2 anos de Guerra de Pipoca!!!

Enfim, se fechamos o ciclo de mais um ano, então, que venha mais! Somos gulosos!

:D

Parabéns para nós!

Beijos,

Guerra de Pipoca.

Don Juan DeMarco

Don Juan DeMarco

Direção: Jeremy Leven

Gênero: Drama

EUA – 1995

Diz a sinopse:

“Um homem de 21 anos (Johnny Depp) dizendo ser o famoso amante Don Juan vai até Nova York para encontrar seu amor perdido, mas, sentindo que não alcançará seu objetivo, tenta se matar. Porém, um psiquiatra (Marlon Brando) consegue convencê-lo a mudar de idéia e começa a tratá-lo. Entretanto, o paciente possui um romantismo irrecuperável e contagioso, que começa a influenciar o comportamento do médico”.

Ao ler esse resumo, fiquei uns 10 minutos olhando pra tela com a mente vazia, depois desse tempo, me veio o pensamento: Realmente, fizeram isso com Don Juan! Pior de tudo é saber que Francis Ford Coppola faz parte da produção. Um diretor desse nível cometendo erros crassos? Bom, ele também não fez grandes coisas por Drácula. Mesmo sendo uma “adaptação”, tudo tem limite! Enfim!

“Por fim”, exclama uma delas, “te dei o amor”. Não surpreende que Don Juan ria dela: “Por fim? Não – diz ele-, “outra vez”. (Albert Camus)

É justamente por isso que há a necessidade dessa repetição. Cada uma dessas mulheres acredita ser possível oferecer algo que ninguém nunca lhe deu. Ledo engano. Não é isso que está e/ou entra em jogo. Don Juan aposta contra o próprio céu, e ganha. Sempre mais e mais. Uns querem cada vez mais dinheiro, outros, fama, outros, sabedoria. Qual o problema de querer mais? Don Juan quer mais mulheres! Querer mais isso do que aquilo é mais vil por que?

O lugar comum da “impotência” não pertence a Juan. Ele não tem esperança, nada espera; busca a saciedade, e se sacia temporariamente, afinal, todo ser saudável, diz Camus, tende a se multiplicar. E se porventura, abandona uma bela mulher, não é porque não a deseja mais, mas porque a deseja e mais outra, e outra, e outra, e outra.

Don Juan não se apaixona para além daquele momento sexual, ele apenas deseja. Por que teria algum problema moral em desejar? Ao contrário do santo, que busca a qualidade inalcançável, a ética de Juan é a quantidade. Para entender Don Juan é preciso ter em mente que sua condição existencial é a sedução e não um amor perdido, como quiseram nesse filme.

Ao contrário do que se pensa, é óbvio que Don Juan não coleciona mulheres. Colecioná-las seria querer estar em dia com o passado, atitude rejeitada por alguém que não sobrevive de nostalgias. Ele vive maravilhado com o presente como se ignorasse o tempo, uma vez que caminha ao lado dele no presente, todo o tempo!

O gozo termina aqui, e recomeça mais adiante. Sempre.

Por: Guerra de Pipoca.

Um ano de Guerra de Pipocaaaa!!!

Mês comemorativo de um ano de blog!

Não serei nostálgica na escrita comemorativa de hoje. Obviamente que muita coisa aconteceu no decorrer desse um aninho de blog, o histórico está vivo na memória de todos que aqui frequentam e compõem esse espaço delicioso.

Também não acho justo a nostalgia de narrar como que me veio a ideia de abrir esse blog, pois com o passar do tempo, na leitura passiva de muitos e na escrita ativa de alguns, eu deixei de falar sozinha nele e com ele.

Portanto, vamos direto ao bolo, sem esquecermos da vodka! rsrsrs

Parabéns e felicidades para nós!

Um ano de Guerra de Pipoca, estamos engatinhando ainda, balbuciando pequenas frases, logo, logo estaremos sem fraldas nesse universo rico chamado Cinema.

Beijos e obrigada!

Por: Guerra de Pipoca.

