Os Homens que não Amavam as Mulheres

Os Homens que não Amavam as Mulheres – The Girl with the Dragon Tattoo

Direção: David Fincher

Gênero: Suspense, Mistério

EUA – 2011

Suécia é fria, nórdica, distante, cheia de olhos azuis, de pessoas loiras e altas. Suécia também tem bons escritores. E, além disso; uma sociedade organizada, socializada e unida. Mas isso tudo não impede de gerar monstros. Tais como aquele, ou aqueles que são suspeitos de matar uma garota de 16 anos a 40 anos atrás.

Um excelente jornalista investigativo, vivido pelo Daniel Craig, acaba de levar uma ré imensa. Processado por um tubarão dos negócios e investimentos suecos, ele é obrigado a pagar uma fortuna. E sua revista vai junto, na credibilidade e insucesso. E então do nada, aparece um senhor, riquíssimo e pede-lhe para investigar um antigo desaparecimento.

Repare bem na sequência de abertura, lá estão todos os elementos da trama, ao som de Led Zeppelin. Aquela angústia, agressividade, refletem na personagem Lisbeth Salander, uma detetive high-tech.

Lisbeth é o filme e o filme é ela. Sofre desde sempre. Dificuldades de socialização, agredida por homens o tempo todo. Ela é anti-social, veste uma couraça corporal, e atua como jaguatirica acuada. Magra, cheia de piercings e tatoos, aquele visual que diz: não me toque!

Depois que ela se junta com o Craig, o filme esquenta. Até as cores que antes eram bem definidas para cada personagem, se misturam.

As investigações são muito interessantes, a habilidade dela em focar e nunca desistir, é sensacional. Sua “vendetta” com o abusador é de grande criatividade. E percebam que a trilha sonora acompanha cada passo, cada movimento dos takes. Dando um ritmo impensável ao que pode ter sido lido na obra Millenium (são três volumes) no qual o filme se baseia. Além da versão sueca anterior, que assisti também.

Agora, o andamento do filme é bom, ágil e caminha para um final excepcional, beneficiando a fotografia dos brancos, das locações em Upsalla e em Estocolmo. Cenários que não estamos acostumados a ver. Aquela ponte é linda. A casa no alto, idem. E o diálogo entre o psicopata e o repórter, desde o momento de largar a faca até a chegada da salvadora, é ótimo. Contudo o enredo poderia parar na explosão.

O que vem depois é chato e explicativo demais. Cansa. Algumas soluções poderiam ser inseridas com mais brevidade. Uma pena. E no finalzinho, jogar aquele casaco de couro no lixo, não combina nunca com quem sabe lidar com frustrações e parece que de uma hora pra outra virou apenas uma menininha decepcionada.

O que há de bom: trilha sonora (não só as músicas, mas, sobretudo os sons, mesmo) espetacular e fotografia muito caprichada

O que há de ruim: o pai do monstro foi pouco explorado, ele é o cerne de tudo

O que prestar atenção: a temperatura na Suécia é marca em graus Celsius e não Fahrenheit e não se compra cigarros daquele jeito em Estocolmo

A cena do filme: Lisbeth na Triumph, do jeito que ela é

Cotação: filme bom (@@@)

POR: C.O.B.R.A.

Quero Matar meu Chefe

Quero Matar meu Chefe – Horrible Bosses

Direção: Seth Gordon

Gênero: Comédia

EUA – 2011

O chefe é megalomaníaco e psicopata (só podia ser Kevin Spacey, né?) e seu empregado é um submisso que não sabe se impor. Parece par-perfeito. A chefe é tarada e ninfomaníaca (Jennifer Aniston), seu empregado é um soldadinho de chumbo que acredita em casamento e está noivo de uma garota-panqueca (não vou explicar esse termo, assistam ao filme). O chefe é um cheirador de pó (Colin Farrel), filhinho de papai que herdou uma fortuna e acha que todos estão ao seu dispor e o pior, estão! Pois seu empregado… o que mais combina com um cheirador de pó? Acertou quem respondeu: careta!

Esse filme é assim: pra cada tampa, uma panela oposta. Porém não é sacal, torna-se divertido perceber que, no fundo, o sádico só pode exercer o seu poder na dependência de ter um masoca que tope a empreitada.

Acontece que os empregados odeiam seus empregadores e decidem matá-los. Aqui começa a comédia, pois até então: excesso de humilhação não tem graça nenhuma. Mas, faço questão de não por os nomes dos atores que fizeram os papéis de empregados, por pura pirraça e sarcasmo momentâneo. Afinal, é possível perguntar: desde quando subordinado fala? Aff… isso dá um pano pra manga…

Claro que três patetas ao planejar matar seus algozes só podia dar em muita trapalhada e assim foi. Passei mal de rir da cena do pó, tanto do empregado que cheirou acidentalmente, quanto do chefe que foi treinar kung fu de madrugada. Uma energia que só vendo! :D

A tarada, claro, é outra que tem uma energia pra lá de intensa. Chega a ser caricatural. Mas confesso que ri litros da cena da noiva do bofe dopada… Ninguém merece!

E por falar em ninguém merecer, que tal ser empregado de um psicopata? ho ho ho ho! Estamos falando nada mais, nada menos que Spacey! O presidente que decidiu ser também vice-presidente apenas para não restar dúvidas quanto ao seu poder. Narcisista a tal ponto só poderia ser alguém que duvida de sua própria sombra, não? E lá vai a esposa entrar no barco… opa! Mas se bem que ela… já viram o filme?

