TÉCNICAS DE MASTURBAÇÃO ENTRE BATMAN E ROBIN

Ontem revi Batman e Robin, filme do século passado dirigido por Joel Schumacher, e hoje estava colhendo algumas fotos para futura  publicação no blog quando me deparei com essa imagem.

Pensei ser sacanagem, montagem de internautas com doses cavalares de criatividade, mas eis que numa pesquisa curta no google verifiquei se tratar de algo realmente à venda! Livro sobre técnicas de masturbação entre Batman e Robin!!!!!

Vejam como um internauta descreve o livro:

Um ser auto-irônico, ultra-arrogante, cerebral e de limites frouxos. Assim é o latino-americano do colombiano Efraim Medina Reyes em seu pungente livro Técnicas de Masturbação Entre Batman e Robin (Editora Planeta, 296 págs, R$ 37, em média). Há motivos de sobra para prestar atenção no que Reyes escreve e na maneira como escreve. (fonte: omelete – internet).

:shock:

Preciso adquirir essa obra!

Por: Barbie.

p.s. com outra pesquisa verifiquei que se trata de uma literatura em formato diário, no qual o narrador expõe seus fracassos de forma irônica… “o maior punheiro deprimido da história”, diz a lenda. rs

Deve ser interessante!

O que até as pedras já sabiam…

O naufrágio do navio Titanic, que matou 1.513 pessoas na sua primeira viagem, completa 100 anos no próximo dia 14 e muitos mitos criados no cinema ainda são ditos como verdade. Saiba quais são as cinco histórias mais mal contadas sobre a tragédia:

Inafundável

A mãe da personagem Rose, heroína do filme “Titanic” (do cineasta James Cameron), observa o navio e comenta: “Então, este é o navio que dizem que não afunda”. A companhia White Star Line nunca afirmou que o navio era “inafundável” e nunca se falou  sobre isso até o incidente, afirma o cientista Richard Howells, do Kings College, de Londres, na Inglaterra.

“Se um homem cheio de orgulho constrói um navio imbatível, como Prometeu, que roubou o fogo dos deuses, isso carrega um senso mítico porque indica que deus estaria tão zangado por tal afronta que acabaria afundando o navio”, explica Howells.

A última música

No filme “Titanic”, a banda do navio permanece no deck enquanto navio afunda e toca a canção “Nearer, My God, To Thee” (“Mais perto de ti, meu Deus”) aos passageiros que não conseguiriam sobreviver. No entanto, um dos consultores para o filme, Paul Louden-Brown, da Sociedade Histórica do Titanic, afirma que James Cameron apenas usou a cena dos músicos no filme “Uma noite para se lembrar” (1958).

“Ele me disse: ‘Eu roubei isso inteiramente e coloquei no meu filme, simplesmente porque amei. Era uma parte muito forte da história’”, diz Louden-Brown.

Capitão Smith

O comandante do navio, capitão Smith, foi retratado como herói no cinema e ainda ganhou estátuas e cartões postais. Porém, ele é apontado por especialistas como o principal culpado pelas falhas na estrutura de comando a bordo. Smith não deu atenção aos alertas contra gelo e iceberg nem reduziu a velocidade da embarcação quando já se sabia da presença de gelo na rota do navio.

“Ele sabia quantos passageiros e quanto espaço havia nos barcos salva-vidas. Mesmo assim, ele permitiu que os barcos partissem apenas parcialmente cheios”, ressalta Louden-Brown.

Joseph Bruce Ismay, o presidente da White Star

Joseph Bruce Ismay, presidente da White Star, foi acusado de mandar acelerar o navio e escapar da embarcação no primeiro barco salva-vidas disponível, deixando para trás mulheres e crianças. Ele foi execrado em Nova York e aposentou-se falido em 1913.

Lord Mersey, que comandou o inquérito britânico em 1912, chegou à conclusão que Ismay ajudou vários passageiros antes de entrar no barco salva-vidas. “Se ele não tivesse se salvado, salvaria apenas mais uma vida”, pontuou Mersey em relatório.

“Se formos para a origem disso, temos de nos lembrar de William Randolph Hearst, o grande magnata da imprensa nos Estados Unidos. Ele e Ismay brigaram pelo fato de Ismay não cooperar com a imprensa [fornecendo informações] em um acidente com um navio da companhia”, diz Paul Louden-Brown.

Louden-Brown acredita que as acusações são injustas e chegou a discutir o assunto com James Cameron. “É isso que o público espera ver”, teria dito o cineasta ao consultor.

O autor do livro “Como sobreviver ao Titanic: o naufrágio de J. Bruce Ismay”, Frances Wilson, também defende o presidente da White Star. “Ele foi um homem comum pego por circunstâncias extraordinárias”.

Terceira classe

O filme “Titanic” mostra que os passageiros da terceira classe foram forçados a ficar longe do deck e impedidos de alcançar os barcos salva-vidas. Richard Howells, do Kings College de Londres, afirma que não existe evidências para confirmar tal história.

Os portões que os separavam dos demais passageiros do navio foram instalados por exigência da imigração norte-americana, que temia que os passageiros desembarcassem em Nova York sem passar por testes de higiene. Na terceira classe, estavam armênios, chineses, holandeses, italianos, russos, sírios e britânicos.