Meninos não Choram

Meninos não Choram – Boys Don’t Cry

Direção: Kimberly Peirce

Gênero: Drama

EUA – 1999

Nunca entendi ao certo o motivo de tamanha ignorância social na educação dos meninos. Bom, se a educação das meninas gira em torno de “fechar as pernas”, dos meninos gira em torno de que eles “podem” tanto (sinônimo de força) que não podem chorar (sinônimo de idiotice). Sei lá quem foi o infeliz que concluiu que chorar é sinônimo de fraqueza, tem coisa mais bonita do que o corpo exalar os sentimentos que inundam a alma?

Teena Brandon (Hillary Swank) é biologicamente mulher, mas psicologicamente, homem. Decide ir embora de sua cidade, a qual é perseguida por sua “opção” sexual (se é que a sexualidade possa ser opcional), e vai parar numa cidade menor, mais interiorana e mais preconceituosa do que a de origem. De cara, conhece Lana (Cloë Sevigny) e se apaixona por ela. Complicação à vista… Embora Lana seja de uma família que se supõe “moderninha”, de moderna não há nada. Seu ciclo de amizades acolhe “Brandon Teena”, enquanto acham que se trata de um homem. A mudança realmente é impressionante, Swank parece um homem mesmo.

Tudo vai muito bem, inclusive entre Teena e Lana, até que a realidade vem à tona. De amizades “sinceras” é passado para o que de mais cruel o preconceito pode alcançar: violência física, sexual e moral. A partir desse ponto da descoberta, o filme se torna pesado, com conteúdos pesados. Algumas cenas também são difíceis, acho que até mesmo os meninos choram ao ver esse filme e não seria sinal de fraqueza, com certeza…

John e Tom, legítimos homens em termos biológicos, agiram de uma maneira tão mesquinha que nas entrelinhas a diretora propõe muitos pensamentos, um deles é: Quem é mais forte: aquele que chora ou que faz chorar? Ser homem é ser covarde? São muitas as questões, os pensamentos, que podem surgir pós-filme. Não vou limitar o assunto do debate, deixo-o livre para comparecer pensamentos diversos…

Indico pra ontem! Muito bom!

Por: Guerra de Pipoca.

Garota Infernal

Garota Infernal

Garota Infernal – Jennifer’s  Body

Direção: Karyn Kusama

Gênero: Suspense/Comédia

EUA – 2009

Antes que saísse de cartaz, fui ontem ao cinema vê-lo. Aliás, tive um dia de “cinema”. Em INDICAÇÕES, disseram que o filme é “MUITO forte“… Discordo com veemência! O filme é extremamente juvenil, adolescente com adolescentes e a comédia é fato! Bom, meus olhos não são tão sensíveis assim, logo, achei o filme MUITO fraco perto do que poderia ser minimamente forte. Anyway!

Ok, vamos à obra. Megan Fox (Jennifer), linda moça (vai tomar o lugar da Angelina Jolie logo, logo), é uma jovem rebelde, líder de torcida (bem popular), que procurou e achou. Geralmente, é assim que funciona. Quem procura, acha. Claro que a lei de Murphy está aí para me desmentir rs. Em termos de atuação, contudo, o destaque vai para Amanda Seyfried, atuou muito bem. Primeiro filme que vejo com ela ou que reparei nela, se não me engano, e gostei do que vi.

A novidade é fazerem uma comédia com a ideia de Succubus (latim), que -resumidamente- trata-se de um demônio com a aparência feminina que se alimenta de sexo com vários homens. Sexualidade é o que não falta no filme, porém, rebuscada, ainda bem juvenil… Outra novidade é uma líder de torcida ser melhor amiga de uma nerd e, ainda por cima, ter inveja dela; isso eu ainda não tinha visto com tamanha naturalidade.

Se me divertiu? Ah sim, com certeza me diverti com o longa, nada além disso.

Por: Vampira Olímpia.

O Libertino

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O Libertino – The Libertine

Direção: Laurence Dunmore

Gênero: Drama

Reino Unido – 2004

“Permita-me que seja franco antes de começar
Não vão gostar de mim
Os cavalheiros sentirão inveja
e as damas, repulsa
Não vão gostar de mim agora
e muito menos no decorrer da história
Damas, um aviso:
Estou disponível.
Sempre.”

Esse início me fez gostar do Libertino Conde de Rochester imediatamente. Por ele, percebe-se de imediato que nenhuma palavra seria polpada. Dirigida para quem?

