Padre

Padre – Priest

Direção: Scott Charles Stewart

Gênero: Faroeste Vampiresco (WTF?)

EUA – 2011

Stewart matou a aula de artes quando estava tentando ser cineasta. Matou as aulas de literatura enquanto estava no colegial e nisso perdeu a chance de ouvir falar em poesia…  Quando Alberto Caeiro (heterônimo de Fernando Pessoa) nos leva a pensar, por meio do Poema V, que as coisas são o que são e seus devidos valores devem ser atribuídos enquanto seres que são sendo,  fico aqui a pensar que o mistério da palavra não é alcançado por todos. É uma pena, sem dúvidas.

Uma árvore tem a propriedade de ser qualquer coisa na metáfora, mas se no real das coisas ela deixar de ter as propriedades que lhe garantem o próprio conceito de árvore, simplesmente deixa de ser uma árvore. O mesmo vale para qualquer coisa. Uma flor não pode ter no real uma propriedade de um lápis, senão deixa de ser flor e passa a ser lápis. Um sapato não será um ovni de gnomos! Nem um papel será um tapete de elfos! Papel é papel e tapete de elfos é tapete de elfos!

Na arte, no entanto, um tapete de elfo pode facilmente ser um ovni de gnomos, e o melhor: sem sentir angústia de ser outra coisa que não o que se é.  (fui obrigada a fazer  uma analogia com a máxima sartreana de que o homem é condenado a ser livre e a obrigação de ser livre é a geradora e causadora da angústia, para este filósofo).

Padre, por sua vez, só pode ser um padre. Diz Caeiro que se Deus é uma árvore, uma flor, o Sol, por que deveríamos chamá-lo de Deus ao invés de árvore, flor, Sol, luar…? Enfim, Padre é padre e está condenado a sê-lo, ainda que seja livre para ser padre. Ainda que a existência seja definida primordialmente pelo não-ser.  Isto é, Padre (o filme) não pode ser padre na medida em que se subverte em metáforas e se torna um assassino de vampiros, contrariando a máxima de “não matar”. Ademais, vamos falar mais rasgado? WTF!!!!! Já vi de tudo neste mundo, mas faroeste vampírico protagonizado por um padre é novidade. Sigamos a lógica: padre é padre, faroeste é faroeste, vampiro é vampiro.

Certo?

Misturar tudo deu numa sopa tão bizarra e desarmônica que a própria Vampinha dispensou a  ideia de escrever sobre o filme, deixou pra mim. E na boa? Não dou conta do recado… porque pra mim, se vampiro é vampiro, se padre é padre e se faroeste é faroeste, então esse filme (adaptação de uma história em quadrinhos e jogo sul-coreano) é dos mais estranhos…

Por: Guerra de Pipoca.

 

2 anos de Guerra de Pipoca!!!

Enfim, se fechamos o ciclo de mais um ano, então, que venha mais! Somos gulosos!

:D

Parabéns para nós!

Beijos,

Guerra de Pipoca.

Homem de Ferro 2

Homem de Ferro 2 – Iron Man 2

Direção: Jon Favreau

Gênero: Besteirol Agudíssimo, HQ, Ação

EUA – 2010

Cada época tem o herói que merece. Em momento de superexposição midiática, numa sociedade consumista ao extremo, ególatra e emocionalmente instável, eis aí o Homem de Ferro. Um super ser que se funde com a identidade secreta, tornando-se público.

A diferença entre homens e meninos é o preço de seus brinquedos. Ditado popular norte-americano. A comunidade militar deseja a armadura de Stark e o rival infantilóide, Sr. Hammer, idem. Seu embate contra Stark no tribunal e nas TVs é digno de pena. Não sei quem é mais besta, se Stark com seu narcisismo premente ou Hammer com a sua carinha de Bambi querendo chamar a mamãe!

Vamos para o Grande Prêmio de Mônaco, que por sinal é o mais seguro e vigiado de todos da Fórmula 1. Um sujeito vindo não se sabe de onde invade as pistas, na contra-mão, brincando de chicotinho queimado! Ele é um sub-vilão chamado Ivan Vanko, um russo filho de gênio e que cria uma cacatua.