Vejam! Comédia leve, caricatural, sem pretensões e, o mais legal, que diverte! Tem dias em que é preciso jogar tudo pra cima e rir de alguns quadros pintados. Bom, espero que não tenha ninguém por aí querendo me matar também. Se bem que sou uma chefe gente fina… pero no mucho! rsrsrs :P

:twisted:

Por: Guerra de Pipoca.

 

 

Assalto ao Banco Central

Assalto ao Banco Central

Direção: Marcos Paulo

Gênero: Policial, Ficção de uma História Real.

Brasil – 2011

Acima de quaisquer críticas outrora realizadas, parabenizo a direção de Marcos Paulo por este filme. Diretor de novelas globais, acostumado a fazer o que a burocracia midiática da quarta maior do mundo manda, me surpreendeu positivamente nessa investida no cinema, e espero, com sinceridade, que desta fonte brote mais novidades interessantes.

O filme não funciona como uma denúncia, o que pra mim é um ponto muito positivo. Encontro-me farta do bombardeio de queixas e problemas, onde as pessoas parecem que aprenderam a “denunciar” com slogans impactantes e é só isso que tem circulado na internet. Ação, que é bom, nada.  Talvez Tropa de Elite tenha exercido essa função quando denunciou que o inimigo é outro e não pequenos Nem em morro da Rocinha, e enfim ficou por isso mesmo. Afinal, invadir a Rocinha é manha, quero ver subir o morro chamado Congresso. Marcos Paulo pescou melhor essa ideia de que peixes grandes não dão a cara à tapa com facilidade e construiu um filme muito agradável, com dupla narrativa – a dos bandidos e dos policiais -, onde o espectador ora torce pra bandidagem, ora torce pros policiais, que convenhamos… são atores excelentes.

Lima Duarte cumpre a ideia do policial à moda antiga, que segue o faro, que tem instinto de detetive. Isso me lembra um filme dos irmãos Coen: “Onde os fracos não tem vez”, obra em que retrata que o xerife – ainda que na pista certa – estava sempre um passo atrás exatamente porque a velocidade do crime agora é outra. Lima Duarte ressalta isso, quase no final, quando diz para outra detetive, sua parceira (Giulia Gam): “meu instinto não se conecta à internet”.

Ela, por sua vez, é “deste tempo”. Giulia Gam segue pistas com a ajuda da tecnologia, exames de digitais, dna e todo requinte criminalístico que a Polícia dispõe hoje.

Enfim, estou falando da Polícia antes de falar do Assalto ao Banco Central? Trata-se da ficção de uma história real, ou ainda, da adaptação de uma história que ocorreu de fato em Fortaleza/ Ceará no dia 6 e 7 de agosto de 2005, em um final de semana. O roubo só foi percebido dia 8 de agosto, na segunda-feira, quando os funcionários do Banco foram trabalhar. Parece brincadeira, mas o assalto aconteceu sem disparar um tiro sequer e sem acionar alarmes e sensores. Três dos ladrões (Barão, esposa do Barão e amante da esposa) recolheram mais de 160 milhões de reais em notas já muito circuladas de 50 reais.

O planejamento contou com gente graúda e com peixe pequeno. A ideia foi muito simples: o grupo alugou uma casa a 80 metros do cofre do Banco e pos uma fachada de “fábrica de grama sintética”. Cavaram um túnel, com a ajuda de um engenheiro, que levou os ladrões ao cofre. Como saia muita areia da casa, por causa da escavação, os vizinhos não desconfiaram. Enquanto isso, os peixões obtiveram informações privilegiadas do Banco, se me entendem. Tudo foi feito em três meses e, pasmem, o túnel tinha até rede elétrica…

Para maiores informações:   CLIQUE AQUI

O filme conta essa história alternando com as investigações policiais e núcleos particulares dos personagens. Nem preciso dizer que as piadas são ótimas e sarcásticas, como o bom brasileiro acha bacana.

A única coisa que deixa a desejar é sobre o relacionamento de Giulia Gam e sua namorada, que o filme só insinua. Acho que nos tempos atuais seria interessante investir na ideia de que relações não são prioridades do mundo heteronormativo. Como disse Lima Duarte, no tempo dele homem casava-se com mulher e mulher casava-se com homem. Termina o filme, e eu tenho que dizer mesmo sendo spoiler, com ele recebendo sua aposentadoria obrigatória. O que remete à ideia de que esse pensamento heteronormativo também precisa se aposentar…

Enfim, a obra é muito legal e me uno àqueles que consideram que o cinema brasileiro está, finalmente, crescendo. Fiz questão de escrever sobre esse filme porque outrora teci críticas ao estilo chato de fazer cinema usando os atores de sempre de novelas e seriados. Hoje minhas críticas são mais esperançosas…

Por: Morgana.

Homofobia

Homofobia

Direção: Genésio Marcondes Junior

Gênero: Curta, Sexualidade

Brasil – 2005

Valorizando os curtas brasileiros, fiz uma pesquisa no site “Porta Curtas – Petrobrás” (lá tem muita coisa boa, amigas/os) e achei esse filme por lá. Por sorte, está hospedado no youtube também (vide vídeo acima).

Bom, não quero falar do curta em si, enquanto técnica, filmagem, fotografia, embora o jogo de câmeras valorizando o perfil dos personagens vale a pena ser dito: a filmagem do perfil, sempre de lado, equivale ao perfil  individual de cada personagem em  se mostrar como se é ou não? Enfim. A ideia, portanto, é partir direto pra prosa nos comentários. Tem café fresquinho no bule… :D

Por: Guerra de Pipoca.

As Donas da Noite

As Donas da Noite – Wir sind die Nacht

Direção: Dennis Gansel

Gênero: Suspense, Terror, Gore

Alemanha – 2010

Se soubesse que há apenas uma pessoa no mundo capaz de te fazer feliz e ser adequada pra ti, o que abnegaria para encontrá-la? Quantos séculos disporia para procurá-la?

