Trust

Trust

Direção: David Schwimmer

Gênero: Drama

EUA – 2011

As histórias infantis, via de regra, começam com “Era uma vez” e terminam com “…e foram felizes para sempre”. Não é por acaso, o propósito é simples: trata-se de confortar psicologicamente a criança para seus futuros e prováveis dramas internos. Após o “Era uma vez” há uma sucessão de eventos emaranhados  que denunciam angústias pueris. Como, por exemplo, se perder dos pais, que é o caso de João e Maria. Qual criança não tem medo dos pais se esquecerem de ir à escola buscá-los? Qual criança não tem medo de se perder dos responsáveis num passeio, supermercado, shopping? João e Maria é uma história de desamparo e durante esse “abandono” uma bruxa (personagem que dialoga com a metáfora do mal na sociedade) se aproveitou para atacá-los e “tome-lhe comida”. Não dizem que se alimentar faz crescer? Em horas como estas, João e Maria tiveram que “crescer” (amadurecer) para, enfim, atingirem o tão sonhado “e foram felizes para sempre”.

Acontece que essa artimanha psicológica nem sempre procede no real das existências infantis. Enquanto conselho e instrução, os contos são fantásticos. Mas, ocorre que conselhos – via contos de fadas – não resolvem o real da Coisa em si. Isto é, as histórias infantis servem apenas para efeito catártico. Ou seja, João e Maria diminui a angústia na criança, mas não evita que ela se perca dos pais, por exemplo. De maneira que o mundo é muito mais duro do  que as histórias contam…

Annie descobriu às duras penas que o príncipe encantado de seus sonhos não existe como ela fantasiou. Não digo que príncipes não existam, eles até existem, mas nunca são como na fantasia. Uns são mais sapos do que outros. Esse do filme era o monstro da lagoa verde. Pedófilo de 35 anos virtualmente iludiu Annie, de 14. Por que Annie pode transar com um homem de 15, mas não pode com um de 35? Isso é algo que nós leitores do blog já temos a resposta pronta na ponta da língua, mas é essa questão que Annie levanta durante boa parte do filme. Ela, por ter 14 anos, não faz a mínima ideia do por que a sociedade implica com uma relação deste porte, uma vez que ela pode namorar com alguém de sua idade.

Isso me fez questionar a que ponto os projetos sócio-educativos alcançam o/a adolescente e a criança neste entendimento. Será que basta dizer para não darem atenção a estranhos? Será que nós, adultos, veteranos de guerra, estamos imunes às mazelas das relações? Se nem nós estamos, o que dirá uma criança e/ou um(a) adolescente… Falta resposta para muitas perguntas, porque essas regras são elaboradas na sociedade para depois serem elaboradas na jurisdição vigente.

O filme não tem nenhum artifício cinematográfico especial, mas em termos de conteúdo – sobretudo para quem trabalha com clínica, com ser humano e suas complexidades – é muito bom por lidar com um assunto atual e que mexe com toda ordem familiar de alguém que passa por abuso sexual.

Tendo em vista comparações com outros filmes, gostei muito da atuação da terapeuta; não foi excepcional, mas, felizmente, o filme não capengou nesse ponto, pois não colocou a psicóloga numa posição de autoajuda. Nós não cursamos 5 anos de faculdade + o tempo de formação clínica para nos tornarmos conselheiros/as!!!! Nós não somos conselheiros/as! Achei ótimo que esse diretor de cinema não fez do/a psicólogo/a um adepto dos livros da Nova Era…

Por: Guerra de Pipoca.

Cisne Negro – O Outro Lado do Espelho

Nina em frente ao espelho de seu camarim

Cisne Negro – O outro lado do espelho

Direção: Darren Aronofsky

Pensei em fazer outro texto, mas a proximidade e preparativos para o carnaval me fizeram recuar nessa ideia; por agora, sem tempo pra isso. Então, decidi escrever assim mesmo, de supetão, sem maiores correções.

Peço permissão para me referir à Nina por (Me)Nina. Penso que esse trocadilho não é ofensivo e nem desgastado no contexto do filme, faz jus ao seu mundinho colorido e de fadas cheio de bichinhos de pelúcias em seu quarto, cuidados maternos excessivos, tratamento como se fosse (me)Nina e de porcelana, ainda por cima.

Certo é que se a mãe dela se comportava assim foi por ser autorizada como um reflexo por (me)Nina. Não digo que todos os casos de não-crescimento são assim, mas este é. (me)Nina não se rebelava contra si mesmo; consequentemente, não se rebelava contra nada que lhe era imposto: aceitava chegar em casa ter seu jantarzinho preparado por sua mãe, ter as unhas cortadas por sua mãe, ver seu sono ser velado por sua mãe, ouvir por meio da caixinha da bailarina uma musiquinha para dormir… posta por sua mãe etc etc etc.

Controlada pela mãe, por seu diretor e por si mesma, pegou toda essa rebeldia recalcada e jogou contra si. Autoflagelo (vide as costas arranhadas etc). Só que este movimento não é da ordem do consciente. Aí que entra Kunis: a ameaça de vir à tona tudo que está muito bem recalcado.