Logico que o bobinho do Hammer se une ao tatuadíssimo Vanko, vivido por Mickey Rourke, num personagem estrebuchante de feio. Enquanto isso Tony/Homem de Ferro sofre com a contaminação de vanádio em níveis altíssimos na sua corrente circulatória.

Devo dizer que até gosto dos diálogos rasteiros e piadinhas engraçadas de Tony. Mas o personagem tem muito mais destaque do que o herói. Como se o ator Robert Downey Jr. eclipsasse o mesmo. Assim fica aquela imagem de sujeito malandro, boa pinta, meninão que a galera adora. Igualzinho ao Sherlock, ao outro Homem de Ferro e papéis anteriores dele?

Eis que surge a Viúva Negra. Bom visual rebolativo e cabelos vermelhos. Mas mulher para ser gostosa precisa de mais carne e aquela sensação de que você pode pegar ela, de acessibilidade. Se não, vira uma Gisele da vida. Linda, mas inalcançável. Homens comuns não gostam. Para mim ele luta bem melhor do que o próprio Homem de Ferro, que tem suas ações ofuscadas pelo amigo-rival coronel James Rhodes, único que parece levar a sério a fita e o seu papel.

Quase morrendo com o vanádio no peito. Metal que nem existe puro na Natureza, deveria ter analisado melhor a liga formada com alumínio e titânio, inócuos ao ser humano, e utilizados em próteses ortopédicas. Mas tudo bem, a descoberta do novo composto, com direito a herança paterna e visão trimidimensional “hi-tech” é legal.

O embate final é fraco, aliás para um filme de ação ele está cheio de diálogos desnecessários e uma inversão de papéis principais. Robert Downey é bom ator, mas o personagem ficou muito maniqueísta, pueril e superficial. Igualzinha as “celebridades” de hoje.

O que há de bom: ferros rangindo, trilha sonora criativa e cheia de style e algumas “voadeiras” esteticamente bonitas e eficazes da Natasha

O que há de ruim: repetição de uma fórmula anterior de sucesso elevada ao cubo, que acabou ficando quadrada

O que prestar atenção: pelo menos as tatuagens do Vanko seguem o padrão das prisões russas e seu rígido código identificador

A cena do filme: ele chegando no palco e agachando, atlético e urinando na armadura; patético

Cotação: filme regular (@@)

Por: C.O.B.R.A.

Closer – Perto Demais

Closer – Perto Demais

Direção: Mike Nichols

Gênero: Novela Dramática

EUA – 2004

“Hello, Stranger!”

(Fala recorrente no filme)

Mike Nichols foi correto em contar a história. Só. Os inevitáveis clichês aparecem: a moça atropelada que assim conhece seu amor, o vai e vem de casais etc. Engraçado! Já fui atropelada duas vezes e o máximo que “conheci” – além de uma dor capaz de me cegar pra qualquer outra coisa – foram bombeiros que me levaram ao hospital e lá, médicos que me trataram. Bom, se for pra conhecer o amor sendo atropelada, dispenso. Prefiro injeção na testa, muito obrigada. Poderia pensar num atropelamento poético, esse que você é arrebatado(a)  pela “primeira vista”, mas não é o que ocorre no filme e ainda assim, a moça conhece o homem de sua vida.  Stranger! Lá os diálogos são às vezes amadores demais, os personagens parecem adolescentes falando de seus tesões. Tem um ar de Woody Allen sem ter. Isso não é um elogio, mesmo se tivesse.

Pretende-se filosófico, profundo, com falas inteligentes. Na verdade,  nem passa perto. (C)Loser!

C-loser… Os personagens são “próximos” pela semelhança de não sair do lugar e repetir sempre a história; mas são distantes. O amor ali está condenado a não ser. Velha história, o cinema – a arte – não vive de amores felizes, pois não dá pra pagar a conta da felicidade o tempo todo. Seria por que as pessoas têm convicção de que todo e qualquer relacionamento é composto por altos e baixos?

Tem um momento do filme que pretende dar uma surra no Romantismo, quando é dito:

“Todo mundo tem escolha, alguma hora você teve pra se apaixonar ou não”.

É possível escolher a hora de se apaixonar? “That’s the question!”