Evidências apontam que os portões estavam fechados na noite da tragédia e que só depois de a maioria dos barcos salva-vidas terem partido é que os eles foram abertos. Menos de um terço dos passageiros da terceira classe sobreviveram.

Por: Yahoo Notícias.

Homofobia

Homofobia

Direção: Genésio Marcondes Junior

Gênero: Curta, Sexualidade

Brasil – 2005

Valorizando os curtas brasileiros, fiz uma pesquisa no site “Porta Curtas – Petrobrás” (lá tem muita coisa boa, amigas/os) e achei esse filme por lá. Por sorte, está hospedado no youtube também (vide vídeo acima).

Bom, não quero falar do curta em si, enquanto técnica, filmagem, fotografia, embora o jogo de câmeras valorizando o perfil dos personagens vale a pena ser dito: a filmagem do perfil, sempre de lado, equivale ao perfil  individual de cada personagem em  se mostrar como se é ou não? Enfim. A ideia, portanto, é partir direto pra prosa nos comentários. Tem café fresquinho no bule… :D

Por: Guerra de Pipoca.

Minhas Mães e Meu Pai

Minhas Mães e Meu Pai – The Kids are all right

Direção: Lisa Cholodenko

Gênero: Comédia Dramática

EUA – 2010

Uma família de quatro pessoas, um casal de adolescentes, Califórnia ensolarada. Classe média-alta americana. Um é ginecologista, trabalha muito e é firme, retira 17 miomas por vídeo, coisa que nunca vi e nem fiz, e outro – apesar da sólida formação acadêmica – vai saltando de projeto em projeto, mas não consegue encontrar a si mesmo. Estão com mais de quarenta anos.

Por razões óbvias, não conseguem tem filhos. O pai doou esperma e sua identidade só é conhecida pelo casal. Um belo dia o rapaz, menino bom, esportista, que faz amizade – e é sempre assim – com o grandalhão paspalho do colégio, quer conhecer o pai biológico; mas não pode. Somente a irmã lindinha, romântica, estudiosa e a cara da mãe; pode fazer isso. Afinal ela está completando 18 anos…

Bom, a velha fórmula de colocar um elemento novo num meio familiar ou de trabalho, ou esportivo, ou o que seja, é aplicada. Surge então o pai, ator? Mark Rufallo. Faz o típico homem-descolado: barba por fazer, motociclista, saradão, dono de restaurante natural, namora uma gata e é tranqüilo com a vida. A moçada apaixona. E ele, que levava uma vida assim sossegada, agora é a ovelha negra da família.

O processo, mostrado com bom humor e excelentes vinhos – veja o Petit Sirah de Kalyra – dali mesmo, de envolvimento dos personagens é interessante. Uma mulher com mais de quarenta anos que nem sabe qual é a sua identificação sexual é digna de pena. E a outra que acha que manda, porque tem o dinheiro e fala grosso; é risível. Elas se merecem.

Contudo o crescimento emocional dos filhos me encanta. O título original “The Kids Are All right” é muito adequado. Eles discutem em alto nível, enfrentam suas descobertas sozinhos, e por isso sofrem.

O amadurecimento da menina é ainda mais intenso, pois ela – de uma hora para outra – está diante de uma figura masculina de modelo, coisa que nunca teve. E suas reações, marcantes. Ela chegando bêbada é uma cena memorável e ao mesmo tempo delicada como momentos antes.

Outra sequência de grande impacto é o jantar na casa do coitado, que nunca procurou saber que tinha filhos e é jogado nesse redemoinho e por ser agradável, constrói dentro de si uma imagem nova que o envaidece e também o faz mais seguro. De um momento para o outro ele é o máximo, devido à sólida identificação musical e enóloga, e de outro é um sujo, cão traidor.

O final é pequeno-burguês, mas bem certinho para o tom de comédia aplicado. E nas infinitas rugas de expressão de Annette Bennig posso perceber a sensação de alívio ao ver que a filha está bem e o filho também. Grande atriz.

O que há de bom: uma discussão bem humorada sobre as crises de meia-idade e envolvendo filhos

O que há de ruim: idéia requentada, quando surge o sujeito

O que prestar atenção: a melhor fala é a tentativa de explicação do comportamento e da sexualidade delas quando o menino descobre filmes pornô de homens homossexuais, em um quarto em que coabitam duas mulheres; realmente o ser humano é complexo

A cena do filme: Juliane Moore despedindo o imigrante trabalhador e de olhar simples e retilíneo, culpa é um negócio complicado

Cotação: filme bom(@@@)

Por: C.O.B.R.A.

Um dia de Cão

Um dia de Cão – A Dog Day Afternoon

Direção: Sidney Lumet

Gênero: Policial, História Real

EUA – 1975

E por falar em filmes com a temática homossexual, nada mais justo que trazer pro blog um filme baseado em fatos reais: Um dia de Cão, de Sidney Lumet – que, infelizmente, morreu em abril deste ano, mas nos deixou uma vasta filmografia (também foi diretor de Assassinato no Expresso Oriente, adaptação da obra de Agatha Christie).

Desta vez, a homossexualidade é aplaudida, sobretudo, pela mídia. Aliás, o ato de amor homossexual vivido e interpretado por Al Pacino (Sonny) se transforma num show midiático e deixa em pânico a polícia do local. Isso porque Sonny e alguns comparsas decidem assaltar um banco para ele dar dinheiro pro seu namorado Leon (ator Chris Sarandon) fazer uma cirurgia de mudança de sexo.