Por vezes as pessoas buscam perguntas para respostas que não existem. Isso é bastante comum em filmes sobre a vida eterna. Ser humano sempre necessita de uma justificativa para sua própria estadia na Terra. Quando a justificativa é obsoleta, nada mais “convincente” do que falar de almas gêmeas.

Epa! Até parece filme americano? Não, não. Aqui, por mais que se fale em vampiros, a perspectiva é europeia, alemã. A pretensão, portanto, não é agradar os espectadores comuns, mas sim, de agradar quem realmente gosta da temática. Gore, muito sangue espirrando. Não existe vampiro vegetariano na Europa.

Aliás, neste filme não tem nem mesmo vampiro homem. Se é que podemos dizer que Louise (Nina Hoss) pode ser chamada de mulher. Como ela mesmo diz: “Não sou uma pessoa”. E, de fato, não é. Neste aspecto, este longa deixa no chinelo personagens que pretendem por tudo humanizar a estirpe vampiresca.Com exceção de Lena (Karoline Herfurth), a recém formada vampirinha…

Lena é uma ladra que por um momento qualquer topa com um policial e então vê sua vidinha chata ficar colorida, mas, não sabia que justo quando encontrou com o príncipe que a tira do conto da Cinderela, iria topar com a má e anciã Louise…

Se vê deslumbrada com o luxo, glamour e possibilidades que uma vida vampiresca oferece, mas sua humanidade ainda lateja em seus pulsos e entra em xeque quando percebe que nenhuma vida, por mais interessante que seja, é completa.

Daí retornamos à citação inicial: se sabemos que não há completude, como atribuir ao outro a grande responsabilidade de ser feliz? Se nem mesmo vampiros são completos, nem o Sol podem usufruir… Minha narrativa está ficando muito hollywoodiana? Peço perdão se pareceu que sim, mas em Wir sind die Nacht quem paga de existencialista, morre. Simples assim.

Triste fim de Charlotte, Nora, e até mesmo Louise. Quem mandou querer aliviar a própria solidão com o gozo garantido e efêmero da juventude?

Por: Vampira Olímpia.

Trust

Trust

Direção: David Schwimmer

Gênero: Drama

EUA – 2011

As histórias infantis, via de regra, começam com “Era uma vez” e terminam com “…e foram felizes para sempre”. Não é por acaso, o propósito é simples: trata-se de confortar psicologicamente a criança para seus futuros e prováveis dramas internos. Após o “Era uma vez” há uma sucessão de eventos emaranhados  que denunciam angústias pueris. Como, por exemplo, se perder dos pais, que é o caso de João e Maria. Qual criança não tem medo dos pais se esquecerem de ir à escola buscá-los? Qual criança não tem medo de se perder dos responsáveis num passeio, supermercado, shopping? João e Maria é uma história de desamparo e durante esse “abandono” uma bruxa (personagem que dialoga com a metáfora do mal na sociedade) se aproveitou para atacá-los e “tome-lhe comida”. Não dizem que se alimentar faz crescer? Em horas como estas, João e Maria tiveram que “crescer” (amadurecer) para, enfim, atingirem o tão sonhado “e foram felizes para sempre”.

Acontece que essa artimanha psicológica nem sempre procede no real das existências infantis. Enquanto conselho e instrução, os contos são fantásticos. Mas, ocorre que conselhos – via contos de fadas – não resolvem o real da Coisa em si. Isto é, as histórias infantis servem apenas para efeito catártico. Ou seja, João e Maria diminui a angústia na criança, mas não evita que ela se perca dos pais, por exemplo. De maneira que o mundo é muito mais duro do  que as histórias contam…

Annie descobriu às duras penas que o príncipe encantado de seus sonhos não existe como ela fantasiou. Não digo que príncipes não existam, eles até existem, mas nunca são como na fantasia. Uns são mais sapos do que outros. Esse do filme era o monstro da lagoa verde. Pedófilo de 35 anos virtualmente iludiu Annie, de 14. Por que Annie pode transar com um homem de 15, mas não pode com um de 35? Isso é algo que nós leitores do blog já temos a resposta pronta na ponta da língua, mas é essa questão que Annie levanta durante boa parte do filme. Ela, por ter 14 anos, não faz a mínima ideia do por que a sociedade implica com uma relação deste porte, uma vez que ela pode namorar com alguém de sua idade.

Isso me fez questionar a que ponto os projetos sócio-educativos alcançam o/a adolescente e a criança neste entendimento. Será que basta dizer para não darem atenção a estranhos? Será que nós, adultos, veteranos de guerra, estamos imunes às mazelas das relações? Se nem nós estamos, o que dirá uma criança e/ou um(a) adolescente… Falta resposta para muitas perguntas, porque essas regras são elaboradas na sociedade para depois serem elaboradas na jurisdição vigente.

O filme não tem nenhum artifício cinematográfico especial, mas em termos de conteúdo – sobretudo para quem trabalha com clínica, com ser humano e suas complexidades – é muito bom por lidar com um assunto atual e que mexe com toda ordem familiar de alguém que passa por abuso sexual.

Tendo em vista comparações com outros filmes, gostei muito da atuação da terapeuta; não foi excepcional, mas, felizmente, o filme não capengou nesse ponto, pois não colocou a psicóloga numa posição de autoajuda. Nós não cursamos 5 anos de faculdade + o tempo de formação clínica para nos tornarmos conselheiros/as!!!! Nós não somos conselheiros/as! Achei ótimo que esse diretor de cinema não fez do/a psicólogo/a um adepto dos livros da Nova Era…

Por: Guerra de Pipoca.