“So closer, so stranger”… Essa vez que assisti novamente percebi que os personagens ficavam na superfície, não “entraram”:

Uma (Julia Roberts) é fotógrafa: voyeur de estranhos, dos seus closers, namorados e amantes. Outra é stripper (Natalie Portman): mostra tudo e não mostra nada; faz poses, de puta, e não é puta. Outro é obituarista (Jude Law): escreve sobre os mortos, vive da morte e não da vida. Outro é dermatologista (Clive Owen): fica na pele, não entra!! Talvez por esse conjunto o filme nem chegue perto do “perto demais”.

Humilhações rasas (“ele trepa melhor do que eu?” etc), masoquismo neurótico, novela da comédia privada… algo do tipo que pode-se perguntar: mas por que você fez isso comigo? E o outro responder: porque posso (ou você deixa).

Enfim… O filme é cotado como muito bem elaborado, eu não o vejo nesse tom, como pode ser percebido. Mas, quem não viu, arrisque-se! Chegue perto de Closer :D

Por: Guerra de Pipoca.

Momento Folia: Clichês

Essa lista NÃO foi feita por mim, encontrei na internet e sem os créditos, infelizmente. Tem muito mais clichês na lista, selecionei alguns:

Todos os números de telefones começam com 555

Casas na árvore

Um homem não mostra dor quando é ferozmente espancado, mas queixa-se quando uma mulher lhe tenta limpar as feridas

Qualquer pessoa pousa facilmente um Boeing 747 desde que na torre de controle esteja alguém que lhe dê as instruções

O chefe da polícia sempre é negro

Policiais só comem rosquinhas

Ônibus escolares amarelos

Ao fim de algum discurso, sempre alguem na plateia começa aplaudir sozinho e pouco a pouco, todos vão se levantando e aplaudindo junto

Os cães sabem sempre quem são os malvados

Em filmes de terror, ao passar por uma porta aberta, ela sempre se tranca violentamente atrás de você

70% dos homens negros são Denzel Washington, os outros 30% são Morgan Freeman. Ultimamente estes números têm sido alterados para incluir o Wesley Snipes e o Will Smith

Sótão com coisas velhas

Em todas as investigações policiais será necessário ir pelo menos uma vez a um local de strip-tease.

Baile de formatura

Um homem atirando em vinte homens tem mais chance de matá-los do que vinte homens atirando em um homem (se este for herói).

Quando alguém acende uma lâmpada e esta não funciona, decide-se ligar e desligar o interruptor várias vezes, como se isso fosse uma forma de recarregar a lâmpada. Esta também é uma forma de saber que em breve haverá terror na casa.

Casas mal-assombradas nunca estão trancadas.

Todo filme de terror tem cenas em alguma Universidade.

No clímax dos filmes de ação/suspense/terror, sempre é noite, chove torrencialmente e o céu irrompe em raios e trovões.

Em todos os filmes de terror, sempre há um casal transando, que com certeza será assassinado logo em seguida, ou até mesmo no meio da transa.

O assassino geralmente precisa levar cinqüenta facadas, trezentos tiros, tomar vinte litros de veneno, ser detonado por uma tonelada de nitroglicerina etc para morrer. E ainda assim sempre dá uma levantadinha só para assustar, mesmo depois de morto.

Sempre se liga a TV exatamente na hora em que o noticiário está começando a falar da notícia que mais interessa para a história.

Quando se paga o táxi nunca se olha para a carteira para tirar o dinheiro, tira-se uma nota ao acaso. É sempre o dinheiro certo.

As máquinas de refrigerante só funcionam a base de tapas.

Os adolescentes dos filmes sempre são mais espertos que os pais e a polícia.

Os chapéus nunca caem da cabeça, mesmo em cavalgadas velozes.

A maioria dos computadores portáteis é suficientemente potente para anular o sistema de comunicações de qualquer civilização alienígena invasora.

Quando está digitando, nunca se usa a barra de espaço.

Toda perseguição de carros deve necessariamente atropelar um hidrante.

Sempre há vaga para o carro em frente ao edifício que se visita.

Ao conduzir um carro é normal não olhar para a estrada, mas sim para a pessoa do lado ou de trás durante toda a viagem.

Todos motoristas deixam seus carros com a porta aberta.

Em uma perseguição de carros, sempre tem uma feira para o carro passar por cima.