O filme é difícil por isso, pois ao mesmo tempo que Kunis é uma bailarina real, é uma ameaça interna real para (me)NIna. Ou seja, boa parte do filme acreditamos que Kunis está realmente sabotando a Cisne Branco. A direção do filme nos faz acreditar que a sabotagem é externa, quando, na realidade, a sabotagem é interna. É a (ME)NINA quem se sabota o tempo inteiro.

São nas pequenas sutilezas que percebemos o jogo intenso proposto pela direção do filme. Um claro exemplo é quando (me)Nina começa a delirar nas entrelinhas: A cena em que ela se autoflagela puxando a carne do próprio dedo e logo na cena seguinte o dedo dela aparece sem nenhum machucado.

Desta maneira, Aronofsky insere o espectador no outro lado do espelho. Ele joga a dúvida para o espectador: Kunis é ou não uma perversa que quer tirar as glórias de Portman?

E se numa cena ele lança o delírio, na outra ele lança a dúvida: aquilo foi ou não um delírio? O filme é todo costurado entre o que se vê e o que se reflete no espelho. O que vemos é a ameaça de sabotagem da Kunis, mas o que se reflete no espelho é a própria (me)Nina se sabotando.

É como se o controle estivesse na ponta da panela de pressão pronto para explodir… e explode. E sempre vai explodir, ao menos em termos de estrutura psíquica no que tange ao mundo humano.

O ser humano necessita extravazar por algum lado, do contrário, o cristal se quebra na explosão mais sensível e delicada: na psicose.

(Me)Nina quis crescer ou simplesmente se viu explodindo? O ímpeto de rebeldia desmedida só me faz crer que se viu explodindo e quando é assim não há mais retorno. O cristal pode ser colado, mas as rachaduras sempre estarão presentes.

A tríade estava bem formada:

  • a mãe: tirânica controladora;
  • o diretor do balé: tentando fazer com que (Me)Nina se soltasse, mas segurando as rédias;
  • Kunis: sem controle

A luta estava posta no ringue, que vença o/a melhor. O mundo do não controle era para (Me)Nina muito atraente. Acontece que ela não tinha estrutura só pra beber na fonte e voltar ao seu estado comum. Enfim, surtou.

E que surto lindo, não? Eu achei a cena maravilhosa quando o delírio a invade de uma vez e (me)Nina liberta a Cisne Negro... Foi espetacular, embora saiba que pra quem passa por isso é bastante sofrível.

Sei que quando ela chora é por estar sofrendo e carregando uma dor que não aguenta carregar. Numa clínica psiquiátrica, é de doer a alma. Mas, a cena, a arte, a poesia do filme, foi digna de aplausos. Ao invés de chorar com ela, abri um sorriso, porque FINALMENTE um diretor de cinema conseguiu captar o que é um delírio. Tarefa bem difícil para quem não é da área psi e mais, para quem faz arte com cinema.

Por essas e tantas outras coisas que estão atrás do espelho de Nina Menina, é que considero um erro da Academia Americana de Cinema não premiar este filme com o Oscar. Mas, quem precisa dessa estatueta para considerar essa obra brilhante?

Por: Guerra de Pipoca.

Leia aqui também.

Velha Nova Infância

 

(Feita por Guerra de Pipoca)

Lacan se dizia com 5 anos de idade, mas ter 5 anos de idade e saber ter esses anos de vida são duas coisas diferentes.

Saber ter 5 anos nas costas é fantasiar, brincar com a vida, brincar com que estiver disponível como instrumental e ferramenta e fazer disso um lindo momento de prazer e satisfação. É  saber rir e sorrir com as situações, adversidades, momentos, circunstâncias etc. Demora-se muito tempo para ser jovem…

Saber ter 5 anos é conseguir enxergar diversas possibilidades de respostas para as experiências da vida…

(Feita por Guerra de Pipoca)

assim como fazem as crianças que tiram do lenço depositado no chapéu -com toda mágica do mundo- um belo pombo. Assim como Lacan, que com muitos anos de experiência se dizia com 5 anos de idade.

Mais uma  vez: comemoremos o tempo dos Aquarianos, tempo este que é atemporal…

Felicidades, Aquarianos Guerreiros! (Guerra de Pipoca, Morgana, Vamp e BullDog)

Vida Longa e Próspera!

Por: Moiras.

2 anos de Guerra de Pipoca!!!

Enfim, se fechamos o ciclo de mais um ano, então, que venha mais! Somos gulosos!

:D

Parabéns para nós!

Beijos,

Guerra de Pipoca.

Por Amor a Nancy

Por amor a Nancy – For the love of Nancy

Direção: Paul Schneider

Gênero: Drama

EUA – 1994

Esta imagem não é do filme, mas é pertinente trazê-la.

Filme de 94 que é muito atual, pois se refere à história real de um caso extremo de anorexia (transtorno alimentar que pode levar à morte). Diante de tanta tecnologia avançada e exigência cultural da indústria da beleza, os que sofrem de transtornos alimentares não tem escapatória, uma vez que se afundam em suas neuroses e distorções corporais com o consentimento social. Bom, comecemos pelo início.

Enquanto criança, as diferenças físicas são mais marcantes no que se referem à genitália. Corpos de crianças não se diferem muito umas da outras. Somente no decorrer dos anos de vida é que os corpos se desenvolvem e se diferenciam com maior evidência. Como dizem no popular: o sujeito “encorpa”. As diferenças de gênero passam a ser mais visíveis, não preciso descrever aqui, claro.