Tudo deveria acontecer em 10 minutos. Mas, pela falta total de prática e experiência sobre o assunto, não tardou para Sonny e Sal serem descobertos pela polícia. O objetivo de dar dinheiro para o namorado fazer a mudança de sexo só ficou claro em meados do longa, quando teatralmente trazem a esposa de Sonny à cena do crime. O momento foi sen-sa-ci-o-nal! Sobretudo pra quem conseguir viajar no tempo e se localizar em 1975 – até então não havia nenhum filme sobre homossexualismo! O choque do público em descobrir que “esposa” na verdade é um homem somado à cumplicidade que se deu em seguida, da população incentivar o ato do amante, foi muito engraçado.

É também notória as piadinhas que surgiram quando foi descoberta a orientação sexual do assaltante. Não é que ele perdeu a moral de valentão, mas a polícia perdeu a moral em não capturar com rapidez “uma moça”. Ênfase nas cenas posteriores à descoberta do objetivo do assalto quando Sonny revistava os policiais que ele permitiu que entrasse no banco. A população em chamas a cada vez que Sonny passava as mãos perto das genitálias dos policiais. Até ele  desentendeu a reação do povo. E aqui Al Pacino merece aplausos, pois sua atuação foi maravilhosa neste filme. Não à toa que ganhou o BAFTA de melhor ator e que o filme ganhou OSCAR de melhor roteiro  adaptado; além de várias indicações, inclusive, ao Globo de Ouro. Um clássico!

Outro ponto que precisa ser ressaltado: Sal não é homossexual, somente Sonny. Neste contexto, houve no filme uma forte contradição à recepção da manipulação da mídia no caso. Pois, enquanto Sonny estava feliz com todo o escândalo que conseguiu provocar. Sal ficou bastante irritado em ser classificado como gay e insistiu para a mídia mudar o conteúdo de seus noticiários.

Em 2005, o diretor holandês Walter Stokman lançou o documentário Um dia de Cão – História Real. Ainda não o assisti, embora esteja em busca de vê-lo, mas soube que neste documentário Stokman conseguiu uma entrevista com Liz Eden (Leon), já operada. Não conseguiu falar com John Wojtowicz (Sonny), pois o mesmo exigiu uma alta soma de dinheiro para ser entrevistado. Ademais, parece que sobrevive da sombra de seu dia D, uma vez que só atende a qualquer telefonema se ouvir o código “dog”.

Enfim, por essas e outras, Um dia de Cão é um filme consagrado e que está no rol dos clássicos não só por ser o primeiro filme que trata do assunto homossexualidade, mas porque também no quesito assalto a bancos acrescentou e muito ao gênero policial.

Por: Guerra de Pipoca.

Meia noite no Jardim do bem e do mal

Meia-Noite no Jardim do Bem e do Mal – Midnight in the Garden of Good and Evil

Direção: Clint Eastwood

Gênero: Suspense, Policial

EUA – 1997

Tenho percebido um fenômeno interessante. Desde que a homossexualidade passou a ser vista pela justiça com outros olhos, a tv a cabo tem transmitido filmes sobre esta temática com mais frequência. Não me cabe elocubrar e nem divagar a respeito, é apenas uma observação que fiz nos últimos dias. Este filme eu vi pela tv a cabo e o que é ‘estranho’ é que ele data de 97 e está passando hoje como se fosse atual. Na verdade, talvez esse longa seja atual por muito mais tempo que se imagina…

Isso porque o contexto não é novidade, mas se atualiza em progressões geométricas, isto é, cada termo a partir do segundo é igual ao produto do termo  anterior por uma constante… parece estranho, mas essa máxima matemática se aplica às repetições cíclicas do Eterno Retorno… rsrsrs

Bom, vamos descomplicar?

A narrativa é baseada num livro de John Berendt e conta a história de um  rico colecionador de artes que é homossexual – Jim Williams (Kevin Spacey) – e que, ao realizar uma festa em sua residência, discute com seu amante Billy Hanson (Jude Law) e o mata com alguns tiros à queima-roupa. No meio disso, há um jornalista na festa que faz a cobertura do evento e posteriormente, do crime. O caso vai à júri popular e eis que entra o “barato” da história: o tribunal almeja condená-lo tão somente por ele ser homossexual.

O discurso da tribuna dá a entender que o crime em si não interessa. Interessa, tão somente, que ambos são homossexuais. O pano de fundo era a vida sexual dos envolvidos, como se este fosse o motivo do ocorrido.

Interessante notar a parcialidade midiática no caso, afinal, trata-se de um homem rico, com posses e prestígio. Não compensa detoná-lo, pois suas amizades são influentes. Ademais, o jornalista que cobria a festa decidiu ajudá-lo e ficou ao seu lado.

Ou seja, enquanto o júri tentava condená-lo por sua sexualidade, a mídia tentava abafar o caso. Típico, não? Para completar o circo, Jim e o jornalista contrataram uma macumbeira para fazer um trabalho pro morto largar o vivo de mão. E como quase todo feitiço vira contra o feiticeiro… Não quero expor o filme para quem ainda não o viu, mas percebem a tríplice aliança? Justiça, religiosidade e exposição midiática?