Todo vilão de filme que sempre está prestes a matar o herói (este indefeso e desarmado) decide jogar a arma fora e partir para um mano a mano.

Quando estão sós, todos os estrangeiros preferem falar inglês entre eles.

A torre Eiffel pode ser vista da janela de qualquer edifício de Paris.

Os japoneses vivem rindo e tirando fotografias de tudo.

Nenhum latino é confiável.

Todas as empregadas são mexicanas.

Se você quiser passar por oficial alemão, não será preciso falar o idioma. Basta um sotaque alemão.

Os russos sempre têm barba e bigode.

Não importa se você está em forte minoria numa luta envolvendo artes marciais, pois seus inimigos esperarão pacientemente para atacá-lo um de cada vez.

Quanto mais um homem e uma mulher odeiam-se maiores a probabilidades de se apaixonarem.

Todos estão sempre atrasados no café da manhã, e nunca escovam os dentes antes de sair.

Qualquer criança com mais de doze anos pode ser considerada hacker.

A língua oficial de qualquer civilização alienígena é o inglês.

O maior clichê dos clichês:

Não importa a situação, ou quão grave seja o problema, um americano irá salvar o planeta.

O segundo maior clichê dos clichês:

Protagonistas americanos nunca são gordos, visto que os EUA é o país que tem a maior população obesa do mundo.

Fonte: Internet.

Lembra de mais algum?

Guerra de Pipoca.

A Origem do Mal

A Origem do Mal – Hannibal Rising

Direção: Peter Webber

Gênero: Suspense

EUA – França – Inglaterra – 2007

Apenas um curto comentário.

Com a popularidade das informações, é sabido pela maioria que a infância, para a Psicanálise, é primordial; isso não é novidade nem mesmo para as pedras. É na primeira infância que é estruturado todo o corpo psíquico do sujeito. Dali que surgem os autistas, psicóticos, perversos, neuróticos etc. Não é de se estranhar, portanto, que eu tenha depositado uma grande expectativa nesse filme, posto que é aqui que temos acesso à infância de Hannibal. Doce ilusão. O filme contradiz em absoluto tudo que foi dito nas entrelinhas e nas linhas de O Silêncio dos Inocentes e O Dragão Vermelho.

A Origem de Hannibal não é má, mas o acontecimento  que lhe traumatizou, sim, é mau. Explico-me: Hannibal é de uma família bem composta, amorosa, tem uma irmãzinha muito da bonitinha, enfim, família acima do normal. Lá pros seus 8/10 anos, Hannibal é raptado junto com sua irmã e tem o desprazer de presenciar o canibalismo que fizeram com ela. Sim, concordo, isso é um motivo forte pra uma série de coisas, mas, primeiro, tendo ele mais de 7 anos todo o arsenal psíquico já se encontra formado ou quase lá, é preciso ter isso em mente.

Hannibal, assim, se torna um justiceiro, tal como Batman, que presenciou a morte de seus pais e declarou guerra aos inimigos de Gotham City. Até aí, normal. Mas, diante do que é visto em O Silêncio e em O Dragão condiz com sua verdadeira origem? Certamente que não, pois Hannibal não é um herói.

De maneira que eu não considero essa Origem tão assim do mal e muito menos, Hannibalesca. Acho que estão falando de outro Hannibal, um mais humano e saudoso de sua irmãzinha. Um que pretende adocicar a alma dos espectadores.

Por: Vampira Olímpia.

Veludo Azul

Veludo Azul – Blue Velvet

Direção: David Lynch

Gênero: Policial, Suspense

EUA – 1986

“O mundo é estranho” (fala recorrente no filme)

Sim, o mundo é estranho e quando o anfitrião é Lynch, pode confiar, o mundo se torna “mais estranho” ainda. Seria um conto policial corriqueiro se não tivesse seus dedinhos mágicos que subvertem a realidade tediante. Onírico.

20 dias sem ver filmes, me dei esse luxo rsrsrs, e retorno como expectadora de outras realidades revendo essa obra. Parece um sonho… dos anos 80 até mesmo na franja dos cabelos… Sonho é algo que Lynch aborda com muita frequência em seus longas; dessa vez, o sonho estava na fala dos personagens, confundindo o expectador que não ousa entrar no mundo bizarro do Veludo Azul. É um convite perigoso, vale ressaltar, pois esse azul é transgressor em sua essência, é chocante.