Na adolescência, o corpo se desenvolve de maneira desproporcional. Os braços crescem e se alongam, a voz sofre modificações em tempos variados, as pernas não crescem no mesmo tempo que os braços. Enfim. São os “desengonçados/as” por natureza. Somado a isso, todos/as adolescentes sentem-se de “mal” com seus corpos em transformação.

Pensemos juntos: primeiro se é criança, diferença gritante com o mundo adulto. Depois, as pessoas deixam de ser crianças, crescem desproporcionalmente, tem corpos de pessoas  adultas, mas não são tratadas como tais. São tratadas entre a infantilidade e a adultice, sabem que são tratadas assim porque seus corpos mudaram e o pior, de uma maneira extremamente disforme. Se os corpos ao menos mudassem de maneira uniforme… Difícil exigir que não fiquem de mal com a vida na adolescência…

Os indivíduos que sofrem mais com isso são aqueles que psicologicamente não querem adquirir essas mudanças corporais que denunciam maturidade sexual. Em outras palavras, são aquelas pessoas que querem permanecer com seus corpos de crianças, tratados/as como tais, sem formas, sem curvas, sem atrativos sexuais. Pois, o corpo adulto é um corpo biologicamente preparado para a vida sexual ativa.

Somado a essa problemática, na cultura ocidental em épocas pós-modernas  ser bonito/a é ser magro/a. Ou seja, ser “sarado/a” é ter um corpo malhado, sem gorduras, sem excessos desnecessários. Em contrapartida, ser “doente” (pra fazer semblante ao ser “sarado”) é ser gordo/a, acima do peso exalando excessos.

Negação (inconsciente) da sexualidade + negação (inconsciente)  do corpo em desenvolvimento + neurose estética cultural = anorexia.

Parada rápida para um comentário pertinente: os/as modelos são cabides! Expositores de roupas que são guardadas em guarda-roupas, armários!

Voltando, “parar de comer” para o/a anoréxico/a é equivalente a ter “controle” do desenvolvimento corporal. Isto é, decidir não comer mais faz com que se emagreça tanto que “as curvas”, as formas, desaparecem. Não é assim? Almejam a assexualidade.

(gente, estou falando de pessoas com corpos adultos que chegam a 30 kilos!)

A diferença entre anorexia e bulimia é que na bulimia o indivíduo consome grandes quantidades de alimentos calóricos de maneira rápida e depois faz grandes estágios de jejuns somados à provocação de vômitos e ingestão de laxantes para por tudo o que se comeu pra fora, pelos buracos possíveis do corpo. E o sujeito anoréxico simplesmente não come.

O filme mostra Nancy em todos os estágios anoréxicos. Para a turma Psi é indispensável assisti-lo. Porém, recomendo para todos. Lembrando que o que está em jogo não é somente a neurose cultural do corpo perfeito, o buraco é mais embaixo… trata-se de uma doença psicológica crivada na distorção manifesta do corpo e da sexualidade…

Não dispensem as guloseimas ao assistirem “Por amor a Nancy”!

Por: Guerra de Pipoca.

O Abrigo

Adam & Cara

O Abrigo – Shelter

Direção: Mans Marlind e Bjorn Stein

Gênero: Terror, Suspense

EUA – 2009

Cara Jessup (Julianne Moore) é psiquiatra viúva, religiosa mãe de uma garotinha (Sammy – Samantha) e filha de um psiquiatra experiente. Desde o filme Hannibal, essa atriz tem cara de “FBI”. Em Shelter não chega a ser uma “Clarice Starling”, mas se aproxima dela. Os ensinamentos de Dr. Lecter fizeram eco neste atual papel. Ele é eterno.

Adam (Jonathan Meyers) é paciente do pai de Cara e  sofre de transtorno de múltiplas personalidades. Cara foi chamada para auxiliá-lo no tratamento. Surpreende-se com os alteregos de Adam, pois são pessoas mortas e que morreram numa época em que Adam era ainda muito criança. Memória recalcada?

Há muito tempo não era lançado um filme em que o terror se dava por elementos sobrenaturais. A imagem de demônios, vultos, faces transformadas, babas enquanto o “espírito” toma posse do corpo, são elementos que ajudam a montar o cenário desse gênero do cinema. Shelter é um retorno aos anos 80 já com os ensinamentos dos anos 2000 debaixo do braço.

Quem será que vem aí, David, Wes, quem?

Cara decide procurar familiares dessas pessoas que morreram para confrontar Adam e suas verdades inventadas. Encontra a mãe de David (um dos alteregos) na típica “casa da colina”. Aqui o filme se assemelha muito com O Chamado, onde Naomi Watts corre em busca de pistas e vestígios que justifiquem o comportamento de morrer depois de 7 dias após assistir o trágico e nonsense vídeo caseiro feito por Samara. (Aliás, os nomes das crianças se assemelham: Samara e Samantha).

O encontro com a mãe de David não resta dúvida: David incorpora Adam de alguma maneira. A luta para dar explicação científica para este evento toma tempo da psiquiatra que ignora sequências de outras mortes que estão acontecendo. Quem mata se Adam está preso?