Primeiro, permita-me que eu seja franca também:

Relutei em ver esse filme porque John Deep não é um ator que me inspira credibilidade para alguns papéis. Ele é ótimo, excelente, concordo, mas no mundo da fantasia, do entre realidade e irrealidade do mundo mágico. Ser um Libertino não é algo fácil, ainda mais na confusão estabelecida entre a Libertinagem e a Liberdade de uma libertinagem. Confusão notória na cultura de bunda de hoje. Naquele tempo (qual tempo?), me parece, alguma ética ainda estava em voga…

O tempo é o século XVII. O filme conta a história de um escritor boêmio e libertino, além de amigo do Rei, se é que reis têm o privilégio das amizades, que ficou famoso por sua irreverente língua ácida, mas verdadeira.

Num clima de Política & Traições, tão comum em quaisquer Soberanias, o filme retrata uma paixão entre o Conde e uma prostituta atriz, Lizzie Barry (Samantha Morton).

Não é novidade para o mundo da libertinagem adivinhar que aquele que se atreve a apaixonar-se nesse universo tende ao declínio. Sim, pois, a inspiração dos boêmios não é a vida romântica vivida, mas sim, idealizada. Quando essa idealização sai do plano das ideias e atinge o real do corpo, as coisas se perdem… Tem um diálogo que ilustra isso, não descreverei literalmente, numa conversa entre ele e sua esposa, ela lhe diz que quando ele está distante suas cartas parecem ter mais paixão, mais amor, mais necessidade dela. Claro… rsrsrs ele está distante, pode tão somente idealizar a plenitude de uma perfeição (que não existe).

O libertino 2

Existem pontos no filme que não me convenceram. Foram colocados de maneira bruta demais, sem um contexto e um seguimento que garantisse certa verdade na narrativa. Além de cortes bruscos, ideias desconexas, temos o Conde padecendo de sífilis e nenhuma das prostitutas que ele fez sexo apareceu doente em cena. Delicadamente estranho. De onde ele adoeceu? Por osmose?

Algumas outras incoerências são percebidas ao longo do filme, no entanto, é um bom lazer. Gostei dele e fui surpreendida com a atuação de John Deep, foi boa, mesmo porque ele perambulou entre a realidade e a idealização… deu conta do recado.

Bom final de semana e… usem camisinha!

Por: Guerra de Pipoca.

Brüno

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Brüno

Direção: Larry Charles

Gênero: Comédia – Documentário

EUA – 2009

Quem assistiu Borat e tem bom senso fica em dúvida se deve investir tempo (time is money) em Brüno. O meu receio era de pagar pra ver uma versão homossexual de Borat. Respirei fundo e fui assisti-lo, afinal, 73 minutos não fica tão caro assim… ou fica?

Inicialmente, trata-se de uma sátira ao mundo da fama com um pano de fundo do “Orgulho Gay”. Até aí, muito engraçado. Tem uma entrevista de Sacha Baron Cohen (Brüno) com uma modelo que é a cara do que penso a respeito da falta de cérebro dessas profissionais. Ri muito, só essa entrevista já valeu. O assunto se desenvolve de maneira engraçada e de repente, não mais do que de repente, o inevitável aconteceu: Sacha apela talvez tanto quanto em Borat ou mais. Eu acho cruel demais satirizar com uma realidade tão sofrível como a dos africanos, quando envolve criança minha cabeça dói! Me sinto infinitamente incomodada com a realidade em si, imagine com as sátiras sobre as realidades? Acho medonho e cruel esse tipo de humor negro. Não me incomodam as brincadeiras com adultos, embora algumas sejam tolas, mas ao menos nós adultos sabemos nos defender, aparentemente. Com criança, não…

À exceção dessa parte, o filme corre bem, a pornografia não choca como algumas chacotas em outros assuntos pertinentes. Ri muito com o humor na casa de Swing… rsrsrs.

Fiquei pensando agora, depois que saí do cinema: como o mundo é normalizante, não?