O Suspeito Mora ao Lado

O Suspeito mora ao lado – Good Neighbours

Direção: Jacob Tierney

Gênero: Suspense, Policial, Comédia

Canadá – 2010

Montreal. Serial killer à solta, pânico na cidade e entre as mulheres. Sim, porque o índice de ataques às mulheres por parte dos assassinos em série é estatisticamente maior do que ataque aos homens. Os jornais não entram em detalhes, mas sabe-se que o(a) assassino(a) leva suas vítimas à morte de maneira muito cruel. Enforcamento e estupro.

Na vizinhança-foco temos três personagens principais:

Louisse (Emily Hampshire) – dona de dois gatos fofos e lindos (o filme começa com felinos, me ganhou de cara!), garçonete de restaurante chinês, vizinha de Spencer e Victor. O interessante é que ela mora no andar “do meio”. Entre os dois…

Spencer (Scott Speedman – pra quem não lembra, foi o lobisomem Michael de Underworld) – sofreu um acidente de carro,  do qual sua esposa faleceu imediatamente, e ficou aleijado. É cadeirante dotado de humor negro. Dono de aquários, é sempre observado pelos gatos que miram os peixes…

Victor (Jay Baruchel – atuou em Menina de Ouro) – Professor de ensino médio, dono de um gato, apaixonado por Louisse e alvo de deboches de Spencer. É o típico “Renato Russo” na versão bondade em pessoa. Gosta de se socializar, mas mente… mente que é noivo de Louisse, mente que nem sente…

A comédia se reserva à vida particular de cada um quando estão em grupo, isso inclui os gatos de Louisse e de Victor e os peixes de Spencer. Talvez o filme acentue o ditado de que “a curiosidade matou o gato”, porém, não esquece de que “os peixes morrem pela boca”… Neste ínterim, estão em pleno vapor: a síndica, a vizinha histérica e abandonada pelo marido e a vizinha fofoqueira. Esta tudo vê… Será?

Enquanto isso, a polícia rastreia o(a) assassino(a), que não poupa suas vítimas. Alguém duvida que os detetives vão parar no prédio dessa boa vizinhança?

Por: Morgana.

Eu Sei Quem me Matou

Eu sei quem me matou – I Know who Killed me

Direção: Chris Sivertson

Gênero: Suspense, Policial

EUA – 2007

Antes de mais nada, é preciso dizer que esse filme ganhou oito dos nove troféus do Framboesa de Ouro que concorria. Lembrando que tal premiação diz respeito aos piores do ano. Não dá para defender o filme e esses troféus já denotam que é uma droga, mas como thriller psicológico, pra quem é da área, é legal assistir.

Sempre tive vontade de ver um filme em que Lindsay Lohan está em cena e como protagonista. Isso porque vejo essa moça nas notícias virtuais sobre vícios de drogas, álcool etc e nem sabia quem é ela pra ter tanto holofote em cima. Então, peguei esse filme na locadora sem grandes pretensões, até mesmo depois de ler a sinopse (que é indefensável ao longa).  Não gostei do final, porque tinha tudo pra ser mais trucado em níveis psicológicos, mas Sivertson decidiu pegar o caminho das ilusões fáceis e rápidas. Tudo bem, o filme é dele, ele faz o que bem entender. Eu faria diferente.

Aubrey Fleming (Lindsay Lohan) é estudante e brilhante aluna de piano. Foi sequestrada por um serial killer com conhecimentos de anatomia e que já tinha feito vítimas anteriores. Porém, contrariando a regra, sobreviveu. Quando saiu do choque, ficou notório que havia perdido a identidade e memória. Agora ela é Dakota Moss, uma dançarina noturna.

Pra quem é da área psi a primeira coisa que vem à cabeça é: o que essa menina passou e sofreu foi tão forte e sofrido que ela precisou criar em sua mente um alterego para conseguir sobreviver a tamanha dor. Todavia, a falta de habilidade da direção (com o uso excessivo de flashback) deu ao público as respostas antes de chegar ao final. O  que ferra em definitivo com um longa de suspense sob o viés de ser thriller psicológico.  Será que são duas em uma ou duas em duas? O que você acha? rs

Por: Vampira Olímpia.

Os Agentes do Destino

Os Agentes do Destino – The Adjustment Bureau

Direção: George Nolfi

Gênero: Ficção Científica

EUA – 2011

Estava muito ansiosa para assistir a este filme, pois é baseado em um conto de Philip K. Dick (1928-1982) chamado The Adjustment Team, que trata o livre arbítrio numa perspectiva de ficção científica. Conto sombrio que dá margem a muitas perguntas e poucas respostas.

Tudo que eu tenho são escolhas que eu faço. David Norris (Matt Damon)

Porém, a obra de Dick foi mal explorada e a riqueza do roteiro cedeu espaço para o medo de lançar um filme que choca o mundo do cinema, como Matrix. George Nolfi, diretor de Doze Homens e um Segredo e O Ultimato Bourne (acho que ele gostou de trabalhar com Damon), não ousou em cima do que é ousado. Fiquei frustradíssima com o filme, pois a história não passou de um caso de amor confuso com a vã tentativa de dar margem à ficção científica.

É preciso lembrar que não é fácil fazer um filme desse gênero porque as ideias de maquinaria, futurismo, efeitos especiais, vem à mente da plateia de imediato.  Se não há estes elementos, parece faltoso, dramático. Então, se o assunto é livre arbítrio tudo se torna um pouco mais complicado, porém, bastava seguir o conto à risca que o filme seria apresentado com mais qualidade.

