Os Homens que não Amavam as Mulheres – The Girl with the Dragon Tattoo
Direção: David Fincher
Gênero: Suspense, Mistério
EUA – 2011
Suécia é fria, nórdica, distante, cheia de olhos azuis, de pessoas loiras e altas. Suécia também tem bons escritores. E, além disso; uma sociedade organizada, socializada e unida. Mas isso tudo não impede de gerar monstros. Tais como aquele, ou aqueles que são suspeitos de matar uma garota de 16 anos a 40 anos atrás.
Um excelente jornalista investigativo, vivido pelo Daniel Craig, acaba de levar uma ré imensa. Processado por um tubarão dos negócios e investimentos suecos, ele é obrigado a pagar uma fortuna. E sua revista vai junto, na credibilidade e insucesso. E então do nada, aparece um senhor, riquíssimo e pede-lhe para investigar um antigo desaparecimento.
Repare bem na sequência de abertura, lá estão todos os elementos da trama, ao som de Led Zeppelin. Aquela angústia, agressividade, refletem na personagem Lisbeth Salander, uma detetive high-tech.
Lisbeth é o filme e o filme é ela. Sofre desde sempre. Dificuldades de socialização, agredida por homens o tempo todo. Ela é anti-social, veste uma couraça corporal, e atua como jaguatirica acuada. Magra, cheia de piercings e tatoos, aquele visual que diz: não me toque!
Depois que ela se junta com o Craig, o filme esquenta. Até as cores que antes eram bem definidas para cada personagem, se misturam.
As investigações são muito interessantes, a habilidade dela em focar e nunca desistir, é sensacional. Sua “vendetta” com o abusador é de grande criatividade. E percebam que a trilha sonora acompanha cada passo, cada movimento dos takes. Dando um ritmo impensável ao que pode ter sido lido na obra Millenium (são três volumes) no qual o filme se baseia. Além da versão sueca anterior, que assisti também.
Agora, o andamento do filme é bom, ágil e caminha para um final excepcional, beneficiando a fotografia dos brancos, das locações em Upsalla e em Estocolmo. Cenários que não estamos acostumados a ver. Aquela ponte é linda. A casa no alto, idem. E o diálogo entre o psicopata e o repórter, desde o momento de largar a faca até a chegada da salvadora, é ótimo. Contudo o enredo poderia parar na explosão.
O que vem depois é chato e explicativo demais. Cansa. Algumas soluções poderiam ser inseridas com mais brevidade. Uma pena. E no finalzinho, jogar aquele casaco de couro no lixo, não combina nunca com quem sabe lidar com frustrações e parece que de uma hora pra outra virou apenas uma menininha decepcionada.
O que há de bom: trilha sonora (não só as músicas, mas, sobretudo os sons, mesmo) espetacular e fotografia muito caprichada
O que há de ruim: o pai do monstro foi pouco explorado, ele é o cerne de tudo
O que prestar atenção: a temperatura na Suécia é marca em graus Celsius e não Fahrenheit e não se compra cigarros daquele jeito em Estocolmo
A cena do filme: Lisbeth na Triumph, do jeito que ela é
Cotação: filme bom (@@@)
POR: C.O.B.R.A.
