Bom, recomendo o filme, embora seja de Eastwood (diretor que não aprecio), porque em tempos de Parada Gay em São Paulo, STJ liberando uniões homossexuais (felizmente, o mínimo de laicidade neste país!!!), Marcha das Vadias e Vagabundas em protesto contra violência doméstica etc, nada mais apropriado do que assistir a um filme em que a palavra de ordem  é tornar a sexualidade das pessoas – que deveria ser encarado de maneira natural – um caso de polícia!

Por: Guerra de Pipoca.

Clube dos Pervertidos

Clube dos Pervertidos – A Dirty Shame

Direção: John Waters

Gênero: Comédia, Sexo

EUA – 2004

Ok!

Amor é muito gostoso, mas ninguém vive de flores e declarações de amor, correto? Então, como amanhã é dia dos namorados, que tal falarmos do verdadeiro tempero de qualquer relação amorosa, a saber, o sexo? Não venham com a ideia de que sexo é secundário, porque NÃO É. Alguém aceita namorar uma pessoa que o beijo não combina? Ou que é muito ruim de cama? Pois é… Sexo não é secundário.

Eu não conhecia esse filme até bem pouco tempo – quando a Dudark gravou um DVD pra mim, me presenteando com ele, seguido das seguintes palavras: “Vampinha, é uma comédia muito mais ou menos, mas é interessante pensar a luta entre a sociedade que julga ‘doente’ seres sexuados X os seres sexuados que mostram como o sexo é natural e saudável”.

É isso aí, Dudark! Concordo em gênero, número e grau que é disso que se trata. Mas, antes de falar do filme, quero dizer sobre uma experiência que fizemos (Moiras)durante essa semana.

Depois que assistimos ao filme, propus de usarmos o facebook da Morgue para uma experiência muito simples. Todos sabemos que a Morgue é uma pessoa de caráter firme, delicadeza inquestionável, educação soberana. Ninguém vê a Morgue ser ‘vulgar’, certo?

Pois bem. Então que escrevemos (Moiras) na página (facebook) dela (Morgue), como se fossemos ela: ‘EITA VONTADE DE TREPAAARRRRR GOSTOSO’.

Eu já sabia que iríamos receber represálias, fazia parte do experimento. Mas, não sabia que um grande amigo da Morgue iria parar de falar com ela. Isso me surpreendeu. Até que ponto o recalque  vai…

Tínhamos noção de que os mais puritanos do pau ôco iriam dar um pito e sabíamos que os mais livres clicariam no “curtir” do comentário. E foi o que aconteceu. Claro que com algumas ofensas as coisas sairam do controle, pois todos sabemos que não levamos desaforo pra casa… Teve gente que, inclusive, deletou a Morgue de sua página/contato. :o

Por que sexo tem sempre que ser associado à vulgaridade? Por que não se pode concebê-lo de maneira normal? Será que as pessoas que criticaram o “trepar gostoso” acham que vieram ao mundo pela graça divina? Que seus pais não se chupam até dizer chega? Que seus pais não se comem em todos os buracos competentes para isso?

**

Eu não me iludo: meus pais transam pra caramba! Felizmente, não nasci pelo método “in vitro”. Nasci como tem que ser: na base do sexo e da gozada. E tomara que a gozada tenha sido das boas. O que eu acredito muito que seja, porque eu gozo demais na vida. Aliás, se tem algo que eu gosto de fazer é gozar!

Sou pervertida por pensar assim? Vulgar? Ou sou NORMAL?

E agora podemos falar do filme, pois é disso que se trata, só que em doses nada, nada homeopáticas.

Muitos são os que criticam o BDSM ou qualquer forma distinta de se fazer sexo. Já vi muito homossexual criticar algumas posições e técnicas, mas não se tocam que se reúnem na Avenida Paulista, p. ex., para exigir respeito e igualdade de tratamento… Que coisa, não? Pessoas que deveriam, no mínimo, não criticar a forma como outros gozam, por vezes, são as mais intolerantes. Enfim, já vi também muito heterossexual normaloide insistindo em criticar tudo: os homossexuais, os bissexuais, os bdsmistas etc. Acho tudo isso um saco, pois o que importa é fazer sexo como gosta e goza. Não importam os rótulos, importa que o sexo seja: SÃO, SEGURO E CONSENSUAL.

No filme, que é comédia, tudo (fetiches, fantasias, homossexualidade, BDSMistas, Bissexualidade etc) se apresenta satirizado e caricatural. Concordo com a Dudark, pois chega um ponto em que as piadas são até bem bobinhas, mas dá pra rir adoidado. Porém, é soberano notar o grupo de pessoas que se unem contra as pessoas que se tornaram viciadas em sexo depois que levaram uma paulada na cabeça. Aliás, dá pano pra manga até mesmo a maneira como se viciaram em sexo: levando uma porrada na cachola. Ou seja, como se bater com a cabeça enlouquecesse os indivíduos. Percebem?

A sociedade normativa cria um grupo de ajuda para pessoas viciadas em sexo e tudo vira uma baderna. De tão ridículo que é a comunidade pastoral que acha um horror uma boa trepada (como o experimento no facebook da Morgue), o filme passa a ser engraçado. Não é cult, não é altruísta, mas vale muito a pena dar boas gozadas, ops, risadas, com essa sociedade cristã chata e careta; que julga o sexo como algo impuro… decerto, nasceram pela cegonha. Uia! Que coisa patética.