Nesta perspectiva de romance meloso que o filme se apresenta, temos David Norris (Matt Damon) que é um político novo com aparente carreira brilhante pela frente e Elise (Emily Blunt), uma bailarina em ascenção. Os agentes do destino não querem vê-los juntos. Tudo isso para não estragar as carreiras de ambos. A margem para a questão: por que não é possível unir o amor ao profissional, é um fato. Parece que estamos vivendo o tempo da solidão, porque nos tornamos máquinas desenfreadas… O que há demais, afinal, em um brilhante carreirista político se apaixonar?

Os agentes mais se parecem com Sr. Smith de Matrix somado aos agentes de Homens de Preto. A diferença é que eles usam chapéus mágicos que permitem mudar de ambiente quando abrem portas girando a maçaneta ao contrário. Pelo menos um ponto em que é possível elogiar o filme: as mudanças de ambiente ficaram ótimas! Muito legal esse efeito especial do espaço-tempo.

Tudo muito à sombra do conto, é bem verdade, mas existem ganchos com os questionamentos sobre livre arbítrio. Afinal, temos livre arbítrio? Se temos, temos opções? Se temos, temos direito a mudar as opções de escolhas?

Thompson, um dos agentes, diz para David: – Vocês não tem livre arbítrio, David. Apenas aparentam ter.

David responde: – Espera que acredite nisso. Tomo decisões todos os dias.

Thompson: – Há livre arbítrio para escolher uma pasta de dente ou o que beber no almoço, mas a humanidade é imatura demais para controlar coisas importantes.

Não é difícil supor que o filme fez uma mistura entre romance, ficção científica e catolicismo, certo? Até mesmo um dos agentes confirmou que já teve um tempo em que eles eram chamados de anjos. O que conferiu à obra uma confusão de assuntos que não ficou legal. Não sei se depositei expectativa demais no lançamento deste longa (sou apaixonada por ficção científica), mas certo é que não gostei do resultado final.

Por: Morgana.

Sexo sem Compromisso

Sexo sem compromisso – No Strings Attached

Direção: Ivan Reitman

Gênero: Comédia Romântica

EUA – 2011

Desejando esquecer o fim de seu namoro, Adam resolve enfiar o pé na jaca e acaba acordando no apartamento de sua amiga Emma. Ele acorda pelado no sofá e ela o chama para ir até o quarto para que ele coloque uma roupa. Uma clima rola e junto com o clima a primeira transa do dois.

A química é inegável e eles sempre querem mais e disso surge a proposta deles não se envolverem num relacionamento de amor, mas sim só sexo. Com a anuência de ambas as partes, o único objetivo da relação é o sexo.

No entanto, como nem tudo sai como se espera, Adam se vê apaixonado por Emma e ela por sua vez, teme sofrer ao entrar de cabeça num relacionamento, apesar de começar a gostar dele.

Bom, vamos lá rs! Acho que é normal se apaixonar e temer um pouco se envolver com alguém, mas não sei se realmente vale à pena negar algo tão óbvio. Tudo que é novo assusta, eu sei, mas também surpreende! Não gosto da sensação de não ter tentado, não gosto da sensação do “podia ter dado certo”. Acho que pra gente ter certeza das coisas é preciso viver tudo aquilo que desejamos para vermos aonde vai dar e pra saber se é realmente aquilo que queremos. E se der certo, ótimo, maravilha, mas se não der, bola pra frente, até porque dor de amor, não mata, dói, mas ensina muita coisa também!

É isso!

Beijãooooooooooooooo :)

Por: Bel.

Clube dos Pervertidos

Clube dos Pervertidos – A Dirty Shame

Direção: John Waters

Gênero: Comédia, Sexo

EUA – 2004

Ok!

Amor é muito gostoso, mas ninguém vive de flores e declarações de amor, correto? Então, como amanhã é dia dos namorados, que tal falarmos do verdadeiro tempero de qualquer relação amorosa, a saber, o sexo? Não venham com a ideia de que sexo é secundário, porque NÃO É. Alguém aceita namorar uma pessoa que o beijo não combina? Ou que é muito ruim de cama? Pois é… Sexo não é secundário.

Eu não conhecia esse filme até bem pouco tempo – quando a Dudark gravou um DVD pra mim, me presenteando com ele, seguido das seguintes palavras: “Vampinha, é uma comédia muito mais ou menos, mas é interessante pensar a luta entre a sociedade que julga ‘doente’ seres sexuados X os seres sexuados que mostram como o sexo é natural e saudável”.

É isso aí, Dudark! Concordo em gênero, número e grau que é disso que se trata. Mas, antes de falar do filme, quero dizer sobre uma experiência que fizemos (Moiras)durante essa semana.

Depois que assistimos ao filme, propus de usarmos o facebook da Morgue para uma experiência muito simples. Todos sabemos que a Morgue é uma pessoa de caráter firme, delicadeza inquestionável, educação soberana. Ninguém vê a Morgue ser ‘vulgar’, certo?

Pois bem. Então que escrevemos (Moiras) na página (facebook) dela (Morgue), como se fossemos ela: ‘EITA VONTADE DE TREPAAARRRRR GOSTOSO’.

Eu já sabia que iríamos receber represálias, fazia parte do experimento. Mas, não sabia que um grande amigo da Morgue iria parar de falar com ela. Isso me surpreendeu. Até que ponto o recalque  vai…

Tínhamos noção de que os mais puritanos do pau ôco iriam dar um pito e sabíamos que os mais livres clicariam no “curtir” do comentário. E foi o que aconteceu. Claro que com algumas ofensas as coisas sairam do controle, pois todos sabemos que não levamos desaforo pra casa… Teve gente que, inclusive, deletou a Morgue de sua página/contato. :o

Por que sexo tem sempre que ser associado à vulgaridade? Por que não se pode concebê-lo de maneira normal? Será que as pessoas que criticaram o “trepar gostoso” acham que vieram ao mundo pela graça divina? Que seus pais não se chupam até dizer chega? Que seus pais não se comem em todos os buracos competentes para isso?