Freud diz que nossa tendência é a de buscar o Nirvana, ou seja, a quietude, a falta de ansiedade, de angústia, a falta de “oscilação cardíaca”, isto é, a falta de tensão. Mas, ele mesmo nos alerta que isso é impossível em vida; um dos motivos de sofremos tanto. Faço uma analogia ao cardiograma, um exame cardiológico, quem já fez poderá visualizar o que quero dizer:

A pessoa que faz o eletrocardiograma verifica que sua respiração ascende e descende num gráfico. A morte seria a linha reta (piiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii). Ou seja, a vida é cheia de altos e baixos, tensões, angústias, prazeres, tesão! A morte é ausência de tudo isso; é a pessoa em linha reta, sem sentir nada, ou seja, o Nirvana (??????). Não acredito que “Oshos” da vida conseguem atingir em vida tal ‘plenitude’ rsrsrs… conta outra! ;)

Por que pensei nisso? Porque a maioria tenta enquadrar o outro em seus gostos, assim diminui a tensão e ansiedade. Ou seja, o diferente sempre passa pela angústia do meio normalizante social. Não sei se é alcançável esse salto de entendimento que eu dei aqui, porque é um caminho longo esse assunto, mas me ponho a pensar:

Qual a diferença em levantar a bandeira do “Orgulho Gay” e a bandeira do “Orgulho Hetero”? E aí acho que Sacha, nesse ponto, foi muito feliz. Pois, coloca a coisa no mesmo plano, no mesmo patamar:  um querendo dizer  ao outro como devemos usar nossa sexualidade. Patético, né?

Mas a sociedade normal praticamente faz isso o tempo todo: Dizer como que as pessoas devem viver suas vidas sexuais. Por alguma coerência qualquer, Brüno invade o mundo das Igrejas de uma forma muito jocosa e ainda assim, RESPEITOSA.

Isso é interessante porque não levanta a bandeira do ódio pelo diferente, mas sim faz as pessoas pensarem, na melhor das hipóteses… até mesmo essas vaquinhas de presépio de Igrejas…

Por: Guerra de Pipoca.

Sobre Meninos e Lobos

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Sobre Meninos e Lobos – Mystic River

Direção: Clint Eastwood

Gênero: Drama – Suspense

EUA – 2003

Incensado pela crítica americana em geral e visto com reservas na Europa. Eu fui ávido por ver mais um trabalho de Clint Eastwood, o melhor cineasta vivo atualmente. Seco, direto. Sabe contar uma história como poucos. Deixa as conclusões para quem é de direito, o espectador.

Elenco encabeçado pelo Sean Pen, que na sua vida só pelo fato de ter sido casado com a Madonna já é um baita currículo. Ele está cada vez mais parecido com o De Niro dos velhos tempos. Bruto. Visceral. Sobre ele o filme discorre. cena_sobre_meninos_e_lobos Sua filha –gatíssima, de 19 aninhos- é assassinada, com dois tiros e muita porrada. Manda seus companheiros do submundo investigarem.

Velhos amigos se encontram. Eles tinham onze anos quando se viram em uma enrascada monstra. Dois tarados colocaram o mais alto e forte no carro. Levaram pro mato e passaram 04 dias abusando dele. Ele sobreviveu. Ficou um homem enorme e soturno. Leva o próprio filho até a porta da escola, joga beisebol com ele, não desgruda. Teme que a coisa se repita, claro. O ator? Tim Robins. Magnífico. Passa todo o sofrimento contido de anos e anos. O olhar de suspeita sobre as pessoas. A inocência perdida e nunca encontrada. É o maior suspeito.

Sobra apenas o investigador. Kevin Bacon, homem sofrido. Largado pela mulher. Esses são os piores. Sofrem na dúvida de ter sido corno sem fazer nada. Vive um diálogo insólito com ela, a ex. Acompanhado pelo Laurence – o Morpheus de Matrix. Faz sua parte. Procura os fatos, a causa, as pistas. Em momento algum se deixa levar pela emoção ou mesmo a deslavada suspeita que recai sobre seu se ex-amigão, o Tim Robins.

O filme torna-se um misto de drama e policial. Estamos do outro lado do rio, em Boston, no bairro de East Buckingham. A trama vai se entrelaçando de tal modo que torcemos para que acabe logo, tamanha a nossa aflição.