As explicações para essas “acontecências” supersticiosas não são nem de longe plausíveis. Como diz a bruxa do filme: “é preciso ter fé para acreditar”. Eu não tenho essa fé. Miro-me na ciência, e não apenas psicológica, mas até na Física esse filme ultrapassou a linha imaginária que divide o irreal do surreal.  Porém isso pouco importa, uma vez que é a configuração do cenário de terror que deve ser levado em conta. E combinemos… para terror a soma dos catetos faz uma grande diferença. Terror que tem aquela música fúnebre no fundo, a casa da colina, a floresta que cerca a casa da colina e demônios à solta… ui!!! Bom demais! Clichê pra mais de metro. Fórmula que deu muito certo anteriormente e acho que estávamos carentes de terror exorcista.

O final é ótimo. Resta um sobrevivente, sempre, mas dessa vez a dizimação foi praticamente absoluta. Arrepiei em duas cenas:

  • Momento em que mostra na parede da casa de Stephen, irmão de Cara, o pôster de Joy Division;
  • Cena final em que Cara diz: “Sammy?”

Uau! Recomendo, mas não esperem originalidade.

Por: Guerra de Pipoca.

88 Minutos

88 Minutos – 88 Minutes

Direção: Jon Avnet

Gênero: Suspense

EUA – 2007

De vez em quando me dá saudade de Al Pacino e revisito alguma atuação dele; hoje foi assim. Revisitei 88 Minutos. Obra de acesso rápido e fácil, sem complicações e temas difíceis; é possível pensar sobre ele por diversos caminhos.

Cena número um, o Bar:

Comemoração do julgamento do Serial Killer.

(Só um parênteses “fora” do filme: não conheço um país que o linchamento social a um criminoso seja crime de fato e de direito. Já pensou nisso? Via de regra, as delegacias nem abrem ocorrência. Botam todos da rua pra correr e fica por isso mesmo.)

Todos os suspeitos estão no bar! O Psiquiatra (Dr. Gramm – Al Pacino), seus alunos, seus assistentes, sua colega de trabalho… Bebem, riem, divertem-se e depois cada um toma seu rumo. O que fazem, afinal?

Serial Killer:

Interessante a manobra do filme de colocar em cena um assassino que continua matando mesmo depois de preso. Não é sempre que isso dá certo, geralmente a segurança é enorme. E aqui não faço brincadeira com isso.

É bizarro ler certas notícias em jornais de assassinos em séries que se casam nas penitenciárias. A exemplo: Maníaco do Parque.

O comum é pensarmos: “esse morre sozinho”. Sim, depois de estuprar, estrangular, matar, o normal seria qualquer mulher querer distância dele, mas ao contrário do que se espera, há uma minoria que nutre admiração por esse tipo de pessoas doentias. Concluo que são bem mais doentes ainda.

Este filme toca nesse ponto sem adentrar com profundidade nele. Deveriam ter chafurdado mais, assim como acontece com Amanda em Saw II, III, sucessivamente.

Papel do Psiquiatra:

Psiquiatra (e todos os profissionais “Psis”) não é adivinho, ele não tem bola de cristal, mas tratando-se de patologias clínicas, deve ter um sensor que capta sinais de fumaça a longa distância. Isso fora das telas cinematográficas, né? Pois aqui neste filme, o psiquiatra é um astro, literalmente! Não é por ser somente Al Pacino (o nome já diz tudo), mas o papel que entregaram nas mãos dele é de qualquer coisa, menos de um psiquiatra. Holofotes! Holofotes! Holofotes!!!

E tanta luz fabricada, atraiu o olhar perverso de alguém que deseja seu lugar e que o ameaça: em 88 minutos, morrerá… tic tac tic tac tic tac…

Aproveitando a deixa “superstar”, nas entrelinhas do longa, a direção põe em questionamento os métodos da(s) Psi(s) o tempo todo. “Até que ponto um diagnóstico psiquiátrico serve como prova judicial?”

Crítica covarde e leviana… enfim…

Pena de Morte:

Certo momento do filme, Al Pacino pergunta para uma de suas alunas:

“Justiça e verdade. Onde elas se cruzam?”

Tenho consciência que agora entro num terreno bem mais baldio e polêmico, mesmo assim quero apontar algumas questões sobre o assunto.

Sou a favor da vida, quase sempre. Existem sujeitos com nível de comprometimento psíquico sem retornos e sem possibilidades de fazer mediação que seja suficiente para o reingresso do sujeito no meio social. Ou seja, essas pessoas estão fadadas ao isolamento social sob pena de cometerem novamente atos bizarros e hediondos. O que fazer com elas?

Perguntando dessa forma, soa muito cru, mas sem hipocrisia: o que fazer com esse resto que não serve, que não é produtivo, que é um peso doentio para a comunidade? O pensamento que serve de guia, sem utopias, platonismos e romantismos, deve ser exatamente este. Cabe a nós pagarmos impostos para deixá-los vivos e isolados à espera da misericórdia do tempo ou a ideia do “olho por olho, dente por dente” é o melhor a ser feito?

Não vou ficar em cima do muro: neste caso exclusivamente, sou inteiramente a favor da pena de morte.

Por: Guerra de Pipoca.

A Origem do Mal

A Origem do Mal – Hannibal Rising

Direção: Peter Webber

Gênero: Suspense

EUA – França – Inglaterra – 2007

Apenas um curto comentário.