**

Eu não me iludo: meus pais transam pra caramba! Felizmente, não nasci pelo método “in vitro”. Nasci como tem que ser: na base do sexo e da gozada. E tomara que a gozada tenha sido das boas. O que eu acredito muito que seja, porque eu gozo demais na vida. Aliás, se tem algo que eu gosto de fazer é gozar!

Sou pervertida por pensar assim? Vulgar? Ou sou NORMAL?

E agora podemos falar do filme, pois é disso que se trata, só que em doses nada, nada homeopáticas.

Muitos são os que criticam o BDSM ou qualquer forma distinta de se fazer sexo. Já vi muito homossexual criticar algumas posições e técnicas, mas não se tocam que se reúnem na Avenida Paulista, p. ex., para exigir respeito e igualdade de tratamento… Que coisa, não? Pessoas que deveriam, no mínimo, não criticar a forma como outros gozam, por vezes, são as mais intolerantes. Enfim, já vi também muito heterossexual normaloide insistindo em criticar tudo: os homossexuais, os bissexuais, os bdsmistas etc. Acho tudo isso um saco, pois o que importa é fazer sexo como gosta e goza. Não importam os rótulos, importa que o sexo seja: SÃO, SEGURO E CONSENSUAL.

No filme, que é comédia, tudo (fetiches, fantasias, homossexualidade, BDSMistas, Bissexualidade etc) se apresenta satirizado e caricatural. Concordo com a Dudark, pois chega um ponto em que as piadas são até bem bobinhas, mas dá pra rir adoidado. Porém, é soberano notar o grupo de pessoas que se unem contra as pessoas que se tornaram viciadas em sexo depois que levaram uma paulada na cabeça. Aliás, dá pano pra manga até mesmo a maneira como se viciaram em sexo: levando uma porrada na cachola. Ou seja, como se bater com a cabeça enlouquecesse os indivíduos. Percebem?

A sociedade normativa cria um grupo de ajuda para pessoas viciadas em sexo e tudo vira uma baderna. De tão ridículo que é a comunidade pastoral que acha um horror uma boa trepada (como o experimento no facebook da Morgue), o filme passa a ser engraçado. Não é cult, não é altruísta, mas vale muito a pena dar boas gozadas, ops, risadas, com essa sociedade cristã chata e careta; que julga o sexo como algo impuro… decerto, nasceram pela cegonha. Uia! Que coisa patética.

Abaixo a caretice, o recalque e as idiotices preconceituosas! Viva o amor livre, o sexooooooooooooooooooooooooooooooooooooo seja como for!

Foda-se a ignorância, literalmente. SÓ QUERO SABER DE GOZAR NO FINAL…

Por: Vampira Olímpia.

O Virgem de 40 Anos

O Virgem de 40 Anos – The 40 Years-Old Virgin

Direção: Judd Apatow

Gênero: Comédia

EUA – 2005

O título já nos adianta o que vem lá, uma comédia para adolescentes. Já vi milhares. Gosto das antigas, tipo “Porky’s” onde o escracho e o politicamente incorreto é o tom maior. Essas mais recentes são infantilizantes e imbecilóides. Porém, desta feita não é bem assim. Um homem de quarenta já é crescidinho. Sabe o que quer e infelizmente o que vemos na tela também ocorre na vida real. Muitos nascidos no início década de sessenta, recusam-se a amadurecer.

Mas a pergunta é: quem é mais bobo? Os amigos com valores superados e chavões machistas acerca das mulheres – até o “romântico” da turma- ou ele, o virgem que ao que parece simplesmente, não pintou alguém? Será que as pessoas não podem optar na vida? O sonhar com um encontro pessoal de alto nível?

Essas reflexões são até meio esquisitas em um filme raso. Mas são válidas na vida que levamos. Piadas e mais piadas sobre quem sofre. Nem todo mundo é extrovertido e consegue mijar no meio da rua. Ou pegar uma vagaba bêbada na boate… Nem todo mundo é vulgar…

Começo a torcer pelo casal se ajustar. Ah, ele consegue o telefone de uma gata. Avó, já. Mas muito linda e interessante. Ele vai negando fogo, algumas horas as coisas não dão bem certo. E a gente morre de rir. O filme, diga-se de passagem, é realmente engraçado. A cena inicial da casa dele, o eterno adolescente acordando com uma ereção, é muito boa. E a da depilação? E quando um amigo quer provar que o outro é gay?

Cada pessoa tem um palpite infeliz e a sociedade americana transforma a conquista e as relações humanas em meros jogos. Mas é engraçado ver a moçada contando histórias sexuais e ele “confessando” que é virgem. De um lado eu fico racionalizando tudo e de outro, morro de rir.

A obsessão “em dar a primeira” dá uma guinada no meio pro fim do filme. Agora ele adia a idéia, pois o enamoramento torna-o inseguro. Resolve testar numa dessas vadias de plantão.

O roteiro então nos surpreende com uma armação final absolutamente divertida. Além da música escolhida ser “hors-concur”. Sei que daqui a pouco irei esquecer o filme e jamais revê-lo. Mas enquanto durou, eu ri muito. Se era pra isso que foi feito, serviu.