Na grande maioria dos contos policiais, a narrativa se dá pelo detetive, sujeito autorizado a investigar; Em Veludo Azul, também ocorreu dessa forma, porém, o detetive se autorizou por conta própria à função de ir atrás da “história da orelha humana”. O que ele escuta de dentro do armário?

“She wore blue velvet…”

Filme que atiça o lado voyeur da plateia; sempre que o vejo, me sinto dentro do armário observando Jeffrey Beaumont (MacLachlan) que observa Dorothy Vallens (Isabella Rosselini)… Nesse mundo exibicionista/voyeurista não pode faltar o mundo estranho do sadomasoquismo. Dorothy sofre ou goza com sua situação?

Há os que pensam que esse mundo estranho é quase exceção à regra, imaginam que não é tão comum. De incomum aqui é tão somente David Lynch, que dispara a metralhadora da realidade sem o mínimo de hipocrisia, apontando, também, na relação sexual a barreira imaginária contra o incesto (prestem atenção nas cenas em que “papai, mamãe e bebê” se relacionam) e faz como num sonho… com muita arte.

Recomendo esse filme pra ontem, é meu preferido de Lynch.

Estou de volta às resenhas, esse ano que é fim de uma década e início de uma outra, parece que promete em termos de cinema, fico feliz com isso, sobretudo com a  possibilidade de registrá-lo aqui no blog.

Por: Guerra de Pipoca.

Um ano de Guerra de Pipocaaaa!!!

Mês comemorativo de um ano de blog!

Não serei nostálgica na escrita comemorativa de hoje. Obviamente que muita coisa aconteceu no decorrer desse um aninho de blog, o histórico está vivo na memória de todos que aqui frequentam e compõem esse espaço delicioso.

Também não acho justo a nostalgia de narrar como que me veio a ideia de abrir esse blog, pois com o passar do tempo, na leitura passiva de muitos e na escrita ativa de alguns, eu deixei de falar sozinha nele e com ele.

Portanto, vamos direto ao bolo, sem esquecermos da vodka! rsrsrs

Parabéns e felicidades para nós!

Um ano de Guerra de Pipoca, estamos engatinhando ainda, balbuciando pequenas frases, logo, logo estaremos sem fraldas nesse universo rico chamado Cinema.

Beijos e obrigada!

Por: Guerra de Pipoca.

Meninos não Choram

Meninos não Choram – Boys Don’t Cry

Direção: Kimberly Peirce

Gênero: Drama

EUA – 1999

Nunca entendi ao certo o motivo de tamanha ignorância social na educação dos meninos. Bom, se a educação das meninas gira em torno de “fechar as pernas”, dos meninos gira em torno de que eles “podem” tanto (sinônimo de força) que não podem chorar (sinônimo de idiotice). Sei lá quem foi o infeliz que concluiu que chorar é sinônimo de fraqueza, tem coisa mais bonita do que o corpo exalar os sentimentos que inundam a alma?

Teena Brandon (Hillary Swank) é biologicamente mulher, mas psicologicamente, homem. Decide ir embora de sua cidade, a qual é perseguida por sua “opção” sexual (se é que a sexualidade possa ser opcional), e vai parar numa cidade menor, mais interiorana e mais preconceituosa do que a de origem. De cara, conhece Lana (Cloë Sevigny) e se apaixona por ela. Complicação à vista… Embora Lana seja de uma família que se supõe “moderninha”, de moderna não há nada. Seu ciclo de amizades acolhe “Brandon Teena”, enquanto acham que se trata de um homem. A mudança realmente é impressionante, Swank parece um homem mesmo.

Tudo vai muito bem, inclusive entre Teena e Lana, até que a realidade vem à tona. De amizades “sinceras” é passado para o que de mais cruel o preconceito pode alcançar: violência física, sexual e moral. A partir desse ponto da descoberta, o filme se torna pesado, com conteúdos pesados. Algumas cenas também são difíceis, acho que até mesmo os meninos choram ao ver esse filme e não seria sinal de fraqueza, com certeza…

John e Tom, legítimos homens em termos biológicos, agiram de uma maneira tão mesquinha que nas entrelinhas a diretora propõe muitos pensamentos, um deles é: Quem é mais forte: aquele que chora ou que faz chorar? Ser homem é ser covarde? São muitas as questões, os pensamentos, que podem surgir pós-filme. Não vou limitar o assunto do debate, deixo-o livre para comparecer pensamentos diversos…

Indico pra ontem! Muito bom!