Com a popularidade das informações, é sabido pela maioria que a infância, para a Psicanálise, é primordial; isso não é novidade nem mesmo para as pedras. É na primeira infância que é estruturado todo o corpo psíquico do sujeito. Dali que surgem os autistas, psicóticos, perversos, neuróticos etc. Não é de se estranhar, portanto, que eu tenha depositado uma grande expectativa nesse filme, posto que é aqui que temos acesso à infância de Hannibal. Doce ilusão. O filme contradiz em absoluto tudo que foi dito nas entrelinhas e nas linhas de O Silêncio dos Inocentes e O Dragão Vermelho.

A Origem de Hannibal não é má, mas o acontecimento  que lhe traumatizou, sim, é mau. Explico-me: Hannibal é de uma família bem composta, amorosa, tem uma irmãzinha muito da bonitinha, enfim, família acima do normal. Lá pros seus 8/10 anos, Hannibal é raptado junto com sua irmã e tem o desprazer de presenciar o canibalismo que fizeram com ela. Sim, concordo, isso é um motivo forte pra uma série de coisas, mas, primeiro, tendo ele mais de 7 anos todo o arsenal psíquico já se encontra formado ou quase lá, é preciso ter isso em mente.

Hannibal, assim, se torna um justiceiro, tal como Batman, que presenciou a morte de seus pais e declarou guerra aos inimigos de Gotham City. Até aí, normal. Mas, diante do que é visto em O Silêncio e em O Dragão condiz com sua verdadeira origem? Certamente que não, pois Hannibal não é um herói.

De maneira que eu não considero essa Origem tão assim do mal e muito menos, Hannibalesca. Acho que estão falando de outro Hannibal, um mais humano e saudoso de sua irmãzinha. Um que pretende adocicar a alma dos espectadores.

Por: Vampira Olímpia.

Hannibal

Hannibal

Direção: Ridley Scott

Gênero: Suspense, Thriller Psicológico

EUA – 2001

Agora é a vez de Hannibal, porém, lembrem-se que cronologicamente este é o último filme do “quarteto Lecter”, mas ainda não falei do primeiro, que é A Origem do Mal, será resenhado pela Vamp.

Serei breve, farei um recorte de UM aspecto, apenas. Mas ressalto que existem vários. Já estou cansada desse serial killer, confesso.

A vantagem de falar de Hannibal é a certeza prévia de que será apenas uma opinião dentre centenas que existem. O meu foco, nesse filme, é o psicológico, farei apenas um voo rasante no ponto em que acho crucial para mudança de todo o contexto. Obviamente que o leque de “psis” que pensam sobre o canibal é vasto, contudo, por mais incrível que isso possa parecer são poucos os que verbalizam o quanto equivocados estão os diretores. Talvez por um interesse puramente comercial, não sei, fato é que aquele perverso intrigante e autêntico já se foi há um bom tempo; em Hannibal encontramos outra coisa, não ele.

Aqui, neste filme, Clarice Starling está na pele de Juliane Moore, o que certamente não agradou aos fãs. Jodie Foster, em O Silêncio dos Inocentes, adquiriu cadeira cativa por mérito absoluto; a troca teria de ser por alguém à altura. Juliane é boa atriz, mas o rostinho angelical dela não combina com a firmeza e decisão de Detetive Starling no corpo de Foster.

Continuamos com Anthony Hopkins, excelente. Porém, usufruimos apenas de sua fineza, elegância e sabedoria, posto que seu lado animalesco foi abafado indevidamente o filme inteirinho. Lecter, com sua inusitada maneira de ser,  parece estar apaixonado por Starling. O Diretor provoca esse pensamento em tempo integral. Tudo bem, os brutus também amam… só que perversos, sobretudo, psicopatas, não se apaixonam. Impossível não notar que no decorrer dos 4 filmes a direção quase transformou tudo em uma comédia romântica. SIM! É exatamente isso que estou falando de Hannibal! Embora requintado, com um suspense apurado, o que fizeram dele foi um romance “sideral” entre  o mesmo e Claricinha.

Ficou bom pelo conjunto e porque a direção não é obrigada a ter conhecimentos da Psicologia enquanto ciência para construir uma obra de arte, mas ficou ruim porque na melhor das hipóteses a massa pensa: “Hannibal está ficando velho” ou “não se fazem mais psicopatas como antigamente” ou “de serial killer para apaixonadinho da estrela foi só uma questão de tempo”…

Talvez pelo requinte do personagem essa mudança não fique visível para muitos, mas como um outro exemplo, imaginem aquele psicopata do filme Onde os Fracos não tem Vez se apaixonando por alguém a ponto de cortar sua própria mão? Vocês conseguem imaginar algo assim? Eu também não. O narcisismo e a frieza impedem de isso verdadeiramente acontecer.

No entanto, em Hannibal, depois de fazer uma patética lobotomia num policial -o que qualquer um da área da saúde para e fala: “hã? ” pra essa cena, mas nem tanto se comparado à lobotomia de Jogos Mortais-, Lecter corta sua mão para salvar a amada Starling e sua própria vida. Parênteses: podendo cortar a mão DELA. A gente quase acha fofo, né? rsrsrs Quero ver a Laís e a Bel falarem que Hannibal “fez coisas fofas por Claricinha”, porque fez mesmo!!! rsrsrs. É… Van Gogh corta sua orelha pela amada, ficou surdo. Aliás, era surdo antes mesmo do ato em si. Doctor Lecter corta sua mão… ao menos algemado ele não será mais, né? Dizem que vão os aneis e ficam os dedos. Enfim…

O filme não tem grandes coisas em termos de cinematografia, não inova em absolutamente nada, é apenas a história que deve ser levado em conta.