O que há de bom: um ator perfeito para o papel, sem exageros e parecido com muita gente que conheço
O que há de ruim: algumas traduções ficaram aquém da capacidade de nos dar mais graça do que já é, principalmente quando o negrão (sempre estereotipado) fala
O que prestar atenção: a música final é a abertura do mítico filme e peça “Hair”
A cena do filme: a revolta da filha em não poder ser plena como a mãe, típico de aborrecente

Cotação: filme regular (@@)

Por: C.O.B.R.A

De repente é Amor

De repente é amor – A lot like Love

Direção: Nigel Cole

Gênero: Comédia Romântica

EUA – 2005

Toda vez que penso nesse filme, penso nessa frase (é claro que ela serve pra todo tipo de situação que traga felicidade): “Felicidade se acha em horinhas de descuido…” Guimarães Rosa

Uma briga entre namorados. Um encontro casual no avião. Sexo no banheiro do avião. Atração mútua e caminhos que se cruzam, mas que ao mesmo tempo se descruzam. Um mistura de amor, com amizade, com atração, com tesão, mas que ao mesmo tempo parece que o destino não está nenhum pouco interessado em juntar!

O filme é marcado por encontros e desencontros dos personagens de Amanda Peet e Ashton Kutcher. Ele planeja a vida nos mínimos detalhes, quer alcançar objetivos e quer marcar data! Já ela não, ela é sossegada, vive o agora, ela deixa a vida levá-la! O encontro é explosivo e os marca.

Mas o tempo passa e ambos já têm vidas construídas, namorados novos e ele até se casa. Mas como nem tudo são flores nessa vida, algumas coisas podem desandar e é nesse meio tempo de bagunça que eles se encontram e que ao mesmo tempo de desencontram. E parece que sempre que a coisa ferve na vida de ambos, a vida vem e marca um encontro entre eles. :D

Mesmo sem perceber, sei lá, porque eu acredito que de repente a gente se apaixona, eles se apaixonam. Só que isso só começa a ser percebido no desenrolar final do filme rs!

Gosto muito desse filme. Talvez de comédia romântica esse seja um dos meus preferidos. É leve, suave, descontraído, apaixonante e mostra que tudo tem um tempo certo pra acontecer o que tem que acontecer!

Vou deixar a música do filme também! Eu amo!

Beijãooooooooooooooooooooooooo

Por: Bel.

 

A Garota da Capa Vermelha

A Garota da Capa Vermelha – Red Riding Hood

Direção: Catherine Hardwicke

Gênero: Suspense, Romance

EUA – 2011

Para inaugurar, em definitivo, o ciclo de textos temáticos – visando comemorar o Dia dos Namorados – trago a Chapeuzinho Vermelho, que é comida pelo Lobo Mau. Dizer isso é como dizer tudo, ainda mais quando os olhos (“pra ver melhor”) se deparam com o título e com a direção do filme. 1. Quem conhece a Chapeuzinho Vermelho sabe como a história começa e termina; 2. Quem sabe que Hardwicke fez Crepúsculo também sabe que no filme a mocinha será disputada por dois e que o assunto virgindade poderá compor a pauta. Ok. Sem surpresas até aí.

Acontece que felizmente a diretora inseriu um elemento na trama e no suspense que julgo muito interessante: quem é o assassino/lobo mau já que todos são suspeitos? Bingo! A partir de então, o enredo se cria em outro clima (mais atraente, vale dizer) e que me fez ficar atenta aos detalhes da história. Pois, de possível chateação “crepusculiana” me vi imersa numa narrativa detetivesca! Porém, contudo, entretanto e todavia, não é por isso que o filme seja bom ou espetacular…

Bem, comecemos pelo o início.

Valerie (Amanda Seyfrield), a Chapeuzinho, desde criança se mostra “má”. Isso se tomarmos o parâmetro de matar animais como um ato de maldade. Pra mim é. Pra mim é extrema crueldade matar qualquer ser que seja pelo simples gozo de matar. Bom, independente dos juízos de valor, Hardwicke inaugura uma novidade na história: de que Chapeuzinho não é tão do bem como muitos pensam. Na verdade, nenhuma criança é pura, como dizem por aí. Elas são, sim, indefesas. Claro. Não tem força, nem experiência, para se defenderem do que o mundo pode fazer com elas. Mas, dizer que são inocentes… convenhamos! Felizmente, Freud acabou com esse mito… o parceiro da Chapeuzinho também não é lá tão do bem assim. E como é esperado pra não fugir tanto da história original, ele se torna um lenhador/caçador.

São apaixonados um pelo outro desde crianças e sonham em ficar juntos por toda vida. Muito bonito. Acontece que Peter Falk (Shiloh Fernandez) é pobre e na aldeia em que vivem, como em qualquer outra “aldeia”, o dinheiro determina ‘certas’ visões de mundo. Amanda tem um outro pretendente (Henry – Max Irons), que ela não o ama, mas que é rico. Então, sua família deseja que ela se case com o moço rico. Vale ressaltar que o pai de Valerie é o mesmo ator que faz o pai de Bella da saga Crepúsculo (Billy Burke). Não é preciso dizer que Valerie se encontra às escondidas com Peter etc, certo? Afinal, há uma grande contradição na sociedade: as pessoas afirmam categoricamente que o amor é lindo, porém, determinam que a pobreza é horrorosa. Então, na luta braçal entre o amor ser lindo e a pobreza ser horrível, o/a rico/a é sempre melhor pretendente para aqueles/as que desejam ter um “bom” futuro pela frente. O futuro, afirma a maioria, é pautado no “ter” e não no “ser”.

Em meio a toda essa questão, surge na aldeia um lobo mau. Ocorre que esse lobo não é um lobo comum, é um lobisomem e quer levar Valerie embora a qualquer custo. Quem pode ser esse lobisomem que já fez algumas vítimas?