Por: Guerra de Pipoca.

Jogos Mortais VI

Jogos Mortais VI – Saw 6

Direção: Kevin Greutert

Gênero: Terror

EUA – 2009

Jogos Mortais tem de ser visto no cinema, pelo tamanho da tela, altura do som, escuridão adequada. Foi o que fiz, achei que não iria valer o meu andar de casa até a garagem, mas me enganei. Ocorre que o IV e o V foram terríveis de ruins, estatisticamente, esperava o mesmo do VI, mas não é que o filme é bom?

Algumas respostas foram dadas, finalmente; os jogos mesclaram o psicológico com o jorrar de sangue, alguns muito drásticos que de imediato falei pro grupo de amigos que estava comigo: Aqui morreria fácil. E morreria mesmo, pois não está nos meus planos me mutilar para permanecer viva. Olharia para aquela câmera e falaria pra ela: Não te darei o gostinho, seu mané, pode matar ou então me dê uma lixa de unha pra eu ter o que fazer antes de morrer, não esqueça do chiclete também. :P   Outros, mais inteligentes e menos sanguinários, nesses eu fiquei em dúvida se morreria ou não, acho que sobreviveria.

O legal desse filme é isso: proporcionar ao espectador reações positivas e negativas como se ele fizesse parte também do Jogo. E faz.

Jigsaw, mesmo morto, apareceu muito nesse filme, o que achei legal. Pois uma coisa é “tratar do assunto” com súditos e discípulos, outra, bem diferente, é lidar diretamente com o mestre… Que mente macabra desse homem, aff! O ator para sempre será lembrado como Jigsaw.

Pelo público nos cinemas (poucos ainda toleram tantas mortes), penso que a saga deveria acabar aqui e terminaria bem, com alguns méritos insuperáveis, porém já ouvi a notícia de  Saw 7 em 3D que será lançado em 2010. O jeito é esperar e ser presença escassa no cinema.

Obs: Kevin Greutert estreiou como diretor nessa obra.

Por: Guerra de Pipoca.

Um Estranho no Ninho

um_estranho_no_ninho_05

Um Estranho no Ninho – One Flew over the Cuckoo’s Nest

Direção: Milos Forman

Gênero: Drama

EUA – 1975

Quem nunca se sentiu um estranho no ninho? Considero coerente dizer que todos já se sentiram uma vez ou outra (ou muitas vezes) como tal. Há uma banda brasileira que canta algo ecoado por muitos; nem sei se esses tantos escutam, na verdade, o que cantam:

“Entre um rosto e um retrato, o real e o abstrato / Entre a loucura e a lucidez

Entre o uniforme e a nudez / Entre o fim do mundo e o fim do mês

Entre a verdade e o rock inglês / Entre os outros e vocês

Eu me sinto um estrangeiro/ Passageiro de algum trem (ôôôô)/

Que não passa por aqui/ Que não passa de ilusão” (…)

-A Revolta dos Dândis – Engenheiros do Hawaii- (vale a pena ler a letra toda).

Em O Estrangeiro, tão bem dito por Albert Camus, Mersault é um personagem que experimenta e experiencia o Absurdo de simplesmente viver sem sentir o mal-estar da civilização; por ser frio existencialmente, causa mal-estar em todos os leitores. Impossível passar impunemente a um ser tão Absurdo* (Leia! Recomendo a leitura!).

Acontece que o mal-estar só pode estar na civilização. Em qual outro lugar estaria? Mal-estar na Selva, existe isso? Certamente que não. Chega a ser uma redundância o título do belo texto freudiano: “Mal-estar na Civilização”. Lá ele ensina que um dos motivos dos homens sofrerem é a sua relação com outros homens. E aqui nesse ponto, é possível fazer um gancho com o filme O Estranho no Ninho.