Abaixo a caretice, o recalque e as idiotices preconceituosas! Viva o amor livre, o sexooooooooooooooooooooooooooooooooooooo seja como for!

Foda-se a ignorância, literalmente. SÓ QUERO SABER DE GOZAR NO FINAL…

Por: Vampira Olímpia.

O Virgem de 40 Anos

O Virgem de 40 Anos – The 40 Years-Old Virgin

Direção: Judd Apatow

Gênero: Comédia

EUA – 2005

O título já nos adianta o que vem lá, uma comédia para adolescentes. Já vi milhares. Gosto das antigas, tipo “Porky’s” onde o escracho e o politicamente incorreto é o tom maior. Essas mais recentes são infantilizantes e imbecilóides. Porém, desta feita não é bem assim. Um homem de quarenta já é crescidinho. Sabe o que quer e infelizmente o que vemos na tela também ocorre na vida real. Muitos nascidos no início década de sessenta, recusam-se a amadurecer.

Mas a pergunta é: quem é mais bobo? Os amigos com valores superados e chavões machistas acerca das mulheres – até o “romântico” da turma- ou ele, o virgem que ao que parece simplesmente, não pintou alguém? Será que as pessoas não podem optar na vida? O sonhar com um encontro pessoal de alto nível?

Essas reflexões são até meio esquisitas em um filme raso. Mas são válidas na vida que levamos. Piadas e mais piadas sobre quem sofre. Nem todo mundo é extrovertido e consegue mijar no meio da rua. Ou pegar uma vagaba bêbada na boate… Nem todo mundo é vulgar…

Começo a torcer pelo casal se ajustar. Ah, ele consegue o telefone de uma gata. Avó, já. Mas muito linda e interessante. Ele vai negando fogo, algumas horas as coisas não dão bem certo. E a gente morre de rir. O filme, diga-se de passagem, é realmente engraçado. A cena inicial da casa dele, o eterno adolescente acordando com uma ereção, é muito boa. E a da depilação? E quando um amigo quer provar que o outro é gay?

Cada pessoa tem um palpite infeliz e a sociedade americana transforma a conquista e as relações humanas em meros jogos. Mas é engraçado ver a moçada contando histórias sexuais e ele “confessando” que é virgem. De um lado eu fico racionalizando tudo e de outro, morro de rir.

A obsessão “em dar a primeira” dá uma guinada no meio pro fim do filme. Agora ele adia a idéia, pois o enamoramento torna-o inseguro. Resolve testar numa dessas vadias de plantão.

O roteiro então nos surpreende com uma armação final absolutamente divertida. Além da música escolhida ser “hors-concur”. Sei que daqui a pouco irei esquecer o filme e jamais revê-lo. Mas enquanto durou, eu ri muito. Se era pra isso que foi feito, serviu.

O que há de bom: um ator perfeito para o papel, sem exageros e parecido com muita gente que conheço
O que há de ruim: algumas traduções ficaram aquém da capacidade de nos dar mais graça do que já é, principalmente quando o negrão (sempre estereotipado) fala
O que prestar atenção: a música final é a abertura do mítico filme e peça “Hair”
A cena do filme: a revolta da filha em não poder ser plena como a mãe, típico de aborrecente

Cotação: filme regular (@@)

Por: C.O.B.R.A

Cisne Negro

Cisne Negro – Black Swan

Direção: Darren Aronofsky

Gênero: Suspense

EUA – 2010.

A primeira dica é gostar de ballet. Não tem como gostar deste filme sem ao menos ter ouvido falar de “O Lago dos Cisnes” do russo Tchaikovsky. O próprio título do longa sugere ao espectador o que virá.

Eu fiquei muito surpresa quando decidi ver a ficha técnica do filme, pois a direção é de Aronofsky; o mesmo diretor que fez O Lutador. Das arenas das pancadarias para o universo da delicadeza clássica… foi uma surpresa boa. Embora “Cisne Negro” também tenha muita “pancadaria”.

Eu fiz jazz durante muitos anos da minha vida porque não quis me torturar com a vida cheia de controles do ballet. Bailarinos e bailarinas não podem quase nada, portanto não é para mim, mas sempre admirei a leveza de borboleta de quem decide voar lindamente nos palcos. O filme mostra esses dois lados: o da leveza de uma borboleta e o da pancadaria do controle que o Ballet exige.

Nina (Natalie Portman) é uma bailarina com muita técnica, mas sem vida! Sem tesão! Ela não passa arte… só técnica. O seu instrutor tenta libertá-la deste controle, mas da pior maneira possível: controlando-a constantemente. Dorme num quarto cheio de bichinhos rosinhas, bonitinhos, fofinhos e tem 28 anos! É uma criança sendo vigiada pela mãe, instrutor paterno e, claro, por ela mesma na forma do espelho Lily.

Há algum suspense no filme, mas de cunho completamente psicológico. Detalhe interessante na técnica de Darren Aronofsky. Em O Lutador ele também buscou beber nesta fonte: ressaltar a personalidade e a individualidade de Mickey Rourke. Desta vez, o foco é Portman, extremamente magra, problemática e angelical.

Eu gostei do resultado. A presença de espelhos é constante. Em praticamente todos os ambientes estes objetos estiveram presentes e, muitas das vezes, a bailarina Nina fora filmada por seu reflexo narcísico no espelho e não por seu frontal; o que ela passa é o Cisne Branco, mas o que ela É, no reflexo para além de sua imagem, é o Cisne Negro….