Eu recomendo. A fotografia é muito bonita, afinal, aqui estamos em Florença.

Por: Guerra de Pipoca.

O Amigo Oculto

O Amigo Oculto – Hide and Seek

Direção: John Polson

Gênero: Suspense, Thriller

EUA – 2005

Olá! Ainda em viagem, desejo a todos um ótimo ano.

Numa madrugada insone, coloquei o dvd desse filme para assisti-lo, através de meus olhos estranhamente amarelados, com um pouco mais de crivo. Não foi possível, pois o filme embora muito interessante, escorrega mais do que menino em playground, é mais enfeitado do que burro de cigano.

Talvez eu devesse começar esse texto dizendo o quanto é pecaminoso tal ditado popular: “De Louco e de Psicólogo, todo mundo tem um pouco”. Ser psicólogo não é passar a mão na cabeça, com excesso de paciência, do amigo e fingir que o entende, vai bem além de meras compreensões, mas não farei desse filme um exemplo para defender a Classe, embora eu me sinta estafada com filmes que colocam psicólogos como sujeitos doentios e loucos. Esse pensamento provinciano vai durar mais quanto tempo?

Quem é Charlie? Ou talvez a pergunta principal seja: o que é Charlie?
Na infância, é comum amiguinhos imaginários, eles nunca são realmente pessoas, representam algo que falta e que é necessário para a constituição psíquica da criança. Geralmente, os amiguinhos imaginários aparecem na primeira infância e desaparecem sem fazer mal a ninguém, sem esforços e com muita naturalidade; quando adultas, raramente se lembram do tempo em que os amiguinhos apareciam.

Contudo, a pequena Emily já está grandinha demais para elaborar um amiguinho na imaginação. Primeiro ponto que o filme levanta uma lebre. Porém, sua mãe aparentemente cometeu suicídio. Pode ser comum a formação imaginativa de um colega depois de um trauma desse porte? Por que não? Não, não, isso está bem longe de ser uma esquizofrenia infantil. Trata-se de um consolo mental, que pode ser substituído posteriormente pelo ato de “falar sozinha(o)”. Tão comum, não?

No entanto, o pai de Emily, muito bem interpretado por Robert De Niro, a leva para um local isolado. OPA!!! Pera aí, vamos devagar… rs O lado chato de ser psicóloga é que… deixa pra lá… fato é que dificilmente um psicólogo decidiria por isolar uma criança após a perda de sua mãe, sendo que o ideal seria colocá-la em socialização com os amigos mais próximos e antigos, além de reais. Qual intenção disso no filme, meu caro Diretor? O de causar suspense, óbvio ululante. Mas, esta foi a besteira maior que vi nele (no filme). Antes o pai ter decidido ficar em New York, assim o final seria mais surpreendente e criativo.

Saudações Vampirescas.

Por: Vampira Olímpia.

Um ano de Guerra de Pipocaaaa!!!

Mês comemorativo de um ano de blog!

Não serei nostálgica na escrita comemorativa de hoje. Obviamente que muita coisa aconteceu no decorrer desse um aninho de blog, o histórico está vivo na memória de todos que aqui frequentam e compõem esse espaço delicioso.

Também não acho justo a nostalgia de narrar como que me veio a ideia de abrir esse blog, pois com o passar do tempo, na leitura passiva de muitos e na escrita ativa de alguns, eu deixei de falar sozinha nele e com ele.

Portanto, vamos direto ao bolo, sem esquecermos da vodka! rsrsrs

Parabéns e felicidades para nós!

Um ano de Guerra de Pipoca, estamos engatinhando ainda, balbuciando pequenas frases, logo, logo estaremos sem fraldas nesse universo rico chamado Cinema.

Beijos e obrigada!

Por: Guerra de Pipoca.

Quarto da Morte

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Quarto da Morte – The Killing Room

Direção: Jonathan Liebesman

Gênero: Suspense, Violência

EUA – 2009

Chico diria: “Tem dias que a gente se sente, como quem partiu, ou morreu!”.

Hoje o dia foi de morte, mesmo. Primeiro, a notícia de que a Disney comprou a Marvel. Sem comentários. E depois, fui assistir esse filme que é um misto de Cubo com Jogos Mortais, só que o “Jigsaw” da vez não é nem um pouco simpático e carismático.

Filme frio, com frieza deve ser visto. Será que você dá conta? rsss.

Quatro pessoas vão a um determinado local a fim de se prestarem como cobaias para um experimento pago, e tratando-se de experimento, até bem pago. U$ 250,00 por 8 hrs! Participei de um em tempos de graduação, sobre fobia, que eram de quase duas semanas pra receber só 500 R$!!! e muita encheção de saco… Não tem graça ser cobaia porque você sabe que é cobaia. Na maior cara dura eu falei para o doutor que estava encabeçando o experimento: – Como sentirei medo se sei que estou sendo testada? (Será que essa pergunta tem resposta ou essa resposta precisa de pergunta? rsss)

Bom, eu não abandono a lógica nem mesmo quando ela insiste em me abandonar rsss. Voltando ao filme, tanto eles, quanto nós espectadores sabemos que vão morrer. Qual a graça de um filme que você sabe que todos vão morrer?