Nos papéis de detetives da história, se encontram o padre Solomon (maravilhoso Gary Oldman) e, nas entrelinhas, a vovozinha de Valerie (Julie Christie). Sim, sim, a vovozinha do filme quem deu à Chapeuzinho a capa vermelha com capuz! :D Também não é preciso dizer o fim da Vovozinha, certo?

Uma curiosidade particular: lembro-me que meu pai lia historinhas para mim antes de dormir e num rompante de curiosidade latente, questionei: pai, como que o lobo come a vovozinha e ela permanece viva? Bom, convenhamos que se trata de uma pergunta óbvia e que deveria ser feita por todas as crianças que escutam essa narrativa…

Retornando ao filme, acredito que o grande erro de sua estrutura foi ter instaurado uma inquisição ao lobisomem sob a égide do catolicismo. Ainda que seja preciso reconhecer que a Igreja Católica modelava os costumes e a moral da sociedade ocidental em alguns séculos atrás, a maneira como a diretora inseriu o contexto religioso na história não ficou bom. Definitivamente, ficou horrível e detonou com metade do longa.

Então temos: um triângulo (forçado) amoroso, um lobisomem que deseja fazer vítimas e comer geral e a Igreja Católica condenando (ao colocar tudo no pacote de “bestialidades”) o amor, o tesão e o sexo livre. Em resumo é isso, só que conta com a vestimenta da fantasia, do tempo… o que faz parecer que o filme está numa época muito distante de nós. Será?

O lobo mau, neste filme, “se deu bem”. Será que Jacob se dará mal ao fim da saga de Crepúsculo? Cenas dos próximos capítulos…

Por: Guerra de Pipoca.

Comer, Rezar, Amar

O filme é regular, mas o sorriso do Bardem vale o ingresso (by Deusa Circe).

Comer, Rezar, Amar – Eat, Pray, Love

Direção: Ryan Murphy

Gênero: Drama, Romance

EUA – 2010

(NOTA DE DEUSA CIRCE: Post programado e automático. Se houver qualquer erro de formatação será corrigido posteriormente).

*****

Jovem de 30 e poucos anos, casada, rica, bonita, emprego fixo, magra, articulada e… infeliz! Não consegue se encontrar, algo está inadequado. Num diálogo com um guru – esqueci de dizer que ela também viaja muito – em Bali, este faz vários alertas e colocações. Ela acorda no meio da noite diante de tanto tédio e reza, e chora e conversa com o marido que aparentemente possui as mesmas características dela. Ah, ele a ouve.

Separa imediatamente e encontra um rapaz bem nascido, bonito, mais novo, espiritualizado e carinhoso. Vai morar com ele. E novamente decide ir embora. O que ela quer? Não sei. Ninguém sabe. Uma crise enorme neste fastio de vida difícil que ela leva… Se fosse pobre, feia e desempregada, não estava assim, o sofrimento seria outro.

O roteiro então nos brinda com a solução mágica de uma crise: viajar, conhecer novas culturas, pessoas bacanas e alegres. Como se isso fosse fácil. E como se essa fosse a solução para os problemas de todas as pessoas, inclusive as mulheres. O primeiro destino é a Itália. Imagino a infantilidade que é, fugir. Passar um ano “se descobrindo”.

Excelente as locações, um pouco exagerados e caricatos os italianos, mas compensa pela fotografia e pela comida. Agora percebo a primeira jaula em que ela vivia, a alimentícia. Gostaria de vê-la indo para o interior de Goiás, comer pequi e gueroba, e feijão tropeiro com lombo de porco, agüentar os chatos dando cantadas grosseiras e dizendo que ela tem que arrumar um marido. Mas aqui todos são divertidos, amorosos e compreensivos. Me leva!

O segundo destino é a Índia. Assim como a Itália, conheço bem. O choque cultural imensurável na sua chegada é amenizado por ela ter um destino certo. Um local de abstinência, silêncio e dedicação. Ali encontra um senhor maduro e sofrido, que lhe dá diários cutucões de realidade. Ela vai em busca de paz de espírito. Como esse tipo de busca fosse externo e não interno.

. Se fosse no meu Estado, estaria numa dessas seitas e quem o povo grita – pois o Deus deles é surdo – e teria que doar 10%, no mínimo de seu patrimônio.

Vai direto para Bali, ilha paradisíaca, mas que prende e mata quem usa drogas. Encontra o brasileiro mais legal que já conheci na minha vida. Apesar de hábitos bem diversos do meu país, pois ele fala com sotaque, ama o filho, carinhoso, atencioso, lindo, fala vários idiomas e não tem relações sexuais há mais de 10 anos! Aqui ela só encontraria garotos incultos interessados no seu dinheiro, ou idosos cheios de manias interessados na sua estampa.

Nem posso analisar a capacidade que ela tem de somente encontrar pessoas maravilhosas e comer sempre bem, dormir de porta aberta em um país estrangeiro e não ser violentada, e conseguir uma casa para sua médica e a filha dela com somente um e-mail e poucos posts…

O final é cor-de-rosa, assim como era o quarto da minha filha quando ela tinha 12 anos, o que deve ser equivalente a idade mental dessa protagonista. Não vejo crescimento algum, apenas valores rasos de quem acha que sonho é comportamento evasivo e infantil.

O que há de bom: locações belíssimas e uma fotografia do mesmo nível

O que há de ruim: roteiro raso e imerso em clichês com personagem de conto-de-fadas

O que prestar atenção: depois da Índia a atriz perde o pique e até aceita ser filmada desarrumada, o que demonstra que ali ela aprendeu alguma coisa

A cena do filme: pai brasileiro dando selinho no filho adulto, mais improvável, impossível

Cotação: filme regular (@@@)

Por: C.O.B.R.A.