Cada homem cresceu e tornou-se um rei. Para a sua família, para os seus mais chegados. Mas na confrontação final resta somente o menino cheio de sonhos e o mundo livre que um dia fora. O mundo mudou. Ele é mau. Não se pergunta quem é o culpado. Investiga, julga, condena e executa, como Sean faz. E faz errado.

E se fosse você que tivesse entrado naquele carro? E se fosse sua filha, ou namorada, que tivesse sido morta daquele jeito? Em que tipo de animal você se transformaria? Um lobo?
Se ainda existe em você o resquício de garoto ou garota, guarde bem e delicie-se com àqueles que ama. Melhor assim, pois o mundo é cão.

O que há de bom: elenco fantástico e direção corretíssima

O que há de ruim: as mulheres do filme são fortes e carismáticas, mereciam mais cenas, elas decidem os rumos da tragédia

O que prestar atenção: as incursões jazzísticas da trilha sonora são obra de Clint

A cena do filme: o carro indo com o garoto e levando a vida dos três para sempre

Cotação: filme ótimo (@@@@)

Por: C.O.B.R.A.

Vicky Cristina Barcelona

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Vicky Cristina Barcelona

Direção: Wood Allen

Gênero: Comédia Romântica

Espanha – 2008

Antes de mais nada, Javier Bardem está gostosérrimo nesse filme. Aff!! rsrsrs Pra quem o viu em “Onde os Fracos não tem vez” com aquela vestimenta caricatural-pitoresca, vê-lo nesse filme dá até um susto bastante positivo rsrsrs.

Não me atenterei a expor sinopse aqui, pois perderia muito do filme. Ressalto, no entanto, duas falas: uma de Javier e outra de Penélope Cruz para dizer o que penso sobre esse filme; acho que essas duas passagens marcam toda a essência dessa obra.

“É engraçado. Maria Elena e eu somos feitos um para o outro e não feitos para estarmos juntos. É uma contradição. Para entender, é preciso ser um poeta, como meu pai, porque eu não consigo”.

-Javier Bardem, no personagem João Antonio-

A outra passagem é:

“Nosso amor, nosso amor é eterno mas não dá certo. É por isso que será sempre romântico, porque não pode ser completo.”

-Penélope Cruz, na personagem Maria Elena-

As pessoas são desde sempre e para sempre faltosas. Buscam, por sua vez, completarem-se com objetos de amor de toda espécie, desde os compráveis ao nomeáveis abstratos. A falta é uma constante. A angústia, para Lacan, é justo quando a falta falta, quando ela não comparece.

Passamos a vida em busca de um objeto para sempre inominável, perdido, que nos complete, que nos preencha. Por sorte, temos a arte como maneira subversiva de dizer: Sou faltoso, em mim há um buraco, uma hiância, e isso que criei é uma tentativa de falar disso.

Muitos pensam que a Arte é uma forma de “completar a incompletude”. Mas na verdade, a arte é uma maneira de expressar, de dizer, de falar dessa eterna falta-a-ser.

É claro que o relacionamento deles é faltoso, incompleto. Tenho pra mim que quanto mais cônscio o sujeito é dessa realidade, mais chances de dar certo o relacionamento terá. Sim, pois os fracassos sentimentais ocorrem por se depositar no outro uma expectativa de o outro irá suprir todas as carências/buracos/faltas. Só que o Outro também é carente, é faltoso, é esburacado e não tem a menor obrigação de completar nada. E então, os relacionamentos acabam, e o movimento eterno da busca pelo objeto continua…

Não sou poeta, mas entendo bem a fala de Javier, afinal, os desencontros fazem parte de qualquer vida, até mesmo das vidas de almas que se pretendem gêmeas.

Por: Deusa Circe.

Albergue Espanhol

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Albergue Espanhol – L’Auberge Espagnole

Direção: Cédric Klapisch

Gênero: Comédia

França – Espanha – 2002

Se fosse para ao invés de dizer uma nota, dizer um adjetivo, certamente seria: Carismático.

O filme é carismático do início ao fim. Os personagens, até os que fizeram papéis de chatos, nerds, são carismáticos e interessantes. Dá pra se ver no filme, rir, se indagar com ele.