Aí se um sobrevive a tendência é: Hummmmmmmmm. Sei… rssss Se não sobrevivem: Putz, mas qual afinal é objetivo de um filme como esse?

Afinal, Dr., o que você descobriu sobre fobia com suas cobaias cientes???? Hãaaaaaaaan?

Por: Morgana.

Nascidos para Matar

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Nascidos para Matar – Full Metal Jacket (Born to Kill)

Direção: Stanley Kubrick

Gênero: Guerra

EUA – 1987

“Sim, estou num mundo atolado em merda. Mas, estou vivo e não estou com medo”.

Não sei se começo falando da inusitada música infantil “Mickey Mouse”, se passo pela ironia de “papaum-mau-mau-papaum-mau-mau” em pleno ataque e guerrilha ou se já chego direto ao ponto: Esse filme foi dirigido por Stanley Kubrick.

Com exceção de “De Olhos bem Fechados”, gosto muito desse Diretor. O inusitado nele não me decepciona, ao contrário, por vezes me faz rir.

Born to Kill é uma crítica ao militarismo que leva à desumanização. Composto por duas partes onde a primeira os fuzileiros se encontravam na Coorporação, em treinamento e aqui vale dar uma pausa para fazer algumas colocações:

O filme já se inicia com a dura realidade do “Exército”. Porém, não vemos duras torturas, nada que seja abominável, o que alimenta o teor psicológico do filme.

born to kill 2

Pyle, da equipe, é o que não se encaixa. Seu humanismo é visível, ele não tem o perfil dos demais companheiros. Está acima do peso, não faz os exercícios direito, tem medo, hesita. É a ovelha negra.

Essa primeira parte é importantíssima pra captar a idéia de Kubrick: como treinar o homem a deixar de ser humano e se tornar um cão.

A segunda parte mostra os fuzileiros já na Guerra do Vietnã.

“Os mortos só sabem de uma coisa:

É melhor estar vivo”.

Será que sabem? E os vivos, será que sabem como é bom estarem vivos?

Na composta narrativa de Joker, um fuzileiro que faz parte da “Imprensa de Guerra”, podemos conferir o dia-a-dia dos soldados, seus treinamentos e momentos em guerra sob o pano de fundo de uma crítica implícita aos objetivos de um combate. Kubrick usa do humor sarcástico, negro, do sadismo de alguns personagens, para montar esse quadro, acredite, quase sem sangue e sem apelações comotivas.

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“Escrevemos nosso nome nas páginas da História hoje”

Não entrarei no mérito da Guerra do Vietnã como real e histórica porque, ao menos pra mim, não vem ao caso essa discussão agora; pois Kubrick mostra a exemplo dessa Guerra a falta de sentido de todas as outras Guerras… que a humanidade presenciou e ainda vai presenciar.

Perante tanto imperialismo: ‘Mickey Mouse’ (…) ‘Mickey Mouse’ , pode ser visto como o resgate da fantasia de que tudo está bem.

E foram felizes para sempre.

Por: Guerra de Pipoca.

Garota Interrompida

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Garota Interrompida – Girl, Interrupted

Direção: James Mangold

Gênero: Drama

EUA – 1999

Título jóia. É um filme dos famoso 60’s (sixties) . Amor livre, muita maconha, convocação para a guerra do Vietnã. O “boom”da TV, os cabelos em forma de bolo-de-noiva e aquelas cafonices todas…

Se você já viu “Um estranho no ninho” com o Jack Nicholson e/ou “Frances”, com a Jessica Lange – a mesma que seduziu o King Kong. Vai achar esse de agora meio água com açúcar. É que o universo feminino é mesmo doce … Mas só de ser um filme com mulheres e para as mulheres, já vale. Coisa rara na cinematografia mundial.

A Winona Rider está trilhando o mesmo caminho desses atores de um interpretação só. Ela está se especializando na famosa “menina-problema”. Mas convence. Aquele cabelinho “à la garçonne” e o cigarro Gaouloise, fumado incessantemente, compôs bem o personagem.

Ser internado em uma instituição para doentes mentais é no mínimo uma louca experiência, desculpem o trocadilho infame… Gostaria eu que os Sanatórios brasileiros fossem minimamente parecidos com esse Mayflower … Aqui é depósito humano mesmo … Trabalhei em um durante 1 ano… Ou fiquei internado? Não me recordo, agora.

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E a senhorita Lisa ? Interpretada pela magnífica atriz Angelina Jolie… Pra começar “jolie” em francês é alegria. E é exatamente o que senti quando a mesma fez sua triunfante entrada no filme. Totalmente demais. Música de Caetano cantada pela Bethânia. Emoção pura. A mulher em questão beira a perfeição. Seus lábios parecem pedir um suculento beijo a todo instante, aqueles com gosto de pêssego. Os olhos, magnéticos. Ai, ai, ai, ai, se minha esposa ler esta crítica durmo no quarto das crianças hoje … Ainda bem que ela – a Angelina – é loira e todos nós sabemos que a beleza dessa raça dura pouco. Envelhecem rapidamente … Uma pena.

