Então, o olhar do analista – que por excelência tem que ser neutro – é isolado. Como?

Com o divã!

O sujeito deita o corpo, a linguagem e o seu discurso no divã e o analista senta-se atrás dele em sua poltrona para escutá-lo e analisá-lo no discurso, na fala. O que há é linguagem, uma passagem do imaginário perturbador para o simbólico renovador. Percebem a importância desse pequeno objeto?

Infelizmente, no filme o divã ficou como enfeite e como nome exótico, posto que Mercedes passa os três anos de sua análise sentada em frente ao seu analista…

Bom, quanto ao filme em termos de arte, é uma delícia. Como ia dizendo, Mercedes chega no consultório psicanalítico com o objetivo de se “conhecer melhor” rssss, e em sua fala inicial, diz nem saber o por que está lá já que seus problemas são tão pequenos… Se seus problemas são pequenos, de quem mesmo que são os grandes? rssss

E na medida em que ela vai se escutando as coisas vão mudando, porque isso é realmente inevitável, uma vez que você se torna cônscio de algo não consegue mais retornar à ignorância. Não tem jeito. Um passo dado para consciência é um caminhar sem volta. Lá na análise é o local de chorar, de dizer que não está dando conta, que está pesado demais, porque é lá que as coisas vão se tornando claras e os bichos papões vão desaparecendo gradualmente.

A beleza disso é que os problemas não desaparecem… mas, a forma de lidar com eles é muito menos neurótico e infantil, muito menos dolorido e sofrível. E a Mercedes saca isso… Depois de uma pequena caminhada de três anos a vida dela dá um revirão:

Desde deixar de ser  mal casada e mal comida até  repicar seus cabelos, tornando-se mais bonita, mais autêntica. Nesse tempo, posso dizer que o diretor demonstrou bem algo que é eternamente caro para a Psicanálise:

Toda escolha requer uma perda, mas perder algo não implica dizer que realmente perdeu, pode ser que ganhe e muito ao perder.

Os mals resolvidos, acostumados com seus brinquedos e a não dividi-los com seus amiguinhos que não suportam o fato de perder, precisam ter tudo o tempo todo e toda hora. E não se pode ter tudo.

Ah! Freud… agradeço por meus passos, de alguma maneira, terem cruzado com os seus.

Por: Morgana.