Gosto desse tipo de comédia onde não é apelativa pro riso mongolóide. A comédia que se trata é daquela que você pensa: “já aconteceu comigo” rsrsrs ou ainda, “pode acontecer comigo” porque faz parte da vida situações inusitadas, momentos e lembranças gostosas.

Trata-se de um jovem (Xavier), estudante de Economia, 25 anos, francês, que viaja num programa de intercâmbio para Espanha por um período determinado de um ano. 3333 Deixa em Paris sua mãe e namorada. Chega na Espanha (Madrid) sabendo pouco de espanhol, com uma hospedagem que não era bem a que ele queria… tratou de sair de lá. Como conheceu um casal francês no aeroporto, hospedou-se na casa deles enquanto procurava um canto pra se instalar.

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Quando encontra o que chamamos aqui de República de/para  Estudantes, me fez lembrar do início e das entrevistas de Cova Rasa rsrsrs. Entrevistas com perguntas hilárias… rsrsrs.

Mesmo com as diferenças de cada cultura, ali eles formam uma unidade e uma amizade, uma espécie de família – a que se escolhe. E o apartamento passa a ser cenário de situações hilariantes e cômicas, que mostra pra quem vê que diferenças, chatices, organizações, desorganizações tem em todos os lugares.

Outro ponto interessante é o fator mulher para Xavier rsrsrs. Ele é cercado por mulheres com personalidades diversas e que no conjunto, é divertido ver um homem descobrindo que não tem como entendê-las rsrsrs. Tem a sua mãe, a sua namorada, a sua colega de quarto que é lésbica e professora sexual dele rsrsrs, a sua amante…

Ele chora quando vai embora da França e chora quando volta pra ela… a vida é assim mesmo, cheio de partidas e chegadas, de novidades, de unidades, de escolhas…

Também me lembro ao longe do filme A Praia, quando eles estavam no melhor daquele mundo paralelo, obviamente.

Muito legal o filme, divertido e cheio de pontos para se pensar no só-depois, afinal, ser estudante da vida não é fácil, que as aulas sejam, portanto, ao menos divertidas, né? rsrsrs

Por: Deusa Circe.

Perdas e Danos

pd11Perdas e Danos (Damage)

Direção: Louis Malle

Gênero: Drama

Seria um filme com uma história comum se não tivesse a força do elenco. O silêncio é o grande mediador desse filme tão sensual.

O silêncio começa quando Stephen Fleming (Jeremy Irons) conhece Anna (Juliette Binoche) num evento parlamentar e seus olhares se cruzam expressando todo o tesão à primeira vista. Fleming não sabia que Anna é a noiva de seu filho, soube quando o filho a levou para conhecer sua família. pd2 Mais um momento marcado pelo silêncio, pois tanto o Parlamentar quanto a noiva não manifestaram o fato de já se conhecerem.

Obviamente que quando deu início o relacionamento sexual dos dois, o silêncio ainda permeou entre essa família. A esposa de Fleming, crente que sua família era exemplar, continua servindo o marido com comida na mesa e ‘jejum’ na cama; em silêncio, ele busca seu desjejum com Anna. Anna, é claro, também esconde de seu noivo as traições. A única coisa que não faz nenhum semblante de quietude sonora é a paixão que avassala ambos.

pd4É de um barulho imenso o que ambos sentem, buscam e provocam um no outro. Aí é a força que me refiro acima, do elenco. As expressões são muito fortes….

Por fim, tudo vem à tona. Toda tragédia tem esse caráter. Não sei se toda perda requer um dano; quando é feito uma escolha, perde-se alguma coisa sempre. A escolha que fizeram foi muita alta e os danos com suas perdas, quando assim, são irreversíveis…

Quando o filho morre, a sua mãe e esposa de Fleming, totalmente desolada pergunta para seu marido após tirar a roupa: “Isso não era suficiente?” mostra o quanto essa família era faltosa do ingrediente principal: comunicação e paixão. Claro que Stephen responde com o silêncio…

Um filme pra ser visto com a moralidade cotidiana suspensa, só assim é possível enxergar na tela que a paixão, por vezes estranha, não reconhece parentescos. Isso me faz lembrar de Closer (Perto Demais) quando um dos personagens diz: “Algum momento você teve a escolha de se apaixonar ou não”. Será que isso funciona assim em linha reta?