Tudo muito asséptico, visual caprichado, mesmo nas cenas noturnas. É bacana ver como as meninas se divertem… Interessante como as roupas são igualzinhas as que estão usando hoje … A moda é perversa. Ainda bem que não voltou a moda de não tomar banho e usar cabelo enorme e cheio de piolho, argh !

Que a moçoila em questão é doida, dá pra perceber rapidamente, mas não fere nem um pouquinho minha admiração pela sua interpretação. E que a Winona é só uma menina mimada posando de “cult” , também eu vi. Agora, botar as duas farinhas no mesmo saco é que foi o ponto alto do filme.

Do meio pro fim o filme esquenta e o final é mesmo bom. Gosto quando o enredo vai crescendo e fatos novos e surpresas vão se acrescentando até um final consistente. Hitchock sempre teve razão. Não adianta assustar, tem é que botar medo. Suspense. Será que ela vai ter alta ou não ? Será que nós somos mais ou menos doidos que essas garotas?

Não sei, mas que fiquei doidinho pela Jolie, isso eu fiquei.

O que há de bom: a Angelina, óbvio. Mas também os diagnósticos psiquiátricos e os diálogos médicos. Pesquisei e percebi que são bem coerentes. E o que é melhor; a gente que é leigo, entende.

O que há de ruim: os “flashbacks” são mal colocados. São necessários, mas a fórmula está meio gasta. Poderiam ser mais criativos ..
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A cena do filme: elas jogando boliche, a Angelina andando na neve com seu cabelo maravilhoso e sua roupa “très chic” , até hoje. E na seqüência, elas tomando sorvete com a cornífera madame. Foi louco!

O que prestar atenção: tem uma fotinha do Kennedy, tem a notícia da morte do Martin L. King, e as musiquinhas pueris dessa década estão lá. Só faltou Carpenters, com sua anorética cantora, mas que eu adoro.

Cotação: filme bom ( **** )

Por: C.O.B.R.A.

Correndo com Tesouras

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Correndo com Tesouras – Running with Scissors

Direção: Ryan Murphy

Gênero: Drama

EUA – 2006

Antes de mais nada é preciso dizer que um psicoterapeuta não é um psiquiatra. A Psiquiatria faz parte da Medicina. Nem todo psiquiatra é psicoterapêuta. Pra completar a confusão, a Psicanálise não é parte nem da Medicina e nem da Psicologia embora seja estudada arduamente em ambas ciências; trata-se de uma Ciência individual que anda com as próprias pernas sem precisar se filiar à uma ou outra, ao contrário, Psiquiatria e Psicologia que recorrem à Psicanálise.

Portanto, um médico pode ser psicanalista desde que corra atrás disso, e um psicólogo, também.

Um profissional da saúde psíquica tem poder para melhorar um sujeito, como também, adoecê-lo. Jogos mentais são estabelecidos para fazer o tratamento caminhar, é necessário e faz parte do tratamento, mas se usado com perversão, colocando o sujeito dependente do terapeuta, o caminho é o do adoecimento há longo prazo.

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“Meu nome é Augusten Burroughs. Por onde começo a contar a história de como minha mãe me abandonou e depois eu abandonei minha mãe?”

Filme de uma história real, Augusten era filho de uma  artista/poetisa  visivelmente desequilibrada e com um casamento infeliz. No estopim da infelicidade, ela procura um médico psiquiatra que nem de longe cumpre adequadamente seu papel profissional. Decide se tratar com ele e se a sua vida já não era exemplo de muita coisa, o declínio passou a ser fato.

Casamento foi a primeira coisa a sucumbir, o que já era de se esperar. Mas até sua relação com seu filho que eram tão próximos?

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Augusten foi morar na casa do Doutor Psiquiatra. É… tão louco que nem tem como explicar como se deu isso aqui também, é preciso ver com os olhos que a terra há de comer.

Uma casa desorganizada, bagunçada que reflete inteiramente a dinâmica familiar daquele médico desequilibrado. Mas o mais chocante, acreditem, é a esposa do doc passar o dia vendo filme de terror e comendo ração de cachorro.

Excêntrico? Negativo. Puramente expressão do que ela é na casa: a cachorra que abana o rabo pra todos os habitantes daquele lar em busca do filme da vida dela ser mais feliz, menos horroroso que o terror que ela acostumou a ver e viver.

Quem estende a mão para a cachorra e lança o pauzinho para diverti-la é Augusten, que cresce num ambiente louco e tenta se ancorar no mínimo de serenidade que repousa em sua mente para sobreviver àquela doença gerenalizada.

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Sobreviver aos pais já não é tarefa fácil quando estes são saudáveis, imagine desequilibrados?

Pois é, nessa altura do campeonato você deve estar se perguntando: E o pai desse menino, onde está?

Em algum lugar distante, sempre fora ausente, por que diabos seria presente nesse momento?

E Augusten teve como ‘parâmetro’ de pai e mãe seu namorado esquizofrênico de 35 anos e a ‘cachorra’ visivelmente velha e maltratada por suas infelizes escolhas…

Correndo com tesouras…

Excelente filme!

Por: Deusa Circe e Vampira Olímpia.