Eu recomendo.

Por: Guerra de Pipoca.

2 anos de Guerra de Pipoca!!!

Enfim, se fechamos o ciclo de mais um ano, então, que venha mais! Somos gulosos!

:D

Parabéns para nós!

Beijos,

Guerra de Pipoca.

Os Sonhadores

Os Sonhadores – The Dreamers

Direção: Bernardo Bertolucci

Gênero: Drama

França – Itália – Inglaterra – 2003

Bertolucci ficou conhecido com a direção de “O Último Tango em Paris”, filme de 1973 que deu a ele prêmios e popularidade.  A lista de filmes que dirigiu não é vasta apenas em número, mas em qualidade; e a última obra que produziu, até então, é Os Sonhadores. Filme belíssimo e, para mim, o melhor de sua filmografia.

Baseado no romance de Gilbert Adair, “Os Sonhadores” é uma linda homenagem ao cinema, na medida em que o filme recorre a outras grandes obras o tempo todo ao celebrar a juventude da década de 60 do século passado. É um filme muito polêmico e impactante, que dá imenso pano para manga.

A época é 68, tempo em que a França (Maio de 68) foi palco de uma greve geral – que também é mostrada no filme – denunciando o tempo das revoluções e movimentos políticos-sociais dos anos 60 e 70. Bertolucci não poupa em homenagem: a trilha sonora é espetacular e toda desse tempo de “Woodstock”: Hendrix, Joplin, Doors… enfim, muito boa.

O fim da década de 60 (com o início de 70) foi marcado por grandes acontecimentos: guerra do Vietnã, retorno do movimento feminista, politização dos jovens etc. Sutilmente, estes acontecimentos são resgatados no filme pelos 3 jovens Matthew e os gêmeos Theo e Isabelle, cinéfilos de classe econômica alta que se fecham em um apartamento enquanto seus pais viajam e a França está em chamas em plena revolução. Essa é a ideia do sonho no filme: o distanciamento e isolamento do que acontece ao redor. O mundo dos sonhos é interno e particular. Matthew, recém amigo dos gêmeos, embarca nos jogos psicológicos deles por ter se apaixonado por Isabelle, mas logo percebe que Theo e ela – ainda que irmãos – se relacionam quebrando a ideia do tabu do incesto. É um mundo à parte do que o social determina, tal como nos sonhos, onde tudo é (quase) possível. A ausência do pai é notória, tanto enquanto normalizador da ordem social (função paterna) e das regras e leis; quanto da imposição de um limite necessário aos filhos. França em caos, os filhos também. Onde está o pai?

Bertolucci não deixa barato: se a época é de um retorno ao feminismo, então que seja feita uma homenagem a elas também, com isso, é um dos poucos filmes que mostra o nu frontal masculino. Geralmente, o nu frontal é reservado às mulheres, os homens se preservam e são preservados, como o machismo determina. Aqui não. Aqui vemos Theo e Matthew compondo o triângulo com Isabelle… Mas, vale dizer que a ideia não é a de levantar preconceitos de gente escandalizada com que vê. A ideia é de um mundo sem leis, um mundo artístico onde a imaginação e o poder se cruzam e mostram o quanto o cinema – enquanto arte – tem a capacidade de mexer com nossas visões. Ou seja, é também um ato político!

“A rua entrou no quarto”.

Há um momento em que Isabelle grita isso aos outros dois jovens e eles saem do sonho e vão às ruas lutar na revolução. Trago esse momento para cá, pois é importante perceber a sutileza do que ela está dizendo: “os outros entraram em nossas vidas”. Ou seja, é a saída de um autismo alienante para a entrada de uma socialização. Eles “entram” no mundo social, saem do sonho individual, do mundinho próprio. Em outras palavras, o pai (a lei social normalizadora) retorna à casa.  É uma cena linda e extremamente sutil.

E quando a polícia resolve atacar a população? A filmagem é digna de aplausos! Bertolucci filma de frente, como se a Polícia viesse correndo para cima de nós: espectadores sentados, de braços cruzados, vendo tudo acontecer no camarote…

Belíssimo!

Recomendo, é uma obra-prima!

Por: Guerra de Pipoca.

Por Amor a Nancy

Por amor a Nancy – For the love of Nancy

Direção: Paul Schneider

Gênero: Drama

EUA – 1994

Esta imagem não é do filme, mas é pertinente trazê-la.

Filme de 94 que é muito atual, pois se refere à história real de um caso extremo de anorexia (transtorno alimentar que pode levar à morte). Diante de tanta tecnologia avançada e exigência cultural da indústria da beleza, os que sofrem de transtornos alimentares não tem escapatória, uma vez que se afundam em suas neuroses e distorções corporais com o consentimento social. Bom, comecemos pelo início.

Enquanto criança, as diferenças físicas são mais marcantes no que se referem à genitália. Corpos de crianças não se diferem muito umas da outras. Somente no decorrer dos anos de vida é que os corpos se desenvolvem e se diferenciam com maior evidência. Como dizem no popular: o sujeito “encorpa”. As diferenças de gênero passam a ser mais visíveis, não preciso descrever aqui, claro.