Jack Nicholson, maravilhoso, no personagem R.P. McMurphy vai parar numa clínica psiquiátrica por fingir-se louco para evitar ser preso numa penitenciária. Só em fazer isso, já não é algo normal rsrsrs. A ignorância faz a vítima, dizia meu avô, e é verdade. O “patinho feio” cai de paraquedas num ambiente dominado pela enfermeira Ratched; dona de um semblante entristecido e sádico, talvez adquirido pelo ambiente – a saber-, e que mostra que nessa “selva” a lei é a do mais forte. Mas, qual outra lei existe, na verdade? Todas as outras leis surgem dessa máxima. Aliás, um parênteses, as leis jurídicas existem porque temos o Forte e o Fraco, onde o Fraco precisa ser, ao menos perante os Homens, posto em igualdade através da sociedade.

Nessa queda de braço, que vença o melhor!

Sabemos, no entanto, das artimanhas utilizadas numa clínica: as punições, a restrição da liberdade, a hierarquia do normal como superior ao anormal etc, fazem com que as chances de sobrevivência mental nesse mato sem coelho sejam ínfimas. A beleza do filme é ver que vence, realmente, o melhor. O mais forte, o mais estratégico… nem sempre as estratégias ficam às claras, elas podem ser mudas e surdas, quem pode prever?

*Absurdo: Aqui o termo Absurdo é referido ao Absurdo Filosófico (em letra maiúscula por se tratar de um conceito para além do senso comum), que consiste, basicamente, em um estranhamento na relação entre o Homem e o mundo. Pode ser traduzido pela pergunta: Olho o mundo e não o compreendo. Por quê?

Para Camus, do qual concordo, se eu me revolto (bem longe da revolta  dos adolescentes) perante aquilo que é cuspido pra mim pela sociedade, eu existo. Revolto-me, logo existo.

Até que ponto McMurphy se “revoltou”?

Por: Guerra de Pipoca.

Contos Proibidos de Marquês de Sade

webc1378

Contos Proibidos de Marquês de Sade – Quills

Direção: Phillip Kaufman

Gênero: Drama, Sexo

Alemanha, EUA, Inglaterra – 2000

Marquês de Sade deu origem ao termo muito comum e falado hoje em dia: Sadismo.
Em sua época, em plena Revolução Francesa, as perversões tão feitas e faladas pelos homens passaram a ser condenadas pelo princípio de Igualdade, Fraternidade e Liberdade; Sade, então, foi tido como louco e perturbador da ordem, preso por 27 anos liberava suas perversões via escrita.

Não importa a tão comum discussão se Sade foi ou não um perverso, é elementar esse embate quando pensamos no quão escandaloso pra época escancarar o sadismo e o masoquismo como ele fez.

O filme narra sua história já contada no tempo de sua prisão, por ter sido a época de sua vida em que mais escreveu. webc1377Como era Marquês (Geoffrey Rush), tinha algumas regalias, escrevia seus contos e os  divulgavam através de Madeleine (Kate Winslet), lavadeira do local.

Ele e Madeleine tinham uma forte ligação, até sexual, mas no que tange no gozo de um escrever e do outro ler pra si e para demais pessoas as histórias sexuais contidas naqueles papéis. Gozo em chocar com as mais sombrias perversões que os homens dão conta de pensar e fazer. Gozo no exibicionismo sádico da exposição do tesão que perturba a mais carola freira de um convento medieval.

No filme, tal qual na época, os asilos e sanatórios eram governados e/ou mediados pelo Clero, já que tratava-se de obra demoníaca tanta “possessão sexual”.  O Padre do filme, tão bem interpretado por Joaquin Phoenix, um dos confidentes de Marquês, é tentado o tempo todo por ele no que se refere à Madeleine…

É muito interessante notar como as perversões sexuais extrapolam o sexo em si, onde deveria acontecer todas as fantasias tão desejadas webc1379, e vazam na vida de cada um como um duelo entre o Bem e o Mal da moralidade/imoralidade/amoralidade da época.

Cenas chocantes, mas com um toque artístico que faz desse filme um dos melhores “no ramo” sado-masoquista. Não pense que vai ver sexo selvagem e torturas gostosas não, a dominação sexual psicológica é atuante o tempo todo; o que faz desse filme uma obra artística daquilo dito ser tão sujo pelos medievos recalcados de outrora e da atualidade.