Na adolescência, o corpo se desenvolve de maneira desproporcional. Os braços crescem e se alongam, a voz sofre modificações em tempos variados, as pernas não crescem no mesmo tempo que os braços. Enfim. São os “desengonçados/as” por natureza. Somado a isso, todos/as adolescentes sentem-se de “mal” com seus corpos em transformação.

Pensemos juntos: primeiro se é criança, diferença gritante com o mundo adulto. Depois, as pessoas deixam de ser crianças, crescem desproporcionalmente, tem corpos de pessoas  adultas, mas não são tratadas como tais. São tratadas entre a infantilidade e a adultice, sabem que são tratadas assim porque seus corpos mudaram e o pior, de uma maneira extremamente disforme. Se os corpos ao menos mudassem de maneira uniforme… Difícil exigir que não fiquem de mal com a vida na adolescência…

Os indivíduos que sofrem mais com isso são aqueles que psicologicamente não querem adquirir essas mudanças corporais que denunciam maturidade sexual. Em outras palavras, são aquelas pessoas que querem permanecer com seus corpos de crianças, tratados/as como tais, sem formas, sem curvas, sem atrativos sexuais. Pois, o corpo adulto é um corpo biologicamente preparado para a vida sexual ativa.

Somado a essa problemática, na cultura ocidental em épocas pós-modernas  ser bonito/a é ser magro/a. Ou seja, ser “sarado/a” é ter um corpo malhado, sem gorduras, sem excessos desnecessários. Em contrapartida, ser “doente” (pra fazer semblante ao ser “sarado”) é ser gordo/a, acima do peso exalando excessos.

Negação (inconsciente) da sexualidade + negação (inconsciente)  do corpo em desenvolvimento + neurose estética cultural = anorexia.

Parada rápida para um comentário pertinente: os/as modelos são cabides! Expositores de roupas que são guardadas em guarda-roupas, armários!

Voltando, “parar de comer” para o/a anoréxico/a é equivalente a ter “controle” do desenvolvimento corporal. Isto é, decidir não comer mais faz com que se emagreça tanto que “as curvas”, as formas, desaparecem. Não é assim? Almejam a assexualidade.

(gente, estou falando de pessoas com corpos adultos que chegam a 30 kilos!)

A diferença entre anorexia e bulimia é que na bulimia o indivíduo consome grandes quantidades de alimentos calóricos de maneira rápida e depois faz grandes estágios de jejuns somados à provocação de vômitos e ingestão de laxantes para por tudo o que se comeu pra fora, pelos buracos possíveis do corpo. E o sujeito anoréxico simplesmente não come.

O filme mostra Nancy em todos os estágios anoréxicos. Para a turma Psi é indispensável assisti-lo. Porém, recomendo para todos. Lembrando que o que está em jogo não é somente a neurose cultural do corpo perfeito, o buraco é mais embaixo… trata-se de uma doença psicológica crivada na distorção manifesta do corpo e da sexualidade…

Não dispensem as guloseimas ao assistirem “Por amor a Nancy”!

Por: Guerra de Pipoca.

Crash – Estranhos Prazeres

Crash – Estranhos Prazeres

Direção: David Cronenberg

Gênero: Drama, Sexualidade

Canadá – 1996

A média comum se escandaliza com fetiches diversos. Basta que fuja ao padrão “papai e mamãe” ou que o sexo escape do cortejado e romantizado, que os narizes da maioria ficam torcidos. Talvez, nessa sociedade que encara, hoje, melhor o homossexualismo, bissexualismo, mundo sexual em geral, “Crash” seja mais aceito. Mas ainda assim eu duvido um pouco, porque Crash mostra que por vezes não é o ser humano que traz tanto tesão ao outro, ou ainda, não é determinado ser humano que provoca desejos. Pode ser simplesmente um carro batido, quem está dentro dele é secundário.

Fetiche é algo interessante de ser observado, pois fura e acentua o narcisismo humano. Pros fetichistas (digo, os de verdade, não estes que vez ou outra faz algo diferente), não importa a pessoa, mas sim o cumprimento do fetiche. O tesão está no objeto em si. Neste filme, o fetiche, objeto de fetiche, é acidente automobilístico.

Como os semelhantes se atraem, aqui Cronenberg soube amarrar a história como quem tece uma teia de aranha. Reúne um grupo de adoradores de carros batidos e acidentes e põe o pessoal pra trepar. Sem melindres e conversas fiadas. Não se reúnem por acaso, mas é por acaso que se acidentam, inicialmente. Se os acidentes são planejados, são acidentes? Fica a questão.

Uma cara observação: Antes que pensem que se trata de um “pornô”, a história é muito bem sustentada na arte. Afinal, não estamos falando do “Rambone”, estamos falando de Cronenberg!

A repetição das aventuras sexuais com acidentes automobilísticos pode soar vazia ou esvaziada, não é um filme que a maioria degusta com facilidade. É necessária certa maturidade para entender o projeto que está em jogo na obra. A história não é convencional, o amor não é convencional… e as cicatrizes? Bom, David Cronenberg fez delas o segredo da receita do bolo. Senão bastassem as marcas corporais dos acidentes – que não são leves-, ele me vem com a cena em que James Spader e Elias Koteas tatuam seus corpos e transam em seguida dentro de um carro. Simbologia muito forte. Para cada “acidente de vida”, uma cicatriz, uma marca, corpo tatuado. Genial.

“O tempo presente e o tempo passado
Estão ambos talvez presentes no tempo futuro
E o tempo futuro contido no tempo passado.
Se todo o tempo é eternamente presente
Todo tempo é irredimível.
O que poderia ter sido é uma abstração
Que permanece, perpétua possibilidade,
Num mundo apenas de especulação.
O que poderia ter sido e o que foi
Convergem para um só fim, que é sempre presente.
Ecoam passos na memória
Ao longo das galerias que não percorremos
Em direção à porta que jamais abrimos
Para o roseiral. Assim ecoam minhas palavras
Em tua lembrança.
Mas com que fim
Perturbam elas a poeira sobre uma taça de pétalas,
Não sei.

(…)

Não cessaremos nunca de explorar
E o fim de toda a nossa exploração
Será chegar ao ponto de partida
E o lugar reconhecer ainda
Como da primeira vez que o vimos.
Pela desconhecida, relembrada porta
Quando o último palmo de terra
Deixado a nós por descobrir
Aquilo for o que era o princípio”.

(T.S.Eliot)

 

Por: Guerra de Pipoca.

O Segredo dos seus Olhos

O Segredo dos seus Olhos – El Secreto de sus Ojos

Direção: Juan José Campanella

Gênero: Drama, Policial

Argentina – Espanha – 2009

Mais um filme inclassificável, e por isso mesmo belíssimo. Muitas pessoas têm amores platônicos e desejos inconfessáveis e passam a vida sem mesmo se declarar. Outras tomam coragem e dizem o que sentem. Algumas raramente conseguem viver pelo menos um momento de total entrega. Exceções bem mais incomuns são aqueles que mil vezes amam, porém não prosseguem por medo de dar errado. E por fim, os que apostam no verdadeiro amor e envelhecem juntos. O ideal. Campanella nos mostra uma aposta, que demora no mínimo vinte e cinco anos para ser feita. E quanta coisa passa neste temporal!

Um assassinato. Uma moça linda e violentada. Um marido eternamente apaixonado e preso neste círculo injusto. Um assassino pérfido. Um investigador incansável. Um amigo maravilhoso. Um juiz risível (e qual não o é, com suas idiossincrasias e ilusões de ser alguém melhor do que os outros?). Um rival cruel. E uma parceira maravilhosa.

Já aposentado Ricardo Darín – um dos olhos mais bonitos que já vi – volta ao seu local de trabalho, ele é Benjamin Esposito. Quer fazer um resumo de sua vida, perdas e danos. Uma piadinha sutil na entrada, revela a bem humorada rotina em que vivia com seu amigão, o “borracho” Guillermo Francella que vive o Pablo Sandoval. Depara-se com Soledad Villamil que é Irene Menéndez Hastings que foi sua jovem chefa. E agora é a respeitada líder do serviço, e –pasmem- está mais bonita do que antes!

Soledad é daquelas mulheres que não precisam falar. E quando abrem a boca só melhoram, porque são suaves e firmes. Sem maquiagem e sem preenchimentos ridículos na face e mama. Ela é natural e por isso perfeita. Seu personagem, Irene; é incrível. Sempre soube o que quis, tentou abrir e fechar a porta do seu destino. Não conseguiu. Permaneceu íntegra, desejosa e fiel aos seus princípios. Seus movimentos são honestos e sua explosão ao deparar-se com um monstro é louvável. Sabe dos segredos que toda mulher carrega.

Uma máquina de escrever sem a letra A. Um time de futebol. Um estádio. Uma estação de trens. Uma casa do interior. Um bar cheio de bêbados. Uma casa cheia de móveis. Uma casa de campo. Uma prisão. Um fórum. Uma sala. Uma porta.

A capacidade de Campanella de alinhavar cada fato – e todos os são, preste atenção até no pedaço de papel escrito e depois acrescentado – indo e vindo no tempo é de um rigor literário imensurável. Pura poesia. A teoria de Pablo Sandoval de que cada um abandona tudo na vida, menos a sua paixão é fundamentada por cada personagem do filme. Apenas as paixões são diferentes, ou melhor, o objeto dessas paixões.

A maquiagem é tão bem feita, que quem não conhece os atores não consegue saber se os mesmos são jovens e estão envelhecidos, ou o contrário. O final vem chegando com tantas surpresas que você se arrepende de não ter dado maior atenção aos fatos e palavras ditos pelos personagens no decorrer da projeção. Contudo o filme é tão simples que você consegue acompanhar claramente os fenômenos de dúvida e redenção de cada um. Mortes, prisões eternas (o carcereiro também está preso ao seu condenado) , revelações e uma opção de mudança que não ficará incólume.

O que há de bom: cada ator tem o seu momento-solo e absolutamente todos são reais e com qualidades e defeitos, humanos

O que há de ruim: perceber que os argentinos estão anos-luz de nós em termos de filmes, torcida de futebol e mulheres bonitas

O que prestar atenção: Soledad é o nome de mulher em língua espanhola que mais gosto, a senhora Villamil também canta, de cara limpa, vestido solto, cabelos soltos, ela é um tango moderno, clássica e ao mesmo tempo sutil

A cena do filme: fiquei em dúvida quanto a explicação sobre paixões de Pablo, depois a pressão de Irene em cima do estuprador, o jogo no estádio do Huracán, o Esposito acrescentando a letra A… mas me rendi à última cena, porta fechada e vida aberta!

Cotação: filme excelente (@@@@@)

Por: C.O.B.R.A .